Olhares da História 2 Brasil e mundo



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Pratique

5. Sobre "a montagem" do Estado nacional leia os dois trechos a seguir. Depois faça o que se pede.

Texto 1

Ao contrário de uma versão predominante de modo difuso no senso comum [...], a independência do Brasil não foi uma dádiva nem se fez de forma pacífica [...]. Um dos episódios cruciais da História do Brasil neste momento foi a guerra da independência na Bahia que durou um ano e quatro meses, [...] envolvendo, somente do lado brasileiro, cerca de 10 mil combatentes de armas na mão [...].

[...] a guerra da independência na Bahia [...] não se dava de forma maniqueísta entre dois campos homogêneos, o brasileiro e o português [...]. Mas foi um embate no qual se enfrentavam (e às vezes se aliavam), no interior do chamado campo brasileiro, pelo menos três grandes tendências ou grupos: os proprietários de terras, engenhos e escravos; os representantes do viés monárquico-absolutista e da centralização imperial; e os escravos que no interior do combate lutavam contra a escravidão.

MOREL, Marco. Prefácio para a obra de TAVARES, Luís Henrique Dias. Independência do Brasil na Bahia. Salvador: EDUFBA, 2005. p. 13; 16.



Texto 2

Nas lutas pela independência, a participação de escravos e libertos foi extremamente significativa, tendo esse contingente se tornado um verdadeiro "partido negro", como enfatizam alguns historiadores, à frente dos quais João José Reis. Posicionados contra os portugueses, certamente por enxergarem a libertação do domínio lusitano como real possibilidade do fim do escravismo e do rompimento das barreiras raciais, eles entretanto tiveram, na Bahia assim como em todo o Brasil, suas expectativas frustradas. Por volta de 1835, para uma população de 65 500 habitantes, Salvador tinha cerca de 36 mil escravos (mais da metade africanos) [...].

LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. 4. ed. São Paulo: Selo Negro, 2011. (e-book).

a) Por que o autor do texto 1 diz que aquela guerra não ocorria de modo "maniqueísta"? Que grupos se enfrentavam e às vezes se aliavam durante o conflito?

b) O texto 2 nos informa sobre o papel dos escravos e libertos na guerra de independência na Bahia, recrutados para lutar a favor da independência. Diz-se que um lavrador, à época, quando pressionado a ceder escravos para aquelas lutas, simplesmente perguntou: "Que interesse tem um escravo para lutar pela independência do Brasil?". Como você responderia a essa pergunta?

c) Você diria que os textos 1 e 2 apresentam a mesma visão a respeito do papel dos escravos nas lutas de independência na Bahia? Por quê?



6. Leia o texto a seguir, observe a imagem e faça as atividades propostas.

[...] nem todos os escravos barbeiros eram ambulantes. Existiam aqueles que desempenhavam a sua profissão instalados em lojas situadas em diversos pontos da cidade. Se bem que nestas lojas trabalhassem muitos negros libertos, pode-se dizer que um considerável número de escravos de ganho estava entre os seus empregados. A clientela desses barbeiros de loja era bastante variada e incluía muitos brancos e livres. Além de cortarem cabelo e fazerem barba, eles também ofereciam outros serviços a seus fregueses. Segundo Debret e o Reverendo Walsh, eram exímios cirurgiões e sangradores muito habilidosos com o bisturi, faziam aplicações de sanguessugas [...] e ainda arrancavam dentes. [...]



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Entre os indivíduos que tratavam das doenças dos escravos e da população livre pobre também estavam os curandeiros e os cirurgiões negros, muitos dos quais cativos, aproveitados pelos seus senhores como escravos de ganho. [...] os cirurgiões especializavam-se na realização de sangramentos através das aplicações de ventosas, mas também receitavam alguns remédios à base de ervas a seus pacientes.

SOARES, Luiz Carlos. O "povo de Cam" na capital do Brasil: a escravidão urbana no Rio de Janeiro do século XIX. Rio de Janeiro: Faperj/7 Letras, 2007. p. 132-133.

LEGENDA: O cirurgião negro, aquarela de Jean-Baptiste Debret, 1826.

FONTE: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ

a) Segundo o historiador, como era a vida dos escravos de ganho e por que eles recebiam esse nome?

b) Quem era a clientela das "lojas de barbeiro" e que serviços os escravizados que trabalhavam nesses estabelecimentos prestavam à população?

c) Ao observar a imagem, identifique que trabalho está sendo realizado e imagine que tipo de conhecimentos os escravos de ganho precisavam ter para exercer a função retratada na cena.






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