Plant o Psicol gio: novos rumos


partícipe da desorientação cultural que todos vivemos



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partícipe da desorientação cultural que todos vivemos,
eu quis ser psicólogo e educador ao testemunhar o valor
e a potência inovadora e criadora da pessoa que cresce
com consciência de si e da realidade.


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Plantão Psicológico na escola: uma experiência
2
 Cf. MAHFOUD,
Miguel. A Vivência
de um Desafio:
Plantão Psicoló-
gico. In Rosenberg,
R.L.(Org.),  Acon-
selhamento Psi-
cológico Centra-
do na Pessoa,
São Paulo: EPU,
1987, pp.75-83.
(Série Temas Bási-
cos de Psicologia,
Vol. 21)
Assumindo isso como finalidade, a técnica de
atendimento breve que tem sido chamada de “Plantão
Psicológico” 
2
 serviu como método de presença entre
os alunos e professores.
Sabemos bem que a imagem de um Serviço de
psicologia dentro da escola é visto por todos como
algo muito diferente disso que propomos, e assim
quisemos afirmar essa nova ótica para todos, mas
principalmente - e a partir - dos alunos, a quem aquele
Serviço de psicologia queria servir. Preparamos, então,
folhetos de divulgação da proposta, que penso possam
ajudar a explicar a vocês também um pouco do que
vem a ser um Plantão Psicológico na escola.
Aos alunos de nível colegial foi entregue um
folheto com trechos da música “Quase sem querer”
do grupo Legião Urbana, e alguns comentários
apresentando o Plantão Psicológico. Trazia os seguintes
dizeres:
“Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
...
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém
...
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber
Tudo.
...


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Plantão Psicológico: novos horizontes
3
 As ilustrações
dos panfletos
apresentados neste
capítulo são de
Durval Cordas, a
quem agradecemos
a autorização para
publicação.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?”
de “Quase Sem Querer”
(Dado Villa-Lobos/ Legião Urbana)
PLANTÃO PSICOLÓGICO NO COLÉGIO
– uma ajuda para quem não quer viver
desperdiçando chances (com os amigos,
com a família, no colégio...)
– um espaço para procurar ouvir em si as
palavras mais profundas e verdadeiras.
– uma possibilidade para todo aluno que não
quer viver “quase sem querer”.
Os pedidos de encontro com o
psicólogo podem ser feitos pessoalmente todas
as 3
as
 e 6
as
 feiras nos intervalos da manhã na
sala 45 (próximo à biblioteca e à informática).
Ou por escrito, todos os dias deixando
na portaria do Colégio um bilhete destinado
ao psicólogo Miguel Mahfoud contendo seu
nome, número e classe, data e assinatura.
– Querendo, apareça!
Já o folheto preparado e entregue aos alunos
de nível ginasial foi o seguinte
3
:


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Plantão Psicológico: novos horizontes
A resposta dos alunos foi bastante positiva. No
início a curiosidade sobre minha pessoa e sobre o tipo
de atendimento era o mais marcante, e vagarosamente
foi se instalando como um espaço para as pessoas, mais
do que para os problemas. Isso fez com que mesmo
quando precisávamos chamar alguém para conversar por
pedidos da coordenação pedagógica ou disciplinar, ou
por pedido de algum professor, a disponibilidade de
tratar dos problemas era já diferente, porque o interesse
era por ele, e não por suas notas ou comportamentos.
Então até suas notas e comportamentos eram discutidos;
suas queixas intermináveis, ouvidas; mas sua pessoa
continuava a ser o centro, e a resposta à situação assim
como é ainda cabe a ele, que pode agora ter alguém a
quem se referir, com quem se avaliar, em quem se apoiar.
A consciência ampla do educador ali frente ao aluno se
traduz também em disponibilidade e cumplicidade para
que o aluno viva com realismo e com cuidado consigo
mesmo. De modo geral isso é mobilizado rapidamente
e o psicólogo permanece como referência para o aluno
na escola, também para outras ocasiões mais tarde, e a
experiência permanece como referência dentro do aluno
- espero para sempre.
A consciência de si e da realidade pede, antes
de mais nada, discriminação. Quem é quem na escola?
Com quem você pode contar? Quais são os recursos
disponíveis na rede de relacionamentos?
Mas se provoco os alunos a estarem atentos à
realidade e ao cuidado consigo mesmos e à sua presença
na escola, é porque procuro fazer o mesmo ali. Também
eu preciso discriminar bem, e aprender a reconhecer as
diferentes contribuições dos vários professores e
coordenadores que convivem muito mais diretamente
com os alunos do que eu, e por isso podem ser um
contato importante para o meu trabalho e para diferentes
formas de ajuda a alunos em dificuldade. Eles podem


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Plantão Psicológico na escola: uma experiência
4
 Este folheto
encontra-se degita-
lizado no CD-ROM
que acompanha o
livro.
me dar feed-back de minhas intervenções, podem cooperar
quando também eles se abrem a um tipo de compreensão
dos acontecimentos que considere o lado dos alunos e
as outras dimensões normalmente deixadas à margem
da sala de aula.
Na verdade a manutenção desse tipo de
proposta pede um empenho constante, e
disponibilidade a manter um diálogo continuamente
retomado – com os professores, com os alunos e
com o conjunto da instituição - para se esclarecer a
linha do trabalho, e para que se tenha atenção com o
sentido que o trabalho vai tomando para a instituição:
COM OS PROFESSORES
Quanto aos professores, é fácil que em um
primeiro momento eles sintam que somos “defensores”
dos alunos, e quase nos vejam como inimigos. Sentem-
se incompreendidos. Chamá-los a colaborar conosco na
atenção com os alunos nem sempre é potente para
romper aquela impressão. Às vezes é preciso que eles
vejam alguns passos que estão sendo dados pelo aluno e
que se liguem diretamente a seu trabalho. Dedicar-se a
explicitá-los nem sempre é fácil, mas é sempre importante.
COM OS ALUNOS
Quanto aos próprios alunos, é importante
retomar a proposta de que eles próprios podem nos
procurar, e estar atentos às tensões que nossa presença
suscita entre eles, para poder lidar com elas também
enquanto escola no seu conjunto, além do âmbito de
atendimento individual ou de pequenos grupos.
Como exemplo, apresento a vocês um folheto
4
que lançamos quando uma outra psicóloga foi trabalhar
comigo no Colégio, e aproveitamos para lidar também
com a tensão existente entre os alunos, ligada ao fato
de que alguns deles se encontravam conosco.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
Assim, brincamos um pouco com a tensão, e o
projeto foi re-proposto.
COM A INSTITUIÇÃO
Quanto à necessidade de recolocar continuamente
a proposta, a nível institucional a questão também não é
simples. Às vezes nos sentimos um pouco “marcianos”.
Mas o trabalho vai sempre no sentido de responder às
demandas da instituição retomando sempre o ponto
de partida da centralidade da pessoa. De fato, isso é
muito desafiador e criativo. Criamos métodos e
instrumentos novos ao procurar responder aos pedidos
e necessidades da instituição retomando a finalidade da
educação e as contribuições da Psicologia.
Gostaria de citar dois exemplos:
1) O primeiro se refere a um pedido que a
direção da escola nos fez de nos ocuparmos de
Orientação Profissional, sugerindo a aplicação de testes.
Na nossa visão, para aqueles alunos, o problema
se localizava no tema da escolha. Sendo alunos de classe
sócio-econômica “A”, poderiam escolher o que
quisessem - mas na verdade não podem escolher porque
não sabem o que querem, ou porque o caminho
profissional já está traçado por herança familiar (a
empresa da família, o consultório do pai...). Não
queríamos aplicar testes, porque não os ajudaria em nada
a enfrentar o problema de não se conhecerem, e o de
assumirem conscientemente um caminho para si na vida
e na sociedade. Não queríamos substituí-los nessa tarefa
de escolha que é tão importante, e assinala uma passagem
para o mundo adulto.
A atenção a isso nos deu criatividade para
utilizar, dentro de nossa abordagem, instrumentos
criados a partir de outros parâmetro teóricos.
Utilizamos textos da cultura brasileira, por exemplo o
da música “Caçador de Mim” (Sérgio Magro/Luís


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5
 Cf. MARTINS, C.R.
Psicologia do
Comportamento
Vocacional. São
Paulo: EPU/EDUSP,
1978.
6
 FRANKL, V. E.
Psicoterapia e
sentido da vida:
fundamentos da
logoterapia e
análise existen-
cial. São Paulo:
Quadrante, 1973
Plantão Psicológico na escola: uma experiência
Carlos Sá) como imagem da busca de si que aquele
momento de escolha envolve; ou o poema “Que é o
Homem?” de Carlos Drummond de Andrade para abrir
espaço a uma pergunta sobre si e sobre o mundo num
horizonte amplo.
Mas desenvolvemos um novo método de
Orientação Vocacional adaptando o Método de História
de Vida apresentado por Julius Huizinga no IV Fórum
Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa, no
Rio de Janeiro em 1989. Pedimos aos alunos para
desenharem o gráfico de sua história de vida, assinalando
as experiências mais significativas desde o nascimento
até o momento presente, avaliando-as como positivas
ou negativas em diferentes graus. Depois pedimos que
redijam um texto apresentando um dia comum no
futuro, cerca de 15 anos mais a frente. Desse trabalho é
possível extrair o critério pessoal com o qual cada um
deles olha, avalia e se engaja na própria vida. Então se
propõe enfrentar a questão da escolha profissional com
aqueles critérios pessoais, tendo em vista as profissões
que mais favoreceriam a expressão e o desenvolvimento
de suas características; ao invés de perseguir a questão
de onde ele deveria se encaixar para poder ser feliz -
questão esta que parte de uma posição alienada e
alienante. Só depois de explicitados esses critério e
mobilizado esse processo de busca é que utilizamos,
eventualmente, testes de personalidade (como o de
Pfister) e o Modelo de Holland
5
 de grupos profissionais
associados a características de personalidade. A proposta
é a de enriquecer e ampliar a reflexão sobre si como
ser-no-mundo, único e irrepetível,
6
 ao invés de esperar
daqueles instrumentos uma resposta.
2) Outro exemplo, para nós muito significativo,
foi quanto à dificuldade da instituição em trabalhar
explicitamente a questão das drogas, que preocupa
muito a todos - direção, professores, pais e alunos.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
8
 MAHFOUD, Miguel
& BRANDÃO, Sílvia
Regina. Educação
Afetiva. In. I Con-
gresso Interno
do Instituto de
Psicologia da
USP, São Paulo,
1991, p. Z6.
7
 Cf. CARLINI, E.A.;
CARLINI-COTRIN,
B. & SILVA FILHO,
A.R.,  Sugestões
para programas
de prevenção ao
abuso de drogas
no Brasil, São
Paulo: CEBRID,
1990.
Frente à necessidade de um trabalho de
prevenção ao uso de drogas e frente às dificuldades
institucionais de tratar do tema, nos pareceu mais
adequado procurar utilizar o método que vem sendo
chamado de Educação Afetiva
7
, que procura modificar
fatores pessoais considerados disponentes à utilização
de drogas (como auto-estima, identidade, resistência a
pressão de grupo etc.) sem necessariamente enfocar o
tema drogas.
Assim, Sílvia Regina Brandão e eu elaboramos
o primeiro material brasileiro de Educação Afetiva
8
,
sempre retomando a questão da centralidade da pessoa,
e abordando principalmente o tema da identidade a
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