Pais brilhantes, professores fascinantes


Participar de projetos sociais



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Participar de projetos sociais

Objetivos desta técnica: desenvolver a responsabilidade social, promover a cidadania, cultivar a solidariedade, expandir a capacidade de trabalhar em equipe, trabalhar os temas transversais: a educação para a saúde, para a paz, para os direitos humanos.

Levar os jovens a se comprometer com projetos sociais é a décima técnica pedagógica que proponho. O compromisso social deve ser a grande meta da educação. Sem ele, o individualismo, o egoísmo e o controle de uns sobre os outros crescerão.

Participar de campanhas de prevenção contra a AIDS, drogas, violência, combate à fome pode contribuir para que os jovens sejam saudáveis psíquica e socialmente. Como vimos, eles amam o veneno do consumismo e do prazer imediato. Muitos só se importam consigo mesmos. Mas, reitero, eles não são culpados. Há milhões de imagens gravadas na sua memória consciente e inconsciente que os controlam sem que percebam.

Na realidade todos somos vítimas do sistema que criamos. Estamos cada vez mais perdendo nossa identidade, nos tornando uma conta bancária, um número de cartão de crédito, um consumidor em potencial. A minha crítica tem fundamento. O sistema social infiltra-se na caixa de segredos da personalidade, escasseando a produção de pensamentos singelos, tranqüilos, serenos.

Em pesquisa que realizei com cerca de mil educadores sobre a opinião deles relativa à qualidade de vida dos jovens, os resultados foram espantosos. Eles consideram que 94% dos jovens estão agressivos e 6%, tranqüilos; 95% estão alienados e 4% se preocupam com seu futuro. Para onde caminha a educação?

Jovens que fazem a diferença

Os jovens que são determinados, criativos e empreendedores sobreviverão no sistema competitivo. Os que não têm metas nem ousadia para materializar seus projetos poderão viver à sombra dos pais e engrossar a massa de desempregados. Jovens desqualificados intelectualmente prejudicam o futuro de uma nação. Por que a riqueza das nações sobe e desce? Por que as riquezas familiares não duram até a terceira geração? Por causa do material humano.

Precisamos qualificar nossos filhos e alunos. Eles devem sentir-se importantes na escola, precisam participar de certas decisões. Devem também participar das decisões familiares, como a compra do carro, o roteiro das viagens, a ida a restaurantes, e até no orçamento familiar. Precisam aprender a fazer escolhas. Assim aprenderão uma dura lição: toda escolha implica perdas e ganhos.

A síndrome SPA deixa nossos filhos agitados. Elas detestam rotina, e por isso reclamam que "não têm nada para fazer". Eles têm muito para fazer, mas a rotina exaspera a ansiedade. Se os engajarmos em projetos sociais, suas vidas darão uma guinada. A emoção deles será estruturada, o pensamento, aquietado, e de quebra aprenderão a importância de servir.

Como poderão subir no pódio se desprezam o treinamento? Como brilharão na sociedade se não têm conexão com ela? Considerar nossos filhos e alunos apenas como receptores de informações e consumidores de bens materiais é uma afronta à inteligência deles.

Precisamos formar jovens que façam a diferença no mundo, que proponham mudanças, que resgatem seu sentido existencial e o sentido das coisas (Ricoeur, 1960). Uma das causas que levam milhões de jovens a usar drogas, a ter depressão e a ser alienados é que eles não têm sentido de vida, nem engajamento social.

O tédio os consome. Por isso, numa atitude insana, eles partem para o uso de drogas, como tentativa de aliviar sua ansiedade e tristeza, e não apenas para saciar sua curiosidade. Muitos jovens usam drogas como antidepressivos e tranqüilizantes. Infelizmente, esta atitude os levam a viver na mais dramática prisão: o cárcere da emoção.

Aplicação das técnicas do projeto escola da vida

Não podemos nos esquecer que os professores do mundo todo estão adoecendo coletivamente. Os professores são cozinheiros do conhecimento, mas preparam o alimento para uma platéia sem apetite. Qualquer mãe fica um pouco paranóica quando seus filhos não se alimentam. Como exigir saúde dos professores se seus alunos têm anorexia intelectual? É por causa da saúde deles e de seus alunos que a educação tem de ser reconstruída.

As escolas que já aplicam as técnicas psicossociais do projeto escola da vida estão assistindo a algo maravilhoso. O estresse dos professores e os gritos implorando silêncio diminuíram. Os níveis de ansiedade, as conversas paralelas e os atritos entre os alunos atenuaram-se. Cresceram a concentração, o prazer de aprender e a participação.

Uma diretora de uma escola pública me pediu ansiosamente ajuda. Ela chamava com freqüência o policiamento para conter a agressividade entre os alunos. Comovido, treinei os professores. Eles aplicaram todas essas técnicas durante um ano. O resultado? Além de todos os ganhos intelectuais que já citei, não foi mais necessário chamar a polícia. Os gritos cessaram, os alunos se acalmaram, o respeito surgiu.

Nessa escola pública só há o ensino fundamental. Quando os alunos entraram em outra escola para cursar o ensino médio, os professores ficaram impressionados com a tranqüilidade deles. Tornaram-se poetas da vida.

Diante de mudanças tão grandes, a diretora me disse: "Não acredito no que aconteceu na minha escola." Não fiz muito, os professores é que merecem todos os aplausos. Talvez esta seja uma das raríssimas experiências mundiais de mudanças significativas na dinâmica da personalidade e no processo educacional com a aplicação de técnicas psicopedagógicas. O melhor de tudo é que a aplicação dessas técnicas não envolve dinheiro. Ela gera a escola dos nossos sonhos.

Qual é a escola dos seus sonhos? Para mim, é a escola que educa os jovens para extraírem força da fragilidade, segurança da terra do medo, esperança da desolação, sorriso das lágrimas e sabedoria dos fracassos.

A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo à alegria de um palhaço, a força da lógica à singeleza do amor. Na escola dos meus sonhos cada criança é uma jóia única no teatro da existência, mais importante que todo o dinheiro do mundo. Nela, os professores e os alunos escrevem uma belíssima história, são jardineiros que fazem da sala de aula um canteiro de sonhos.

Qual é a família dos seus sonhos? A família dos meus sonhos não é perfeita. Não tem pais infalíveis, nem filhos que não causam frustrações. É aquela em que pais e filhos têm coragem de dizer um para o outro: "Eu te amo", "Eu exagerei", "Desculpem-me", "Vocês são importantes para mim".

Na família dos meus sonhos não há heróis nem gigantes, mas amigos. Amigos que sonham, amam e choram juntos. Nela, os pais dão risadas quando perdem a paciência e os filhos debocham da própria teimosia. A família dos meus sonhos é uma festa. Um lugar simples, mas onde há gente feliz.

PARTE 6
A HISTÓRIA DA GRANDE TORRE

Se o teu sol é verdadeiro, não tenha medo das nuvens que o encobrem, pois um dia elas se dissiparão e o brilho do sol voltará...


Quais são os profissionais mais importantes da sociedade?

Para finalizar este livro, contarei uma história que revela a perigosa direção para onde a sociedade está caminhando, a crise da educação e a importância dos pais e dos professores como construtores de um mundo melhor. Tenho contado essa história em muitas conferências, inclusive em congressos internacionais. Muitos educadores ficam tão sensibilizados que vão às lágrimas.

Num tempo não muito distante do nosso, a humanidade ficou tão caótica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual a profissão mais importante da sociedade. Os organizadores do evento construíram uma grande torre dentro de um enorme estádio com degraus de ouro, cravejados de pedras preciosas. A torre era belíssima. Chamaram a imprensa mundial, a TV, os jornais, as revistas e as rádios para realizarem a cobertura.

O mundo estava plugado no evento. No estádio, pessoas de todas as classes sociais se espremiam para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada profissão era representada por um ilustre orador. O orador deveria subir rapidamente num degrau da torre e fazer um discurso eloqüente e convincente sobre os motivos pelos quais sua profissão era a mais importante da sociedade moderna. O orador tinha de permanecer na torre até o final da disputa. A votação era mundial e pela Internet.

Nações e grandes empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestígio social, uma grande soma em dinheiro e subsídios do governo. Estabelecidas as regras, a disputa começou. O mediador do concurso bradou: "O espaço está aberto!"

Sabem quem subiu primeiro na torre? Os educadores? Não! O representante da minha classe, a dos psiquiatras.

Ele subiu na torre e a plenos pulmões proclamou: "As sociedades modernas se tornarão uma fábrica de estresse. A depressão e a ansiedade são as doenças do século. As pessoas perderam o encanto pela existência. Muitas desistem de viver. A indústria dos antidepressivos e dos tranqüilizantes se tornou a mais importante do mundo." Em seguida, o orador fez uma pausa. O público, pasmo, ouvia atentamente seus argumentos contundentes.

O representante dos psiquiatras concluiu: "O normal é ter conflitos, e o anormal é ser saudável. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? Um albergue de seres humanos sem qualidade de vida! Por vivermos numa sociedade doentia, declaro que somos, juntamente com os psicólogos clínicos, os profissionais mais importantes da sociedade!"

No estádio reinou um silêncio. Muitos na platéia olharam para si mesmos e perceberam que não eram alegres, estavam estressados, dormiam mal, acordavam cansados, tinham uma mente agitada, dores de cabeça. Milhões de espectadores ficaram com a voz embargada. Os psiquiatras pareciam imbatíveis.

Em seguida, o mediador bradou: "O espaço está aberto!" Sabem quem subiu depois? Os professores? Não! O representante dos magistrados - os juizes de direito.

Ele subiu num degrau mais alto e num gesto de ousadia desferiu palavras que abalaram os ouvintes: "Observem os índices de violência! Eles não param de aumentar. Os seqüestros, assaltos e a violência no trânsito enchem as páginas dos jornais. A agressividade nas escolas, os maus-tratos infantis, a discriminação racial e social fazem parte da nossa rotina. Os homens amam seus direitos e desprezam seus deveres."

Os ouvintes menearam a cabeça, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante dos magistrados foi mais contundente: "O tráfico de drogas movimenta tanto o dinheiro como o petróleo. Não há como extirpar o crime organizado. Se vocês querem segurança, aprisionem-se dentro de suas casas, pois a liberdade pertence aos criminosos. Sem os juizes e os promotores, a sociedade se esfacela. Por isso, declaro, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, que representamos a classe mais importante da sociedade."

Todos engoliram em seco essas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam na alma. Mas pareciam incontestáveis. Outro momento de silêncio, agora mais prolongado. Em seguida, o mediador, já suando frio, disse: "O espaço está novamente aberto!"

Um outro representante mais intrépido subiu num degrau mais alto da torre. Sabem quem foi desta vez? Os educadores? Não!

Foi o representante das forças armadas. Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: "Os homens desprezam o valor da vida. Eles se matam por muito pouco. O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra comercial mata milhões de fome. A espécie humana se esfacelou em dezenas de tribos. As nações só se respeitam pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Os poderes econômico e bélico, e não o diálogo, são os fatores de equilíbrio num mundo espúrio."

Suas palavras chocaram os ouvintes, mas eram inquestionáveis. Em seguida, ele concluiu: "Sem as forças armadas, não haveria segurança. O sono seria um pesadelo. Por isso, declaro, quer se aceite ou não, que os homens das forças armadas não são apenas a classe profissional mais importante, mas também a mais poderosa." A alma dos ouvintes gelou. Todos ficaram atônitos.

Os argumentos dos três oradores eram fortíssimos. A sociedade tinha se tornado um caos. As pessoas do mundo todo, perplexas, não sabiam qual atitude tomar: se aclamavam um orador, ou se choravam pela crise da espécie humana, que não honrou sua capacidade de pensar.

Ninguém mais ousou subir na torre. Em quem votariam?

Quando todos pensavam que a disputa havia se encerrado, ouviu-se uma conversa no sopé da torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo deles da pré-escola, do ensino fundamental, do médio e do universitário. Eles estavam encostados na torre dialogando com um grupo de pais. Ninguém sabia o que estavam fazendo. A TV os focalizou e projetou num telão. O mediador gritou para um deles subir na torre. Eles se recusaram.

O mediador os provocou: "Sempre há covardes numa disputa." Houve risos no estádio. Fizeram chacota dos professores e dos pais.

Quando todos pensavam que eles eram frágeis, os professores, com o incentivo dos pais, começaram a debater as idéias, permanecendo no mesmo lugar. Todos se faziam representar.

Um dos professores, olhando para o alto, disse para o representante dos psiquiatras: "Nós não queremos ser mais importantes do que vocês. Apenas queremos ter condições para educar a emoção dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que eles não adoeçam e sejam tratados por vocês."

O representante dos psiquiatras recebeu um golpe na alma.

Em seguida, um outro professor que estava no lado direito da torre olhou para o representante dos magistrados e disse: "Jamais tivemos a pretensão de ser mais importantes do que os juizes. Desejamos apenas ter condições para lapidar a inteligência dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza dos direitos e dos deveres humanos. Assim, esperamos que jamais se sentem num banco dos réus." O representante dos magistrados tremeu na torre.

Uma professora do lado esquerdo da torre, aparentemente tímida, encarou o representante das forças armadas e falou poeticamente: "Os professores do mundo todo nunca desejaram ser mais poderosos nem mais importantes do que os membros das forças armadas. Desejamos apenas ser importantes no coração das nossas crianças. Almejamos levá-las a compreender que cada ser humano não é mais um número na multidão, mas um ser insubstituível, um ator único no teatro da existência."

A professora fez uma pausa e completou: "Assim, eles se apaixonarão pela vida, e, quando estiverem no controle da sociedade, jamais farão guerras, sejam guerras físicas que retiram o sangue, sejam as comerciais que retiram o pão. Pois cremos que os fracos usam a força, mas os fortes usam o diálogo para resolver seus conflitos. Cremos ainda que a vida é obra-prima de Deus, um espetáculo que jamais deve ser interrompido pela violência humana."

Os pais deliraram de alegria com essas palavras. Mas o representante do judiciário quase caiu da torre.

Não se ouvia um zumbido na platéia. O mundo ficou perplexo. As pessoas não imaginavam que os simples professores que viviam no pequeno mundo das salas de aula fossem tão sábios. O discurso dos professores abalou os líderes do evento.

Vendo ameaçado o êxito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: "Sonhadores! Vocês vivem fora da realidade!" Um professor destemido bradou com sensibilidade: "Se deixarmos de sonhar, morreremos!"

Sentindo-se questionado, o organizador do evento pegou o microfone e foi mais longe na intenção de ferir os professores: "Quem se importa com os professores na atualidade? Comparem-se com outras profissões. Vocês não participam das mais importantes reuniões políticas. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com a escola. Olhem para o salário que vocês recebem no final do mês!" Uma professora fitou-o e disse-lhe com segurança: "Não trabalhamos apenas pelo salário, mas pelo amor dos seus filhos e de todos os jovens do mundo."

Irado, o líder do evento gritou: "Sua profissão será extinta nas sociedades modernas. Os computadores os estão substituindo! Vocês são indignos de estar nesta disputa.'

A platéia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educação virtual. Gritaram em coro: "Computadores! Computadores! Fim dos professores!" O estádio entrou em delírio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca haviam sido tão humilhados. Golpeados por essas palavras, resolveram abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?

A torre desabou. Ninguém imaginava, mas eram os professores e os pais que estavam segurando a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores tomaram então outra atitude inimaginável: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula.

Tentaram substituí-los por computadores, dando uma máquina para cada aluno. Usaram as melhores técnicas de multimídia. Sabem o que ocorreu?

A sociedade desabou. As injustiças e as misérias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lágrimas se expandiram. O cárcere da depressão, do medo e da ansiedade atingiu grande parte da população. A violência e os crimes se multiplicaram. A convivência humana, que já estava difícil, ficou intolerável. A espécie humana gemeu de dor. Corria o risco de não sobreviver...

Estarrecidos, todos entenderam que os computadores não conseguiam ensinar a sabedoria, a solidariedade e o amor pela vida. O público nunca pensara que os professores fossem os alicerces das profissões e o sustentáculo do que é mais lúcido e inteligente entre nós. Descobriu-se que o pouco de luz que entrava na sociedade vinha do coração dos professores e dos pais que arduamente educavam seus filhos.

Todos entenderam que a sociedade vivia uma longa e nebulosa noite. A ciência, a política e o dinheiro não conseguiam superá-la. Perceberam que a esperança de um belo amanhecer repousa sobre cada pai, cada mãe e cada professor, e não sobre os psiquiatras, o judiciário, os militares, a imprensa...

Não importa se os pais moram num palácio ou numa favela, e se os professores dão aulas numa escola suntuosa ou pobre - eles são a esperança do mundo.

Diante disso, os políticos, os representantes das classes profissionais e os empresários fizeram uma reunião com os professores em cada cidade de cada nação. Reconheceram que tinham cometido um crime contra a educação. Pediram desculpas e rogaram para que eles não abandonassem seus filhos.

Em seguida, fizeram uma grande promessa. Afirmaram que a metade do orçamento que gastavam com armas, com o aparato policial e com a indústria dos tranqüilizantes e dos antidepressivos seria investida na educação. Prometeram resgatar a dignidade dos professores, e dar condições para que cada criança da Terra fosse nutrida com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma. Nenhuma delas ficaria mais sem escola.

Os professores choraram. Ficaram comovidos com tal promessa. Há séculos eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama da educação. Infelizmente, a sociedade só acordou quando as misérias sociais atingiram patamares insuportáveis.

Mas, como sempre trabalharam como heróis anônimos e sempre foram apaixonados por cada criança, cada adolescente e cada jovem, os professores resolveram voltar para a sala de aula e ensinar cada aluno a navegar nas águas da emoção.

Pela primeira vez, a sociedade colocou a educação no centro das suas atenções. A luz começou a brilhar depois da longa tempestade... No final de dez anos os resultados apareceram, e depois de vinte anos todos ficaram boquiabertos.

Os jovens não desistiam mais da vida. Não havia mais suicídios. O uso de drogas dissipou-se. Quase não se ouvia falar mais de transtornos psíquicos e de violência. E a discriminação? O que é isso? Ninguém se lembrava mais do seu significado. Os brancos abraçavam afetivamente os negros. As crianças judias dormiam na casa das crianças palestinas. O medo se dissolveu, o terrorismo desapareceu, o amor triunfou.

Os presídios se tornaram museus. Os policiais se tornaram poetas. Os consultórios de psiquiatria se esvaziaram. Os psiquiatras se tornaram escritores. Os juizes se tornaram músicos. Os promotores se tornaram filósofos. E os generais? Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar suas mãos para cultivá-las.

E os jornais e as TVs do mundo? O que noticiavam, o que vendiam? Deixaram de vender mazelas e lágrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam a esperança...

Quando esta história se tornará realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixará de ser apenas um sonho.

A editora e o autor permitem o uso do texto da "grande torre" para encenação teatral nas escolas, com o objetivo de homenagear os pais e os mestres, desde que citada a fonte (N.A.).

Considerações finais

Enquanto escrevia o final deste livro tive o desejo de reunir alguns dos professores do passado, fazer um jantar para eles e agradecer-lhes. Também fiquei motivado a reunir meus pais fora de datas comemorativas e dizer-lhes o quanto eles foram importantes para mim. Se você tiver um desejo semelhante, faça o mesmo. Se não valorizamos as nossas raízes, não temos como suportar as intempéries da vida.

O poético sonho do resgate do valor da educação, esculpido pela história da grande torre, ainda é uma miragem no deserto social. Enquanto a sociedade ainda não acorda, gostaria de terminar este livro prestando uma homenagem aos pais e aos professores. Esta homenagem só não é mais eloqüente devido às minhas limitações.

Homenagem aos professores

Em nome de todos os alunos do mundo, queremos agradecer todo o amor com que trataram até hoje a educação. Muitos de vocês gastaram os melhores anos de sua vida, alguns até adoeceram, nessa árdua tarefa.

O sistema social não os valoriza na proporção da sua grandeza, mas tenham a certeza de que, sem vocês, a sociedade não tem horizonte, nossas noites não têm estrelas, nossa alma não tem saúde, nossa emoção não tem alegria.

Agradecemos seu amor, sabedoria, lágrimas, criatividade, perspicácia, dentro e fora da sala de aula. O mundo pode não os aplaudir, mas o conhecimento mais lúcido da ciência tem de reconhecer que vocês são os profissionais mais importantes da sociedade.

Professores, muito obrigado. Vocês são mestres da vida.

Homenagem aos pais

Em nome de todos os filhos do mundo, agradeço a todos os pais por tudo o que fizeram por nós. Obrigado pelos seus conselhos, carinho, broncas, beijos. O amor os levou a correr todos os riscos do mundo por nossa causa. Vocês não deram tudo o que queriam para cada filho, mas deram tudo o que tinham.

Vocês deixaram seus sonhos para que pudéssemos sonhar. Deixaram seu lazer para que tivéssemos alegria. Perderam noites de sono para que dormíssemos tranqüilos. Derramaram lágrimas para que fôssemos felizes. Perdoem-nos pelas falhas e principalmente por não reconhecermos seu imenso valor. Ensinem-nos a sermos seus amigos...

Nossa dívida é impagável. Nós lhes devemos o amor...

Queridos pais e professores, o tempo pode passar e nos distanciar, mas jamais se esqueçam de que ninguém morre quando se vive no coração de alguém. Levaremos por toda a nossa história um pedaço do seu ser dentro do nosso próprio ser.

FIM

Referências bibliográficas

ADORNO, T. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1971.

CURY, Augusto. Inteligência Multifocal, São Paulo, Cultrix, 1998.

. Revolucione Sua Qualidade de Vida, Sextante, 2002

. Análise da Inteligência de Cristo. Academia de Inteligência, São Paulo, 2000.

DURANT, Will. História da Filosofia. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996.

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplias. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro, Objetiva, 1996.

FOUCAULT, Michel. A Doença e a Existência in Doença Mental e Psicologia. Rio de Janeiro, Folha Carioca, 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7.J ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

FREUD, Sigmund. Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro, Imago, 1969.

NIETZSCHE, F. Humano Demasiado Humano. Lisboa, Relógio

D'Água, 1997.

PIAGET, Jean. Biologia e Conhecimento. 2.ª ed. Vozes, Petrópolis,

1996.

PLATÃO. "República. Livro VII", in Obras Completas, edição bilíngüe. Les Belles Lettres, Paris. 1985.



RICOEUR, P. L'homme falible. Paris, Seuil, 1960.

SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada. Ensaio de Antologia. Petrópolis, Vozes, 1997.

VIGOTSKY, L. A Formação Social da Mente. São Paulo, Martins Fontes, 1987.

Sobre o autor

Augusto Jorge Cury é psiquiatra, cientista e autor de Inteligência Multifocal (Editora Cultrix), Treinando a Emoção fará Ser Feliz e a coleção Análise da Inteligência de Cristo, publicados pela Editora Academia de Inteligência.

É também autor de Você É Insubstituível, Dez Leis para Ser Feliz e Revolucione Sua Qualidade de Vida, publicados pela Sextante.

Pós-graduado em Psicologia Social, com pesquisa na Espanha na área de Ciências da Educação, é fundador da Academia de Inteligência, um instituto que promove seminários, cursos e treinamento sobre qualidade de vida e desenvolvimento da inteligência lógica, emocional e multifocal para empresas, profissionais liberais, educadores, psicólogos e público em geral.

Para entrar em contato com o autor, escreva para:

jcury@mdbrasil.com.br

Para maiores informações sobre o seu trabalho: Academia de Inteligência

Tel.: (17)3341-8212

E-mail: academiaint@mdbrasil.com.br

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“ Dedicamos o conteúdo desta obra, a todos amigos amantes da leitura e suas diversas vertentes ”
Digitalização (imagens)
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OCR (reconhecimento)
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Formatação
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Copyright (c) Augusto Jorge Cury, 2003

preparo de originais Regina da Veiga Pereira

capa


Raul Fernandes

diagramaçào Mareia Raed

revisão

Clara Diament



Sérgio Bellinello Soares

fotolitos

R. R. Donnelley América Latina

impressão e acabamento

Yangraf Gráfica e Editora Ltda.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

C988p


Cury. Augusto Jorge, 1958-Pais brilhantes, professores fascinantes /Augusto Cury, - Rio de Janeiro : Sextante. 2003

Inclui bibliografia ISBN 85-7542-085-2

1. Educação de crianças. 2. Crianças. Formação. 3. Responsabilidade dos pais. 4. Emoções nas crianças. 5. Inteligência. 6. Psicologia infantil. 7. Psicologia do adolescente. I. Título.

03-1745. CDD 649.1

CDU 649.1

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