Palavras-chave: Conto; Prática pedagógica; Competências gerais e específicas; Português; Espanhol



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CAPÍTULO I


CONDIÇÕES PRAGMÁTICAS

  1. Condições pragmáticas

Mesmo que o contexto em que me encontro para a realização desta Prática de Ensino Supervisionada não seja o comumente previsto visto já ser profissionalizada por outra licenciatura em ensino, adquiri os conceitos e terminologias centrais no ensino/aprendizagem de língua portuguesa e de língua estrangeira (espanhol) durante o 1.º ano de Mestrado, mostrando-me sempre pronta para aprender e poder aplicar a teoria à prática de ensino no 2.º ano. Apresentou-se-me importante caracterizar a escola e as turmas em que iria lecionar, o que condicionou em parte os métodos e procedimentos a utilizar e me ajudou a definir os objetivos específicos a atingir em cada turma.

A análise do contexto de trabalho permitiu-me consciencializar-me do tipo de alunos com quem iria trabalhar e do contexto sociocultural de que eram oriundos, a fim de selecionar mais criteriosamente as estratégias e materiais que possibilitassem um processo de ensino/aprendizagem mais eficaz e adequado aos alunos. Será, então, pela caracterização da escola e das turmas que irei iniciar este relatório.



    1. Caracterização da escola

Fui colocada a realizar o meu estágio na Escola Secundária Quinta do Marquês. Esta situa-se num bairro residencial moderno, de classe média, que se integra num concelho historicamente ligado à figura do Marquês de Pombal, mas voltado para o futuro se tivermos em conta que acolhe sedes de grandes empresas da área da informática e das telecomunicações (Microsoft, Nokia) e instituições de investigação como o Instituto Gulbenkian da Ciência ou a Estação Agronómica Nacional. Talvez não seja por acaso que a comunidade em que a escola se insere esteja pautada por um bom nível de escolaridade.

A Escola Secundária Quinta do Marquês integra mais de cem docentes (cerca de 80% do quadro), apoiados por quarenta não docentes, tendo uma população que ultrapassa os mil alunos, num total de 40 turmas, 20 do 3.º ciclo e 20 do ensino secundário, todas a funcionar em regime diurno.

Os planos curriculares estendem-se do 7.º ao 12.º ano. No ensino secundário predomina a oferta de cursos gerais/Científico-Humanísticos, na área das ciências e tecnologias (na sua maioria), artes visuais, ciências socioeconómicas e línguas e humanidades. A escola oferece ainda cursos profissionalizantes na área de Multimédia.

Os critérios que determinam a definição da oferta educativa prendem-se com as expetativas ao nível da educação do meio envolvente, o que leva a que a maior parte da oferta se centre nos cursos orientados para o prosseguimento dos estudos, o que vai ao encontro dos desejos dos pais, que, na sua maioria, tem formação superior.

Como resposta às necessidades e expetativas da comunidade envolvente, a escola assinou um contrato de autonomia com o Ministério de Educação, que dá à direção mais poder para tomar decisões nos domínios pedagógico, administrativo e financeiro e, assim, melhor gerir a escola de acordo com o projeto educativo.

No sentido de proporcionar diferentes oportunidades de aprendizagem aos alunos, a escola promove atividades extracurriculares como uma das suas prioridades. A Escola Secundária Quinta do Marquês tem uma oferta diversificada de clubes e ateliês e, ao longo do ano letivo, os professores desenvolvem um vasto leque de atividades de complemento educativo.

A boa reputação da escola – tida como uma escola de exceção – deve-se ao facto de estar inserida num meio socioeconómico favorecido, de ter bons níveis de aproveitamento e um projeto educativo sólido. Nesta escola em que os alunos têm um bom nível de conhecimentos e os problemas relacionados com a indisciplina são praticamente inexistentes, senti que poderia ter excelentes condições para levar a bom termo um trabalho motivador.


    1. Caracterização da turma de Espanhol

Durante o estágio trabalhei com turmas de níveis e faixas etárias muito distintos. Em Espanhol, nível de iniciação, escolhemos entre as estagiárias as turmas (7.º B ou 7.º D) em que realizaríamos a nossa Prática do Ensino Supervisionada. Escolhi quase arbitrariamente, mas sem me arrepender, a turma B.

A caracterização das turmas que se segue só foi possível através do acesso aos dados inscritos no Plano Curricular da Turma (PCT) que me foi permitido pelos diretores das respetivas turmas e que depois trabalhei estatisticamente.

Em Espanhol, a turma B do 7.º ano era composta por 28 alunos, com uma média de idades de 12 anos, de que 12 eram do sexo masculino e 16 do sexo feminino. Estes alunos viviam nas imediações da escola, sendo que a maioria ia de carro, o que denota o nível económico dos encarregados de educação.

Pertencentes a famílias de classe média, o nível de escolaridade dos pais era elevado, sendo que muitos deles tinham estudos superiores, embora não se tenha podido confirmar, pelo escasso número de respostas quanto às perspetivas de futuro, se esse será o percurso seguido pelos alunos.

Os alunos revelam preferir as disciplinas de Ciências Físico-Naturais e Educação Física, dedicando a maioria do tempo a um estudo esporádico equiparadamente ao número de alunos que estudam diariamente.

Os alunos desta turma tinham interesses muito variados. Para ocuparem os seus tempos livres, 82% usavam o computador, 64,2% viam televisão, 50% praticavam desporto, 46,4% ouviam música e 39,2% liam.

Estes alunos tinham regra geral um bom comportamento e aproveitamento. Em momentos de maior agitação não havia grande dificuldade em fazê-los voltar a um comportamento mais regrado, apesar de haver alguns elementos que teimaram em manter sempre uma postura de falta de empenho e até mesmo de indiferença perante a disciplina de Espanhol.

A turma demonstrou-se sempre participativa, realizando com alguma facilidade as tarefas propostas, embora houvesse flutuações na atenção dedicada aos exercícios, ocorrendo por vezes conversas paralelas que exigiam um maior controlo por parte da professora.

Houve momentos em que partilhei a turma com a colega de estágio Isabel Wolfrom, assim como ela partilhou a turma dela comigo. Esta possibilidade, sugerida pela orientadora, veio mais uma vez confirmar a tese de que trabalhar com turmas de dimensões distintas (28 alunos no 7.º B contra 20 no 7.º D) faz depender as estratégias utilizadas e permite que as interações discursivas sejam mais frequentes e mais profícuas e que as relações interpessoais se possam concretizar de um modo mais evidente.


    1. Caracterização da turma de Português

A turma do 10.º ano de Português era inicialmente composta por 28 alunos, na sua maioria raparigas, mas no segundo período ficou reduzida a 24 alunos por 4 terem mudado de curso. Tratava-se de uma turma de Ciências e Tecnologias com uma média de idades de 15 anos.

A maioria dos alunos vivia nas imediações da escola e utilizavam transporte público ou deslocavam-se a pé.

Percebi logo de início que esta turma era constituída por alunos muito preocupados em atingirem boas classificações, não só por ambição pessoal como também porque, no seu ambiente familiar, provinham de famílias cujo grau de escolaridade era elevado. Assim sendo, a nível dos encarregados de educação, tanto o pai quanto a mãe, eram na sua maioria licenciados.

Não foi com surpresa – visto tratar-se de uma turma que seguirá na sua maioria o curso de Medicina − que os alunos indicavam a disciplina de Biologia como a sua preferida, paralelamente à de Matemática.

As perspetivas de futuro nestes alunos eram uma única: terem acesso à universidade e frequentarem um curso superior. Eram discentes muito conscientes dos objetivos que pretendiam atingir e dos esforços a que terão de se sujeitar se quiserem alcançar as suas metas. Assim sendo, eram alunos que maioritariamente consagravam parte do seu dia-a-dia ao estudo e fazendo-o sempre em casa.

Eram, contudo, alunos que conseguiam conjugar estudo com tempos de lazer, dedicados, estes, na sua maioria ao desporto e a ouvirem música.

Depois de apresentadas as turmas em que realizei a minha Prática de Ensino Supervisionada, passarei ao tema específico deste relatório, transversal às duas disciplinas, o qual cumprirá três etapas: uma abordagem teórica sobre o conto enquanto género literário e perspetivado na sua evolução histórico-literária tanto em Portugal como em Espanha; seguidamente, farei uma reflexão sobre o lugar do conto nos programas das disciplinas lecionadas para percebermos como este texto narrativo pode constituir um bom meio para a compreensão da estrutura narrativa e do funcionamento da língua (no caso da disciplina de Português), como também um meio para motivar, desenvolver e melhorar a compreensão leitora (no caso da disciplina de Espanhol); por fim, farei uma reflexão sobre as aulas lecionadas, nos seus aspetos positivos e negativos, em que alguns contos foram explorados, mesmo que integrados em unidades didáticas que convocaram outros tipos de textos.




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