Plant o Psicol gio: novos rumos


Partindo da consideração de que nosso trabalho



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Partindo da consideração de que nosso trabalho
é uma proposta inovadora, ou pelo menos desconhecida,


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Plantão Psicológico: novos horizontes
tivemos um retorno positivo; as pessoas mostraram ter
entendido a proposta e mais do que isso a aceitaram,
colocando-se à disposição para que ela funcionasse, e
apostaram nisso. Não foi necessário esperar o término
do trabalho para constatar essas evidências: a resposta à
nossa presença apareceu durante o decorrer deste.
Algumas mudanças perceptíveis mostraram isso.
Um fato muito interessante aconteceu: a vice-
diretora nos procurou pedindo ajuda psicológica, disse
que gostaria de conversar com um dos estagiários sobre
as questões que a incomodavam naquele momento de
sua vida e que influenciavam seu trabalho na escola.
Comentou que ao ver ao alunos se mobilizando para
buscar atendimento deu-se conta de que ela também
tinha aquela necessidade mas não estava podendo
reconhecê-la até então. Diante desse pedido nos
mantivemos firmes à proposta de prestar atendimento
apenas aos alunos. Mas não deixamos de pontuar –
também consonantes à proposta – que era muito
importante que ela estivesse procurando ajuda nesse
momento que ela julgava crucial, e que a iniciativa de
se cuidar era valorizada e reconhecida por nós. A vice-
diretora pediu licença na escola e iniciou psicoterapia.
Trata-se da mesma pessoa que tínhamos identificado
como um fator determinante quanto ao controle sobre
os alunos tão diferenciado no turno da tarde. Ao
retornar no segundo semestre estava sensivelmente
diferente, em seu modo de agir e inclusive na aparência,
estava mais cuidadosa e flexível  no relacionamento
com os alunos e consigo mesma. Vimos esse fato como
resultante da nossa presença propícia à mobilização
em direção à mudança. Nossa escuta em relação à não
-procura dos alunos do turno da tarde por atendimento,
levando-nos a intervir com os cartazes, e a ter como
resposta a estes a procura pelo Serviço, é indício de
que podemos mobilizar também o grupo com uma
ação pontual e eficaz.


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Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
No final do primeiro semestre fizemos um
momento musical para anunciar o encerramento de
nosso trabalho na escola, para um período de férias.
Alguns alunos, do turno da manhã ao nos verem
tocando e cantando, se aproximaram e pediram para
tocar e cantar ao microfone. A princípio ficamos surpre-
sos, mas acolhemos essa iniciativa e o resultado foi uma
grande integração entre nossa equipe e os alunos. Nos
turnos da tarde e noite, devido ao resultado da manhã,
resolvemos convidar os alunos para ocupar também
aquele espaço de expressão. Alguns alunos timidamente
foram se apresentando e expondo seus dotes artísticos.
A participação dos alunos dos três turnos nos fez ficar
atentos para como o Plantão Psicológico vinha susci-
tando neles a iniciativa de se expressarem, de se
mostrarem sujeitos, além do espaço da “salinha” Plantão.
Foi surpreendente ver a repercussão que esse momento
teve entre os professores. Um aluno que era margina-
lizado pelos colegas e desqualificado pelos professores,
por não ter um bom desempenho escolar, e que dizia
tocar vários instrumentos musicais – o que alguns não
acreditavam – teve sua imagem mudada, a partir desse
dia, ao se aproximar de nossa equipe, no “palco”
improvisado, e tocar algumas músicas ao teclado. Todos
se impressionaram com seu dote artístico e o aplaudiram
e elogiaram muito. A partir de então, pelo menos os
professores, passaram a vê-lo como uma pessoa, dotada
de outras capacidades, além de ser mais um aluno dentre
os outros. Em uma reunião do corpo docente, no início
do segundo semestre, foi discutida e muito valorizada
essa forma de expressão dos alunos, o que inclusive
deu margem à iniciativa de criar um momento musical,
em periodicidade regular, em que a participação dos
alunos se tornasse efetiva, podendo vir no futuro a ser
assumida por eles próprios. Percebemos nesses profes-
sores um movimento de reconhecimento da pessoa do
aluno, com quem eles interagiam no dia-a-dia em sala


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Plantão Psicológico: novos horizontes
de aula, e da importância de se permitir que esse aluno
se expresse enquanto tal. Essa mudança de atitude,
também dos professores, documenta o quanto a nossa
presença na escola é mobilizadora.
Ainda no primeiro semestre, no encerramento,
resolvemos colher informações com os alunos sobre o
Plantão Psicológico. Distribuímos folhetos com a
seguinte pergunta: “O que você achou do Plantão
Psicológico? Dê sua opinião mesmo que você não tenha
ido.”, e pedimos que eles respondessem e colocassem
em uma urna no pátio. Queríamos saber como os alunos
estavam entendendo nosso trabalho, nossa proposta e
ter uma idéia de como estávamos sendo vistos por eles.
Após a leitura de cada resposta acabamos por criar
categorias que facilitassem o levantamento de um perfil
do que seriam o reconhecimento, a aceitação e a adesão
à proposta do Plantão Psicológico. Algumas respostas
continham o que eles reconheciam como características
do Plantão, como por exemplo disponibilidade dos
atendentes a qualquer hora que eles precisassem; a
possibilidade de expressar-se naquele espaço, falando
de si e de suas questões; a eficácia do serviço que
possibilita um resultado efetivo; o Plantão Psicológico
como transformador, proporcionando mudanças de
atitude etc. Além dessa percepção do Plantão
Psicológico, falaram do uso que fizeram dele, revelando
processos pessoais, ou seja, a tomada de consciência de
sua postura diante do problema, e reconhecendo a
repercussão do Serviço no âmbito coletivo, citando
mudanças e transformações entre grupos de colegas e
até na relação com a instituição. Até mesmo os alunos
que não foram atendidos se expressaram com uma
avaliação positiva elogiando o Plantão Psicológico.
Alguns destes disseram pretender procurar o serviço
no segundo semestre. Dentre esses alunos apareceram
também algumas categorias que foram citadas pelos
alunos atendidos.


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Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
De um modo geral, vários indícios nos
mostraram a efetividade dessa proposta, tanto no
decorrer do trabalho quanto no encerramento do
primeiro semestre. Pudemos perceber nas opiniões que
os alunos deixaram escritas: nos folhetos de avaliação
final; no próprio retorno que eles nos davam do
atendimento quando vinham nos contar como haviam
resolvido sua questão, ou como lidavam com ela agora;
na fala dos professores e da diretora em uma reunião
com eles no fim do primeiro semestre, em que disseram
ter notado mudanças em alguns alunos no decorrer
do tempo em que o Plantão Psicológico funcionou;
na nossa percepção subjetiva no momento do
atendimento, em que estávamos acompanhando o
movimento do aluno durante o percurso da sessão.
Nossa presença de escuta atenta nos permitiu
distinguir que há tanto pessoas que apoiam quanto
aquelas que não vão se dispor a colaborar, podendo
inclusive boicotar, prejudicando o trabalho. A experiência
nos ensinou que é fundamental identificar as pessoas
com quem podemos contar. Apostar no contato com
essas pessoas é mais favorável para manter a proposta,
bem como efetivá-la. Estar consciente que é possível
haver resistências faz parte do trabalho, estar atento
para identificá-las e atuar de modo a mostrar-lhes o
benefício dos resultados é mais eficaz do que lutar
contra elas. Por isso é necessário repropor continuamente
a proposta. Mesmo que algumas pessoas dêem indícios
de que já entenderam, outras podem continuar insistindo
numa compreensão errada da mesma, como por exemplo
alunos pedindo nossa interferência direta quanto a
problemas com professores ou direção, e professores
ou diretoria pedindo nossa ajuda para aqueles que julgam
ser alunos-problema. Ter firme uma postura que confir-
me e reafirme a proposta inicial é elemento fundamental
para mantê-la, além de intervir diretamente, quando
necessário, para explicitá-la de modo claro e eficiente.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MAHFOUD, Miguel, ALCÂNTARA, Tânia Coelho
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Matilde Agero, BRANDÃO, Juliana Mendanha,
DRUMMOND, Daniel Marinho, MAGA-
LHÃES, Romina, RIBEIRO, Ronnara Kelles,
SANTOS, Ivana Carla B. C., SILVA, Lilian
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VII Semana de Iniciação Científica –
Caderno de Resumos, Belo Horizonte: UFMG,
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necessidades explicitadas. VII Semana de Iniciação
Científica – Caderno de Resumos, Belo
Horizonte: UFMG, 1998, p.371
ROGERS, Carl R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU, 1983.
Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza



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Pesquisar processos para apreender experiências
Pesquisar processos para
apreender experiências: Plantão
Psicológico à prova
Miguel Mahfoud
Daniel Marinho Drummond
Juliana Mendanha Brandão
Roberta Oliveira e Silva
N
o capítulo anterior relatamos nossa
experiência em Plantão Psicológico em uma escola
de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde
apresentamos evidências da eficácia da proposta de
Plantão em contexto escolar e identificamos nossa
presença como mobilizadora. Buscando uma leitura
abrangente, consideramos não apenas os resultados
no âmbito individual, entre os alunos que
atendemos, como também no âmbito coletivo, ou
seja, como a instituição recebeu e respondeu à nossa
presença.
Estávamos, no entanto, interessados em
compreender melhor como ocorriam os
atendimentos, em cada sessão, com cada pessoa que
nos procurou. Queríamos entender o processo em si
de cada atendimento, apreender o movimento do que
acontecia no momento em que a pessoa estava diante
de nós (cf. Mahfoud, 1989). Buscamos identificar no
atendimento clínico, propriamente dito, quais as suas


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Plantão Psicológico: novos horizontes
fases, as mudanças de rumo e o movimento que a
pessoa realizava durante a sessão.
Sabíamos que nossa presença era mobilizadora no
sentido de fazer a pessoa entrar em contato consigo mesma
e pensar mais claramente acerca da questão trazida,
explorando mais amplamente seu problema e assumindo
uma posição diante dele. Segundo  a  Abordagem Centrada
na Pessoa o nosso papel era o de um ouvinte ativo, a
pessoa era quem conduzia o próprio processo e nós
“apenas” a acompanhávamos, o que não quer dizer que
seja pouco. Um olhar minucioso sobre o processo poderia
nos informar quais movimentos a pessoa fazia no decorrer
do atendimento, permitindo-nos visualizar passo a passo
o que existia nesse tipo de atendimento. Partimos, então,
para uma investigação mais detalhada do processo de
atendimento.
DESCRIÇÃO INICIAL
Como nosso material de pesquisa utilizamos
relatórios escritos pelos estagiários que haviam realizado
os atendimentos, que descreviam como tinham
transcorrido as sessões.
À medida em que líamos os relatórios,
buscávamos identificar fases que emergiam destes,
correspondentes ao movimento do cliente em relação
à sua demanda. Se por exemplo, o aluno contasse
porque estava procurando nossa ajuda e em seguida
começasse a falar sobre formas como já tinha agido
frente à sua questão, identificaríamos duas fases. Os
relatórios que não nos permitiam ter uma visão do
processo do atendimento, desta movimentação do
aluno, foram excluídos da análise, para que tivéssemos
um maior rigor na pesquisa.
Ficamos então com 56 relatórios de sessões,
que descreviam 37 casos de alunos atendidos. Destes
37 casos, 27 consistiram de uma única sessão e 10 de
mais de uma (entre 2 e 6 sessões).


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Pesquisar processos para apreender experiências
DE DESCRIÇÃO DE CASOS A APREENSÃO DE FASES
DO PROCESSO
Inicialmente, as fases que íamos identificando,
eram descritas como no exemplo seguinte:
1. lança dúvida: deixar ou não a escola devido às
dificuldades com matemática.
2. diz que já havia conversado com a professora
sobre a dificuldade e esta deu sugestões que ele
não seguiu.
3. diz que trabalha e da dificuldade de organizar
seu tempo (não estuda em casa).
4. ...etc
Este tipo de descrição parecia-nos um resumo
do atendimento, apresentando demasiadamente o
conteúdo específico da questão trazida por aquele aluno
em particular. Para atingirmos nosso objetivo, era-nos
interessante encontrar uma mesma expressão que fosse
capaz de descrever fases similares em atendimentos
diferentes, mesmo que o conteúdo específico fosse
outro. O aluno podia ter procurado o Plantão
Psicológico por estar triste com a morte de alguém
ou porque não sabia se deveria sair da casa dos pais
ou não; em qualquer destes casos ele estava falando
do motivo que o havia levado a buscar ajuda. Para
este momento buscamos encontrar uma expressão.
Assim colocamos lado a lado as fases que havíamos
encontrado em cada relatório, buscando expressões
que fossem capazes de abarcar momentos similares
com conteúdos diversos. Assim, a expressão 1 do
exemplo acima foi classificada como ‘AQ – Apresenta
a Questão’. As expressões 2 e 3 foram classificadas em
conjunto como ‘EQ – Explora a Questão’.
Reunimos um conjunto destas expressões, que
à medida em que eram criadas substituíam as frases
que havíamos separado em cada relatório.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
A primeira fase, na maioria dos atendimentos,
foi a que chamamos ‘AQ – apresenta a questão’ na qual o
aluno diz porque veio, qual é o seu problema ou
dificuldade e às vezes diz o que espera dos plantonistas.
Um exemplo: Raquel chegou dizendo que queria
mostrar algumas coisas aos plantonistas. Queria saber
se podiam dar uma opinião. Tirou vários documentos
da bolsa, enquanto explicava o caso de seu irmão que
havia desaparecido.
Após apresentar a questão, o sujeito geralmente
‘apresenta a história (da questão) – AH’ ou ‘explora a questão
– ExQ’. Na apresentação da história, o sujeito conta os
precedentes de sua questão até o momento atual,
temporalmente e, na exploração, ele mostra vários
âmbitos atuais da questão, explorando-os, explicando-
os. No exemplo de Raquel, esta, após o AQ, passou a
explorar o assunto do desaparecimento do irmão,
dizendo que apesar de provas policiais de que ele estaria
morto e da família acreditar nisto, ela não acreditava e
tentava provar para a polícia que ele estava vivo. Se ao
invés de explorar a questão, apresentasse a história da
questão, ela poderia contar vários acontecimento desde
o desaparecimento até o momento presente.
Alguns clientes não apresentaram uma única
questão. Quando o aluno apresentou mais de uma,
quase que simultaneamente, utilizamos a expressão ‘AV
– apresenta várias questões’. Se este então passou a se
debruçar mais sobre uma questão específica dentre as
que havia trazido, categorizamos como ‘ElQ – elege
questão’. Em outros casos, alunos que já haviam
apresentado uma questão (AQ) apresentavam uma
nova, seja após explorar a questão inicial (ExQ) ou
mudar de perspectiva (MP – ver abaixo) em relação a
esta. Para estes casos a expressão ‘OQ – outra questão’
foi atribuída. Uma outra possibilidade encontrada
refere-se aos casos em que após apresentar uma
questão (AQ) o aluno a ampliou, ou seja, manteve a


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Pesquisar processos para apreender experiências
mesma questão mas englobava novos aspectos de sua
realidade nesta: chamamos de ‘AmQ – amplia a questão’.
Outras expressões que utilizamos, para nomear
fases foram:
‘PI – pede informação’ – a questão do aluno era um pedido
de informação do tipo ‘Se eu der para o meu filho
o nome do meu marido faz mal?’. Estes pedidos
de informação terminaram sempre com a ‘obtenção
da informação – OI’.
‘RA – reafirma atitude’ – quando o aluno reafirma a atitude
que tinha frente ao problema, ou à nova atitude que
havia assumido em uma sessão anterior.
‘NC – não comparece’ – o aluno marca uma sessão, falta
e retorna para uma nova sessão. É diferente do caso
em que o aluno marca, falta e não retorna mais, o
que encerraria o processo, pois nos casos aqui
incluídos entendemos o não-comparecimento
como parte do processo.
‘RQR – relata como a questão se resolveu’ – se aplica aos
casos em que entre uma sessão e outra ocorre uma
mudança na situação do aluno, mudança esta que
resolve para este a questão que ele tinha. Um
exemplo é o caso do aluno que namorava uma
garota mas estava “ficando” com outra e se
preocupava pois havia uma possibilidade da
namorada ‘oficial’ estar grávida. Ele retorna ao
Plantão Psicológico para uma nova sessão dizendo
que a namorada não estava grávida, ou seja, esta
questão estava resolvida e não havia por que se
preocupar. Mas este fato não eliminou sua questão
em relação a estar com as duas pessoas, o que o faz
retomar esta questão, já discutida em um
atendimento anterior. Este tipo de retomada foi
chamado ‘ RQ - retoma questão’.
‘RQ – retoma questão’ (explicação dada no exemplo acima).
‘RCA – relata como agiu’ – após o aluno ter comparecido
a uma sessão ele retorna para contar como agiu


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Plantão Psicológico: novos horizontes
frente à questão colocada. Estes casos aconteceram
após um ‘DA – decide agir’, uma ‘MP – mudança de
perspectiva’ ou após um ‘PR –  propõe-se a refletir’.
‘PR – propõe-se a refletir’ – esta categoria foi usada na
situação que ocorre ao término de uma sessão
quando o aluno disse que ia pensar sobre o que
havia conversado com o plantonista. Em todos estes
casos os alunos retornaram para uma nova sessão.
‘AP – apresenta possibilidades’ – quando os alunos apresen-
tavam uma ou várias maneiras possíveis para lidar
com sua situação ou resolver seu problema, utiliza-
mos esta expressão.
FASES DE ENCERRAMENTO DO PROCESSO
Quanto aos encerramentos de atendimentos,
identificamos uma tríade de fases bastante indicativa
do desfecho do movimento percorrido pelo sujeito
ao longo do processo. São elas: ‘MP – mudança de
perspectiva’, ‘ANA - assume nova atitude’ e ‘DA - decide agir’.
a) ‘MP - mudança de perspectiva’: A primeira diz respeito a
uma mudança na forma de enxergar a questão
apresentada que passa a ser vista sob outro prisma,
outra perspectiva; muda a idéia que o sujeito tem
sobre sua questão. Nesta fase, a ênfase está na
questão, que passa a ser vista de outra forma. No
exemplo de Raquel apresentado anteriormente,
ocorreu a MP após uma ‘I - intervenção’ decisiva do
plantonista (note-se que isto não é uma regra, embora
aconteça em alguns casos). A aluna discutia se o
irmão estava vivo ou morto mas também falava de
como ele era importante na vida dela. O plantonista
interviu dizendo que independente do fato do irmão
estar vivo ou morto, pelo que falava ele fazia uma
falta muito grande na vida dela, já que não estava
mais com ela. Neste momento a conversa mudou
de rumo e a questão não era mais se ele estava vivo
ou não. Como todo o processo de atendimento pode


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Pesquisar processos para apreender experiências
ser considerado uma intervenção, apenas
denominamos com a letra I aquelas intervenções
que haviam sido bem marcantes, já que após estas a
sessão mudou de rumo. As outras intervenções que
não tinham esta característica específica também
podem ter feito parte do processo e ajudado.
b) ‘ANA - assume nova atitude’: Assumir nova atitude já
acarreta lidar com a questão de forma diferente,
assumir uma atitude diferente diante do problema. A
ênfase está no sujeito diante de sua questão. A aluna
Raquel, nessa fase, logo após a MP, disse que se o
irmão estivesse vivo, um dia iria aparecer pois “quem
tá vivo sempre aparece” o que nos leva a pensar que
ela está considerando que, no momento, ela deveria
aceitar sua ausência e que ela poderia chegar a saber
se ele estava vivo se ele voltasse algum dia.
c) A fase de ‘decide agir’ é observada quando o sujeito
expressa sua intenção de agir em relação àquela
questão de modo a tentar resolvê-la. A ênfase está
na ação que o sujeito expressa. ‘DA’ é comum em
demandas que exijam ação para serem resolvidas
como ‘dificuldades em fazer escolhas/decisão’ ou
dificuldade nos relacionamentos e mais raras em
demandas de ‘elaboração de perdas’ nas quais, às
vezes, ‘assumir nova atitude’ já é suficiente para a
elaboração de uma questão. Nosso exemplo, apesar
de ser da demanda ‘elaboração de perdas’, mostra
essa fase quando a cliente disse que não iria mais
ficar procurando a polícia e questionando-a sobre
o desaparecimento do irmão, como fazia antes.
UM PROCESSO: UMA SEQÜÊNCIA DE FASES
A seguir apresentamos um caso ilustrativo da
seqüência de fases AH-AQ-ExQ-MP-ANA-DA.
1
:
Uma aluna chega apresentando a história de sua
questão (AH). Conta que namorava um primo quando
morava em São Paulo e que a mãe não gostava dele.
1
 É importante assi-
nalar que só porque
este caso estava
suficientemente
detalhado e bem
descrito em um
relatório de aten-
dimentos, de acordo
com a ordem crono-
lógica em que os
fatos foram sendo
relatados, é que
essa análise por
fases pôde ser feita.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
Veio para Belo Horizonte pensando que iria ficar
mais fácil o namoro à distância. Namoraram durante
três anos dessa forma e diz não saber como conseguiu.
Logo conclui que foi porque eles terminaram muitas
vezes neste período. Sofreu muito por sua causa (“ele
pisou muito”). Um vez ele esteve em sua cidade num
final de semana e só ligou para falar que estava ali: não
quis se encontrar com ela, não ligou novamente e foi
embora.
Após todo esse relato a aluna apresenta sua
questão (AQ): no início da semana (em que foi feito o
atendimento) ele havia ligado dizendo que estava
precisando da ajuda dela e que queria vir à Belo
Horizonte para falar-lhe. Pediu que ela pensasse e
telefonasse para dar a resposta. Não sabia o que fazer.
Essa é uma demanda classificada como ‘dificuldade
em fazer escolhas/decisão’
2
.
A seguir, a aluna passa a explorar a questão
(ExQ): Fala que contou o caso para muitas pessoas e
só uma sugeriu que ela o deixasse vir. A princípio, ela
diz que não sabe se quer que ele venha; está há um mês
namorando um outro rapaz que estuda em sua escola
e está percebendo o quanto é bom ter um namorado
por perto. Antes não ia a festas, pois todos iam
acompanhados e ela ficaria sozinha. Quando
perguntavam se ela tinha namorado, dizia que sim e
que ele morava em São Paulo. Durante o atendimento,
ela passou a dizer que quer “dar um tempo” naquele
relacionamento e que em São Paulo, existe muita gente
a quem ele pode pedir ajuda, e que se ele estiver com
um problema pessoal ela não quer saber. Além disso,
disse temer que a vinda dele atrapalhasse o namoro
com o atual namorado.
A partir dessa exploração da questão, a aluna
consegue mudar a perspectiva (MP): diz que não sabe
o que fazer, mas sabe que não quer encontrar o ex-
namorado agora. Acha que o que ele está querendo é
2
 Confira classifi-
cação de demandas
no capítulo “Plantão
Psicológico na es-
cola: presença que
mobiliza”, dos mes-
mos autores do
presente capítulo,
neste livro.


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Pesquisar processos para apreender experiências
voltar pra ela, o que ela não deseja porque não “tem
nada para dar certo” e porque ela está com outro
namorado.
Com essa nova perspectiva, a aluna consegue
assumir nova atitude diante da questão (ANA), a
atitude de quem não quer encontrar o ex-namorado
por três motivos que ela consegue explicitar: a
possibilidade de atrapalhar o novo namoro, no qual
ela quer investir; se o ploblema do ex-namorado for
pessoal e não tiver relação com ela, que ele procure
outra pessoa para ajudá-lo; ela quer interromper o
relacionamento deles. Neste exemplo, as fases MP e
ANA são muito ligadas e, na verdade, elas quase
coincidem já que, a atitude da aluna foi imediatamente
transformada quando ela mudou a perspectiva de sua
questão. Lembramos que a maneira de se distinguir as
duas fases está no foco central do movimento do
sujeito: na fase MP, o foco é a questão, vista sob outra
perspectiva, e em ANA, o foco é o sujeito com uma
nova atitude frente à questão.
A última fase desse atendimento é a do ‘decide
agir’ na qual a aluna expressa que iria ligar para o ex-
namorado dizendo que iria viajar no final de semana
(como sua madrinha havia sugerido) e que, na segunda-
feira, ligaria novamente dizendo que não queria que
ele viesse procurá-la e diria os três motivos.
BUSCANDO UM PADRÃO
Após categorizarmos todas as fases dos
processos passamos a buscar algum padrão na
seqüência em que essas fases apareciam. Ao se examinar
o conjunto dos casos que tínhamos com as fases
categorizadas, vimos que existem algumas que
aparecem com a primeira dos atendimentos que se
repetem para a grande parte de casos, como as fases
AQ, AH ou AV. Vimos também que, ao final dos
atendimentos cujas questões estavam sendo mais bem


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TABELA I


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Pesquisar processos para apreender experiências
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1
TABELA I  - Continuação


92
Plantão Psicológico: novos horizontes
r esolvidas, apareciam as fases MP, ANA e DA nessa
ordem, mesmo se alguma delas não estivesse presente.
Fora estas fases comuns nos inícios e nos finais de
atendimento, cada um parecia ter uma história própria,
um percurso particular que não se assemelhava a um
número significativo de outros casos.
Fizemos então uma organização dos casos
segundo as categorias de demandas. Vimos com isso
que, dentro de cada categoria, os processos dos casos
que estão ali são mais semelhantes, percebendo-se
neles um padrão de forma mais clara do que ao
olharmos todo o conjunto de casos independentemente
das demandas. Em algumas categorias não pudemos
descrever nenhum padrão particular em virtude do
pequeno número de casos.
Algumas categorias são bem ilustrativas desses
padrões (ver tabela I na página anterior)
Nota-se ali como é comum que os sujeitos
iniciem seus atendimentos no que chamamos de
“apresenta a questão”(AQ) e passem logo ao “apresenta a
história”(AH) e/ou “explora a questão”(ExQ). Pode-se
perceber também que à medida em que o sujeito vai
resolvendo sua questão, ocorre a “mudança de perspectiva”
(MP), ele “assume nova atitude”(ANA) e, quando é
possível uma ação, ele “decide agir”(DA). Essa tríade
final - MP-ANA-DA - é bastante indicativa de que o
processo pelo qual o sujeito passou, através do
atendimento no Plantão Psicológico, foi transformador
e bem sucedido. Indica que o sujeito saiu do
atendimento tendo mudado sua visão em relação ao
que trazia, sua posição para lidar com a questão e ainda
a decisão de agir de uma nova maneira.
É interessante notar que, nos casos da demanda
“elaboração de perdas”, é comum que não haja a fase
“decide agir” no desfecho dos atendimentos.


93
Pesquisar processos para apreender experiências
Provavelmente isso se deve ao fato de que após uma
perda de alguém, principalmente se a causa for a morte,
o que se pode fazer é aprender a lidar com essa nova
questão, assumindo uma nova atitude diante dela que
cause menos sofrimento. Assim, para essa demanda
pode-se considerar um bom desfecho.
Já a demanda “incômodo com a maneira de ser
e de reagir às situações” mostrou-se diferente em
relação às outras justamente pela falta de semelhança
entre seus casos, estes em um número suficiente para
que pudesse configurar um padrão. No entanto,
pensamos que, por ser esta uma demanda que pede
uma mudança mais estrutural na vida da pessoa e não
apenas situacional, seu processo será mais dependente
das particularidades de cada sujeito com sua maneira
de ser e mais difícil de ser resolvido em apenas um ou
poucos atendimentos. Mais do que apontar para limites
do Plantão Psicológico, isso parece indicar uma
delimitação de campos onde psicoterapia e Plantão
Psicológico não substituem um a outro.
CONCLUINDO
Relatamos aqui uma atividade de pesquisa que
busca olhar com precisão o desenvolvimento dos
processos de atendimento em Plantão Psicológico
(neste caso específico, em contexto escolar), chegando
a identificar fases que nos permitam apreender os
diversos movimentos de que esse processo é
constituído, de maneira a poder chegar a uma avaliação
rigorosa do resultado de nossas intervenções.
Sabemo-nos assim estar na esteira das
preocupações de sistematização do conhecimento
advindo da experiência que Rogers (1995, 1995a) com
muita clareza realizou, propôs e esperou que fosse
continuada. Trata-se de uma tentativa de continuar a
sistematizar a experiência subjetiva advertida em seus
processos apreensíveis, registráveis e mensuráveis


94
Plantão Psicológico: novos horizontes
objetivamente, buscando não perder de vista a
especificidade propriamente humana do processo
estudado. E sabemos estar em companhia de outros
pesquisadores brasileiros que com rigor têm se
empenhado nesse árduo e gratificante desafio (cf.
Amatuzzi, 1993)
Para além da possibilidade de uma avaliação
bastante positiva das intervenções empreendidas, o
que nos parece mais importante e indicativo de um
grande potencial do Plantão Psicológico baseado na
escuta profunda é o fato de podermos chegar a
delinear um processo de características semelhantes
segundo o tipo genérico de demanda, quando os
conteúdos dos atendimentos são profundamente
diversos. É ainda mais impressionante se atentamos
para o fato de que também o grupo de plantonistas é
grande, com profundas diferenças internas de
temperamentos e de experiências, supervisionados por
quem dá ênfase na descoberta da maneira própria de
conduzir o processo - e ainda assim produz-se
processos semelhantes!
Longe da tentativa de identificar padrões rígidos
que tornasse previsível o processo que permanece
sempre misterioso, a identificação de padrões por
demanda em um contexto de equipe técnica tão
diversificada leve-nos a confiar sempre mais no
processo que com surpresa vemos se desenrolar diante
de nós durante o atendimento em Plantão Psicológico.
Que possamos dar crédito sempre maior à liberdade
do cliente em sua busca, com a alegria profunda e
simples de participar como testemunha de um
processo que se desenvolve muito além de nós
mesmos. Que possamos oferecer sempre mais
confiantes nossa escuta profunda para que cada cliente
possa dizer sua palavra própria e autêntica (Amatuzzi,
1989), e então, assim que lhe seja concedida a
oportunidade, crescer – por rumo seguro.


95
Pesquisar processos para apreender experiências
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMATUZZI, Mauro Martins. O resate da fala
autêntica: filosofia da psicoterapia e da educação.
Campinas: Papirus, 1989
AMATUZZI, Mauro Martins. Etapas do processo
terapêutico: um estudo exploratório. Psicologia: Teoria e
Pesquisa. Vol. 9, n.1, 1993, p.1-21.
MAHFOUD, Miguel. O Eu, o Outro e o Movimento
em Formação. Anais da XIX Reunião Anual da
Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto,
Ribeirão Preto: SPRP, 1989, p.545-549.
ROGERS, Carl Ransom. A equação do processo da
psicoteraia. In: WOOD, John Keith et alii (Org.s).
Abordagem Centrada na Pessoa. 2
a
 Ed., Vitória:
Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida /
Universidade Federal do Espírito Santo, 1995, p.95-
122.
ROGERS, Carl Ransom. Pessoa ou ciência? Uma
questão filosófica. In: WOOD, John Keith et alii (Org.s).
Abordagem Centrada na Pessoa. 2
a
 Ed., Vitória:
Editora Fundação Ceciliano Abel de Almeida /
Universidade Federal do Espírito Santo, 1995a, p.123-
153.



97
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
Plantão Psicológico em hospital
psiquiátrico: Novas Considerações e
desenvolvimento
Walter Cautella Junior
A
 intenção deste trabalho é abordar os
desdobramentos que uma experiência de plantão
psicológico bem sucedida gerou em um hospital
psiquiátrico. Tais mudanças não afetaram somente a
rotina hospitalar, mas também a forma de conceber
o fazer psicológico em condições tão específicas. Na
verdade, a experiência do plantão psicológico levou a
instituição a reformular sua visão do indivíduo
institucionalizado.
Para que melhor possamos compreender a
amplitude da experiência e seus desenvolvimentos,
considero importante fazer uma breve descrição da
instituição e dos moldes de funcionamento do
departamento de psicologia antes do plantão
psicológico.
Trata-se de um hospital de porte médio e de
curta permanência que atende pacientes do sexo
feminino em quadro agudo de doença mental. Conta
com duas equipes terapêuticas compostas por:


98
Plantão Psicológico: novos horizontes
psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais,
assistentes sociais, recreacionistas e enfermeiros.
O serviço de psicologia começou a funcionar
em 1988 e utilizava exclusivamente grupos
psicoterápicos e atendimentos individuais em
psicoterapia breve/focal para atender a demanda da
clientela. Com o passar do tempo, percebíamos certas
limitações de tais procedimentos quando utilizadas em
situações com características tão específicas. Como foi
descrito anteriormente, este é um hospital de curta
permanência, o que acarreta à intervenção psicoterápica
uma séria dificuldade, pois estabelece um limite externo
concreto para o processo. Além disto, sua população
possui características bastante peculiares por tratar-se
de pessoas em quadro agudo de doença com diferentes
níveis de contato com a realidade. Há uma dificuldade
maior para o processo se comparado a pessoas que
mantêm um padrão neurótico. Resumidamente,
possuíamos pouco tempo para abordagem psicológica
e a nossa clientela era muito heterogênea, pois em um
mesmo setor do hospital temos várias patologias, tais
como: neuroses, psicoses, toxicofilias etc.
Ambas as técnicas utilizadas exigem certos pré
requisitos para que o indivíduo possa tirar proveito
da intervenção psicológica. A abordagem de grupo
exige certo tempo para que a pessoa se integre à
dinâmica e assuma uma identidade grupal. Antes disso,
a ação psicoterápica é superficial e limita-se aos
sintomas. Percebíamos que as pessoas que participavam
de tais grupos, muitas vezes, compareciam
mobilizadas por uma demanda institucional e não por
uma demanda pessoal. Entende-se por demanda
institucional a pressão exercida pela instituição para
que as pessoas se vinculem a psicoterapia. A instituição
vê essa necessidade e acredita nas conseqüências
positivas que o processo pode trazer. A partir disso,
tenta vincular os internos sem o cuidado de que esse


99
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
1
 FIORINI, Hector
J. Teoria e Téc-
nica de Psicote-
rapias. 9ª edição.
São Paulo: Fran-
cisco Alves Editora,
1980
2
 Grifo do Autor
processo tenha um significado no quadro referencial
do cliente. Se alguém procura ajuda é porque sente
algo e não se considera apto para resolver sozinho.
Sabemos que o trabalho psicológico só é eficiente
quando o indivíduo identifica sua demanda e se propõe
a trabalhar com suas questões. Comparecer ao grupo
por pressão do médico ou da enfermagem, cria um
clima ansiógeno e persecutório que não ajuda no
processo psicoterápico, mesmo que a intenção seja
boa. A composição dos grupos tornava-se
extremamente complicada, visto que a população
variava muito em termos de nível intelectual,
capacidade de elaboração e de simbolização etc. Apesar
da heterogeneidade na composição dos grupos poder
ser benéfica pela diversidade de experiências, o pouco
tempo de intervenção nos levava a tentar potencializar
ao máximo a ação psicoterápica. Se a ação priorizava
os pacientes delirantes ou deficitários do ponto de
vista cognitivo, com certeza parte da população era
colocada à margem do processo. Por outro lado,
priorizando nossa atuação em integrantes com maior
capacidade de elaboração e menos comprometidos
privaríamos a maioria da população.
Os atendimentos individuais também sofriam suas
limitações. A técnica da psicoterapia breve determina
que o psicoterapeuta estabeleça um foco para ser
abordado em um tempo pré determinado. Segundo
Fiorini
1
, “o terapeuta deve se colocar frente ao paciente,
primeiro, em seu próprio terreno, aceitando
provisoriamente
2
 seus pontos de vista sobre o problema,
e só mais tarde – depois de se orientar sobre os motivos
reais do paciente – há de procurar utilizar esses motivos
para fomentar os objetivos terapêuticos que possam
parecer de possível realização”. O curto espaço de
tempo que os psicoterapeutas dispunham para eleger
o foco dos atendimentos podiam levar a uma escolha
errônea. Durante nossa prática percebíamos que muitas


100
Plantão Psicológico: novos horizontes
3
 ROGERS, Carl R.
T o r n a - s e
Pessoa. 381ª
edição. São Paulo:
Editora Francisco
Alves, 1977.
ROGERS, Carl R &
STEVENS B. De
Pessoa para
Pessoa: O Pro-
blema do Ser
Humano: Uma
Nova Tendência
da Psicologia.
São Paulo: Pionei-
ra, 1976.
ROGERS, Carl R. e
Outros. Em Busca
de Vida: De Te-
rapia Centrada
no Cliente à
A b o r d a g e m
Centrada na
Pessoa. São
Paulo: Summus,
1983.
WOOD, John K. e
Outros (Org.).
A b o r d a g e m
Centrada na
Pessoa. Vitória:
Editora Fundação
Ceciliano Abel de
Almeida / Univer-
sidade Federal do
Espirito Santo,
1994.
vezes o foco eleito pelo psicoterapeuta não era o
mesmo que o cliente gostaria de abordar. Com o tempo
o cliente conseguia abandonar o foco adotado pelo
psicoterapeuta e assumir sua verdadeira demanda,
porém este movimento levava tempo. Em uma
internação de curto prazo, o tempo é um bem precioso
e que não pode ser desperdiçado.
Frente a essas dificuldades geradas pelas
características da população e da própria instituição,
fomos levados a procurar alternativas terapêuticas
eficientes. Nesse momento, o plantão psicológico nos
pareceu uma possibilidade bastante atraente. No entanto,
ficava o desafio de utilizar uma técnica terapêutica que
nunca havia sido testada em tais condições.
No ano de 1992 desenvolvemos o primeiro
plantão psicológico em hospital psiquiátrico. O
procedimento consistia em colocar à disposição da
clientela um psicólogo preparado para o atendimento,
em um lugar pré estabelecido, e por um tempo pré
determinado.
O referencial teórico adotado é amplamente
influenciado pelo existencialismo e a fenomenologia
e tem como linha teórica principal a abordagem centrada
no cliente
3
. A população alvo foi amplamente avisada
da disponibilidade do profissional e da facilidade de
acesso através de cartazes e informações dadas pelos
outros profissionais. Previamente foi feito um trabalho
de sensibilização com esses profissionais para que
pudessem ter um entendimento básico da técnica e do
referencial teórico adotado e, a partir disso, pudessem
falar da disponibilidade do serviço. Aos poucos, foram
se aproximando e aprenderam como utilizar esse novo
instrumento. Na verdade foram estabelecidos vários
horários, em locais diferenciados, uma vez que o
hospital possui vários setores.
O plantão psicológico conseguiu colocar-se
aberto a demanda da clientela e trabalhar no sentido de


101
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
potencializar os recursos desta. Pelas suas características
e referencial teórico conseguiu ser eficiente frente a
heterogeneidade da população, uma vez que centra-se
na experiência do cliente. Sendo assim, é possível atender
a demanda do psicótico, do neurótico, do deficiente e
do paciente cronificado, pois tal técnica não precisa que
o cliente possua certos pré requisitos.
Com a premissa básica de colocar-se disponível
frente às necessidades do cliente no momento do
encontro e com a peculiaridade deste poder ser único,
conseguimos uma abordagem terapêutica eficiente em
curto espaço de tempo, visto que o nível de ansiedade,
irritabilidade e agitação dos internos diminuiu
significantemente após o plantão psicológico.
Após a implantação do serviço, começamos a
perceber mudanças significativas nas abordagens
psicoterápicas que já existiam (psicoterapia de grupo
e psicoterapia individual). As pessoas que participavam
dos grupos psicoterápicos não mais compareciam
mobilizados por uma demanda alheia (pressão
institucional). Utilizando-se do plantão psicológico, os
internos conseguiam identificar melhor a sua demanda
e isto levava a um salto qualitativo no seu desempenho
no grupo psicoterápico.
Os atendimentos individuais também foram
influenciados pelo plantão psicológico. Atualmente, o
processo psicoterápico individual inicia-se frente ao
pedido do cliente. Geralmente, ele procurou o plantão
psicológico, conseguiu identificar sua demanda,
estabeleceu o foco do seu trabalho psicológico e
preferiu abordá-lo de maneira mais sistematizada na
psicoterapia individual, embora muitas das demandas
acabem se resolvendo no próprio plantão.
Outras vantagens secundárias ficaram evidentes
após a implantação do serviço. Ficou muito mais fácil
fazer os encaminhamentos internos. Após comparecer
ao plantão, sabemos com clareza em qual setor e em


102
Plantão Psicológico: novos horizontes
4
 EY, Henry e
outros.  Manual
de Psiquiatria.
5a edição. Rio de
Janeiro: Editora
Masson do Brasil
Ltda, 1981.
qual grupo psicoterápico determinada pessoa terá
melhor benefício. Os encaminhamentos externos
também tornaram-se mais eficientes na medida em que
temos maior conhecimento da demanda pessoal.
O plantão psicológico, apesar de sua grande
eficiência, experimenta algumas limitações no âmbito
hospitalar psiquiátrico. Pessoas em quadro delirante
grave, que estão rompidos com a lógica alheia e
submersos em sua realidade paralela, raramente
procuram o plantão. Colocar-se em contato com o
outro é submeter-se à lógica geral. Conseqüentemente,
isto leva a ineficácia da estrutura delirante como
método defensivo. Pacientes em quadro maníaco
podem até procurar o plantão, porém, pela aceleração
dos seus processos psíquicos
4
, geralmente, não conseguem
se deter frente as intervenções. Nesse caso, o caráter
terapêutico é estabelecer um limite externo para a
aceleração, visto que o interno não é eficiente nesse
momento. Quadros de depressão profunda, também,
não procuram o plantão psicológico, assim como
quadros catatoniformes.
A resposta positiva dos internos provou a
eficácia deste método interventivo, e nos levou a
pensar a possibilidade de utilizá-lo em outras situações
dentro da rotina hospitalar. A instituição evidenciava
certas demandas que pareciam ser da alçada do
psicólogo. Tais como: o atendimento à família e à
própria instituição.
Atualmente parece ser de senso comum que
uma ação terapêutica não pode se restringir somente
ao indivíduo institucionalizado. Uma das formas de
entendermos a doença mental é considerá-la como
fruto de um jogo de tensões dentro de um campo
social, onde um membro dessa sociedade não tem
condições de lidar com as vicissitudes desse jogo e
acaba rompendo em um surto psicótico ou uma
descompensação neurótica. Este enfoque nos leva a


103
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
considerar que doente não é somente aquele que
apresenta os sintomas, mas sim, todo o contexto a qual
pertence, no caso a família.
Aquele que manifesta a doença é internado e o
hospital cumpre a sua função terapêutica, no entanto,
quando este é devolvido para a família, é, novamente,
inserido no jogo de tensões que permanece inalterado.
Há uma grande possibilidade de novos surtos surgirem
até o momento que o indivíduo possa elaborar
definitivamente sua posição nesse campo de tensões.
É importante salientarmos que a família age de maneira
defensiva, não identificando, ou identificando com
grandes dificuldades, a responsabilidade no processo
de adoecimento do internado. É menos ansiógeno para
a família depositar a doença em um único membro,
pois sendo assim, sente-se imune, saudável e protegida.
Desta forma, podemos inferir que há um movimento
inconsciente da família, e muitas vezes consciente, no
intuito de perpetuar a doença naquele que manifesta o
sintoma. Tal psicodinâmica explicaria em parte o alto
nível de reinternações e “cronificações psicológicas”,
pois, nesta breve conceituação, não estamos
considerando bases orgânicas para a doença mental.
O setor de psicologia trabalha com a hipótese
de que o indivíduo institucionalizado, através do
trabalho psicológico na instituição, pode se dar conta
dessa intrincada psicodinâmica e não mais ocupar o
lugar de representante simbólico da doença social. Não
se trata de negar a fragilidade ou os aspectos individuais
como pode parecer, pois se este não suportou as
tensões sociais é devido, também, a aspectos internos
de desenvolvimento pessoal.
O indivíduo abandonando esse papel de doente
irá gerar um desequilíbrio na psicodinâmica estabelecida
e isso abrirá espaço para um trabalho elaborativo
familiar, ou para que outro membro manifeste
patologicamente o conflito mal resolvido.


104
Plantão Psicológico: novos horizontes
5
 BATESON, Gregory
e Outros. Hacia una
Teoría de La
Esquizofrenia.In:
SLUZKI, Carlos E.
(org.). Interacción
Familiar: Aportes
Fundamentales
sobre Teoría y
Técnica. Buenos
Aires: Editorial
Tiempo Contempo-
ráneo S.A. , 1971. p.
19-56.
6
 LIDZ, Theodore e
Outros. El Medio
Intrafamiliar Del
Paciente Esquizo-
frénico: La Trans-
misión de la Irracio-
nalidad. In: SLUZKI,
Carlo E. (org.).
I n t e r a c c i ó n
Familiar. Aportes
Fundamentales
sobre Teoría y
Técnica. Buenos
Aires: Editorial
Tiempo Contempo-
ráneo S.A. , 1971. p.
81-110.
7
 LAING, R. D. e
ESTERSON A.
Cordura, Loucura
y Família: Famí-
lias de Esquizo-
frenicos. Mexico:
Fondo de Cultura
Económica, 1967.
(Biblioteca de Psico-
logia y Psicoanálisis).
Vários autores de várias linhas do pensamento
psicológico abordaram o papel da família e do jogo
social no processo de adoecimento, evidenciando certa
unanimidade neste ponto. Dentre eles, podemos citar
Bateson
5
 , Lidz
6
, Laing
7
 e principalmente Harold F.
Searles em seu artigo The effort to drive the other person
crazy – On element in the aetiology and psychotherapy of
schizophrenia
8
.
A prática clínica na instituição, embasada nessa
maneira de conceber a psicodinâmica da doença
mental, tem gerado efeitos bastante positivos, visto
que o número de pacientes que percebem o seu lugar
dentro da dinâmica familiar e que pedem atendimento
também para a família, vem aumentando
progressivamente. A percepção do lugar que ocupam,
e a não mais aceitação de todas as responsabilidades
projetadas e depositadas sobre estes, levam a uma
desorganização familiar caracterizada pelo surgimento
de uma angústia generalizada. Tais sintomas foram
comprovados através do aumento do número de
famílias que pediam para ser atendidas pelo serviço
de psicologia através do serviço social, recepção,
funcionários etc. Com o aumento da demanda, fez-se
necessário estruturar um espaço onde a angústia familiar
pudesse ser contida e trabalhada. Além disso, estávamos
otimizando o tratamento psicológico realizado na
instituição abarcando de maneira mais abrangente o
“fenômeno patológico”.
Frente ao acima relatado, quatro anos depois
da criação do plantão psicológico, introduzimos um
serviço semelhante voltado exclusivamente para os
familiares dos internos. Foi aberto um espaço onde a
família é recebida como cliente. Não temos a pretensão
de acreditar que todas as famílias aceitam esse lugar
tranqüilamente. Geralmente, o membro da família chega
até o serviço com o seu discurso voltado ao elemento
institucionalizado, e cabe ao plantonista fazer uma


105
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
8
 SEARLES, Harold
F.  The Effort to
Drive the Other
Person Crazy – On
Element in the
Aetiology and
Psychotherapy of
Schizophrenia. In:
C o l l e c t e d
Papers on
S c h i z o p h r e n i a
and Reality
Subjects. Nova
York: New York
I n t e r n a t i o n a l
Universities , 1975.
p. 254-283.
escuta centrada e seletiva na angústia desse familiar
que buscou o serviço.
O atendimento familiar desenvolvido pelo setor
de psicologia é bastante diferente dos atendimentos
realizados pelo serviço social e corpo médico. No
plantão psicológico a família é colocada como cliente.
Já no atendimento médico-familiar o intuito é obter
dados e aprimorar a compreensão da estrutura da
doença através da história do paciente inserido no
contexto familiar. Portanto, não há, prioritariamente,
uma ação terapêutica voltada à família. O cliente é
aquele que está internado. Quanto ao serviço social, a
sua ação visa o bem-estar do indivíduo internado e a
readaptação deste à sociedade de uma maneira menos
traumática. Novamente, o foco encontra-se no paciente
internado. Ambos os atendimentos são imprescindíveis
e de grande importância para o processo terapêutico
porém, não abordam de maneira a provocar mudanças
na psicodinâmica familiar. A utilização do plantão
psicológico se justifica pelas características da situação
e da população alvo. Geralmente, surge uma demanda
que estava reprimida pela impossibilidade de encontrar
um espaço próprio para que pudesse se manifestar.
Na doença o foco recai sempre naquele que manifesta
os sintomas. O plantão psicológico abre um espaço
para que a família manifeste seu mal-estar e suas
questões. As características de tal procedimento
parecem-nos facilitar o trabalho com esta situação
emergencial, imprevisível e desorganizadora que é o
adoecimento. Através do plantão psicológico tentamos
aproveitar o momento de ruptura que a doença mental
gera na dinâmica familiar e na vida de quem adoece e,
a partir disso, proporcionar uma experiência mais
saudável.
Há ainda certos dados de realidade que
reforçam a aplicabilidade do plantão familiar nessa
situação. A grande maioria da população alvo (família)


106
Plantão Psicológico: novos horizontes
possui pouco acesso a situações que permitam uma
relação de ajuda. Isso ocorre por vários motivos: falta
de conhecimento de sua própria demanda;
desinformação sobre os serviços disponíveis
(psicoterapia individual, familiar, etc.); carência de
recursos públicos nessa área; e finalmente,
indisponibilidade financeira da maioria daqueles que
procuram. O plantão psicológico consegue, de certa
forma, diminuir a distância dessas pessoas a uma
relação de ajuda eficaz.
Outra justificativa para a utilização do plantão
recai na crença fortemente difundida nos plantonistas
que nem toda demanda precisa ser suprida pela
psicoterapia. Todo indivíduo possui uma tendência
inerente para o progresso e uma vez que a situação de
impedimento possa ser abordada, e uma nova vivência
possa surgir, o cliente está livre para seguir seu rumo,
até sentir nova necessidade de parar e se redirecionar.
É evidente que muitas vezes a demanda é para
psicoterapia, nesse caso é feito um encaminhamento
para serviços externos.
Colocando a família como foco, estamos
também contribuindo indiretamente com o bem estar
do indivíduo institucionalizado e complementando o
trabalho psicológico que é realizado durante a internação.
Para que o plantão pudesse ocorrer, foram
abertos horários dentro da programação, que
coincidiam com os horários de atendimento familiar
realizado pelos outros membros da equipe. Desta
forma, na medida em que os membros da família
vêm manter contato com o médico, assistente social
ou visitar o paciente internado, se desejarem, poderão
ter acesso ao atendimento psicológico.
Percebe-se que os métodos e técnicas adotadas
são muito semelhantes ao que ocorre para os clientes
internados nesta casa. Essa estrutura de atendimento
tem vantagens para alcançar nossos objetivos.


107
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
As pessoas que procuram o plantão psicológico
não o fazem porque foram convocadas. Portanto,
podemos inferir que há uma mobilização interna que
gerou essa busca. Tal mobilização é fator primordial
para que ocorra mudanças. A convocação para essa
forma de atendimento parece-nos pouco eficiente,
embora possa ocorrer se for de extrema importância
para o trabalho psicológico realizado com o indivíduo
institucionalizado. Desta forma, a família deixa de
ocupar o lugar de cliente e a ação centra-se no
indivíduo institucionalizado. Neste ponto percebemos
outra diferença em relação ao atendimento médico e
ao de serviço social. Estes não perdem a eficácia pela
convocação, pois não colocam a família como cliente
da mesma forma que colocamos.
O plantão psicológico, com sua característica
básica de abarcar o cliente naquele momento, possibilita
um trabalho psicológico breve, embora, também, haja
a possibilidade de um trabalho mais longo se houver
a necessidade. O plantonista e o cliente podem decidir
pela sessão única, projeto terapêutico (quatro sessões
aproximadamente) ou pelo encaminhamento desse
membro familiar ou família para um processo mais
longo de psicoterapia familiar (fora da instituição).
A equipe e a instituição foram instruídas para
favorecer a aproximação dos familiares a este serviço
psicológico. O acesso da clientela mantém-se o menos
burocratizado possível. Foram colocados na recepção
e demais dependências sociais do hospital, cartazes
informativos sobre a existência do serviço,
disponibilidade do psicólogo, local de atendimento etc.
Em três anos de funcionamento o número de
atendimentos foi aumentando progressivamente. De
um ano para o outro tivemos um aumento superior a
100% no número de clientes.
A carência de suporte externo para os familiares
gerou uma situação atípica. O plantão psicológico


108
Plantão Psicológico: novos horizontes
9
 BLEGER, José.
Temas em Psico-
logia. Buenos
Aires: Nueva
Vision, 1980.
familiar é uma estrutura montada prioritariamente para
dar conta das questões familiares durante o período
de internação. No entanto, percebemos o aumento
significativo da procura do serviço mesmo após a alta
do cliente principal. Isso acaba gerando uma sobrecarga
do serviço. Temos como norma básica não recusar o
atendimento dessas pessoas, porém tentamos
encaminhá-las para serviços externos. Tal procura acaba
reforçando a consolidação desse espaço de continência.
No futuro temos o intuito de desenvolver um
ambulatório para dar conta dessa demanda na própria
instituição, porém, para isso, precisaremos aumentar a
equipe de plantonistas.
Fiéis à idéia de uma ação abrangente do doente
mental, começamos a pensar a instituição como um
cliente em potencial. Atualmente fica difícil pensarmos
em uma ação terapêutica eficiente, sem inserirmos no
processo aquele que se propõe a “tratar”.
Abordando o hospital com a visão da psicologia
institucional, o entendemos como um organismo vivo
que reage frente a sua população alvo. Desenvolve-se
uma relação dialética entre a instituição e a clientela. As
ações desta, assim como as reações, vão interferir
diretamente no andamento do processo terapêutico. A
importância da sanidade institucional sempre foi
amplamente discutida e valorizada. Se consideramos o
processo terapêutico pessoal do profissional de saúde
mental como fundamental para a eficácia da abordagem,
nada mais razoável que utilizarmos os mesmos
parâmetros quando falamos da instituição de saúde
mental. José Bleger
9
 abordou com precisão a intrincada
psicodinâmica institucional no ato terapêutico. Segundo
ele, há a tendência da instituição em se burocratizar na
sua ação terapêutica. Este processo surge como defesa.
As estruturas das instituições são as mesmas de seu
objeto de trabalho. Sendo assim, para trabalharmos com


109
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
10
 BLEGER, José.
Psico-Higiene e
P s i c o l o g i a
I n s t i t u c i o n a l .
Porto Alegre: Edi-
tora Artes Médicas,
1984.
doentes mentais em instituições há a necessidade de
“tratarmos” concomitantemente a instituição.
Trabalharmos com a instituição implica em
oferecermos aos seus integrantes condições para falar
de suas questões, assim como, de sua relação com esta.
Buscamos abordar o coletivo através do individual.
Frente ao acima citado tornou-se fundamental
oferecer aos profissionais da casa de saúde um espaço
de continência. Não somente para abarcar a instituição,
mas também para fornecer subsídios ao funcionário
que vive em contato direto com a doença mental.
Quadros psicóticos tendem a ser ameaçadores para
aqueles que não estão preparados psiquicamente. A
desorganização do psicótico tende a ameaçar a ordem
interna de quem convive com estes. Isto é prejudicial
para a saúde psíquica do funcionário e acaba refletindo
na instituição, uma vez que irá utilizar-se de mecanismos
defensivos que prejudicarão a dinâmica institucional.
Como exemplo destes mecanismos podemos citar a
indisponibilidade e a irritabilidade no trato com o
cliente, faltas ao serviço, grande rotatividade da equipe
de apoio etc. Além de tais manifestações, havia uma
demanda explícita por grande parte dos funcionários
que nos procuravam com a necessidade de falar de
suas experiências no cotidiano hospitalar e reorganizá-
las de maneira mais saudável.
Oferecer atendimento aos funcionários trazia
uma série de questões. Primeiramente havia a
dificuldade de montar uma equipe para atender essa
nova clientela. Parecia-nos pouco eficiente que os
plantonistas da própria instituição atendessem a este
público. Tal atitude seria tão incoerente quanto um
psicoterapeuta desenvolver uma “auto-terapia”.
Sabíamos da impossibilidade de abarcar a instituição
fazendo parte dela. Bleger conceituou com precisão
as diferenças entre o psicólogo institucional e o
psicólogo na instituição
10
. Para que fosse viável,


110
Plantão Psicológico: novos horizontes
trouxemos um plantonista de fora da instituição. Isto
resolveu os prováveis conflitos de interesse que
surgiriam se fossem utilizados os profissionais da
instituição. Além disso, a isenção deste plantonista
propiciou maior liberdade para que o funcionário
abordasse suas questões. A própria estrutura do plantão
facilitou o acesso ao serviço. Contamos com a
disponibilidade da instituição para que os funcionários
pudessem procurar o serviço durante o período de
trabalho. Isto gerou a necessidade de reestruturar as
grades de horários, acarretando maior trabalho das
chefias. No entanto, as experiências anteriores bem
sucedidas com o plantão facilitaram a superação de
tais transtornos.
Embora a intenção básica não seja esta, o
plantão ao funcionário também pode ser como porta
de entrada para outras modalidades de atendimento e
suporte se for necessário. Assim como com os internos
e seus familiares, o funcionário pode ser atendido na
própria instituição em esquema de psicoterapia breve
e focal, se o caso. Se a demanda for para uma
psicoterapia de longo curso, este será encaminhado
para instituições ou consultórios fora do hospital.
Paralelamente, montamos grupos operativos para que
as questões relacionais e operacionais pudessem ser
abordadas.
Consolidou-se novo espaço dentro da rotina
hospitalar. A experiência vem nos mostrando que se a
instituição passa por períodos mais críticos, com
sobrecarga de trabalho, diminuição de funcionários
ou qualquer outra tensão, a procura pelo plantão
aumenta. Sendo assim, além do caráter terapêutico, o
plantão oferece elementos para que o plantonista tenha
uma visão relativamente precisa da saúde psíquica da
instituição.
Após a implantação deste serviço, diminuiu
significativamente os problemas de relacionamento


111
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
entre os funcionários, conseqüentemente, criou-se um
ambiente terapêutico mais eficiente.
Até então foram relatadas as mudanças
operacionais que as várias experiências com o plantão
psicológico geraram na rotina hospitalar. Sem dúvida,
passou de técnica coadjuvante a um lugar central no
funcionamento do serviço de psicologia. No entanto,
a amplitude das mudanças geradas pelo plantão
psicológico não recai somente no aspecto operacional.
Acredito que a principal mudança seja subjetiva e sutil.
Como foi dito nas primeiras linhas deste texto,
o plantão psicológico propiciou uma reformulação
na visão institucional do indivíduo institucionalizado.
Existem diferenças significativas na forma de
entender e abordar o doente mental entre os vários
profissionais da saúde. Apesar da proximidade e das
áreas de justaposição, a formação teórica e o
embasamento filosófico dos vários profissionais levam
a esta discrepância na abordagem do doente. Os vários
profissionais podem utilizar os mesmos conceitos de
doença mental, porém a postura frente ao cliente acaba
sendo muito diferente. Cada profissional, munido de
seus conhecimentos científicos e de sua concepção de
homem e mundo, vai colocar-se frente ao outro de
maneira particular na tentativa de promover saúde.
Entre a psicologia e a medicina não é diferente.
Há divergências significativas entre as abordagens. O
médico na sua formação, recebe forte influência das
ciências naturais. A visão naturalista determina que o
observador de um dado fenômeno tente se manter
isento neste processo para não influenciá-lo. A partir
dessa premissa, o médico quando se coloca frente ao
doente procura manter-se afastado para que possa
observar com isenção. Esta isenção dará segurança para
a escolha da terapêutica necessária. Nesta intervenção
está implícito que o cliente não sabe sobre si e espera


112
Plantão Psicológico: novos horizontes
11
 FREUD, Sigmund.
A História do
M o v i m e n t o
P s i c a n a l í t i c o :
Artigos sobre
Metapsicologia.
1ª  edição. Rio de
Janeiro: Imago
Editora, 1974.
(Edição Standard
Brasileira das
Obras Psicológicas
Completas, volume
XIV).
12
 PIAGET, J. e
INHELDER, B. A
Psicologia da
Criança. São
Paulo: Difel, 1974.
13
 ROGERS, Carl R.
T o r n a - s e
Pessoa. 381ª
edição. São Paulo:
Editora Francisco
Alves, 1977.
que o outro, no caso o médico, realize uma ação sobre
ele. Considero a palavra “paciente”, termo muito utilizado
por este profissional, bastante esclarecedora e típica dessa
relação. O paciente é aquele que espera “pacientemente”
a ação de outro para a solução de um desequilíbrio. Sua
principal característica é a resignação e a conformação.
É aquele que espera passivamente um resultado. Todo
organismo possui uma tendência inerente ao equilíbrio.
Vários autores abordaram em diferentes momentos esta
tendência. Freud aborda o “princípio de constância” nos
seus artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos
11
.
Piaget aborda o princípio da equilibração
12
. Rogers
quando fala sobre a tendência atualizadora parece-nos
ressaltar essa tendência inerente do indivíduo a procurar
um equilíbrio satisfatório
13
. A própria biologia usa este
princípio como regra geral. Caso ele não consiga chegar
a esta homeostase por seus próprios meios, recorre a
outros no intuito que este atue de maneira técnica para
promover o equilíbrio. Percebe-se que nesta forma de
intervenção o médico adota a postura de técnico.
O psicólogo também atua no sentido de ajudar
o outro a equilibrar-se, porém a postura pode ser outra
quando sua ação é influenciada pela fenomenologia.
Enquanto a medicina promove uma ação direta sobre
seu paciente, acreditamos que através de uma relação
terapêutica com características específicas, podemos
facilitar para que nosso cliente se equilibre. Desta forma,
não atuamos sobre o mesmo, porém acompanhamos
como instrumento facilitador para este equilíbrio.
Mesmo em casos graves, onde a tendência da
pessoa em estabilizar-se em um modo saudável de
funcionamento parece estar irremediavelmente
comprometido, a postura frente a ele, enfatizando seu
aspecto saudável e seu potencial, costuma trazer
respostas positivas. Acreditamos que o psicoterapeuta
deva oferecer-se como ferramenta ao seu cliente. A


113
Plantão Psicológico em hospital psiquiátrico
14
 BASSIT, W. e
Sonenreich C.  O
Conceito de
Psicopatologia.
São Paulo, Manole,
1979.
experiência do plantão em hospital psiquiátrico mostra
que por maior que seja o comprometimento afetivo,
cognitivo, intelectual e relacional do cliente, a
disponibilidade do plantonista acaba deflagrando um
movimento saudável do cliente. O plantonista serve
como estímulo para a busca de níveis mais saudáveis
de integração psíquica (deixamos de ver o cliente como
receptor passivo de uma ação terapêutica e o colocamos
no lugar de autor no seu processo de aprimoramento e
crescimento). O homem se desenvolve a partir de sua
experiência e a função do plantonista é proporcionar
condições para que o indivíduo possa experienciar, na
relação com este, situações que evidenciam
características novas e desconhecidas no seu modo de
funcionar, experiências diferentes daquelas conhecidas
anteriormente e marcadas pela ineficiência e patologia.
Com esta concepção, aquele que procura ajuda
psicológica, mesmo dentro de um hospital psiquiátrico,
perde a marca de “paciente” e adquire o status de agente,
pois apropria-se de seus rumos.
O corpo clínico do hospital considera a doença
mental como a “patologia da liberdade”
14
. Segundo este
conceito, doente mental é o indivíduo que perdeu a
capacidade de fazer opções. Ele mostra-se incapaz de
estabelecer regras para si, sendo assim, fica prisioneiro
de seus sintomas. Como exemplo, podemos pensar no
sujeito fóbico que restringe sua vida com medo de
encontrar o objeto de sua fobia, ou o obsessivo, que
apesar de perceber a incoerência de seus pensamentos
obsessivos ou de seus rituais mágicos, sente-se impotente
frente a eles. Podemos citar o delirante que interage com
o mundo de maneira restrita a partir das suas convicções
delirantes. Este é um conceito médico, no entanto, ele
pode ser muito eficiente orientando a ação psicológica
em um hospital psiquiátrico.
Se considerarmos a doença mental como um
cerceamento à liberdade, toda a ação terapêutica e o


114
Plantão Psicológico: novos horizontes
ambiente hospitalar devem levar ao livre arbítrio. A
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