Plant o Psicol gio: novos rumos


partir de uma leitura diagnóstica da instituição – e a da



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partir de uma leitura diagnóstica da instituição – e a da
intervenção de base clínica, voltada a favorecer a
superação de dificuldades localizadas no aluno, em seu
desenvolvimento e/ou saúde mental. Essas concepções


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Plantão Psicológico: novos horizontes
se apresentam insistentemente a quem se dispõe a
adentrar aquele contexto, e a proposta de um modelo
outro, baseado em acolher as demandas dos alunos
enquanto pessoas – normalmente desconhecidas antes
que se inicie o trabalho – e que procura acompanhar
as ressonâncias institucionais de mobilizações pessoais
– que se verificarão só a partir da intervenção – não
pode deixar de provocar apreensão.
A proposta de Plantão Psicológico em si mesma
já requer uma abertura ao não-planejado; quando se
acrescenta a vinculação institucional a ser delineada no
decorrer do processo, a exigência de disponibilidade
a acompanhar um processo sem um planejamento
prévio é ainda maior. Frente à inevitável apreensão,
uma sugestão: observar atentamente para conhecer;
ouvir profundamente para facilitar a expressão do que
de mais significativo será trazido a nós; estar realmente
presente, disponível, e atentar à mobilização que pode
nascer daí.
Contato com literatura especializada e relatos
de experiências de intervenções nessa modalidade de
Aconselhamento Psicológico (cf. Mahfoud, 1987, 1989,
1992; Mahfoud, Morato & Eisenlohr, 1993), ajudaram
que se estabelecesse uma posição de ativo empenho
com a proposta – que é mesmo um tanto
desconcertante –, respaldados também na literatura
fundamental acerca da Abordagem Centrada na Pessoa
elaborada por Rogers.
A proposta era disponibilizar-se em termos de
tempo e de escuta. Ou seja, os estagiários comporiam
uma equipe sempre presente na escola: estariam
literalmente de plantão ali à disposição dos alunos,
cobrindo todos os horários de funcionamento daquela
instituição, disponíveis ao atendimento à pessoa do aluno
no momento em que ele estivesse precisando de ajuda,
não sendo assim necessário marcar horário com
antecedência e não estaria implicada necessariamente


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Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
uma continuidade de atendimento. O que dirige o
percurso é a necessidade da pessoa, garantida a
permanência da disponibilidade da equipe de plantonistas
e contando com a iniciativa dos próprios alunos
buscarem atendimento quando fizer sentido para eles.
Mas afinal o que estaríamos oferecendo neste
serviço? Um espaço onde o aluno pudesse buscar ajuda
para rever, repensar e refletir suas questões. O objetivo
era possibilitar aos alunos a oportunidade de se cuidar,
de estarem atentos ao que é realmente importante para
eles naquele momento, e então de se posicionarem
diante disso. O psicólogo neste tipo de serviço não
está ali atento a solucionar algum problema mas
procura estar presente acolhendo a pessoa e escutando-
a ativamente, possibilitando com isso que ela se
mobilize frente à sua situação; procura estar centrado
na pessoa mais do que no problema.
 Esse momento de preparação fora fundamental
do ponto de vista do método, pois pôde ficar claro
que ouvir – escuta ativa, profunda – é uma intervenção,
e que aquilo que verbalizamos para a pessoa, aquilo
que pontuamos ou refletimos devolvendo para ela é
uma intervenção complementar à escuta, vem como
que acoplada. A escuta, enquanto postura básica, é
saber ouvir o outro, estar preparado e disponível para
receber a vivência que estiver trazendo, tomando-a em
sua complexidade original, em seus múltiplos
horizontes, de maneira tal a facilitar que a pessoa examine
com cuidado as diversas facetas de sua experiência.
Essa escuta solicita de nós uma atenção a uma
multiplicidade de perspectivas, mas sobretudo requer
uma atenção à perspectiva que aquela pessoa escolhe
– ou pode –no momento examinar para adentrar sempre
mais profundamente na própria experiência; e isso
requer mais respeito ao caminho empreendido pela
própria pessoa do que qualquer habilidade preditiva
por parte do plantonista. Abertura ao novo


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Plantão Psicológico: novos horizontes
incansavelmente emergente em cada pessoa que
examina sua vivência; abertura maravilhada diante do
mistério da liberdade de cada ser humano, e daquele
ali em particular: é o primeiro passo para entrar em
contato com a realidade das pessoas.
Nos permitimos entrar em contato com o ouvir
não só do ponto de vista teórico (cf. Rogers, 1983;
Amatuzzi, 1990) mas reconhecendo nossa experiência,
sabendo que está em nós o recurso fundamental para
facilitar que o outro se escute a si próprio.
Reconhecemos, então, o fundamento do Plantão
Psicológico naquela atitude que propicia a facilitação
de um processo que é do cliente, e portanto a função
do psicólogo não é conduzir esse processo mas
acompanhá-lo.
Mas, na prática, o que seria ouvir? O que
representaria esse tipo de atenção para com o outro
ali diante de mim? Preocupação primária e fonte de
ansiedade para os iniciantes em atendimento
psicológico, mas preocupação e ansiedade em outra
medida sempre presente também para quem, por anos
a fio, busca se colocar diante do outro com a abertura
confiante necessária para que se dê um processo na
direção do crescimento e da mobilização, para que se
dê um processo de mudança em função do sentido
tão próprio àquele que pede ajuda.
E na supervisão não poderia ser diferente:
atentar para os recursos ali presentes, enquanto pessoa,
e acolhê-los, sobretudo para que cada estagiário pudesse
descobrir-se como terapeuta no decorrer do contato
com o outro, mobilizando seus próprios recursos
afetivos e intelectuais. Todos nós, diante desse tipo de
escuta, livres de interpretações, generalizações e pré-
concepções, estaríamos mais propícios a nos perceber
e perceber o outro. O grande segredo é o aprendizado
com a própria experiência. E esse segredo se revela
efetivamente só com o decorrer do próprio trabalho.


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Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
CONTATOS INICIAIS
Nos primeiros contatos de toda a equipe do
Plantão Psicológico com a escola confirmamos, da
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