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JORNAL – FOLHA DE SÃO PAULO – 26.07.2011 – PÁG.A02



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JORNAL – FOLHA DE SÃO PAULO – 26.07.2011 – PÁG.A02
A última romântica

Fernando de Barros e Silva


Cigarros, isqueiros, copos com drinques coloridos, garrafas vazias -de vodca, do licor de coco Malibu... Às flores, velas, retratos e mensagens de praxe os fãs acrescentaram em frente à casa de Amy Winehouse esses objetos que dão prazer, podem viciar e fazem mal à saúde. Para além da homenagem, era uma forma de participar do universo de excessos da cantora.
É curioso o apelo de Amy num mundo conservador, cada vez mais antitabagista e alerta para os riscos das drogas -um mundo onde vamos sendo ensinados a comprar produtos sem gordura trans e onde até as garotas de esquerda consomem horas dentro da academia.
Numa época em que as pessoas são estimuladas a abdicar de certos prazeres na expectativa de durar bastante, simplesmente para durar, Winehouse fez o roteiro oposto -intenso, autodestrutivo, suicida.
Sob o aspecto clínico, era uma viciada grave, necessitando desesperadamente da ajuda que insistia em recusar. Uma de suas canções mais famosas trata exatamente disso.
Amy foi presa fácil do jornalismo de celebridades, voltado à escandalização da intimidade dos famosos (quanto pior, melhor). Foi também, num tempo improvável, a herdeira de Janis Joplin, morta aos 27 em 1970, e de Billie Holiday, morta aos 44, em 1959, ambas por overdose.
Como suas antecessoras, Amy leva ao extremo o éthos romântico -do artista que vive em conflito permanente e se rebela contra o curso prosaico e besta do mundo. Na sua figura atormentada e em constante desajuste, o autoflagelo quase sempre se confunde com o ódio às coisas que funcionam.
Numa cultura inteiramente colonizada pelo dinheiro e que convida à idolatria, fazer sucesso parecia uma espécie de vexame e de vileza, o supremo fiasco existencial, contra o qual era preciso se resguardar.
Nisso Amy evoca os gênios do romantismo tardio -Lautréamont, Rimbaud e outros poetas do inferno humano, que tinham plena consciência da vergonha de dar certo.
Como os pontos de crack

Eliane Cantanhêde - elianec@uol.com.br


Mais de 50 organizações em todo o mundo colhem milhões de assinaturas pelo fim dos paraísos fiscais para levar à reunião do G-20 (países ricos mais os emergentes), em novembro, na França.
Aqui, no Brasil, a campanha será lançada hoje pela ONG Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), que reuniu dados assustadores sobre como o país perde quando empresas driblam a Receita e despejam bilhões de dólares nas Ilhas Cayman, Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas ou Luxemburgo.
Eles agasalham dinheiro ilegal -ou porque não pagou imposto na origem ou por ser fruto de desvios públicos, contrabando, tráfico de drogas... Depois dos paraísos fiscais, volta limpo e legal.
Os países mais afetados são emergentes ou pobres, como os africanos, onde ditadores se escondem sob variadas ideologias para dilapidar os recursos naturais, enriquecer muitas gerações da família e manter o povo faminto, analfabeto e submisso. Paraísos fiscais são, pois, instrumentos de sonegação fiscal, de falta de educação e saúde e até de autoritarismo.
No rastro de cada CPI brasileira (quando eram para valer) e das investigações cabeludas da PF sempre surgiam paraísos fiscais, especialmente as Ilhas Cayman. Mas, mais do que os corruptos, interessam os corruptores. Boa parte das empresas recorrem aos paraísos fiscais para fugir de suas responsabilidades com o Brasil e com os brasileiros. Estudos (precários, é verdade) estimam que a sonegação corresponde a 9% do PIB. O gasto público com educação é de 5%.
A campanha tem algo de juvenil, quixotesco ou nórdico, mas é, no mínimo, educativa e pede que os líderes do G-20 incluam o tema na agenda e sugiram medidas pró-transparência e antissonegação.
Seria o fim da hipocrisia, pois os paraísos fiscais são como pontos de crack: todo mundo sabe onde ficam, para que servem e o mal que causam, mas ninguém faz nada.



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