Plant o Psicol gio: novos rumos


partir da existência, do ser-no-mundo e o tema da



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partir da existência, do ser-no-mundo e o tema da
conjugação entre desejo e limite.
SITUAÇÃO DESAFIADORA
Para terminar, eu não seria verdadeiro comigo
mesmo se não citasse uma situação que para mim tem
sido muito difícil e desafiadora: trata-se da situação de
morte de alunos, em particular quando há suspeita de
suicídio. Por um lado retomo com muita força a
questão da finalidade da educação no que se refere à
formação da pessoa e à formação de uma consciência
ampla de si e da realidade. Uma morte assim nos coloca
em xeque, tolhe a possibilidade de lutar e de construir
com aquela pessoa, significa que ela não aceitou a
referência que quisemos propor e evidencia o mistério
da liberdade do homem.
Mas também nesse momento a nossa
contribuição de adultos, educadores e psicólogos passa
pela consciência ampla que podemos testemunhar. E
consciência ampla nesse momento significa poder ficar
frente ao mistério da vida e da morte, perplexos, ao
lado dos adolescentes desorientados. E isso só é
possível para nós adultos se com eles retomamos a
última frase do caderno Educação Afetiva: “retomar


47
Plantão Psicológico na escola: uma experiência
sempre o que é importante para mim, me ajuda a fazer
escolhas, me ajuda a verificar as pessoas e os grupos
que mais podem me ajudar a nunca deixar de desejar e
batalhar para ser feliz”.
Isso não é dado por nenhuma identidade social,
por nenhuma formação universitária e por poder
algum. Isso só pode ser dado por uma companhia
viva, de horizonte de vida amplo, à qual cada um de
nós pode ou não aceitar pertencer.
Passa por aí o sentido do nosso trabalho, que
não será dado pela instituição em que trabalhamos,
mas ao contrário, será a instituição que crescerá com
sentido se o carregarmos conosco ao vivermos ali.
Parafraseando a introdução do caderno
Educação Afetiva, quero desejar a cada um de vocês o
mesmo que desejo àqueles com quem trabalho: que
também o seu trabalho “ajude a encontrarmos caminhos
sempre novos - para cada um e para a convivência
entre nós - na constante batalha para ser feliz!”.



49
Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
1
 Expressamos o
reconhecimento dos
plantonistas que
colaboraram em
uma primeira siste-
matização desta
e x p e r i ê n c i a :
Alessandra R.
Alvarenga, Ivana
Carla B. C. Santos,
Lilian Rocha da
Silva, Romina
Magalhães, Ronnara
Kelles Ribeiro e
Tânia Coelho de
Alcântara.
Plantão Psicológico na escola:
presença que mobiliza
Miguel Mahfoud
Daniel Marinho Drummond
Juliana Mendanha Brandão
Roberta Oliveira e Silva
C
omunicar uma experiência
1
, explicitar seu
método, ressaltar a potencialidade de uma proposta, dar
visibilidade a um processo real: são objetivos do presente
capítulo. Impactar-se com a força do possível que emerge
de uma experiência: eis a motivação destas páginas.
Experiência, é claro, se dá em tempo, espaço e
contexto social determinados; e da compreensão de seus
elementos fundamentais depende a continuidade de sua
presença mobilizadora ao longo do tempo. Na verdade,
se assim não fosse, nem ao menos poderíamos chamá-la
de experiência. Procuramos, então, aqui, explicitar o
palmilhar de um percurso feito. Compartilhado o
caminho com o leitor, a continuidade da experiência já
será objeto de atenção de todos nós, cada qual em seu
tempo, espaço e contexto social.
TEMPO, ESPAÇO E CONTEXTO SOCIAL
Relatamos aqui a implantação de um Serviço de
Plantão Psicológico em uma escola pública de segundo


50
Plantão Psicológico: novos horizontes
2
 A experiência aqui
relatada se deu em
1997.
3
 Confira o capítulo
“Plantão Psicoló-
gico na escola: uma
experiência”, de
Miguel Mahfoud,
neste mesmo livro.
grau num bairro operário na periferia de Belo Horizonte
(MG)
2
, estabelecendo um campo de estágio da
disciplina “Aconselhamento Escolar: Plantão
Psicológico” no curso de Psicologia da Universidade
Federal de Minas Gerais, a partir da proposta de Plantão
Psicológico no contexto escolar elaborada pelo
professor
3
.
Trata-se de uma aplicação original – cunhada
em comum entre professor e estagiários – iniciada e
levada a cabo com atenção a potencializar os recursos
pessoais e materiais que aquele grupo e aquela instituição
apresentavam. Trata-se, então, não de aplicação
mecânica de um novo modelo, mas de atualização de
uma atenção viva às pessoas que compunham a equipe,
de maneira tal que atentas à própria experiência se
colocassem no contexto escolar mobilizando a mesma
atenção; de maneira tal que disponíveis ao encontro
com o novo se inserissem na escola despertando o
desejo de encontro e de crescimento que constitui todo
homem; de maneira tal que atentos aos movimentos
de transformação e crescimento se desenrolando entre
nós da equipe, se dispusessem a observar, acolher e
facilitar, com curiosa e discreta abertura, cada
movimento promovido no contexto institucional.
Aquela escola específica foi escolhida por estar
inserida em uma comunidade muito ativa em termos
de movimentos sociais, comunitários e culturais. A
própria escola foi idealizada e construída pela
comunidade local (construída enquanto instituição mas
também enquanto espaço físico). Poder contar com
esse perfil dinâmico e mobilizador da comunidade para
o desenvolvimento do nosso trabalho foi uma das
intenções, de maneira tal que as relações entre o
atendimento individual, a instituição e a comunidade
em que estão inseridos fossem objeto de atenção; de
maneira tal que o atendimento aos alunos dentro
daquela escola pudesse concretamente contribuir –


51
Plantão Psicológico na escola: presença que mobiliza
ainda que de maneira simples – com um movimento
social mais amplo que, por posicionamento político e
cultural, valorizamos.
Estabelecemos um contrato com a escola,
através de sua diretora, oferecendo um Serviço de
atendimento em Plantão Psicológico nas dependências
da escola, nos horários normais de aulas, para receber
alunos que solicitassem ajuda psicológica. Em
contrapartida, a escola garantiria alguns aspectos
fundamentais para o andamento do trabalho: espaço
físico adequado para acomodação dos estagiários onde
pudessem ser feitos os atendimentos; autorização aos
alunos para saírem de sala de aula para procurar o
Serviço; o não encaminhamento dos alunos ao Plantão
Psicológico por parte de professores e direção.
Uma vez que para atingir nossos objetivos de
mobilizar os alunos era fundamental abrir para eles
um espaço em que a busca por ajuda pudesse ser livre
de qualquer imposição ou limitação de horários por
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