Palavras-chave: Conto; Prática pedagógica; Competências gerais e específicas; Português; Espanhol



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2.2. Conto popular e Conto literário


Sem me deter numa tipologia do conto que levaria a várias ramificações com distintas especificidades, centrar-me-ei nas duas modalidades que são, regra geral, objeto de estudo nos programas de Português dos ensinos básico e secundário.

O conto popular é considerado “forma simples, expressão do maravilhoso, linguagem que fala de prodígios fantásticos, oralmente transmitido de geração em geração” (REIS, 1987: 10). Ao invés deste, o conto literário adquire “uma formulação artística, literária, escorregando do domínio colectivo da linguagem para o universo do estilo individual de um certo autor (Idem: 10).

A escola formalista russa manifesta a consciência de que o conto literário ou de autor tem um caráter oral com origem no conto tradicional ou popular. André Jolles [JOL76] defende uma nítida interligação entre a escrita e a oralidade. Denominando o conto popular de “forma simples” contrapõe-lhe o conto literário que designa de “forma erudita”. É a forma simples “que enfrenta abertamente o universo e o absorve, o universo conserva, pelo contrário, apesar dessa transformação, sua mobilidade, sua generalidade e – o que lhe dá a característica de ser novo de cada vez – sua pluralidade. (…) na Forma artística, ela esforça[-se] (…) por ser sólida, peculiar e única…” (JOLLES, 1976: 195).

Outra distinção entre estes dois tipos de conto relaciona-se com a representação do mundo: enquanto no conto popular, o mundo é representado do um modo estereotipado, ordenado, maniqueísta, o conto de autor “[cultiva] cada vez mais a transgressão e simultaneamente a depuração de todos os elementos que poderiam impedir a percepção exaustiva de uma certa realidade, logo exigindo um perfeito domínio da forma.” (AFONSO, 2004: 55) e escapando deste modo a todo o tipo de convenção.

Há ainda outra diferença que se pode apontar e que se relaciona com a linguagem: se no conto popular há a presença frequente do maravilhoso e marcas de oralidade na linguagem, provenientes da tradição popular destes relatos, as quais possibilitam uma frequente variabilidade, no conto literário a linguagem é mais cuidada, apesar de poder aparecer, conjugada com a linguagem literária, a linguagem popular numa preocupação de mais forte contextualização do texto e de diversificação do discurso. Trabalhada pelo autor, a linguagem no conto literário está dependente da vontade deste e da forma como organiza o texto (AFONSO, 2004: 55-56).

O conto literário é fruto de um compromisso do autor com a forma breve, mas sem o jogo de variantes característico do conto popular. Marcado pela autoridade, o conto literário é um modo peculiar de um autor, de uma fase da sua produção de contista, numa determinada época e num determinado país. Daí que, mesmo que se tentem encontrar elementos comuns sobretudo ao nível estrutural, o conto desdobra-se em facetas múltiplas de contar a história onde interfere em muito a cultura do autor que o cultiva e que em cada produção é único.





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