Outra área com interesse para muitos investigadores diz respeito ao desempenho de grupo (14% ) compreendendo liderança (3%), produtividade



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Estruturas e processos de grupo

Jorge Correia Jesuino

João Pissarra
Índice geral

Considerações preliminares

Perspectivas metodológicas

Perspectivas Teóricas



  1. Perspectiva funcional

  2. Perspectivas psico-dinâmicas

  3. Perspectiva da identidade social

  4. Perspectiva simbólico – interpretativa

Balanço

Natureza e tipos de grupos

Quadro de referência para o estudo dos grupos

Introdução

Fases e desenvolvimento

Características diferenciais – composição

Efeito da diversidade


  1. Perspectiva das proporções

  2. Perspectiva dos factores

  3. Quadros conceptuais interpretativos

Balanço

Processos de grupo

Excursos - A contribuição de Bales

Da IPA ao SYMLOG



  1. Processos cognitivos

  1. Modelos mentais

  2. Memória transitiva

  3. Aprendizagem

  1. Processos afectivo/emocionais

  1. Eficácia grupal

  2. Coesão de grupo

  3. Emoções intra-grupo

  4. Conflito intra-grupo

  1. Processos comportamentais

Desempenho enquanto processo

  1. Planeamento

  2. Adaptação

Ganhos e perdas

Desempenho enquanto resultado

Factores contextuais



  1. Tarefas

Critérios de classificação

  1. Roby & Lanzeta

  2. Tipologia de Hackman

  3. Tipologia de Shaw

  4. Tipologia de Steiner

  5. Tipologia de Laughin

  6. Complexidade da tarefa

  7. Modelo circumplexo de Mcgrath

  1. Tecnologias

Sinergia

Tarefas criativas – geração de ideias

Tarefas de escolha


  1. Tarefas intelectuais

  2. Tarefas decisórias

Paradigmas da combinação das preferências

Paradigma do processamento de informação

Nota final


Considerações Preliminares
O estudo dos grupos constituiu desde sempre um tema central da Psicologia Social, senão mesmo a sua razão de ser.

As experiências de laboratório da formação das normas de grupo por Sherif (1936), as experiências de Lewin, Lippit e White (1939) sobre climas sociais e estilos de liderança, a criação do conceito e prática da “dinâmica de grupo” pelo mesmo Kurt Lewin (1948), ou ainda os estudos observacionais de Bales (1950b) sobre os processos de interacção em grupos empenhados na resolução de problemas, constituem alguns dos marcos salientes na história da disciplina. O interesse viria todavia a desvanecer-se por volta dos finais de 1950, levando Steiner a publicar um artigo em 1974 com o título polémico sob forma de interrogação - “ O que aconteceu aos grupos em Psicologia Social?”.

Para Steiner, que atribuía o interesse pelo estudo dos grupos aos conflitos sociais vividos em torno da Segunda Guerra Mundial, natural seria que uma vez esse período ultrapassado se verificasse um menor investimento dos psicólogos sociais.

A explicação de Steiner veio a ser objecto de verificação por parte de Moreland, Hogg e Haines (1994) através do exame dos artigos publicados nas principais revistas de Psicologia Social - Journal of Experimental Social Psychology, Journal of Personality and Social Psychology e Personality and Social Psychology Bulletin. As revistas todas elas norte-americanas, reflectem uma hegemonia difícil de pôr em causa.

O estudo de Moreland, Hogg e Haines permitiu mostrar que a flutuação na publicação de artigos sobre grupos não estaria associada aos factores conjunturais sugeridos por Steiner, verificando-se inclusivamente uma tendência para um acréscimo significativo de estudos sobre grupos a partir dos anos 1980 e princípios de 1990.

Mais recentemente Wittenbaum e Moreland (2008) actualizaram o estudo utilizando a mesma técnica e os mesmos indicadores, cobrindo o período de 1975 a 2006, confirmando as tendências observadas no estudo anterior de 1994. O aspecto mais revelador deste estudo consistiu em mostrar que a renovação do interesse pelos grupos se deveu em grande medida à influência exercida pelo incremento da teoria da cognição social por um lado e, por outro, pela teoria da identidade social, esta ultima de origem europeia. Os autores procuraram identificar quais os temas que os psicólogos sociais estudam quando a pesquisa incide sobre grupos. Mais de metade dos artigos (57%) versam sobre relações inter-grupos, incluindo identidade social (14%), conflitos entre grupos (17%) e estereótipos (26%).

Outra área com interesse para muitos investigadores diz respeito ao desempenho de grupo (14%) compreendendo liderança (3%), produtividade (4%) e decisão de grupo (7%). Idênticas percentagens foram encontradas para o tema dos conflitos intra-grupo (13%) compreendendo dilemas sociais (3%), negociação (3%) e influências maioritárias / minoritárias (6%) e poder (1%). Em grau mais reduzido, senão marginal, seguem-se os tópicos tradicionais relativos às estruturas (6%), composição (5%) e ecologia (5%).

Procurando ser mais específicos os autores puderam ainda apurar que 34% dos artigos examinados reflectiam a influência da teoria da identidade social (TIS) de origem europeia, e 59% a influencia das teorias da cognição social, observando-se todavia uma acentuada convergência entre ambas, dado que 76% dos artigos de influência europeia reflectiam também a influência da corrente da cognição social.

Este resultado não será de surpreender se tivermos em conta a convergência que tem vindo a verificar-se no domínio da psicologia social cognitiva entre os dois lados do Atlântico.

As tendências observadas sugerem que a questão levantada por Steiner em 1974 contínua válida, na medida em que temas aparentemente centrais, como o estudo dos processos intra-grupo, se acharem praticamente ausentes da psicologia social dominante (mainstream). Esta é de resto uma questão epistemológica central que ciclicamente se coloca sobre o próprio objecto e método duma Psicologia Social dominada pelo paradigma do experimentalismo positivista.

O estudo dos grupos é todavia demasiado importante, inclusivamente pelas suas consequências práticas pelo que, na revisão de 1990, Levine e Moreland em resposta à questão de Steiner vêm a concluir que os grupos “estão de boa saúde “ embora tenham migrado para outras disciplinas. E assim teria sido de facto se tivermos em conta o desenvolvimento observado por um lado na área das Ciências da Comunicação, onde o estudo dos processos intra-grupo tem conhecido novos e importantes desenvolvimentos e, por outro lado, nas áreas do Comportamento Organizacional e da Gestão, onde o papel cada vez mais relevante do trabalho em equipa constitui um objecto de interesse central. Não se trata de lamentar ou de condenar já que tal pode corresponder à permanente reconstrução que se opera nas fronteiras sempre fluidas das ciências sociais.

Num estudo complementar ao de Moreland et al., (1994) e seguindo idêntica estratégia de análise, Sanna e Parks (1997) examinaram três revistas de psicologia organizacional – Journal of Applied Psychology, Organizational Behavior and Human Decision Processes, e Academy of Management Journal, procedendo ao levantamento dos artigos nelas publicados sobre grupos, no período de 1975 a 1994, tal como no estudo de Moreland et al., (1994). Segundo apuraram, a maioria dos artigos (64%) centrava-se no desempenho de grupo, seguindo-se os conflitos intra-grupo (19%). Em termos globais 98% dos artigos identificados diziam respeito a processos intra-grupo e apenas 2% a relações inter-grupo. Em termos substantivos os autores concluíram ainda, contrariamente ao que se verificou em Psicologia Social que a influência, quer das teorias da cognição social quer das teorias europeias centradas na identidade social, era práticamente nula na Psicologia Industrial/Organizacional. Tais resultados confortam de algum modo o diagnóstico posterior de Steiner (1986) atribuindo o desinteresse da psicologia social dominante pela tendência crescente para eleger como unidade de análise os processos individuais de preferência aos processos grupais. Note-se ainda que ambos os conjuntos de estudos analisados, ainda que diversos quanto ao objecto de pesquisa, se podem incluir no mesmo paradigma positivista, na medida em que partilham de idênticas exigências metodológicas.

Conforme reportam Sanna e Parks (1997) se 76% dos artigos examinados em Psicologia Social utilizam experiências de laboratório essa percentagem permanece todavia elevada, da ordem dos 50% nos artigos em psicologia organizacional, seguindo-se 21 % de estudos de campo os quais se reduzem a 1% no caso da Psicologia Social.

Ainda nesta linha de análise bibliométrica Harrod, Welch e Kushkowski (2009) publicaram mais recentemente um estudo sobre a actividade de pesquisa em pequenos grupos publicado na revista Social Psychology Quarterly, cuja orientação editorial se inscreve na designada psicologia social sociológica. A revista foi inicialmente fundada em 1937 por Moreno e tinha uma vocação interdisciplinar. Em 1978 alterou o título para Social Psychology e a partir de 1979 passou a designar-se Social Psychology Quaterly (SPQ) adoptando uma linha editorial de carácter sócio-psicológico.

Entre a psicologia social dos sociólogos e a psicologia social dos psicólogos as ligações são escassas registando-se uma intrigante ignorância recíproca, confirmando a tendência para a balcanização das ciências sociais.

Os autores desta recensão seguiram pari passu a metodologia utilizada por Moreland, et al., (1994), criando um índice de interesse no tema dos grupos dividindo o número de páginas dos artigos sobre grupos pelo número total das páginas da revista. O exame cobriu as publicações ao longo dos 30 anos entre 1975 e 2005. De salientar em primeiro lugar o maior interesse e atenção sustentada dos sociólogos pelos pequenos grupos em comparação com as flutuações registadas no domínio da orientação psicológica. De resto os estudos fundadores, e basta lembrar a contribuição de Bales associado a Parsons e a não menor importante contribuição de Moreno (1954, 1955), o primeiro a introduzir o termo “ pequeno grupo” (small group) têm origem na sociologia.

Kurt Lewin (1948) igualmente tido como figura central e fundadora pela ênfase teórica nas percepções subjectivas individuais teria contribuído para desviar a atenção dos grupos enquanto principal unidade de análise (Moreland 1996). Tal como ironicamente observam os autores “os psicólogos sociais diferentemente dos sociólogos, nunca alimentaram este debate sobre a realidade dos grupos” (Harrod et al., 2009, p.92). O tema da “onticidade” (entitativity) introduzido por Campbell (1958) e posteriormente desenvolvido à saciedade por Hamilton e associados (Hamilton, Sherman e Licke 1998; Hamilton, Sherman e Maddox, 1999) pouco atraiu a atenção dos sociólogos, para os quais a realidade dos grupos enquanto unidades constitutivas da sociedade, e instâncias onde se processa o controlo e a mudança social, não parece ter suscitado dúvidas filosóficas.

Em média cerca de 31% dos artigos publicados na SPQ, são dedicados aos grupos. No que se refere aos temas predomina o interesse pelas estruturas de grupo (42%), tais como os estatutos, papéis, normas, não apenas em termos estáticos mas sobretudo dinâmicos, designadamente através da mediação dos esquemas culturais. Em termos metodológicos predominam por seu turno as experiências de laboratório (47%) embora em menor grau que nas revistas de orientação psicológica (76%) ou mesmo das de orientação aplicada/organizacional (50%). Ainda de acordo com Harrod et al., (2009) parece também aqui registar-se, uma influência crescente das perspectivas euro-americanas centradas na identidade social e na cognição social que, como vimos, igualmente tendem a estabilizar e a uniformizar a fasquia produtiva sobre pequenos grupos nas revistas de PS ao nível dos 30%.

Maior sofisticação e complexidade metodológica, tanto quantitativa como qualitativa, observa-se nos estudos sobre comunicação grupal, a outra área disciplinar onde têm sido desenvolvidos esforços para colmatar as lacunas da psicologia social (Poole, Keyton e Frey, 1999). O interesse pelas dinâmicas comunicacionais nos processos de grupo têm sobretudo lugar a partir dos anos 90, deixando a comunicação de ser considerada como mero veiculo transmissor e assumindo os conteúdos uma importância crescente.




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