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A mão de obra no Segundo Reinado



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A mão de obra no Segundo Reinado

O tráfico escravista era legal e amplamente praticado até o início do século XIX. Enquanto isso, o desenvolvimento capitalista, consolidado com a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra, buscava ampliar seus mercados. Nesse contexto, a escravidão começou a ser considerada um obstáculo ao crescimento do capitalismo e as pressões pelo seu fim multiplicaram-se. Os ingleses lideravam essas pressões internacionais.

Além das razões econômicas, o desenvolvimento e a consolidação de princípios liberais levaram diversos grupos a combater a escravidão por razões humanitárias.

FONTE: André Toma/Arquivo da editora

O abolicionismo britânico tinha natureza cultural e política. Na vanguarda do movimento estavam ativistas que não abriam mão da crença na unidade do gênero humano, com destaque para os quakers, que rejeitavam o uso da violência com o mesmo empenho com que recusavam qualquer sacramento ou hierarquia eclesiástica.

FLORENTINO, Manolo. Sensibilidade inglesa. Revista de História da Biblioteca Nacional. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/sensibilidade-inglesa. Acesso em: 1º fev. 2016.

Logo após a independência, dom Pedro I assumiu o compromisso de extinguir o tráfico negreiro até 1830, em troca do reconhecimento da emancipação do Brasil pelo governo da Inglaterra. O acordo, aprovado pela Regência em 1831, não saiu do papel, como uma típica lei "para inglês ver".

Empresas inglesas no Brasil, que controlavam mais da metade das exportações nacionais, junto com militares e políticos, pressionavam o governo brasileiro, que acabou por ceder aos interesses britânicos. Entre essas pressões, destaca-se a Bill Aberdeen, lei aprovada pelo Parlamento inglês em 1845, que legalizava a captura de qualquer navio utilizado no tráfico negreiro.

Incursões britânicas em águas territoriais do Império e seguidos conflitos levaram à assinatura da Lei Eusébio de Queirós, em 1850. Essa lei proibiu o tráfico Atlântico de escravizados. Entretanto, o tráfico negreiro continuou a ser praticado ilegalmente.

As diversas formas de resistência dos escravizados, como fugas e rebeliões, associadas à pressão de amplos setores da população contrários à escravidão (Campanha Abolicionista) e ao estímulo à imigração de trabalhadores livres, foram decisivas para o fim do tráfico negreiro.

No gráfico abaixo, nota-se o aumento da importação de escravizados nos anos imediatamente anteriores à Lei Eusébio de Queirós, que decorreu da preocupação dos senhores brasileiros com as pressões inglesas pelo fim do tráfico. A lei não extinguiu completamente o tráfico, que continuou ilegalmente, embora de forma bastante reduzida e em declínio. Contudo, se o tráfico intercontinental declinava, o tráfico interno ganhava impulso, abastecendo as áreas produtoras de café.




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