Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

7 a) Para Todorov, Cortez estava interessado em informações. O importante, para esse conquistador, seria "compreender", e não tomar. "Compreender", no contexto da tese de Todorov, significa conhecer a fundo os povos americanos (no caso, os povos nativos do atual México) para, com base nesse conhecimento, se tornar apto a destruir. As ideias de Todorov, nesse ponto, levam em consideração o conhecimento cultural a respeito do "outro", o estabelecimento de diferenças do "eu" em relação ao "outro" e o uso da linguagem nesse processo. Nos trechos de Todorov, vemos que, para começar a "compreender" os povos americanos, Cortez procurou um intérprete.

b) O trecho 2 nos dá elementos para refletir sobre essa questão: com as informações em suas mãos, Cortez facilmente percebeu as divergências internas existentes entre os povos nativos do atual México. Utilizando esse tipo de conhecimento (e não só a força das armas) foi possível alcançar, nas palavras de Todorov, a "vitória final", ou seja, a conquista da América e a dominação dos povos indígenas. Se quiser ampliar o conhecimento dos alunos a respeito da interessante tese de Todorov, comente com eles que, em entrevista recente, concedida à Revista de História da Biblioteca Nacional, esse estudioso diz: "[...] confesso, fui arrebatado pela história e me senti muito motivado a falar sobre o encontro de culturas, no caso o encontro das culturas europeia e indígena nos séculos-XV-XVI no Golfo do México. Eu aprendi espanhol, li muitos relatos dos conquistadores, de monges franciscanos e dominicanos que contavam a respeito do que haviam testemunhado. Também tive acesso aos preciosos relatos dos indígenas, redigidos tanto na língua deles quanto em espanhol. Diante disso, escrevi esse livro [A conquista da América, 1982] sobre a relação entre populações que até então se ignoravam. Percebi uma série de coisas que mostram ter sido esse contato muito mais complexo do que imaginava." (Entrevista concedida em janeiro de 2012. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/tzvetan-todorov. Acesso em: 7 fev. 2016).



8 Incentive a pesquisa. Essa atividade valoriza, por um lado, a história das mulheres e o conhecimento a respeito de figuras femininas ao longo dos episódios da conquista, e, por outro, permite que os alunos percebam, na prática, que um mesmo fato pode dar origem a diferentes interpretações,

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formuladas por diferentes estudiosos. Para muitos, Malinche é uma espécie de traidora, já que passou a trabalhar ao lado de Cortez. Para outros, Malinche é a fundadora do México moderno; ela fazia parte de um povo oprimido pelos astecas e, com sua engenhosidade e seu discurso, procurou criar uma trajetória própria para si mesma. Para subsidiar seu trabalho em sala de aula, apresentamos um trecho em que Todorov trata das interpretações acerca de Malinche: "Os mexicanos pós-independência geralmente desprezaram e acusaram Malinche, que se tornou a encarnação da traição dos valores autóctones, da submissão servil à cultura e ao poder europeus. É verdade que a conquista do México teria sido impossível sem ela (ou outra pessoa que desempenhasse o mesmo papel), e que ela é, portanto, responsável pelo que aconteceu. Quanto a mim, vejo-a sob outra luz: ela é, para começar, o primeiro exemplo, e por isso mesmo o símbolo, da mestiçagem das culturas; anuncia assim o Estado mexicano moderno e, mais ainda, o estado atual de todos nós, que, apesar de nem sempre sermos bilíngues, somos inevitavelmente bi ou triculturais. Malinche glorifica a mistura em detrimento da pureza (asteca ou espanhola) e o papel de intermediário. Ela não se submete simplesmente ao outro [...], adota a ideologia do outro e a utiliza para compreender melhor sua própria cultura, o que é comprovado pela eficácia de seu comportamento (embora 'compreender' sirva, neste caso, para 'destruir')." TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 147.



9 Esta atividade pode ser realizada de forma interdisciplinar com Língua Portuguesa. Ao trabalhar esse tema com os alunos, comente que romance histórico é a obra literária que mistura ficção e eventos históricos. Reconstitui episódios históricos, reunindo-os, porém, com personagens ou novas situações fictícias. Informe também que esse tipo de literatura se originou no início do século XIX, sendo o escritor escocês Walter Scott um dos seus primeiros representantes. Entre os exemplos de romance histórico estão O último dos moicanos, de James Fenimore Cooper, Guerra e Paz, de Liev Tolstói, e Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas.




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