Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

6 a) Observação de imagem e leitura de texto.

b) Em seu texto, Paulo César destaca que a obra que retrata o bandeirante Domingos Jorge Velho é uma reelaboração da pose clássica de Luís XIV. Ou seja, para esse pesquisador, o retrato do bandeirante constitui uma releitura do retrato de Luís XIV feito por Hyacinthe Rigaud no século XVIII.

c) Incentive a comparação, comentando com os alunos que a análise de imagens é parte importante do estudo da História. Nas duas obras, o retratado principal está em uma pose solene, em pé, com o olhar direcionado para o observador. A mão direita de Luís XIV está apoiada em um cetro real; já a mão esquerda de Domingos Jorge Velho está apoiada em sua arma.

d) Sim. Além das semelhanças já apontadas na resposta anterior, é possível dizer que Benedito Calixto retratou o bandeirante com pose e elementos "cenográficos" semelhantes aos que aparecem no retrato de Luís XIV. O grande manto de Luís XIV e a espécie de capa de Domingos Jorge Velho estão em posição semelhante, caindo pelo ombro. Comente que, para Paulo César, "Nos retratos de corte, Luís XIV e João VI portavam o manto de arminho, as meias de seda que revestiam as pernas e as perucas de cerimônia, além de empunharem os cetros reais na mão direita. O braço esquerdo permanecia apoiado na cintura, aludindo à outra tradição já mencionada, holandesa e flamenga, de evidenciar a alta condição do retratado. Benedito Calixto inverteu a posição dos braços, a fim de deixar a mão direita livre para acionar o gatilho." MARINS, Paulo César Garcez. Nas matas com pose de reis: a representação de bandeirantes e a tradição da retratística monárquica europeia. Revista do IEB, n. 44. p. 77-104. Fev. 2007. Disponível em: www.revistas.usp.br/rieb/article/view/34563. Acesso em: 30 jan. 2016.

e) Os alunos possivelmente vão perceber que Calixto pretendia representar o bandeirante como um "soberano", ou seja, valorizando sua coragem, sua superioridade, seu heroísmo e sua valentia. Essa é a característica principal de muitas representações de bandeirantes feitas por artistas brasileiros entre o final do século XIX e o começo do século XX. Como vimos na seção Para saber mais deste capítulo, a partir da metade do século XIX, historiadores passaram a relacionar os paulistas à história dos bandeirantes, elevando-os a heróis, a homens cultos, ricos e corajosos. De acordo com o estudioso Emerson Oliveira, a obra de Calixto "[não faz] alusão à simbiose entre brancos e indígenas que marcou os primeiros dois séculos paulistas. Da mesma forma, não possui a menor intenção de indiciar a precária economia agropecuária paulista do século XVII. Nas roupas "limpas" dos "edificados" personagens, encontramos alusões apenas ao "bom mateiro" e "combatente valoroso na mata". Nesse tocante, a presença dos brancos Velho e Abreu reforça a perspectiva racialista. Lembremos que Kátia Abud verifica a transformação do paulista em bandeirante, na qual o morador de São Paulo passa a salientar qualidades, na intenção de provocar e justificar o progresso regional. Qualidades como bravura, integridade, arrojo e superioridade racial. [...] Mais que uma ilustração, a obra de Calixto participa efetivamente

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da constituição do mito bandeirante.l OLIVEIRA, Emerson Dionisio G. de. Instituições, arte e o mito bandeirante: uma contribuição de Benedito Calixto. Saeculum Revista de História, João Pessoa, n. 19, jul./dez. 2008. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/viewFile/11411/6525. Acesso em: 31 jan. 2016.






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