Plant o Psicol gio: novos rumos


particularmente no que se refere ao poder do terapeuta no processo



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particularmente no que se refere ao poder do terapeuta no processo,
pois há ênfase na capacidade que o próprio indivíduo tem para o
crescimento”.
“No início foi difícil atender na Abordagem Rogeriana e
compreender qual seria o meu papel  frente às colocações do cliente
e muitas dúvidas surgiram, mas estas foram ficando mais claras à
medida em que eu experienciava a relação terapêutica e observava
as conseqüências de minhas atitudes”.
“Há muito tempo, eu desejava atuar na  Abordagem Rogeriana,
finalmente, este ano pude concretizar minhas aspirações. E, confesso,
tem sido melhor do que eu imaginava. Rogers é mesmo incrível... As
situações de aprendizado e crescimento são constantes, seja nas
supervisões, nas discussões dos textos, no atendimento, no progresso
do cliente, etc. Passamos por momentos inesquecíveis e de valor
inestimável”  .
“A oportunidade de participar de um grupo em que “abrimos
uma roda” e compartilhamos o estudo e o atendimento clínico na
perspectiva rogeriana, foi uma experiência valiosa, por diversas
razões. Em especial, pela possibilidade de aprender da compreensão
teórica e clínica de Rogers em um espaço que podemos ouvir e
dizer as histórias reais de que passamos a fazer parte quando
somos psicoterapeutas”  .


132
Plantão Psicológico: novos horizontes
BIBLIOGRAFIA:
ANCONA-LOPEZ, S. A Porta de Entrada: da entrevista
de triagem à consulta psicológica. Tese de Doutorado.
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP,
1996.
BLEGER, J. Psico-Higiene e Psicologia
Institucional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984.
CAMPOS, G.W.S. Reforma da reforma; repensando
a saúde. São Paulo: Huicitec, 1992.
CURY, Vera E. Abordagem Centrada na Pessoa: um estudo
sobre as implicações dos trabalhos com grupos intensivos
para a terapia centrada no cliente. Tese de Doutorado.
Faculdade de Ciências Médicas da Universidade
Estadual de Campinas, 1993
GIORGI, Amedeo A phenomenological perspective on certain
qualitative research methods. Journal of
Phenomenological Psychology, 25 (2): 190-220,
1994.
MACEDO, R. M.(org.) Psicologia e Instituição: novas
formas de atendimento. São Paulo : Cortez, 1986.
MAHFOUD, Miguel. A vivência de um desafio: plantão
psicológico. IN: ROSENBERG, R.L. (org.). Aconse-
lhamento Psicológico Centrado na Pessoa. São
Paulo: EPU, 1987, p.75-83 (Séire Temas Básicos de
Psicologia, vol. 21).
ROGERS, C. R. A Way of  Being. Boston,
Massachusetts: Houghton Mifflin Company, 1980.


133
Plantão Psicológico em Clínica-Escola
ROSENBERG, Rachel L. (Org.). Aconselhamento
Psicológico Centrado na Pessoa. São Paulo: EPU,
1987 (Série Temas Básicos de Psicologia, Vol. 21)
WOOD, J.K. et alii (Org.s) Abordagem Centrada na
Pessoa. 2ª ed., Vitória: Editora Fundação Ceciliano
Abel de Almeida / Universidade Federal do
Espírito Santo, 1995.



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Psicólogos de plantão...
Psicólogos de plantão...
Vera Engler Cury
U
m conjunto de atitudes ao abordar os
problemas de natureza emocional desenvolvido pela
Abordagem Centrada na Pessoa em suas múltiplas
aplicações - desde a psicoterapia individual, passando
pelos pequenos grupos intensivos até os
surpreendentes encontros de comunidade - gerou
também esta perspectiva de pronto atendimento
psicológico que ao longo destes capítulos
compartilhamos. E é esta mesma vinculação aos
pressupostos teórico-filosóficos da Psicologia
Humanista, através de um de seus mais ilustres
expoentes, Dr. Carl Ransom Rogers, que tem
possibilitado um processo genuíno de troca de
experiências, gerando afinidades, a despeito das
diferenças quanto a contextos e propostas numa
realidade sócio-cultural que nos instiga, a despeito de
toda a perplexidade.
Respeitosamente, os plantonistas aguardam por
seus clientes, sem saber quem serão, o que os trará,


136
Plantão Psicológico: novos horizontes
como ajudá-los... Quando chegam, repete-se um
encontro feito de apertos de mão, olhares, conversas...
e assim, despretensiosamente, atitudes simples de
acolhimento trazem de volta a magia dos rituais: de
homens primitivos ao redor de fogueiras ancestrais até
a comovida cumplicidade destes momentos refazem-
se os elos históricos de nossa humanidade em processo
de vida. Estas são horas solenes porque nos tornam a
todos mais humanos e este mesmo ritual que ao ser
reencenado perpetua valores e crenças, paradoxalmente
tem o dom de transformá-los. E desta mesma sociedade
exaurida por inúmeros conflitos, sacudida por atos
violentos, por vezes tão injusta com as minorias e tão
complacente com os tiranos, surgem ainda ideais,
“sonhos de um mundo mais livre e de uma psicologia
mais justa”.
Cabe-nos como psicólogos neste novo século
que se anuncia a difícil convivência com a AIDS, com
a miséria da alienação, com a dor suprema da perda de
contato do homem com seus vizinhos - em nome de
uma absurda supremacia étnica; porém é nosso também
o prazer de uma intimidade ímpar e a indescritível alegria
de compartilhar a retomada da consciência e da
autonomia. Desdenhamos as bolas de cristal, pois é
pobre adivinhar quando se pode chegar bem perto e
ao ouvir o outro sentir os ecos de uma empatia revisitada,
bebendo da própria fonte. A verdadeira sabedoria não
reside no domínio dos fatos, mas sim no incrível
mistério de compartilhar com as pessoas a jornada que
as levará ao encontro consigo mesmas e da qual
emergem fortalecidas.
Não podemos nos omitir ante uma América
Latina atormentada por tantas dificuldades. Para tarefa
tão complexa, nosso compromisso enquanto
profissionais e cidadãos faz-se urgente e
imprescindível, já que a Psicologia é por excelência a
ciência que privilegia os afetos, os vínculos, a integração


137
Psicólogos de plantão...
do indivíduo com o contexto sócio-cultural que o
coletiviza e lhe confere o sentido de pertinência. Num
cenário em que sanidade e loucura parecem não ter
fronteiras definidas, ainda é nossa a tarefa de criar
encontros que sejam mais do que simples trocas de
palavras; cabe-nos a missão de transformar o mundo
através de trabalhos empreendidos em salas de aula,
consultórios de psicoterapia, empresas, centros
comunitários, presídios, favelas, hospitais, centros de
saúde, ou até mesmo nas ruas.
Há, por outro lado, questionamentos de ordem
ética que incidem sobre os atendimentos institucionais:
“em toda a área de saúde mental questionam-se hoje os
objetivos e os efeitos verdadeiros do atendimento
institucional. Trata-se de definir, para além dos limites
explícitos, a quem, ou ao que, interessam os procedimentos
que são oferecidos ao público para seu bem-estar. A uma
análise cuidadosa, muitos fatos se revelam servindo antes
à manutenção da própria instituição do que aos seus
usuários.” (Rosenberg,1987).
Não devemos ingenuamente negligenciar tal
alerta; o psicólogo-plantonista deve responsabilizar-se
pela forma como as diversas instituições compreendem
e inserem o serviço do Plantão Psicológico, mantendo
para tanto a necessária lucidez quanto à ideologia vigente
e impedindo que esta prática sirva aos interesses
daqueles que pretendem pela multiplicidade de mode-
los de atendimento, apenas mascarar as diferenças e
ludibriar a população, substituindo a necessidade real
de tratamentos psicológicos pelo oferecimento de
serviços e técnicas de caráter amadorístico e sem emba-
samento teórico. O risco está em nos aliarmos a uma
visão poderosamente discriminadora que vincula a quan-
tificação dos atendimentos à eficiência do modelo
institucional.


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Plantão Psicológico: novos horizontes
Os mestres que nos precederam Abe Maslow,
Carl Rogers, Rachel Rosenberg, tinham em comum a
coragem para superar os dogmas e o entusiasmo para
buscar o inédito. As teorias são necessárias mas, com o
tempo, tornam-se mistificadas; retomar os
questionamentos, redescobrir seus significados,
atualizar seus objetivos, impedi-las de cristalizar, eis o
maior empreendimento do pesquisador, pois como
sabemos toda cronificação é um obstáculo ao
crescimento. O conhecimento não é algo linear, a
aprendizagem só ocorre quando nos interessamos
profundamente pelo objeto de estudo. E que estranho
objeto é o nosso: mergulhamos no outro para
emergirmos mais conscientes de nós mesmos. Confiar
em nossos clientes nos ensina a ter fé na possibilidade
de um mundo mais humano. Pessoas desrespeitadas
tornam-se violentas, mas aquelas a quem foi outorgado
o privilégio de uma escuta respeitosa geram novos
ventos para atitudes mais solidárias e altruístas.
A despeito de tudo isto, estamos de plantão, de
maneira ativa e pertinaz! Esta parece ser uma alternativa
suficientemente contemporânea para levar nossos
estagiários ao encontro desta que nos cabe como
realidade, neste tempo e neste país. Já não se pode
mais esperar pelas “revoluções silenciosas” que
embalaram os sonhos do compenetrado Carl. Uma
ética das relações interpessoais, sutil mas poderosa,
feita de pequenos gestos e acenos suaves, simples e
ainda assim determinada, parece conduzir os projetos
do Plantão Psicológico aqui comunicados.
Que esta conversa-diálogo, por onde transitam
nossos testemunhos e crenças, possa contar a você,
leitor, um pouco de nossa alma de aventureiros,
crédulos demais para desacreditar da dignidade
humana, irremediavelmente psicólogos para dar de
ombros quando as instituições criadas para ajudar
pessoas já não sabem mais reconhecer seus apelos.


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ROSENBERG, Rachel L. (Org.)
Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa.
São Paulo: EPU, 1987 (Série Temas Básicos de
Psicologia, Vol. 21)
Psicólogos de plantão...


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