Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

4 a) Neste capítulo, vimos que o nacionalismo é um dos fenômenos que surgiram em plena "era das revoluções", ou seja, entre o final do século XVIII e o início do XIX. A afirmação de Hobsbawm é interessante na medida em que esse historiador reconhece que, dentro da noção de tempo histórico, um fenômeno situado entre os séculos XVIII e XIX não é necessariamente algo distante. O século XIX, para esse historiador, pode ser considerado como o século de "construção de nacionalismos" e, para ele, esse processo influenciou (e vem influenciando) fortemente a vida política e cultural das nações contemporâneas. Desse modo, é esperado que os alunos abordem a ideia de "invenção" do conceito de nacionalismo

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(tirando dele uma suposta "naturalidade") e compreendam que esse é um processo recente.

b) Os dois exemplos de movimentos na Europa bastante influenciados pelo nacionalismo foram os processos de unificação italiana e alemã. No caso italiano, o nacionalismo apareceu como sustentação ideológica para a unificação dos diversos reinos e ducados. Alguns desses pequenos territórios estavam, inclusive, sob domínio do Império Austríaco. Ao mesmo tempo, outras divisões territoriais impostas pelo Congresso de Viena fizeram com que o desejo pela unificação, baseada no nacionalismo, fosse colocado em prática. Ao final do processo, em 1871, a Itália encontrava-se unificada (com algumas questões em aberto, que seriam resolvidas ao longo do tempo). Os antecedentes do processo de unificação da Alemanha também foram marcados por decisões do Congresso de Viena, que formou a Confederação Germânica, composta de 39 Estados e liderada pelo Império Austríaco. A Prússia, um desses Estados, opunha-se à influência exercida pelo Império Austríaco e deu início, em meados do século XIX, aos planos de organizar um grande Estado germânico. As lutas pela unificação, com base nos ideais nacionalistas, foram lideradas, em grande parte, por Otto von Bismarck. Ao final do processo, a Alemanha encontrava-se unificada.

c) Ao responder, é esperado que os alunos retomem a ideia de Hobsbawm, que considera que o nacionalismo não é algo "natural", e que essa noção nem sempre existiu entre grupos de indivíduos. O nacionalismo pode ser considerado algo forjado, uma "invenção", construída e utilizada em um momento chave na história das nações europeias e disseminada para outras partes do planeta. Ao dizer "fizemos a Itália", o político italiano referia-se ao processo de unificação. E, ao dizer "agora temos que fazer italianos", o político referia-se ao fato de que era necessário criar uma cultura nacional, uma cultura do nacionalismo, em que os indivíduos que habitassem aquele território passassem a se identificar como italianos. De acordo com René Rémond, "o movimento das nacionalidades no século XIX foi em parte obra de intelectuais, graças aos escritores que contribuem para o renascer do sentimento nacional; graças aos linguistas, filólogos e gramáticos, que reconstituem as línguas nacionais, apuram-nas, conferem-lhes suas cartas de nobreza; graças aos historiadores, que procuram encontrar o passado esquecido da nacionalidade; graças aos filósofos políticos [...]." RÉMOND, René. O século XIX: 1815-1914. São Paulo: Cultrix, 1976. v. 2. p. 149.






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