Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique - tópico 1

6 a) Não. Para Grespan, não há motivos para exigir que o Iluminismo se comporte como um movimento intelectual homogêneo. Uma de suas características é a diversidade de ideias e de concepções (como vimos neste capítulo, ao analisarmos as ideias de Voltaire, Rousseau e Montesquieu). Embora todos os pensadores iluministas estivessem, em algum nível, "dialogando" entre si (já que compartilhavam, em primeiro lugar, a postura contrária ao regime absolutista), esses pensadores apresentavam diversidade de pensamento, o que fazia com que cada obra possuísse sua própria "marca", expondo um jeito de pensar próprio de cada filósofo.

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Para subsidiar seu trabalho em sala de aula, selecionamos o seguinte trecho, que trata do tema da diversidade de concepções e ideias entre os filósofos iluministas: "Havia mais desacordo do que harmonia entre Rousseau e os outros pensadores iluministas que inspiraram os ideais da Revolução Francesa (1789). Voltaire (1694-1778), Denis Diderot (1713-1784) e seus pares exaltavam a razão e a cultura acumulada ao longo da história da humanidade, mas Rousseau defendia a primazia da emoção e afirmava que a civilização havia afastado o ser humano da felicidade. Enquanto Diderot organizava a Enciclopédia, que pretendia sistematizar todo o saber do mundo de uma perspectiva iluminista, Rousseau pregava a experiência direta, a simplicidade e a intuição em lugar da erudição - embora, mesmo assim, tenha se encarregado do verbete sobre música na obra conjunta dos filósofos das luzes." (FERRARI, Márcio. Jean-Jacques Rousseau, o filósofo da liberdade como valor supremo. Revista Nova Escola. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/filosofo-liberdade-como-valor-supremo-423134.shtml?page=3. Acesso em: 20 fev. 2016).

b) A atitude crítica. Grespan reconhece que o Iluminismo, de modo geral, excluía algumas coisas, criticava outras, mas a atitude crítica acabava sendo a base na qual esse movimento poderia encontrar sua sustentação. Ao retomar o texto de Ana Rosa Cloclet da Silva, no boxe Para saber mais: "Progresso e tecnologia: do culto à crítica", os alunos encontrarão mais elementos para elaborar sua reflexão nesta atividade, já que essa autora diz que os filósofos iluministas "identificavam-se como indivíduos de livre pensar, portadores de uma 'missão a cumprir' - o esclarecimento e a difusão de 'verdades úteis', capazes de impulsionar a sociedade rumo ao progresso". Ou seja, esse trecho também nos revela a presença da atitude crítica entre os iluministas, tão corretamente colocada e comentada por Jorge Grespan.

7 a) Quando diz que aquele que renuncia à sua liberdade está renunciando à sua qualidade de homem, Rousseau nos mostra que, para ele, a liberdade é intrínseca ao homem, já que ela é vista, neste trecho, como parte da própria humanidade. Para esse pensador, todos nascem iguais e todos os homens são livres.

É interessante destacar que o uso do termo "homem", aqui, não é gratuito. De acordo com a filósofa brasileira Juliana Pacheco, filósofos como Kant e Rousseau atribuíam às mulheres somente funções domésticas (ou seja, a elas restariam as ocupações de mãe e esposa). Nas obras desses filósofos, as mulheres eram excluídas da esfera pública. Porém, alguns outros pensadores do mesmo período, como Hume e Condorcet, tinham opinião contrária a respeito desse tema; para eles, mulheres e homens possuíam a mesma racionalidade. Para saber mais sobre esse tema e conhecer as análises contemporâneas sobre as mulheres na filosofia, consulte a obra organizada por Juliana Pacheco, intitulada Mulher e filosofia: as relações de gênero no pensamento filosófico. Porto Alegre: Editora Fi, 2015. Essa obra está disponível no site da editora: www.editorafi.org. Acesso em: 20 fev. 2016.

Ao trabalhar o texto de Rousseau com os alunos, é interessante fazer um trabalho cuidadoso de interpretação, já que os estilos de linguagem e a hierarquia das ideias em um texto do século XVIII podem se apresentar de forma um pouco difícil para os jovens alunos. Vale a pena explicar que a liberdade, para Rousseau, era um bem extremamente valioso. Diversos estudiosos, incluindo filósofos contemporâneos, se propõem a estudar e a interpretar a noção de liberdade em Rousseau. Silvia Gombi Borges dos Santos destaca que: "Conciliar liberdade e autoridade - esta parece ser a tarefa a que se propôs Rousseau. Para ele, importa que o Estado se constitua de tal forma que, além de oferecer proteção e segurança, garanta o exercício da liberdade." In: Notas sobre o conceito de liberdade em Rousseau. Síntese: Revista de Filosofia. Belo Horizonte, v. 27, n. 89, 2000. Disponível em: http://faje.edu.br/periodicos2/index.php/Sintese/article/view/736/1169. Acesso em: 20 fev. 2016.

b) Como vimos na resposta ao item anterior desta atividade, conciliar liberdade e autoridade era uma das preocupações do pensamento de Rousseau. Desse modo, é possível dizer que, para Rousseau, essa conciliação seria alcançada com o estabelecimento do contrato social.

c) Rousseau considerava que os indivíduos, por meio de sua livre vontade, criavam as leis e organizavam a sociedade. A vontade geral, desse modo, representa o movimento da sociedade que, dentro do contrato social, se organiza para elaborar as leis. Essas leis, sempre baseadas no interesse comum, limitavam a liberdade civil, mas esta, por sua vez, era mais vantajosa que a liberdade natural dos homens.




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