Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

4 a) Com o professor de Língua Portuguesa, trabalhe com os alunos a definição de léxico, esclarecendo-a. Essa parte do texto de Alberto da Costa e Silva ("Essa influência africana não se reduzia ao enriquecimento lexical: ela se estendia à fonética, à morfologia, à sintaxe, à semântica, ao ritmo das frases e à música da língua.") é muito importante e deve ser trabalhada com toda a turma. O autor vai além da simples constatação da presença de vocábulos de origem africana no português (ou seja, o léxico, como conjunto de palavras, ou vocábulos, que fazem parte de uma língua). Em seu texto, ele indica possibilidades completamente novas para se analisar essa presença, considerando todo um novo contexto da gramática do português em que as línguas africanas se fizeram presentes.

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b) Alberto da Costa e Silva reconhece que as pesquisas realizadas por linguistas e profissionais do campo da gramática, a partir da década de 1930, abriram o campo de análise e foram capazes de localizar a influência das línguas africanas em diferentes campos: fonética (parte da gramática que estuda os sons, a pronúncia e a escrita correta das palavras); morfologia (parte da gramática que estuda os processos de formação de palavras); sintaxe (estuda a disposição das palavras em uma frase e a disposição das frases em um discurso) e semântica (estuda o significado das palavras, das frases, das expressões e dos textos de uma língua; também as mudanças de sentido que ocorrem nas formas linguísticas são analisadas). Além disso, a influência africana na língua portuguesa também pode ser percebida na fala, considerando o ritmo das frases e a "musicalidade" do discurso.

c) Para Yeda Pessoa de Castro, estudiosa da etnolinguística, as línguas do grupo bantu, combinadas com o português arcaico, resultaram em um português diferente do lusitano. Antes das pesquisas realizadas por Yeda, era comum afirmar-se que o português do Brasil era falado de modo diferente do de Portugal em razão do isolamento e, ao mesmo tempo, da predominância cultural e literária do português de Portugal sobre os falantes negros africanos. O fator que a pesquisadora incluiu nessa discussão foi a prevalência e a participação dos falantes africanos, sobretudo das línguas níger-congo, no português falado no Brasil. Para Yeda, "As línguas do grupo bantu não têm grupos consonantais, não têm uma sílaba fechada por consoante. O resultado é que nosso português é riquíssimo em vogais, afastado do português lusitano, muito baseado nas consoantes".

d) Muitos linguistas consideram que as mudanças são inevitáveis. Caso julgue interessante, para direcionar as respostas dos alunos, realize em sala de aula a leitura do artigo "A língua é viva", de Amanda Polato, publicado na Revista Escola. O material encontra-se disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/lingua-viva-423717.shtml. Acesso em: 13 jan. 2016. Na matéria para a Revista Escola, o professor e escritor Marcos Bagno comenta que um dos agentes de mudança "[...] é o cognitivo, que diz respeito ao modo como se processa a linguagem no cérebro. Ao usar a analogia, altera-se uma palavra para adaptá-la a um modelo preexistente (por exemplo: friorento tem "or" por analogia com calorento). [...] A esses processos se juntam os fenômenos de ordem social e cultural. Modificam-se as formas de viver, as manifestações culturais e as organizações política e econômica da sociedade. Além disso, os povos se deslocam, se influenciam e se distanciam em vários aspectos".






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