Os meus problemas



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OS MEUS PROBLEMAS
Miguel Esteves Cardoso
peninsulares especial 13
© ASSÍRIO & ALVIM (1997)

RUA PASSOS MANUEL, 67-B, 1150 LISBOAMIGUEL ESTEVES CARDOSO


EDIÇÃO 11ª
1ª EDIÇÃO, JULHO 1988

11ª EDIÇÃO, NOVEMBRO 1997

ISBN 972-37-0291-6

DEPÓSITO LEGAL 117154/97


ESTE LIVRO FOI IMPRESSO EM LISBOA

NA GUIDE - ARTES GRÁFICAS, LDA.


MIGUEL ESTEVES CARDOSO
OS MEUS PROBLEMAS

11ª edição

ASSÍRIO & ALVIM


PREFÁCIO
Os prefácios devem sempre ler-se. É o mínimo que o leitor pode fazer.

Todos os autores têm o direito de pedir desculpa pela interrupção que se segue. É só um minuto.

Tal como o antecessor A Causa das Coisas, este livro não é original de maneira alguma. O que aqui se encontra foi publicado no jornal «Expresso» em 1986 ou 1987, numa coluna chamada A Encomenda das Almas e noutra chamada Os Meus Problemas. Estas informações são sempre importantes, não se sabe bem porquê.

Tenho o direito de declarar as minhas dívidas. As crónicas da Encomenda das Almas, que se inspiravam em sugestões recebidas pelo correio, devem a sua existência aos vários milhares de leitores que me escreveram. Tenho de confessar que muitas das cartas que recebi foram mais engraçadas do que as minhas crónicas. Se não as publico, não sei se é por medo dos direitos de autor, se por terror à comparação.

A dívida continua. Boa parte dela contraí no «Expresso», onde fui feliz e bem acompanhado, tanto como um cronista pode ser. (Espero bem que este agradecimento já chegue para fazerem uma referência alargada a este livro, numa página boa.)

No capítulo dos «sem as quais», estranha responsabilidade que costuma cair sobre um conjunto de pessoas sem as quais o livro não teria existido, e esquecendo as óbvias e mais próximas para não embaraçá-las ou culpá-las em público, tenho de declarar o nome da

IX
Assírio & Alvim, isto é, das pessoas que lá trabalham e do espírito que lá senti.



Pronto. Já estou agradecido. Só me resta defender-me. As coisas que aqui escrevi são coisas simples. Se algumas se complicaram pelo caminho, a culpa ou é minha ou é do tempo, que tem a mania de alterar o mundo, mesmo no momento em que ele parece assentar na nossa compreensão.

As melhores crónicas de jornal são aquelas que apanham o ar dum momento e que se expõem a ele. Morrem constipadas no minuto seguinte. As crónicas que vêm menos a propósito são geralmente mais maçadoras e aguentam-se sempre mais tempo. Mas mesmo estas não podem virar a cara ao vento. Quando a viram, acabam por indicar, indirectamente, de onde sopra. Tenho a impressão que é este o género de crónica que prefiro. Ao reler algumas páginas que escrevi, verifico ser muitas vezes verdade o contrário do que digo, ou espanto-me por me ver trabalhar (em vão) no sentido de dizer o contrário exacto «do que se diz». Para quê?

Mesmo quando se engana, há proveito em pôr qualquer novidade em causa. Um conservador tende a ridicularizar qualquer inovação. Pode ser aborrecido. Pode até ser perigoso. Mas é um trabalho que se faz em Portugal cada vez menos, se calhar devido a descoberta científica do «desenvolvimento», do desejo de tornar Portugal «irreconhecível» ou «europeu». Tem o mérito de pôr a prova as coisas que aparecem, que se apresentam como se fossem necessárias, ou naturais, e que depois passam sem ninguém dar por elas. Para além disto, tenho a impressão que só um conservador compreende inteiramente o encanto do que é passageiro. As modas, por exemplo, são um prazer que nos vem do castigo da tradição. O único devaneio eterno é a efemeridade.

Por outro lado, o feitio conservador é irritante porque relembra ou procura recuperar coisas do arco-da-velha, que não lembram ao diabo, que já não fazem sequer sentido na vida do dia-a-dia, que não contribuem para o bem-estar das classes oprimidas, etc. Resultado frequente: é-se involuntariamente reaccionário. Sei que sofro deste mal (apesar de ter suprimido censoriamente os artigos mais envergonhantes). No entanto, ser reaccionário de um modo minimamente

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