Palavras-chave: Conto; Prática pedagógica; Competências gerais e específicas; Português; Espanhol


O conto nos programas de Português e de Espanhol



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3.1. O conto nos programas de Português e de Espanhol


O programa de Português do 10.º ano do ensino secundário aponta para uma tipologia textual cuja abordagem levará a um maior entendimento das estruturas textuais por parte dos alunos e desenvolverá nestes uma maior capacidade a nível de produção de textos quer sejam de ordem utilitária ou criativa.

O conto de autor do século XX é um dos pontos do programa de Português do 10.º ano, o que salienta ainda mais a importância desta reflexão.

Com a uniformização em 2002 do programa de Português do ensino secundário, que passou a ser comum a todos os cursos de todas as áreas, deu-se, como afirma Rui Vieira de Castro (CASTRO, 2005: 23), “um importante ponto de viragem na conceptualização da área [do Português] neste nível de ensino, com a criação de uma disciplina comum a todos os percursos de formação gerais e tecnológicos, Língua Portuguesa”. Este autor ressalta ainda que os programas são fortemente ligados aos manuais escolares que dialogam com a gramática e com obras literárias e com sites. Os manuais escolares, assim como os programas, funcionam como espaço de articulação do saber pedagógico. Castro (CASTRO, 2005: 40) sustenta então que o Programa cria um percurso comum a todas as áreas do ensino secundário e atribui um novo papel à escola, o de fazer com que os cidadãos comuniquem bem. As metas para as disciplinas privilegiam a aquisição pelos alunos de competências comunicativas de leitura dando destaque à formação do leitor literário.

É nessa perspetiva que o conto de autor parece ser integrado como um tipo de texto literário que, se cuidadosamente selecionado, permite instigar o leitor em formação, ampliando o seu conhecimento do mundo, pela forma sintética como se apresenta e explora temas universais, assim como dá a conhecer características específicas de uma dada cultura, as suas particularidades locais e regionais. Só estimulando a leitura do texto literário se conseguirá desenvolver no aluno uma cultura geral alargada e fazer sobressair a particularidade da linguagem literária no estudo das suas especificidades.

O professor está assim condicionado por uma escolha imposta pelo programa de “autores/textos de reconhecido mérito literário que garantam o acesso a um capital cultural comum” (COELHO M. d., 2001: 5). Os contratos de leitura estabelecidos entre o docente e os alunos promoverão de igual modo o contacto com os textos literários.

O programa de Português é muito preciso quanto às finalidades da disciplina relativamente ao texto literário. Primeiro, propõe o fim de “formar leitores reflexivos e autónomos que leiam na Escola, fora da Escola e em todo o percurso da sua vida, conscientes do papel da língua no acesso à informação e do seu valor no domínio da expressão estético-literária.” (Idem: 6). Quanto à outra finalidade, o professor deverá dar a conhecer aos alunos obras ou autores significativos da tradição literária, de modo a facultar uma cultura fundamental e comum entre todos.

O contacto com textos literários é um dos objetivos da disciplina aqui tratada a fim de se desenvolverem “as capacidades de compreensão e de interpretação de textos/discursos com forte dimensão simbólica, nomeadamente os textos literários” (Idem: 7). Um outro objetivo refere-se ao desenvolvimento do prazer pela leitura de obras literárias em língua portuguesa e universal, de forma a sublinhar a particularidade da linguagem literária no estudo das virtualidades da língua e a alargar o conhecimento do mundo. Metodologicamente, sugere-se que o desenvolvimento das competências linguísticas e literárias seja simultâneo à leitura literária. Um enquadramento dos textos literários só será possível através de um conhecimento do contexto sociocultural, assim como da teoria e terminologia literárias.

Centrando-me no estudo do texto literário no 10.º ano do ensino secundário, constato que se prevê a leitura de textos informativos diversos, textos de caráter autobiográfico, textos expressivos e criativos, textos dos media, textos narrativos e descritivos, e, por fim, textos utilizados no contrato de leitura. O estudo de textos literários está presente em textos de caráter autobiográfico (Camões lírico), textos expressivos e criativos (poesia portuguesa e de língua portuguesa do século XX), textos dos media (crónicas literárias) e textos narrativos e descritivos (dois contos/novelas de autores do século XX).

A exploração do conto é realizada no 10.º ano de escolaridade, uma vez que o docente terá de selecionar “dois contos/novelas de língua portuguesa e um/uma de literatura universal” (Idem: 36). É provável que o Ministério da Educação tenha optado pelo estudo destes dois géneros literários narrativos por serem muito curtos e, a priori, de estrutura mais simples.

O manual adotado pela escola, Projecto Desafios Português 10.º ano da editora Santillana (PINTO, MIRANDA, & NUNES, 2010), apresenta um leque de contos de autor do século XX não só da literatura portuguesa ou lusófona, como também da literatura universal. É possível que esta escolha se prenda com os objetivos apresentados no programa: “contactar com autores do Património Cultural Universal” e “relacionar-se com outras culturas de expressão portuguesa e universal.” (Idem: 54).

As diretrizes do programa são muito concretas (Idem: 36): o professor terá de explorar o modo/género, a organização do texto, a ordenação da narrativa e, por fim, a construção dos sentidos. Para promover o estudo do conto, o programa (Idem: 54) propõe algumas atividades: análise comparativa de contracapas de livros, redação de textos de contracapa dos contos lidos, criação de contos a partir de uma lista de palavras-chave e criação de histórias a partir de imagens, dando assim toda a liberdade de escolha ao docente. Ao planear as suas aulas, o professor terá de pensar noutras atividades fundamentais para as fases de pré-leitura, leitura e pós-leitura do conto em questão. Logo, cabe ao professor cumprir os requisitos do programa, por um lado, e gerir os constrangimentos programáticos, por outro.

As orientações metodológicas do Programa de Espanhol do terceiro ciclo vão no sentido da metodologia do enfoque comunicativo, dando ao aluno um papel de destaque no processo de ensino-aprendizagem. As metodologias aqui propostas são bastante ativas e centradas no aluno. Ao professor é dado o papel de gestor, orientador, mediador e criador de condições adequadas para que o aluno possa desenvolver as suas aprendizagens ao nível da língua espanhola e das culturas intrínsecas a ela. Os alunos deverão “[construir] a sua própria aprendizagem, participando na tomada de decisões, com o fim de evitar conflitos entre a diversidade da turma e a tendência para estandardizar o ensino e os processos, esperando resultados uniformes” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1997: 31). Ao professor compete utilizar metodologias ativas centradas no aluno a fim de que este construa o seu próprio saber.

Tratando-se de um programa que faz predominar as situações de comunicação tanto oral quanto escrita, há que criar situações de comunicação “tão autênticas quanto possível” (Idem: 29), aproximando-as de “comunicação real imposta pelo exterior” (Idem: 30). A receção de textos ou discursos completos mesmo breves ou manipuladamente reduzidos pelo professor é uma forma de levar os alunos a aprenderem a língua global e progressivamente, para só em seguida ser analisada.

O programa aponta uma tipologia de textos que não refere especificamente o conto embora aponte “textos humorísticos e literários” (Ministério da Educação, 1997: 15) como textos escritos passíveis de serem objeto de compreensão escrita. O programa refere mais genericamente textos narrativos, descritivos, expressivos, lógico-argumentativos e prescritivos. Ora, o conto apresenta tanto elementos do texto narrativo, quanto do descritivo.

Já o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas defende que “os usos estéticos e criativos da língua são tão importantes por si mesmos como do ponto de vista educativo (Conselho da Europa, 2001: 88) e enumera alguns exemplos de atividades estéticas, entre as quais a narração oral e a dramatização de histórias (Conselho da Europa, 2001: 88-89). Os usos estéticos da língua considerados neste documento implicam atividades tanto de receção/compreensão (audição, leitura) como de produção/expressão (narração oral de textos criativos, produção de textos da autoria dos alunos, reescrita ou reconto de histórias).

O Currículo Nacional do Ensino Básico prevê e aconselha a utilização de histórias nos diferentes níveis de ensino, mas insiste mais nos textos informativo e narrativo (ABRANTES, 2001: 47-48), os primeiros para se atingir o objetivo específico de extração de informação e os segundos para se reconhecerem os elementos que estruturam a narrativa.

A partir do conhecimento prévio de assuntos que já conhece na sua língua, o aluno poderá mais facilmente inferir “o sentido dos elementos formais e referenciais (formato, título, apresentação…), formulando hipóteses sobre o conteúdo”. (Idem: 30). No caso específico do conto, o recurso às ilustrações que o acompanham ou à versão modernizada do conto tradicional são bons facilitadores da compreensão leitora.

As atividades recomendadas pelo programa de Espanhol para o terceiro ciclo são sobretudo atividades que implicam e desenvolvem a competência comunicativa do aluno tais como entrevistas, discussões e debates, trabalhos de projeto, diálogos, dramatizações e simulações. A avaliação daí decorrente partirá essencialmente da observação direta do trabalho individual, de grupo ou em pares proveniente dos alunos.

Como se poderá verificar pelas planificações e prática pedagógica sobre as quais irei refletir posteriormente, e porque o manual adotado também segue essa metodologia, utilizei sempre o ensino por tarefas, primórdio metodológico sugerido pelo programa da disciplina e a única metodologia a que o próprio Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas dedica um capítulo (Conselho da Europa, 2001: 29-37).



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