Olhares da História 2 Brasil e mundo


3. A política externa e a crise do Império Oligárquico



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3. A política externa e a crise do Império Oligárquico

A instauração do parlamentarismo imperial garantiu a concretização do regime e a fase de conciliação, na década de 1850, promoveu o auge da dominação oligárquica durante o Império. Com o projeto político imperial consolidado, a atenção do governo se voltou para a política externa. Essa fase foi marcada pela ocorrência de diversos conflitos na região do Prata, no extremo sul do país, e de atritos diplomáticos com a Inglaterra.



A Questão Christie (1863)

Os empréstimos frequentes realizados junto ao governo inglês criaram uma forte dependência da economia brasileira em relação à Inglaterra. Durante o Segundo Reinado, porém, o Brasil obteve alguma autonomia, graças às crescentes exportações de café.

Ao mesmo tempo, a Revolução Industrial expandia-se, alcançando a França, a Alemanha e os Estados Unidos, formando novos centros financeiros e fornecedores de produtos industrializados ao Brasil, processo que ameaçava a hegemonia da Inglaterra.

Um ingrediente de tensão a mais nessa relação entre Brasil e Inglaterra foi a questão do tráfico de escravos, contestado pela Inglaterra e tido como fundamental para a estrutura produtiva brasileira agroexportadora.

A aprovação da Tarifa Alves Branco, em 1844, que revogou, consequentemente, o Tratado de Comércio de 1810, aliviou a situação financeira do governo imperial brasileiro, mas afetou diretamente o comércio inglês no país e acentuou a crise diplomática entre os dois países.

Em resposta, o Parlamento da Inglaterra aprovou a Bill Aberdeen, que autorizava a Marinha inglesa apreender qualquer navio negreiro que cruzasse o Atlântico em direção ao Brasil.

As relações diplomáticas entre os governos do Brasil e da Inglaterra agravaram-se em 1860, quando o embaixador inglês no Rio de Janeiro, William Dougal Christie, abusou de sua autoridade para acobertar dois marinheiros de seu país que tinham assassinado um agente alfandegário. O fato foi publicado em jornais cariocas e deu margem a diversos protestos.

Em 1861, um novo incidente precipitou as desavenças entre os dois países. O navio inglês Prince of Wales naufragou no litoral do Rio Grande do Sul e teve sua carga roubada. O embaixador Christie exigiu que um oficial inglês acompanhasse as investigações e que o governo brasileiro indenizasse seu país pela perda.

No ano seguinte, mais um incidente: marinheiros ingleses, embriagados e em trajes civis, foram presos por promover arruaças nas ruas do Rio de Janeiro. Depois de constatado que eram militares, foram soltos. Mesmo assim, o embaixador britânico exigiu a demissão dos policiais que haviam efetuado a prisão e desculpas oficiais do governo à Inglaterra.

Diante da recusa do Brasil em cumprir as exigências britânicas, Christie ordenou que seus navios de guerra aprisionassem cinco navios brasileiros ancorados no porto do Rio de Janeiro. A decisão resultou em diversas manifestações contra a Inglaterra.

LEGENDA: Investimentos de países que viviam a Segunda Revolução Industrial passaram a fluir para o Brasil, garantindo alguma autonomia diante da Inglaterra. Na charge de Angelo Agostini, a entrada de capitais estrangeiros.

FONTE: Reprodução/Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, São Paulo, SP.



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Dom Pedro II, posteriormente, pagou a indenização referente ao roubo da carga, mas o governo inglês recusou-se a pedir desculpas oficiais pela atitude do embaixador. Em 1863, o imperador rompeu relações diplomáticas com a Inglaterra. Era o desfecho da Questão Christie. As relações foram reatadas em 1865, quando o governo britânico apresentou desculpas oficiais ao governo brasileiro.






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