Olhares da História 2 Brasil e mundo



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3 A Lei de Terras fazia com que as terras públicas só se tornassem propriedade privada por meio da compra (e não mais por processos de doação ou posse, como vinha acontecendo até então). Desse modo, as terras, com preços elevados (muitos consideram que de modo proposital), tornaram-se inacessíveis à maioria da população. Se desejar, comente com os alunos que, segundo José Luiz Cavalcante, "vale ressaltar que a Lei de Terras é mais um processo de discussão dos vários grupos políticos que davam sustentação ao Império, e seu resultado, em momento algum, teve o objetivo de interferir nos interesses dessa elite política e econômica, constituída em grande parte por fazendeiros. A terra continuou a ser adquirida sem o controle do Estado, sob a proteção de documentos forjados. Apenas após a Proclamação da República é que a Lei de Terra foi revista. Somente a província de São Pedro do Rio Grande do Sul (RS) apresentou mais informações sobre o serviço de terra (pelo menos em documentos apresentados). [...] Sendo assim, podemos concluir que a Lei de Terras só fez reafirmar e estimular a tradição latifundiária brasileira." A Lei de Terras de 1850 e a reafirmação do poder básico do Estado sobre a terra. Revista Histórica, 2 jun. 2005. Disponível em: www.historica.arquivoestado. sp.gov.br/materias/anteriores/edicao02/materia02. Acesso em: 9 abr. 2016.

4 a) Segundo as informações do capítulo, uma das interpretações ligadas à versão brasileira é a que considera que Solano López teria realizado uma política militar expansionista para ampliar o território paraguaio. Segundo essa versão, a ideia de Solano era anexar regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil e obter acesso ao oceano Atlântico. Nessa versão, a guerra teria sido causada fundamentalmente em razão dos desejos de expansão do governo do Paraguai. O governo de dom Pedro II não teria tido outra opção a não ser reagir. Já em uma das versões que explicita os interesses do governo do Paraguai na guerra estaria a que considera a ocupação do Uruguai pelo Império brasileiro. Esse fator teria trazido riscos ao equilíbrio na região do Prata, uma vez que o Paraguai defendia a livre navegação nos rios. Essas versões são antagônicas, uma vez que trazem à tona interesses contrários.

Se desejar, você pode conversar um pouco mais com os alunos sobre a Guerra do Paraguai, destacando os diversos historiadores que têm estudado esse conflito. Assim como outros temas da história do Brasil (como a independência e as guerras na Bahia, já estudadas em capítulos anteriores), a Guerra do Paraguai é algo constantemente revisto por novas pesquisas, muitas vezes baseadas em novos documentos. Na verdade, a historiografia "tradicional" sobre a Guerra do Paraguai surgiu ainda no século XIX e considerava a visão dos vencedores, valorizando as ações militares. Posteriormente, os chamados revisionistas propuseram uma nova perspectiva de análise, levando em conta o imperialismo do século XIX e a afirmação do capitalismo na Inglaterra como fatores que teriam influenciado o início e o desenrolar do conflito. O historiador argentino León Pomer, por exemplo, destaca o interesse dos ingleses pelo livre comércio na região do rio da Prata, mas deixa claro que a guerra não foi promovida por esse fator isolado. Por sua vez, Julio José Chiavenatto dá mais destaque à participação do capital inglês na Guerra do Paraguai, considerando que esse conflito foi causado por motivos econômicos. Na atualidade, análises como a de Francisco Doratioto questionam as perspectivas utilizadas nas interpretações realizadas anteriormente e pretende estudar o conflito com base em fatores históricos regionais, mais específicos.

b) O território do Paraguai foi devastado pela guerra e sua economia foi desestruturada. Pesquisas indicam que o conflito foi responsável pela morte de mais de 90% da população masculina paraguaia com mais de 20 anos. O governo do Brasil, após a guerra, viu-se com um alto endividamento com o governo inglês. Cerca de 40 mil brasileiros, sobretudo negros e mestiços, morreram em combate. Além disso, o fortalecimento do Exército brasileiro (que praticamente não existia antes do conflito) trouxe consequências importantes para o cenário político interno do Brasil.




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