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JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 26.07.2011 – PÁG.14



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JORNAL – CORREIO BRAZILIENSE – 26.07.2011 – PÁG.14
Desigualdade se mantém no trabalho
Preconceito não constitui novidade no Brasil. A apregoada democracia da diversidade de que o país tanto se orgulha ainda tem muito a avançar. Grupos diferentes dos tradicionais donos do poder recebem tratamento diferenciado em situações semelhantes. Pesquisa do IBGE divulgada na semana passada apresenta dados que, embora não surpreendam, preocupam.
Os números são emblemáticos. Apesar de a taxa de desemprego ter caído para 6,2% em junho — nível mais baixo dos últimos nove anos —, a desigualdade não só continua, mas também sobressai. As mulheres enfrentam mais dificuldade de conquistar uma vaga, independentemente da qualificação.
Vale comparar: o índice de desocupação é de 5% entre os profissionais do sexo masculino e de 7,6% entre os do sexo feminino. Não só. O salário médio dos homens fica em R$ 1.774. O das mulheres, em R$ 1.257. A diferença: 40,8%. Mesmo no exercício de funções iguais, não se registra remuneração igual. A delas é menor. Cargos de direção seguem a mesma tendência — usam predominantemente terno e gravata.
O mesmo estudo revela a permanência de velha e intolerável assimetria. Ao incluir cor da pele, o cenário ganha contornos mais dramáticos. O percentual de desocupação entre os homens brancos é de 4,4% — abaixo do índice nacional, de 5%. Entre as mulheres negras, salta para 9,2% — 1,6% superior ao nacional.
Informação da pesquisa acrescentou um segmento rejeitado por empregadores. Trata-se do de jovens com até 24 anos de idade. Segundo o IBGE, 14,4% de rapazes e moças nessa faixa etária procuram, mas não encontram, colocação. A situação em Salvador ganha cores mais fortes. Na capital baiana, o índice bateu nos 21,5%.
A lamentável discriminação da juventude tem várias explicações. Entre elas, a falta de experiência. O empregador prefere apostar no certo e foge do duvidoso. Além disso, investe pouco ou não investe em treinamentos. Priva-se, assim, de insumo inexplorado e criativo, capaz de trazer sangue novo à organização. O fosso é maior entre os de menor escolaridade. De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação é proporcional tempo de estudo — de um a três anos, 3,6%; de quatro a sete, 5,3%; de oito a 10, 8,2%.
Impõe-se incluir a juventude no mercado de trabalho. Para tanto, é importante oferecer cursos técnicos e profissionalizantes. Estado e iniciativa privada devem se dar as mãos no esforço de abrir portas para rapazes e moças ávidos por iniciar carreiras que lhes permitam pôr em prática o que aprenderam e, ao mesmo tempo, investir em inovação. Impõe-se também apagar preconceitos. Discriminar trabalhadores por sexo ou cor da pele é prova de atraso — falta de sintonia com o século 21.




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