Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

3. Leia dois textos escritos por historiadores. Depois, resolva as atividades propostas.

Texto 1

Em resumo, praticamente todos os tipos de sociedade africana resistiram, e a resistência manifestou-se em quase todas as regiões de penetração europeia. Podemos aceitar isso como um fato que não mais precisa de demonstração.

[...] a resistência apresenta gritantes diferenças de intensidade de uma região para outra. Na Rodésia do Norte (atual República de Zâmbia), houve movimentos de resistência armada, mas em nada comparáveis, em amplitude e duração, aos organizados na Rodésia do Sul (atual República do Zimbábue), os quais, por sua vez, não se podem comparar, do ponto de vista da "organização", aos movimentos de resistência contra os portugueses no vale do Zambeze. Faltam-nos, é certo, estudos regionais comparativos mais precisos.

RANGER, Terence O. Iniciativas e resistência africanas em face da partilha e da conquista. In: História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935. 2. ed. Brasília: Unesco, 2010. p. 54.



Texto 2

A partilha do país somali, praticamente terminada em 1897, desprezou os interesses legítimos das populações e as privou da liberdade e da independência. [...] Os chefes e os sultões somalis estavam particularmente inquietos com tantas usurpações, que tinham efeito desastroso sobre seu poder político. Eles jamais cederam de boa graça a sua soberania e, de fato, encabeçaram numerosos levantes contra as forças europeias e etíopes durante o período da partilha.

Conscientes das rivalidades existentes entre as potências europeias, os chefes somalis tentaram jogar umas contra as outras. Assinaram tratados com esta e aquela potência colonial, na esperança de que a prática diplomática lhes resguardasse a independência. Por exemplo, assinaram numerosos tratados com os ingleses, nos quais lhes concediam pouca coisa. [...] Mas os tratados não preencheram o objetivo, pois as potências europeias [...] acabaram por acertar pacificamente o seu litígio na região.

Além desse esforço diplomático, certos clãs somalis pegaram em armas para salvaguardar a soberania. Os ingleses tiveram de enviar quatro expedições: em 1886 e 1890, contra os Issa; em 1893, contra os Habar Guerhajis; e em 1895, contra os Habar Awal. Os italianos também sofreram pesadas perdas: em 1887, um destacamento de soldados italianos foi massacrado em Harar e, em 1896, uma coluna de 14 homens foi aniquilada pelos Bimal.

IBRAHIM, Hassan Ahmed (Com base numa contribuição de Abbas Ibrahim Ali). Iniciativas e resistência africanas no nordeste da África. In: História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935. 2. ed. Brasília: Unesco, 2010. p. 73; 93-94.

a) O que autor do texto 1 diz sobre a resistência africana à exploração colonial no século XIX?

b) Ao ler o texto 2, explique que formas de resistência foram organizadas durante a partilha da Somália. Depois, com base em seus conhecimentos, dê exemplos de outros locais do continente africano onde ocorreram resistências à exploração colonial.

c) O autor do texto 2 também cita outra forma de resistência, diferente da luta armada. Que tipo de resistência era essa?

d) Explique por que o autor do texto 2 diz que "A partilha do país somali, praticamente terminada em 1897, desprezou os interesses legítimos das populações e as privou da liberdade e da independência".

4. Em 1902, a obra ficcional O coração das trevas, do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924), foi publicada. Considerada um dos grandes clássicos da literatura

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mundial, a obra narra a viagem de barco realizada por Marlow, um inglês contratado por uma companhia de comércio belga para encontrar, no então Congo, um comerciante de marfim chamado Kurtz. Tudo leva a crer que o enredo se passa no rio Congo. O livro mostra a opressão e a violência dos projetos de exploração colonial. Leia um trecho a seguir.

Às vezes chegávamos a um posto muito perto da margem, preso nas fímbrias do desconhecido, e os homens brancos correndo para fora de um casebre em ruínas, com gestos largos de alegria, surpresa e boas-vindas, pareciam muito estranhos - parecia que um feitiço os mantinha ali cativos. A palavra "marfim" ecoava pelo ar por um instante - e lá seguíamos nós, de novo, no silêncio, pelas extensões desertas do rio, dobrando as curvas mansas, entre os altos muros de nosso curso sinuoso reverberando com pancadas surdas a batida compassada da roda na popa.

CONRAD, Joseph. O coração das trevas. São Paulo: Abril, 2010. p. 63. (Clássicos Abril Coleções, v. 25).

a) Quais eram as características da exploração colonial no então Congo belga? Que monarca era responsável por organizar essa exploração?

b) O autor cita um dos principais produtos explorados pelos belgas no então Congo. Que produto era esse? Por que era tão valorizado e como era usado? Existia algum impacto ambiental na exploração desse produto? Qual? Se necessário, pesquise em sites da internet para responder às questões.






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