Período: agosto/2016 a janeiro/2017 ( X ) parcial



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INTRODUÇÃO



A violência passou a ser tema de estudo e intervenção na área da saúde a partir dos anos 90, ao mesmo tempo em que se firma internacionalmente como questão de direitos humanos ¹. Sabe-se que mulheres que vivem / viveram violência doméstica e sexual têm mais queixas, distúrbios e patologias, físicas e mentais e utilizam os serviços de sáude com maior frequência do que aquelas sem esta experiência³. Costa et al (2010) destaca que o cirurgião dentista é o profissional que possui o maior contato com pacientes em situação de violência doméstica sejam elas adultos, crianças ou idosos, haja vista que 50% das lesões decorrentes desses fatos se referem a traumas orofaciais . Dessa forma a odontologia tem sempre que se posicionar corretamente sobre o que fazer e como ajudar a diminuir as agressões. No código de ética odontológica no capítulo III, que trata dos deveres fundamentais , em seu artigo 4º , inciso III verifica-se o dever do cirurgião dentista em “zelar pela saúde e dignidade do paciente” (5) , denotando a importância da avaliação e do aviso de casos de violência. Além do campo ético, há normas que implicam notificação compulsória dos casos de agressão apresentados pelo estatuto da criança e do adolescente e pela lei a cerca da notificação compulsória da violência contra mulher. (20) Observa-se que em crimes de lesão corporal contra crianças, adolescentes e mulheres há elevado comprometimento do complexo maxilo-mandibular. (15) . Isso demostra a relevância do cirurgião dentista na identificação e prevenção de tais ocorrências. Porém, conforme alguns estudos , ainda é preciso evoluir no que tange a evolução e formação dos profissionais para combater a violência doméstica.(13).

O tratamento e reabilitação de pacientes que apresentam poliqueixas específicas e dignosticáveis no complexo maxilo-mandibular, como doenças periodontais, cáries e traumas, se torna mais acessível ao profissional visto que se dispõe de protocolos de tratamento de certa forma mais resolutivos frente ao reconhecimento de consequências já instaladas. Porém, muitas pessoas em situação de violência que se apresentam tanto aos serviços de saúde quanto aos locais de atendimento específico, como Propaz Mulher (DEAM) e Propaz Santa Casa, muitas vezes demostram poliqueixas em decorrência de sofrimentos pouco específicos, agravos que na maioria das vezes não são notados e transmitem certa frustração e impotência aos profissionais frente a baixa resolutividade de sintomas sem especificidades claras e de pronta resolutividade. Dentre esses sintomas destacam-se a DTM, que é uma patologia de origem multifatifatorial, e etiopatogenia complexa e parcialmente compreendida (OKESON,1992) e que pode estar diretamente relacionada ao estresse, tal qual a maioria dos participantes da pesquisa vivenciam.

A rede de serviços de saúde em odontologia existe e consegue suprir as necessidades básicas de tratamento de uma demanda que se apresenta relativamente alta, visto que os participantes do projeto de pesquisa contantemente procuram os pesquisadores para tratamentos de agravos já presentes. Grande parte dos participantes foi encaminhada aos serviços de tratamento odontológico. Porém os encaminhamentos resultaram em poucos atendimentos o que deve ser investigado frente a uma situação mais complexa e externa que pode impedir essa procura aos serviços de odontologia.

A alta taxa de absenteísmo em consultas pré agendadas resulta em custos altos para o estado e estratégias falhas frente ao problema de alta complexidade tal qual é a violência.

Mas o que os profissionais de odontologia podem fazer em relação ao problema? Qual seria o papel específico do odontólogo no cuidado à questão? O profissional odontólogo deve apenas tratar a consequência da ocorrência da violência ou enxergar a questão de saúde numa amplitude maior?

A maioria dos protocolos defende propostas do registro adequado, estímulo ao trabalho em equipe e garantia de sigilo e privacidade e acionamento da rede interstorial existente.

O projeto defende a ideia de que a forma como compreendemos e delimitamos o problema a ser trabalhado é essencial para a intervenção , já que para cada definição do que venha a ser violência e qual sua relação com a sáude , uma determinada intervenção é proposta e realizada, repondendo a finalidades sociais diversas.

Trata-se portanto de pensar quais os objetivos da ação em saúde e qual o seu lugar na produção de modos de viver e adoecer, com crenças, valores e atitudes culturamente dados na saúde e na população da Amazônia.






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