Olhares da História 2 Brasil e mundo



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O republicanismo

Em 1870, a imprensa do Rio de Janeiro publicou o Manifesto Republicano, elaborado por integrantes de uma dissidência radical do Partido Liberal. Pouco tempo depois, foi fundado o Partido Republicano e, em 1873, o Partido Republicano Paulista. No mesmo ano, um grupo de grandes cafeicultores paulistas aderiu ao movimento republicano na Convenção de Itu.

O Oeste Paulista era o centro mais dinâmico da economia do país. Entretanto, o poder econômico dos cafeicultores não encontrava contrapartida na política, uma vez que o Império era excessivamente centralizado no Rio de Janeiro. A elite burocrática imperial era, em grande parte, proveniente de outras áreas do país (Nordeste e região fluminense), portanto desvinculada dos interesses ligados à cafeicultura paulista.

LEGENDA: A Questão Religiosa representou um sério abalo no já enfraquecido Império. A charge de Angelo Agostini, publicada em cerca de 1886 na Revista Illustrada, mostra o rompimento entre Estado e Igreja.

FONTE: Reprodução/Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo, SP

LEGENDA: Os choques com o Exército, no contexto da Questão Militar, ajudaram a precipitar o fim do Império. Na charge de Angelo Agostini, publicada em cerca de 1886 na Revista Illustrada, o marechal Deodoro da Fonseca, que se recusou a punir Sena Madureira, é deposto pelo gabinete ministerial do cargo de presidente e comandante de armas do Rio Grande do Sul.

FONTE: Reprodução/Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo, SP

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Um dos ideais dos cafeicultores era conquistar maior autonomia para as províncias. Conscientes de que qualquer mudança no quadro institucional do Império geraria resistências na burocracia estatal, e que, portanto, era impossível conquistar mais autonomia sob o Império, abraçaram a luta pela República.

A aliança entre oficiais do Exército, cafeicultores paulistas e setores médios urbanos possibilitou o republicanismo, observado passivamente pela Igreja. Membros das aristocracias agrárias tradicionais, como a nordestina e a sulista, por sua vez, viam na abolição da escravidão uma traição do governo imperial. Por isso, distanciaram-se dele a partir de 1888, enfraquecendo ainda mais o regime.

No final daquele ano, na tentativa de salvar a Monarquia, dom Pedro II nomeou Afonso Celso de Oliveira Figueiredo, o visconde de Ouro Preto, para o cargo de primeiro-ministro. Ouro Preto lançou um projeto de reformas políticas em grande parte inspiradas nas ideias republicanas. O Parlamento, cujos deputados tentavam ainda manter seus privilégios, recusou o projeto. A recusa desencadeou uma crise que culminou com o fechamento da Assembleia Legislativa e a convocação de novas eleições.

Os republicanos aproveitaram a crise para divulgar o boato de que o governo iria reprimir violentamente os oficiais do Exército e prender Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant, militar positivista e crítico feroz do regime.

Na noite de 14 de novembro de 1889, unidades militares estacionadas em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, se rebelaram. Na manhã do dia seguinte, os rebeldes marcharam em direção ao centro da capital do Império, sob o comando de Deodoro, e, segundo algumas versões, depuseram o ministério. Na tarde do mesmo dia, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, José do Patrocínio declarava a proclamação da República.

Ausente do Rio de Janeiro, por estar em tratamento de saúde na cidade de Petrópolis, dom Pedro II foi instado a sair do país pelo novo governo, presidido por Deodoro da Fonseca. Na madrugada de 17 de novembro, acompanhado pela família, ele embarcou para a Europa. Era o fim da Monarquia no Brasil.

LEGENDA: O movimento republicano se articulava; a adesão dos cafeicultores do Oeste Paulista foi decisiva. Acima, Convenção de Itu, óleo de J. Barros, de 1873.

FONTE: Reprodução/Museu Republicano Convenção de Itu, SP

LEGENDA: Declaração da República, litografia de Frias A. da Silveira. Dom Pedro II recebe a declaração de que o Brasil deixara de ser Monarquia para tornar-se uma República.

FONTE: Reprodução/Acervo Iconographia/Reminiscências




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