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JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 01.10.2012 – PÁG.17



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JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 01.10.2012 – PÁG.17
Escolaridade cresce em ritmo mais forte no DF
Unidade da Federação com maior nível de educação do país, o Distrito Federal também vê a quantidade de pessoas com pelo menos ensino superior completo aumentar mais rapidamente. Segundo dados do IBGE, 424 mil brasilienses já concluíram a faculdade.

Diego Nardi está concluindo o curso de direito e já vai para o Japão fazer um mestrado: sonho de ser pesquisador



A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o Distrito Federal é a unidade da Federação com maior escolaridade do país. Além disso, aqui, o ritmo de pessoas com muitos anos de estudo cresce de forma mais acelerada. Segundo o IBGE, 424 mil brasilienses têm

15 anos ou mais de educação formal, ou seja, concluíram o ensino superior — se o curso for

tradicional —, com duração de quatro anos.


O número representa 18,57% da população do DF, percentual muito acima da média brasileira e dos demais estados. No Brasil, 8,09% da população têm 15 anos ou mais de estudo e, depois do DF, o estado com maior escolaridade é São Paulo, onde 11,25% da população estudaram 15 anos ou mais, seguido do Rio de Janeiro, com 11,24% (veja quadro ao lado). O DF não só é a unidade da federação com maior escolaridade, como tem apresentado um crescimento mais rápido no número de pessoas que concluem, pelo menos, a faculdade. Em 2001, 4,74% dos brasileiros tinha 15 anos ou mais de estudos. Em uma década, o número cresceu menos de quatro pontos percentuais, enquanto, no DF, aumentou quase 9% e passou de 9,99% para 18,57%.
O crescimento na escolaridade de uma pesquisa para outra em Brasília também chama a atenção. A Pnad é feita a cada dois anos e, em São Paulo, por exemplo, a quantidade de pessoas com 15 anos ou mais de estudo aumentou 1,18 ponto percentual entre 2009 e 2011. No Rio de Janeiro, o incremento ficou em 0,58% e, em Santa Catarina, foi de 0,8%. No Brasil, o percentual subiu 0,69%, enquanto no DF chegou quase a dois pontos percentuais (1,64%).
Metodologia

O IBGE começa a contar os anos de estudo no ensino fundamental. Depois de nove anos dessa etapa, somam-se mais três de ensino médio e, assim, o estudante começa a cursar faculdade após 12 anos de estudo. Se o ensino superior dura quatro anos, como a maioria dos cursos tradicionais, ele termina a faculdade com 16 anos de estudo. O IBGE não conta mestrado nem doutorado. Quem estudou depois da universidade entra na estatística como “mais de 15 anos de estudo”.


Brasília começa a se destacar nas estatísticas a partir dos 11 anos de estudo, correspondentes a quem terminou o segundo ano do ensino médio. Essa,

aliás, é a escolaridade de maior parte dos brasilienses: 24,04% da população do DF estudaram por 11 anos (no Brasil, o percentual é de 22,12%). O número cai entre os 12 e 14 anos de estudo, mas, ainda assim, é maior que a média brasileira.


Renda

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, afirma que cada ano de estudo a mais aumenta, em média, 15% a renda de uma pessoa. As estatísticas também mostram que, se ela tem o ensino superior completo, um ano a mais de estudo impacta em 47%. “Isso está mudando, mas os números ainda são esses. Brasília se destaca pelo setor público, que demanda mão de obra qualificada”, diz.


Para o professor Ricardo Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma escolaridade alta está diretamente ligada a uma renda mais elevada. Segundo ele, quanto mais estudo uma pessoa tiver, maior será o salário dela. “O mercado de trabalho remunera melhor uma pessoa com escolaridade alta. Existe relação entre o desenvolvimento intelectual e a produtividade e as chances de uma pessoa estudada ganhar bem são maiores”, afirma. “A prova de que quem estuda mais também ganha mais é que Brasília tem umas das maiores rendas per capita do Brasil.”
Diego Nardi, 23 anos, tem planos de cursar mestrado e doutorado. Ele está se formando em direito pela Universidade de Brasília (UnB), defendeu a monografia no fim da semana passada e pega o diploma em novembro. Mesmo antes de formado, ele foi aprovado para fazer um mestrado no Japão e deve embarcar para lá em abril ou outubro do ano que vem, onde deve ficar quatro anos estudando. “Fico os primeiros seis meses me adaptando, estudando a língua e a cultura. Depois, passo um período como estudante pesquisador e começo a fazer o mestrado propriamente dito”, conta.
Estudar sempre foi uma das atividades preferidas do rapaz, que ainda pretende fazer um doutorado antes de voltar para o Brasil. “Eu gostaria de trabalhar em organismos internacionais, na área de desenvolvimento social e cultura, e voltar ao Brasil para seguir carreira acadêmica. Se eu pudesse ganhar uma bolsa para estudar e ser pesquisador o resto da vida, iria adorar. Estamos expostos a muito conhecimento, todo dia temos acesso a novas informações e é preciso se atualizar”, diz Diego, que ficou cinco anos e meio na faculdade e soma quase 18 anos de estudo.
Segundo o especialista em educação Célio da Cunha, professor da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Católica de Brasília (UCB), “Brasília tem uma história educacional bonita” e, apesar de ainda enfrentar desafios e estar longe do ideal, o DF sempre esteve acima da média nacional. “A concepção educacional de Brasília é diferente desde a construção da cidade, com os projetos de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. Brasília tem condições que permitem um desempenho ainda mais elevado”, afirma.
Mudança no ensino
Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro são personagens importantes na história da Universidade de Brasília, que completa 50 anos este ano. O antropólogo Darcy Ribeiro definiu as bases da instituição e o educador Anísio Teixeira planejou o modelo pedagógico. Teixeira defendeu o conceito de escola única, pública e gratuita como forma de garantir a democracia. Instituiu na Bahia, em 1950, a primeira escola parque, que procurava oferecer à criança um colégio integral, modelo também implementado em Brasília. Na década de 1960, Darcy Ribeiro lutou pela criação da UnB, sendo o primeiro reitor da instituição fundada com a promessa de reinventar a educação superior e formar profissionais engajados na transformação do país.


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