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A Guerra do Paraguai (1864-1870)



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A Guerra do Paraguai (1864-1870)

As razões desse conflito, também chamado de Guerra da Tríplice Aliança ou Guerra Grande, são bastante diversas. Independente desde 1811, o Paraguai tinha alcançado certo desenvolvimento econômico ao longo do século XIX, destoando dos outros países latino-americanos. Durante os governos de José Francia (1811-1840) e Carlos López (1840-1862), erradicou-se o analfabetismo no país. Fábricas, indústrias siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo surgiram. A população paraguaia tinha emprego e um bom padrão alimentar.

Entretanto, segundo o historiador Francisco Doratioto,

é equivocada a apresentação do Paraguai como um Estado onde haveria igualdade social e educação avançada. A realidade era outra e havia uma promíscua relação entre os interesses do Estado e os da família López, a qual soube se tornar a maior proprietária "privada" do país enquanto esteve no poder.

[...] é fantasiosa a imagem construída por certo revisionismo histórico de que o Paraguai pré-1568 promoveu sua industrialização a partir de "dentro", com os próprios recursos, sem depender dos centros capitalistas, a ponto de supostamente tornar-se ameaça aos interesses da Inglaterra no Prata. Os projetos de infraestrutura guarani foram atendidos por bens de capital ingleses e a maioria dos especialistas estrangeiros que os implementaram era britânica.

DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Nesse momento de algum sucesso socioeconômico e de certa autonomia internacional, Solano López (1827-1870), cujo governo teve início em 1862, teria promovido uma política militar expansionista, com o objetivo de ampliar o território paraguaio. Segundo essa versão, Solano López pretendia criar o "Paraguai Maior", anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como o Rio Grande do Sul e o Mato Grosso). Obteria, assim, acesso ao Atlântico, que considerava essencial para a continuação do desenvolvimento econômico do país.

Enfim, a guerra teria como motivo a agressão paraguaia, que obrigou o Império de dom Pedro II a reagir. Porém, foi o intervencionismo da política externa brasileira no Prata que colaborou para criar uma situação potencialmente explosiva.

LEGENDA: O campo de Uruguaiana, pintura de Candido Lopez, realizada em 1865, durante a Guerra do Paraguai.

FONTE: The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu Histórico Nacional, Buenos Aires, Argentina.






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