Olhares da História 2 Brasil e mundo



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4. O fim do Império

Apesar de persistir na busca de conciliação com os grupos oligárquicos, dom Pedro II não conseguiu impedir que novos conflitos de interesses surgissem em meio às grandes transformações econômicas e sociais. As divergências na elite imperial enfraqueceram a Monarquia. Como vimos, um dos fatores de desgaste foi a questão do fim da escravidão.

Outro fator de desgaste do governo imperial no final do século XIX foi o atrito com a Igreja católica. Os conflitos, conhecidos como Questão Religiosa, tiveram sua origem no regime do padroado, com o qual o imperador controlava a hierarquia eclesiástica e o conjunto do clero, podendo nomear bispos. Ele tinha ainda o direito de ratificar ou não o cumprimento das ordens do papa no país (dar o "beneplácito", a autorização).

A bula papal que impedia membros da maçonaria de pertencer aos quadros da Igreja foi rejeitada pelo imperador - dom Pedro II era maçom. A maior parte dos religiosos permaneceu fiel ao imperador, porém os bispos de Olinda e de Belém preferiram acatar o papa. O imperador puniu os bispos "rebeldes", processando-os e condenando-os à prisão com trabalhos forçados.

Os dois bispos foram anistiados anos depois, mas vários membros da Igreja consideraram a punição severa demais e opuseram-se à Monarquia. A Igreja não chegou a conspirar contra o poder monárquico, mas ficou evidente que o clero não o apoiaria se fosse ameaçado.

Ao mesmo tempo, em fins do século XIX setores do Exército começaram a assumir posições cada vez mais críticas em relação ao governo imperial.

Após a Guerra do Paraguai, as Forças Armadas passaram a atrair muitos jovens provenientes de classes menos abastadas. Estavam interessados na carreira de oficial, que garantia a perspectiva de ascensão profissional (e, portanto, social) quase exclusivamente por méritos próprios. As escolas militares ganharam importância, com destaque para a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

Atritos entre oficiais do Exército e políticos civis, chamados pejorativamente de "casacas", tornaram-se comuns. O controle que o poder civil exercia sobre os militares e o pouco interesse que o governo imperial tinha no Exército, destinando-lhe baixos soldos, lentas promoções e poucos investimentos, foram fatores que acentuaram esses atritos.

Alguns oficiais do Exército passaram a assumir posições radicalmente contrárias às da Monarquia em todas as questões relevantes do final do Império, como a defesa da abolição da escravidão e da instalação da República. Nas escolas militares crescia a circulação do positivismo, teoria criada pelo francês Auguste Comte (1798-1857) em meados do século XIX. A teoria sustentava-se na ideia de ordem com base na "aliança" das classes sociais e de progresso, e tinha uma postura tida como científica diante dos fenômenos sociais e naturais.

No Brasil, pregava-se, acima de tudo, a modernização, que seria concretizada por meio da instalação da República no lugar do "carcomido" regime imperial. Caberia ao Exército garantir firmemente a ordem para viabilizar o progresso capitalista, livrando o Estado dos "casacas" corruptos e antipatriotas.

Os confrontos não tardaram. Em 1883, o tenente-coronel Sena Madureira manifestou-se pela imprensa contra as reformas no sistema de aposentadoria militar. Após sua punição, o governo proibiu declarações dos militares na imprensa sobre qualquer assunto relacionado à política. No ano seguinte, Madureira manifestou apoio aos jangadeiros que lutaram pela libertação dos escravos no Ceará.

LEGENDA: Vista da Praia Vermelha com o Círculo Militar e o Instituto Militar de Engenharia na cidade do Rio de Janeiro. Foto de 2014.

FONTE: Luis Salvatore/Pulsar Imagens.

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O governo imperial, suscetível a críticas contra o escravismo, determinou que o tenente-coronel fosse detido e transferido do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul, gerando grande inquietação entre os oficiais. Em 1886, Madureira fez declarações públicas e teria sido mais uma vez punido, não fosse a recusa de seu superior, o marechal Deodoro da Fonseca, em repreendê-lo, num claro ato de insubordinação ao governo. O descontentamento no Exército brasileiro atingira seu auge e esse atrito entre as instituições ficou conhecido como Questão Militar.





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