Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Atividades

Retome

1 O grande aumento populacional na região das minas promoveu o surgimento de diversas vilas e cidades. As necessidades dessa população em crescimento (por mercadorias, gêneros alimentares, vestimentas e instrumentos de trabalho, por exemplo) impulsionaram ainda mais o desenvolvimento comercial na região, marcando, assim, o caráter notadamente urbano dessas transformações. Além disso, as atividades culturais também floresceram nesse cenário.

2 a) Depois das notícias sobre as descobertas de ouro, ocorreram deslocamentos populacionais significativos em direção à região das minas. A população, portanto, aumentou muito, alcançando a marca de 3,3 milhões de indivíduos no final do século XVIII.

b) A transferência da capital para o Rio de Janeiro se relaciona à atividade mineradora, uma vez que o eixo da principal atividade produtiva se deslocara: do Nordeste (engenhos de cana) para o Centro-Sul. O escoamento do ouro se dava em grande parte pelo porto do Rio de Janeiro. Com isso, estradas e caminhos foram abertos, o que propiciou também a intensificação do comércio interno para abastecimento da região mineradora.



3 a) O grande número de pessoas trabalhando na exploração do ouro fez com que ele passasse a circular entre pes soas comuns. Muitos africanos e afrodescendentes escravizados conseguiam, com os seus ganhos, adquirir sua liberdade. Além disso, a diversificação de ocupações (com o surgimento, naquele cenário urbano, de artesãos, intelectuais, comerciantes, etc.) possibilitava uma movimentação social e certa distribuição de riquezas entre pessoas de diferentes origens. Tudo isso, portanto, colaborava para a mobilidade social na região.

b) Em seu texto, Eduardo França trata justamente das mulheres forras que conseguiram dedicar-se ao comércio na região das minas, e, assim, ascender socialmente. Entre os diversos exemplos fornecidos pelo historiador, temos mulheres que administravam vendas e até possuíam escravos.

c) Chica da Silva era filha de uma escrava. Viveu no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, no século XVIII. Após obter sua liberdade, Chica casou-se com um contratador de diamantes do Arraial do Tijuco e com ele teve 13 filhos. Comente com os alunos que, atualmente, muitos pesquisadores consideram que sua trajetória (a de uma ex-escrava que conseguiu a liberdade e se transformou numa "senhora" de posses) não foi exceção na região das minas. Segundo historiadores como Júnia Furtado, ocorre que a vida de Chica da Silva foi romantizada, transformando-se em obras de literatura, cinema e seriados que enalteceram sua condição, como se ela fosse uma exceção, quando, na verdade, não era.

d) Eduardo França escolheu esse título ("As outras Chicas da Silva") justamente para marcar a ideia de que Chica não era exceção.

Para subsidiar seu trabalho em sala de aula com essa atividade, compartilhe, se desejar, o seguinte trecho com os alunos: "A passagem do discurso historiográ fico para o discurso ficcional foi importante para o desenvolvimento e a difusão do mito [sobre Chica da Silva]. Desde a menção nos cantos XIII (a) XIX do Romanceiro da Inconfidência (1953), de Cecília Meireles, até a telenovela Xica da Silva, produzida pela TV Manchete em 1996 e 1997, passando pelo balanço da "Xica da Silva" de Jorge Ben (1976), o mito se massificou. Alternam-se

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narrativas ora positivas, ora negativas sobre a personagem, mas a maioria das versões remonta - com algumas correções ou pequenas modificações - ao estudo de Joaquim Felício dos Santos. Seu sobrinho-neto, João Felício dos Santos, publicou em 1976 o romance Xica da Silva, que serviu de base tanto para o roteiro do filme de Cacá Diegues (do mesmo ano) quanto para o texto da telenovela, escrita por Walcyr Carrasco. O livro constrói a imagem de uma Chica sensualizada, ou seja, mulher negra cujos atributos sexuais conseguiram atrair o mais poderoso homem daquela região. O filme massificou a imagem de uma ex-escrava autoritária e gratuitamente perversa. A telenovela levou ao extremo a erotização e o descompromisso com a realidade histórica do século XVIII." (LIMA, Fabiana. A mulher que virou mito. Revista de História da Biblioteca Nacional, 1º ago. 2014. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/a-mulher-e-o-mito. Acesso em: 9 fev. 2016).



4 Portugal tivera suas finanças comprometidas após a expulsão dos holandeses da região nordeste da América portuguesa e a consequente crise no comércio açucareiro. Além disso, os tratados com o governo da Inglaterra (Tratado de Methuen) deixavam a Coroa portuguesa em situação difícil, pois era obrigada a importar manufaturas e não produzi-las em Portugal. Com isso, sua balança comercial estava desequilibrada, pois muito do ouro encontrado na América portuguesa dirigia-se para a Inglaterra, como pagamento de dívidas desse comércio. O controle da exploração do ouro, porém, não foi suficiente para garantir o reequilíbrio total das finanças portuguesas.




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