Época Moderna, assistindo-se um notável dinamismo civilizacional do Ocidente



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Principais Centros Culturais de Produção e Difusão de Sínteses e Inovações

Europa recupera das fomes, das pestes e das guerras, arrancando a Época Moderna, assistindo-se um notável dinamismo civilizacional do Ocidente.

São os povos Ibéricos que “abrem o mundo” com a descoberta das Rotas do Cabo e das Américas. Encontram-se então novas civilizações.

Entretanto:

* População aumenta;

* Cidades reanimam;

* Elites burguesas e aristocráticas faziam fortunas;

* Príncipes e monarcas recuperam rédea do poder, exercendo-o com desdém, sem olharem a meios.

Os inventos sucediam-se:

» Navegação transoceânica suscitava a revolução das técnicas náuticas e os progressos da cartografia;

» Uso da pólvora e de armas de fogo ditava supremacia dos Europeus;

» Imprensa difunde-se pela Europa e pelo Mundo; torna-se veículo de expansão cultural, de intercâmbio de ideias e de difusão de notícias;

Os séculos XV e XVI foram um tempo de façanhas mecânicas, em que o génio inventivo dos engenheiros se manifestou.




  • O Renascimento eclosão e difusão

É no contexto anterior que o Renascimento eclode e se expande: das letras às artes e às ciências esteve-se perante uma renovação cultural.

Descobriu-se o Homem como criatura boa, livre e responsável, feita de todas as coisas: ele foi o protagonista do movimento humanista.

A Antiguidade Clássica foi mestra na arte; os seus temas e estilos, os seus padrões, até o nu, foram retomados pelos artistas, que os souberam fundir com tradições locais.

A intervenção cultural do Homem renascentista refletiu-se na investigação científica. Neste campo os clássicos já não influenciam tantos os humanistas; as suas verdades foram revistas, e o seu espírito crítico e racional orientou os Renascentistas na pesquiza e na descoberta da Natureza e do Universo.




  • A Itália

Em Itália – herdeira direta de Roma e vizinha de Bizâncio, onde as tradições helénicas se conservaram – localizou-se o berço do Renascimento. Assumiu-se como “farol” da nova cultura renascida. Albergou estudiosos da língua grega e da filosofia platónica; autores cujas obras se baseavam na perspetiva com harmonia, na simetria e na beleza…

Roma foi o terceiro dos grandes centros culturais da Itália renascentista, onde a contratação de prestigiados artistas permitiu a monumentalidade da capital da Cristandade.

Veneza usufruía de uma notável prosperidade económica e política e distinguiu-se pela escola de pintura, e pelas cerca de 150 oficinas tipográficas.


  • O resto da Europa

Desde finais do século XV, toda a Europa fervilhava culturalmente, deixando-se contagiar por Itália. Tal como na Península Itálica, na restante Europa do Renascimento os centros culturais deveram a sua vitalidade ao dinamismo das cortes r+régias e principescas, dos círculos aristocráticos e burgueses, das oficinas de imprensa, dos colégios e universidades renovadas.

Países Baixos: (duques de Borgonha) pintura atingiu um elevado grau de aperfeiçoamento técnico. Erasmo de Roterdão foi um notável filósofo e moralista holandês.

França: (Francisco I) impulsionou os estudos humanistas e favoreceu a aplicação de uma decoração classicizante.

Alemanha: importante pólo de estudos matemáticos, astronómicos e cartográficos; pintores conjugavam nos retratos o pormenor descritivo e a perceção psicológica, de tradição nórdica, com a técnica italiana.
Pesem embora a atração pelas novidades italianas e a paixão pelos clássicos, o Renascimento apresenta, na Europa, diversidades regionais. O pendor mais racional e controlado do Humanismo e da arte da Itália fundem-se, por toda a parte, com a criatividade e as tradições locais, com as diversas intenções ideológicas, dando origem a curiosas sínteses e reinterpretações.
O Cosmopolitismo das Cidades Hispânicas

A participação da PI na Europa do Renascimento reveste-se de características bem específicas. Sem desdenharem a cultura clássica foi pelo afluxo das mercadorias ultramarinas, pelos conhecimentos geográficos e pelo saber técnico forjado na experiencia dos mares que os reinos ibéricos se projetaram.




  • Lisboa

O prosseguimento metódico e sistemático das navegações portuguesas fez deslocar o ponto mais importante da economia europeia do Mediterrâneo para o Atlântico. Lisboa transformou-se na metrópole comercial do Mundo. O porto de Lisboa espantava pela concentração de navios que continuamente o visitavam. Nele se cruzavam as tripulações das armadas, soldados, missionários, mercadores e aventureiros que partiam ou chegavam das ilhas, os funcionários, os mercadores estrangeiros, entre eles feitores dos estabelecimentos mercantis e bancários europeus, os humildes carregadores, muitos dos quais escravos negros.

Certamente pairava no ar o cheiro da canela e da pimenta. As especiarias exerciam um fascínio nos mercadores e curioso que visitavam Lisboa.

Mas a riqueza fabulosa de Lisboa não era apenas feita de mercadorias exóticas ou de ouro e prata; dela faziam parte outros tesouros bastante apreciados. Referimo-nos ao infindável rol de informações geográficas, astronómicas e cartográficas que a Casa da Índia cuidadosamente guardava. Na altura em que o conhecimento do Mundo proporcionava poder sobre terras e povos, os mapas portugueses, constantemente atualizados, estiveram na origem de curiosos episódios de espionagem.

Metrópole comercial e porta aberta para o Mundo, Lisboa assumia o lugar de metrópole política. Nela se instalara a alta administração do reino e Ultramar e permanecia, por períodos cada vez mais longos, o rei e a sua comitiva.

Testemunho da grandeza da capital do reino foi o seu dinamismo demográfico. Lisboa passou de uns 70 000 residentes para uns 100 000, número que se elevou a 165 000 ao terminar o primeiro quartel de Seiscentos. Nela convergiam os contingentes de escravos, que emprestavam exotismo às ruas; mas também os fluxos migratórios que despovoavam o interior.

No reino nenhuma outra cidade se comparava a Lisboa. Era, no dizer do historiador Oliveira Marques, uma “cidade monstruosa, cabeça demasiado grande para corpo tão diminuto”. E, na Europa, era também das maiores e mais populosas urbes.




  • Sevilha

Em vez de chegar à Índia, Cristóvão Colombo conduziu a Espanha à descoberta de um continente por todos ignorado – América. Com tal proeza, Colombo não deu à Espanha as cobiçadas especiarias mas trouxe-lhe grandes quantidades de ouro e prata.

A articulação entre a Espanha e os territórios americanos efetuou-se pelas Antilhas. A Sevilha coube o papel da capital económica da Espanha disputando, juntamente com Lisboa, o domínio mundial das rotas oceânicas.

Sevilha contava com cerca de 40 000 habitantes; Havia gente em Sevilha para apetrechar as armadas de marinheiros e soldados, e comerciantes também não faltavam.

Rica em homens, em tradições culturais e comerciais que lhe forneciam uma vivência cosmopolita ímpar e importantes conhecimentos científico-técnicos, Sevilha oferecia alimentos e segurança aos navios da Carreira das Índias.

A Casa da Contratação era um centro de investigação e de conhecimento náutico-geográfico. Lá era possível ver os pilotos, que frequentavam exigentes cursos e faziam o seu exame; também era possível encontrar notáveis cosmógrafos, matemáticos e cartógrafos.

Era no Consulado do Comércio que os grandes financiadores da política naval da Coroa faziam ouvir a sua voz e salvaguardavam os seus interesses.


O Contributo Português

Nos séculos XV e XVI, os descobrimentos marítimos proporcionavam a Portugal avultados saberes técnicos e científicos. Foi pela inovação nas técnicas náuticas e pela representação cartográfica da Terra, bem como pela observação e descrição da Natureza, que Portugal contribuiu para o alargamento do conhecimento do Mundo.




  • A inovação nas técnicas náuticas

Quando os Portugueses iniciaram a sua empresa expansionista, beneficiavam já de uma herança de invenções nas técnicas de navegação. O pioneirismo português não foi fruto do acaso: teve nas suas origens os conhecimentos divulgados por Árabes e Judeus e testados na bacia mediterrânea. (Leme, bússola, astrolábio e quadrante)

Graças aos avanços da navegação portuguesa no Atlântico, as técnicas náuticas evoluíram. Nas viagens de regresso da Guiné, os marinheiros defrontavam-se com os ventos alísios, que sopravam para sudoeste, e com as correntes de norte e nordeste, que dificultavam a navegação costeira.

A necessidade de navegar à bolina (contra ventos contrários) motivou mudanças estruturais na construção naval. Surgiram as caravelas, as naus e o galeão.

A navegação com ventos contrários esteve ainda na origem de outra grande mudança: Abandonou-se a navegação costeira e começou a praticar-se a chamada volta pelo largo: era uma navegação no alto mar sem qualquer referência terrestre. A navegação por rumo e estima revela-se insuficiente e só a observação da altura meridiana dos astros permitiria a localização da posição do navio.

Ocorreu a revolução da navegação astronómica em que os Portugueses se distinguiram. Simplificaram o astrolábio e o quadrante e inventaram a balestilha: com eles mediam a altura dos astros. Todos os estudos eram anotados em tábuas de declinação solar, e posteriormente reunidos em Guias Náuticos e Roteiros.


  • A nova representação cartográfica da Terra

Se excluirmos a precisão que as cartas-portulano da bacia mediterrânea atingiram nos séculos XIV-XV, a cartografia medieval era incipiente e simplista.

A representação cartográfica derivada da obra de Ptolomeu, que entre outras incorreções, não admitia a comunicabilidade entre os oceanos Atlântico e Índico.

Fruto da expansão marítima dos séculos XV e XVI, a cartografia europeia registou um aperfeiçoamento notável. * Foram revistas as conceções medievais dando-se a conhecer muitas regiões da Terra até então ignoradas ou mal conhecidas na Europa. Simultaneamente, contornos de mares e terras adquiriram um traçado mais rigoroso e as distâncias tornaram-se mais próximas da realidade.

Numa época em que a descoberta da Terra significava poder económico e prestígio político, os cartógrafos portugueses eram os mais aptos para traduzirem o mundo conhecido. Não só graficamente, mas também através do desenho de pequenas áreas terrestres.

Por toda a Europa a cartografia progredia, associando a ciência à arte.


  • Observação e descrição da Natureza

A expansão marítima dos séculos XV e XVI proporcionou aos Portugueses uma atenta observação da Natureza, que poria em causa muitas das conclusões dos Antigos. Aquiriu-se uma mais correta perceção dos continentes e mares. Explicaram-se regimes de ventos e de correntes marítimas, tal como se calcularam distâncias e latitudes. Provou-se a habitabilidade das zonas equatoriais e a esfericidade da Terra. Em suma, substituiu-se a acanhada perspetiva mediterrânea-continental por uma visão oceânica do Globo.

O espírito da precisão descritiva que os Portugueses revelaram amparava-se, frequentemente, em números. O número era o suporte necessário para o cálculo de distâncias, pesos, durações, latitudes, funduras, proporções. Eis algumas das manifestações da mentalidade quantitativa do período renascentista.

Negando ou corrigindo os Antigos, os Portugueses ajudaram a construir um novo saber, um saber de experiência feito, que tem o nome de experiencialismo.

Os novos conhecimentos derivados do experiencialismo resumiram-se, na maior parte dos casos, a observações e descrições empíricas da Natureza e não resultados de experiencias propositadamente praticadas para a verificações de hipóteses. Só neste último caso se podem elaborar leis e princípios universalmente válidos.

Mas se o saber português dos séculos XV e XVI ainda não foi ciência na verdadeira aceção da palavra, a verdade é que ele contribuiu, de modo irreversível, para o exercício do espírito crítico que se encontra nas raízes do pensamento moderno. Pela Europa fora, as verdades indiscutíveis das Antigos foram revistas, ao mesmo tempo que alastrou o sentido da curiosidade pelo mundo terrestre, pela fisiologia do ser humano, pelo movimento dos astros, pelo conhecimento do universo.

O Conhecimento Científico da Natureza



  • A matematização do real

O verdadeiro conhecimento científico da Natureza só veria a luz do dia no século XVII, quando os resultados da observação e da vivência experiencial puderam ser justificados pela reflexão teórica e matemática.

O papel precursor que Leonardo da Vinci, talvez um dos mais brilhantes homens do Renascimento europeu, teve na definição do método cientifico. Liberto da tradição e do preconceito de veneração pela Antiguidade, Leonardo defendeu a experiencia como a grande mestra do Homem. Contudo, reconhecia o grande pintor, só a demonstração matemática das hipóteses suscitadas pela observação permitiria a formulação de leis científicas.

Entretanto, o Renascimento produziu um conjunto de notáveis progressos nos domínios da Álgebra e da Geometria, que favoreceram o raciocínio matemático.



  • A revolução das conceções cosmológicas

Foi a propósito das novas conceções cosmológicas que a ciência moderna se manifestou.

Ao iniciar-se o Renascimento, a visão cosmológica era a legada pelos gregos Aristóteles e Ptolomeu e recebia toda a aprovação da Igreja. A Terra, estática ocupava o centro do Universo (teoria geocêntrica). À sua volta moviam-se os restantes planetas e estrelas, incluindo o Sol, descrevendo órbitas circulares uniformes.

Contra a possibilidade de a Terra se mover argumentava-se que, os objetos lançados ao ar nunca caíram junto daquele que os lançava, mas um pouco mais atrás. Por outro lado, a Igreja considerava uma blasfémia dizer que a Terra se movia e não o Sol, pois tal contrariava uma passagem na Bíblia.

O sistema geocêntrico de Ptolomeu não estava, todavia de acordo com os dados da observação astronómica. A estes não poderiam corresponder trajetórias circulares com o centro na Terra. E não foi ao tentar resolver essa contradição que nasceu a teoria heliocêntrica de Copérnico, considerada a base da moderna astronomia.





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