Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Leituras

Boxe complementar:

O historiador francês Marc Ferro destaca os reais interesses das potências europeias quando alegavam a necessidade de "civilizar" povos da África e da Ásia a partir de meados do século XIX. Ao propor a missão de transmitir o progresso e os conhecimentos que circulavam na Europa, tinham, de fato, interesses econômicos e expansionistas. Leia o trecho a seguir.

Missão civilizadora

Os glorificadores da expansão conseguiram fazer triunfar a ideia, hoje ainda viva em vários setores da vida econômica, de que a expansão ultramarina era o objetivo final da política, tendo sido os ingleses, entre outros, os primeiros a associar os benefícios do imperialismo ao triunfo da civilização, esse grande feito dos "povos superiores". No momento em que os avanços da ciência e o sucesso do darwinismo asseguravam aos mais dotados a tarefa de espalhar pelo mundo os benefícios do progresso, os ingleses se julgavam necessariamente destinados, em essência, a realizar essa tarefa. "Eu acredito nesta raça", dizia Joseph Chamberlain em 1895. Graças ao seu avanço, ao seu savoir-faire [expressão francesa que significa "saber fazer"], os ingleses se encarregavam de civilizar o mundo, "este fardo do homem branco". Os franceses, movidos pela doutrina das Luzes e pelo brilho da Revolução de 1789, julgavam sobretudo estar cumprindo uma missão libertadora [...]. Ademais, ao considerarem os indígenas como crianças, eram levados por suas convicções, republicanas ou não, a julgar que, educando-os, eles se civilizariam. Portanto, resistir-lhes era dar provas de selvageria.

Ora, essa ideia de civilização não era neutra. A história e o direito ocidental haviam codificado os fundamentos dela: princípio e formas da propriedade, modalidades de transmissão das heranças, legislação aduaneira, liberdade dos mares, etc. Assim, um conceito cultural, a civilização, e um sistema de valores tinham uma função econômica precisa. Aqueles que não se conformassem a essas regras de direito tornavam-se delinquentes, criminosos, e, portanto, passíveis de punição.

FERRO, Marc (Org.). O livro negro do colonialismo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 22-23.

Fim do complemento.

Os conquistadores sustentaram sua expansão com um discurso segundo o qual os africanos eram incapazes de governar a si próprios e, por isso, precisavam dos europeus para seu próprio bem, para superar o estágio de "barbárie" e chegar à "civilização". Esse seria o "fardo do homem branco", ou seja, cuidar de povos "inferiores" para que estes progredissem e aceitassem o cristianismo. Essa foi uma das fontes mais importantes do racismo contemporâneo e tem na sua base o interesse econômico nas riquezas dos povos colonizados.

Em 1869, os interesses econômicos europeus levaram à abertura do canal de Suez, ligando o mar Mediterrâneo ao mar Vermelho. Com isso, já não era preciso contornar a África para chegar à sua costa leste e ao Oriente.

A resistência das populações colonizadas não se fez esperar. Na Argélia, as forças armadas do chefe muçulmano Abd el-Kader resistiram ao exército francês por dez anos. No Senegal, a conquista francesa desencadeou diversas ações de resistência, o mesmo ocorrendo com o Reino Axanti. No Saara, os nômades tuaregues, montados em camelos, mostraram ser guerreiros difíceis de vencer. Na África do Sul, colonos bôeres (descendentes de holandeses) resistiram aos ingleses e chegaram a um acordo, dividindo o país com eles e criando um sistema de segregação racial. O Reino da Etiópia enfrentou os italianos e conseguiu manter sua soberania por meio de um tratado no qual fazia diversas concessões.

Os europeus tiveram a seu favor a nova onda de inovações tecnológicas da Segunda Revolução Industrial. Desde o quinino (substância química tomada para prevenir a malária, doença comum na África), passando pelas estradas de ferro e pelo telégrafo, até as armas mais eficientes e baratas, a tecnologia tornou a expansão colonial sobre a África e a Ásia viável e lucrativa.

O Congo Belga (atual República Democrática do Congo) foi o exemplo mais impressionante de desestruturação social e de perda de vidas na África colonizada. Em 1877, o rei Leopoldo II (1835-1909), da Bélgica, criou na África o Estado Independente do Congo, em uma área que havia adquirido como propriedade particular. Ali, a violência foi associada não apenas à repressão às rebeliões, mas também à exploração sistemática de riquezas como o marfim e a borracha.



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Com um discurso "humanitário", a política do rei Leopoldo provocou milhões de mortes entre os africanos que lutavam contra a dominação. Essa população enfrentou uma violência física e cultural que talvez só tenha encontrado precedente na conquista e exploração da América. Em 1908, pressões internacionais forçaram o rei Leopoldo a entregar suas possessões privadas no Congo ao governo belga.

Já no antigo Sudão (hoje Sudão e Sudão do Sul), o domínio do Reino Unido encontrou constantes resistências e revoltas nacionalistas, como a chefiada por Muhammad Ahmed bin' Abd Allah, seguida pela efetiva ocupação em 1898 pelos britânicos.

LEGENDA: Esta charge, publicada na revista inglesa Punch, em 1906, satiriza a presença de Leopoldo II no Congo Belga ao mostrá-lo com corpo de borracha esmagando um congolês. Na legenda, em tradução livre, lê-se: "Nas voltas da borracha".

FONTE: The Granger Collection/Fotoarena.



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