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A queda do tráfico de escravizados para o Brasil



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A queda do tráfico de escravizados para o Brasil

LEGENDA: Baseado em: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de janeiro: J. Olympio, 1956. p. 92.

FONTE: Cassiano Röda/Arquivo da editora

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Vivendo naquele tempo

Boxe complementar:



Escravidão urbana

No Brasil oitocentista, as condições dos escravizados nos espaços urbanos eram geralmente menos rigorosas do que as vividas no cotidiano das fazendas de cana-de-açúcar e café. O escravo urbano possuía certa autonomia que lhe permitia circular pelos espaços públicos da cidade e estabelecer relações com homens brancos pobres e outros escravos.

Nas maiores cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e Salvador, havia, basicamente, três tipos de escravos: artesãos, de ganho e domésticos.

Os escravos artesãos praticavam diferentes ofícios urbanos. Eram homens e mulheres que haviam aprendido uma profissão e, portanto, tinham algum reconhecimento numa sociedade desigual e escravista. Muitos trabalhavam nas oficinas de seus senhores, outros trabalhavam para terceiros, mas o que seria um salário era entregue ao proprietário do escravo. Havia carpinteiros, pedreiros, construtores de móveis e de carruagens, joalheiros, litógrafos, alfaiates, sapateiros, cabeleireiros, costureiras, lavadeiras, cozinheiras e rendeiras, entre outras profissões.

Os escravos de ganho, também conhecidos como negros de ganho, não tinham uma profissão específica. Realizavam a maior parte dos serviços urbanos, principalmente o transporte de pessoas em liteiras, redes ou cadeirinhas, o transporte de mercadorias e a venda de alimentos, bebidas e flores.

Muitas famílias de brancos pobres procuravam comprar pelo menos um escravo para obter, por meio do trabalho dele, uma fonte de renda. Esses cativos passavam o dia nas ruas, onde ofereciam seus serviços, e depois entregavam uma quantia específica a seu senhor. Apesar do direito de guardar o excedente do que ganhavam nos negócios, os negros de ganho eram responsáveis pela própria alimentação e pela moradia. Por isso, era raro que tivessem alguma poupança para utilizá-la na compra da própria alforria, por exemplo.

As ruas eram seu espaço de sobrevivência, lazer e convívio, onde a vida social se realizava por meio de relações de solidariedade e interesses comuns.

Segundo Júlio Maria Neres,

No trabalho, homens e mulheres criaram os chamados "cantos": locais da cidade, em geral esquinas, onde forros e escravos de mesmo ofício e nação ofereciam seus serviços.

Eram locais onde os mesmos escravos encontravam-se cotidianamente. Teciam objetos artesanais, como chapéus de palha, gaiolas de passarinho e objetos de couro, enquanto aguardavam sua clientela. Muitos destes "cantos" tornaram-se depois organizações de escravos.

NERES, Júlio Maria; CARDOSO, Maurício; MARKUNAS, Mônica. Negro e negritude. São Paulo: Loyola, 1997, p. 83.

Os escravos domésticos eram comuns não apenas nas casas das famílias mais ricas, mas também nas casas das camadas médias urbanas e mesmo das famílias com poucos recursos, que conseguiam ter, pelo menos, um escravo em casa. Nesses espaços, eles eram responsáveis por todas as atividades domésticas: cozinhar, lavar, arrumar a casa, amamentar os filhos do senhor, dar banho e vestir seus senhores.

Os principais aspectos da escravidão urbana no Brasil foram representados por alguns viajantes europeus que participaram de missões artísticas no século XIX, como o francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e Johann Moritz Rugendas (1808-1858), de origem alemã.

LEGENDA: Barbeiros ambulantes, litografia de Jean-Baptiste Debret produzida no início do século XIX.

FONTE: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, Brasil.

Fim do complemento.





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