Palavras-chave: Educação internacional e comparada. Currículo. Formação de professores. Docência nos anos iniciais. Universidades alemãs. Abstract Teacher Training Programs for the Primary School in Germany



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Autonomia das universidades e desafios na organização dos cursos após Bolonha
A formação para a docência é determinada pelos Estados Federados, tendo em vista que estes são responsáveis pela estruturação da carreira. Desse modo, como já detalhado na primeira parte do artigo, os respectivos Estados da Alemanha definem as leis e diretrizes que orientam a organização dos cursos nas universidades. Quando questionado em relação aos aspectos que poderiam ser melhorados na formação do docente, o entrevistado Z1mII respondeu o seguinte:
Z1mII: [...] assim tem uma quantidade e aí a questão é se podemos repensar ou se vai mudar e se acabam ficando as estruturas que já existem [...] quando pensamos de forma estrutural então podemos claramente fazer a pergunta precisamos um bacharelado e mestrado, esse é o caminho certo ou seria melhor ter outras regras, dez semestres com uma opção de saída já definida; mas todos esses são debates desenvolvidos numa esfera política que nós como universidade não conduzimos dessa forma; nós recebemos a legislação e a partir dela nós fazemos o melhor que nós podemos; claro que também nos perguntam quando há uma mudança na legislação, mas isso é algo que não é esperado; no momento nós nos concentramos na implementação daquilo que são nossas tarefas e sobretudo na organização dos conteúdos [...]
Os professores podem debater a questão num nível político, mas não descumprem a legislação. Assim, mesmo considerando que a divisão entre bacharelado e mestrado não seja a mais adequada para os cursos de formação de docentes, as universidades buscaram se adaptar às novas regras e organizar os cursos da melhor forma possível. Trata-se de uma orientação legal que atua na universidade sem grandes resistências, tendo em vista a aposta nesse modelo para atender a demanda profissional e o fato de que o debate em torno da reforma é considerado como concluído e não faz mais parte da agenda de discussões.

Em relação às competências que se espera dos estudante B1m destaca o seguinte:


B1m: eu vou começar num plano geral //B1f: isso geral// e depois a escola primária; é assim que na esfera federal existem standards para a parte de Ciências da Formação, standards para competências que os Estados devem adaptar em seus contextos e isso e isso os Estados fizeram; os standards foram formulados de uma forma bem geral e os campos das competências são lecionar, educar, avaliar e aconselhar, inovar e formação continuada.
Apesar de algumas críticas, os cursos formam futuros docentes de acordo com as normas educacionais acordadas pela KMK e adaptadas pelo estado. Com base nas entrevistas realizadas, os cursos parecem ter realizado as adequações exigidas. A despeito do currículo dos cursos estar estruturado em torno das competências a serem adquiridas, a forma de ensino e a de avaliação por meio de exames ainda não corresponde a perspectiva que se propõe ir além do ensino e da verificação dos conteúdos aprendidos. Segundo o entrevistado B1m, esse problema persiste há algumas décadas e está relacionado à tendência da universidade avaliar o domínio de conteúdos ao invés das “capacidades práticas” dos futuros docentes. As habilidades docentes são levadas em consideração somente durante a residência pelos responsáveis por essa etapa de avaliação, ou seja, pelo docente que acompanha o residente e pelos supervisores dos Ministérios de Educação de cada Estado designados para essa função.

Os Estados, em acordo com a KMK, estabelecem as áreas de aprendizagem, as competências a serem alcançadas, o número de créditos dos cursos. No entanto, mesmo reconhecendo a necessidade de seguir os padrões estabelecidos para a formação docente, os entrevistados foram praticamente unânimes em afirmar que possuem autonomia no desenvolvimento das atividades acadêmicas.


Ef: [...] Nós gostaríamos de saber ainda assim algo sobre a autonomia da universidade na organização do curso ou os senhores acham que agora é muito dominado pela LABG ou tem ainda espaço que a universidade diga ok tem a lei mas nós podemos organizar o curso de modo que cada universidade tenha o seu perfil.

Z1mI: Bem eu posso avaliar apenas na minha área assim as possibilidades de ação ainda são muitas [...] assim nós temos as diretrizes que incomodam extremamente nós temos que atribuir pontuação para o rendimento [Leistungspunkte] e isso chega próximo ao nível do do absurdo; mas digamos que quando se está disposto a seguir isso e a lidar de forma criativa pode-se fazer então de fato muitas coisas com isso.

Z1mII: Eu reforço isso, tem muitas diretrizes formais mas poucas diretrizes sobre conteúdos; nisso o Estado é absolutamente cauteloso porque nós temos por princípio liberdade de ensino e pesquisa e nisso não se procura mexer muito [...] por exemplo em relação à disciplina de matemática ou alemão e de forma concreta em relação ao que é feito nos conteúdos isso são os professores e professoras que decidem [...]
A LABG define as normas e a estrutura do bacharelado e do mestrado, mas cada universidade pode desenvolver um currículo próprio para o curso e os professores tem liberdade em relação à organização dos conteúdos e programas dos cursos de leitura (Vorlesungen) e seminários ministrados. Os módulos dos cursos são pensados pelos professores que estão nas respectivas faculdades ou institutos e por isso são distintos de uma universidade para outra como apontado na primeira parte do artigo. O entrevistado Z2m também confirma a existência da autonomia universitária, destacando a pesquisa acadêmica e a forma de contratação de professores:
Ef: [...] como o senhor avalia as possibilidades de ação ou melhor da autonomia da universidade na organização dos planos de estudos e do currículo quando se tem a LABG e Bolonha como base; a universidade ainda tem autonomia para trabalhar o currículo ou já está muito preestabelecido?

Z2m: Sim nós também temos autonomia para trabalhar o currículo [...] quando a senhora pergunta às pessoas que não trabalham diretamente com a formação de docentes aqui na universidade eles acham tudo muito ruim esses limites; porque num curso normal eu posso fazer o que eu quero lá não tem um Ministério, aqui tem um parâmetro legislativo no qual eu me movo que demarca essas competências [...] elas são definidas de forma bem ampla mas estão definidas, bem ampla mas definidas e dentro dessa definição ampla [...] nós também podemos constituir os nossos focos e assim nós nos diferenciamos da Universidade-X ou Universidade-Y; nós somos a universidade da heterogeneidade esse é um foco além disso vem naturalmente a linha da pesquisa dos professores das Ciências não apenas das Ciências da Formação também dos que trabalham na Pesquisa Escolar e nas Ciências da Formação [...] nós somos um grande local de pesquisa por assim dizer da pesquisa sobre formação de professores; muitos muitos recursos financeiros principalmente na área de Ciências da Natureza que depois trabalha junto com as Ciências da Formação em diferentes questões [...] e isso o Ministério não pode prescrever como a didática deverá funcionar depois de amanhã nós é que pesquisamos [...] um outro pilar da autonomia da nossa pesquisa é o contrato // Ef: sim // nossa forma de contratação, quem nós contratamos quem nós queremos [...] que tipo de perfil as pessoas tem o que nós queremos [...]


O desenvolvimento do currículo, a definição de focos de interesse e de diferenciação entre universidades bem como a pesquisa acadêmica não é algo decidido pelos Ministérios. O que se pesquisa e como se pesquisa também influencia a organização dos módulos dos cursos de formação. Os concursos para as cátedras ocupadas pelos professores é realizada pela própria universidade, não pelo Estado. Desse modo, os cursos possuem autonomia para decidir o perfil das cátedras e dos focos de pesquisa nas respectivas áreas, considerando, no entanto, as exigências em relação as competências profissionais dos futuros docentes.

De uma forma geral, podemos afirmar que os cursos são direcionados pelos Estados no que diz respeito às questões centrais da formação, no entanto, sem que as universidades tenham que abrir mão de sua autonomia no que se refere às suas particularidades contextuais e temas de pesquisa. Apesar de algumas dificuldades, os cursos de formação de docentes para a escola primária procuram atender da melhor forma possível as normas acordadas pela KMK e implementados através da LABG e do LZV, formando o docente com as competências estabelecidas. Em outras palavras: os Estados determinam a estrutura básica da formação nas universidades, mas não impedem a realização de uma formação para além das necessidades da profissão docente. Entretanto, diante da grande quantidade de créditos obrigatórios, das diversas competências exigidas, da enorme quantidade de estudantes nos cursos, obviamente, há pouco espaço na grade curricular para atividades voltadas a outros interesses, como por exemplo, de renovação do saber cultural, da integração social, de geração de solidariedade, o que permitira não apenas a interação com as necessidade da economia e da administração, mas também com as funções de reprodução do mundo da vida.



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