Olhar o Corpo Abjecto



Baixar 353.61 Kb.
Página1/6
Encontro13.03.2018
Tamanho353.61 Kb.
  1   2   3   4   5   6

UNIVERSIDADE DE LISBOA

FACULDADE DE BELAS-ARTES




OPRÓBRIO

A convergência do Abjecto e do Obsceno na Imagem Transgressiva

Bruna Prazeres APÊNDICE

Dissertação

Mestrado em Arte Multimédia

Especialização em Fotografia

ANO 2015

UNIVERSIDADE DE LISBOA



FACULDADE DE BELAS-ARTES


OPRÓBRIO

A convergência do Abjecto e do Obsceno na Imagem Transgressiva

Bruna Prazeres

Dissertação orientada pelo Prof. Doutor Rogério Taveira

Mestrado em Arte Multimédia

Especialização em Fotografia

ANO 2015
RESUMO

Esta dissertação propõe uma investigação a uma janela na história de arte onde artistas e pensadores eram particularmente intrigados pelo conceito de abjecção. Virados para um corpo dessublimado, corpo transgressivo, levantavam questões de identidade, sexualidade, género, ques­tionando a natureza da transgressão simbólica e cultural. Ao falar de arte abjecta o que vêm à ideia é uma estética obscena, excremental, visceral, putrefacta, tabu, transgressiva, apelando ao efeito repelente do sujeito. Artistas empregaram material abjecto nas suas obras de maneira ex­perimental referidos em termos abjectos: furar ou cortar a pele, extrair substâncias corporais, colocar o corpo em situações de perigo, explorar a relação do interior com o exterior, trabalhar com a sexualidade explícita… Estas obras disturbam porque convidam intervenções de natureza não convencional e porque trespassam os limites da propriedade social entre o público e pri­vado, fora e dentro, eu e o outro. O objectivo é examinar como opera o conceito de abjecção de modo a esclarecer o entendimento deste género de trabalhos artísticos. Abjecto é um conceito cultural que se refere ao impulso de rejeitar o que ameaça a estabilidade do eu, associando-se a sentimentos de nojo e repulsa, termos que não se podem dissociar à compreensão do abjec­to. Propõe-me igualmente entender a íntima relação com o obsceno. A dissertação vai conver­gir os conceitos de abjecto e obscenidade, articulando-os com o conceito de unheimlich, nojo e informe, tomá-los nas suas especificidades, uni-los e obter uma similaridade destes conceitos. A investigação é realizada num campo onde a teoria e prática artística estão interligadas e paralelas, produzindo uma exposição de como a imagética transgressiva tem sido interpretada e teorizada.

Palavras-Chave:

Abjecto, Obsceno, Transgressão, Corpo, Imagem.


RÉSUMÉ
Cette thèse propose une enquête sur une fenêtre dans l’histoire de l’art où les artistes et penseurs ont été particulièrement intrigués par le concept de l’abjection. Face à un corps transgressif, les questions d’identité, de la sexualité, le sexe soulevé, interroger sur la nature de la transgression symbolique et culturelle. En parlant de l’art abjecte viens l’idée une esthétique obscènes, excrémentiel, viscérale, pourri, tabou, transgressives, faisant appel à l’effet répulsif de l’objet. Les artistes employés des matériaux abjects dans ses oeuvres expérimentalement visés en termes abjects: percer ou coupés en extrayant les substances corporelles mettent le corps en dan­ger, explorer l’intérieur de la relation avec l’extérieur, en collaboration avec la sexualité explicite ... Ces oeuvres déranger parce qu’ils invitent a des interventions non conventionnel et parce que ils percent les limites de la propriété sociale entre public et privé, intérieur et extérieur, soi et l’autre. L’objectif est d’examiner le concept d’exploitation de l’abjection, afin de clarifier la compréhen­sion de ce genre d’oeuvres d’art. Abjection est un concept culturel qui se réfère à l’impulsion de rejeter ce qui menace la stabilité du “moi”, associée à des sentiments de dégoût et la répulsion, termes qui ne peuvent être dissociées de comprendre l’abject. Il est proposé comprendre aussi la relation intime avec l’obscène. La thèse convergera concepts de l’obscénité et abject, en les reli­ant avec le concept de unheimlich, le dégoût et l’informe, les prendre dans leurs spécificités, les rassembler et obtenir une similitude de ces concepts. La recherche est effectuée dans un domaine où la théorie et la pratique artistique sont interconnectées et parallèles, en créent une exposition de comment l’imagerie transgressive a été interprété et théorisé.

Mots-clés:

Abject, Obscène, Transgression, Corps, Image.

ÍNDICE

Índice de Figuras 1


Introdução 6
1. Olhar Abjecto 11

1.1 Me and mOther 15


1.2 Repulsion: Anatomia do Nojo 21

1.3 L´Oeil Informe 27


1.4 Poupée Unheimlich 36
2. Ob Skene 43
2.1 Le Regard du Désir, le Désir du Regard : Transgressão da Imagem 52

3. Objectos Abjectos 58


3.1 Destruir para Construir: A Arte que Magoa 66

4. Opróbrio: Apresentação e Representação do Abjecto e do Obsceno 77

5. Considerações Finais 81

6. Referências Bibliográficas 83

7.Apêndice 86

ÍNDICE DE FIGURAS


Fig. 1: Andres Serrano, Frozen Semen with Blood, fotografia a cores, 165 x 144 cm,1990. http://www.artnet.com/artists/andres-serrano/frozen-semen-with-blood-a-w8uJHQDi9eXuX8D­k3zpAw2
Fig. 2: Andres Serrano The Morgue (Fatal Meningitis I), fotografia a cores, 125.7 x 152.4 cm

1992.


http://www.artnet.com/artists/andres-serrano/the-morgue-fatal-meningitis-ii-a-Nzz-FDSCS­Gj8ywemuD6Dww2
Fig. 3: Heike Kraus, da série 4 GrandPlus, fotografia a cores, 2003.

http://www.photography-now.com/exhibition/15066


Fig. 4: Bruna Prazeres, da série Me and mOther, fotografia a cores, Kodak 400, 18x27,2014.
Fig. 5:Miyako Ishiuchi, Mother’s #5, fotografia a cores, 11.25 x 7.5, 2000.

http://sepiaeye.com/miyako-ishiuchi


Fig. 6: Bruna Prazeres, da série Deviant Palace, fotografia digital, 2014
Fig. 7: Cindy Sherman, Untitled #175, fotografia a cores, 1987.

http://www.moma.org/interactives/exhibitions/2012/cindysherman/gallery/6/#/1/unti­tled-175-1987


Fig. 8: Bruna Prazeres, da série Coisas de que Não Gostas, fotografia a cores, Kodak 400, 21x30, 2012.
Fig. 9: Roman Polanski, Repulsion, filme a preto e branco, 105min, 1965.

http://www.imdb.com/title/tt0059646/


Fig.10: Andres Serrano, Mother’s Shit, fotografia a cores, 2008.

http://www.artnet.com/usernet/awc/awc_workdetail.asp?aid=424202827&gid=424202827&cid=146947&wid=425760162&page=1


Fig.11: Jacques-André Boiffard , Gros orteil, fimpressão a gelatina de prata, 1929.

https://www.centrepompidou.fr/cpv/resource/cGbEAkA/rAb9E7K


Fig.12: Bruna Prazeres, da série Opróbrio, fotografia a preto e branco, Lomo 100, 23x23,2015.

Fig.13: Hans Bellmer, Sem título, impressão a gelatina de prata, 1946.

BEAUMELLE, Agnès de la, ARDENNE, Paul (2006): Hans Bellmer : anatomie du désir , Paris : Gallimard : Centre Pompidou, 2006. - 259 p
Fig.14: Hans Bellmer, Sexe Rouge, impressão a gelatina de prata, colorida manualemente, 1946.BEAUMELLE, Agnès de la, ARDENNE, Paul (2006): Hans Bellmer : anatomie du désir , Paris : Gallimard : Centre Pompidou, 2006. - 259 p
Fig. 15: Hans Bellmer, La Poupée, impressão a gelatina de prata, 14x14cm.
Fig. 16: Cindy Sherman,Untitled #263, fotografia a cores, 1992.

http://www.moma.org/interactives/exhibitions/2012/cindysherman/gallery/6/#/5/unti­tled-263-1992


Fig. 17: Bruna Prazeres, da série Deviant Palace, fotografia digital, 2014.
Fig.18: Andy Warhol, Sex Parts, serigrafia em papel HMP, 78.74 x 59.06 cm, 1978.

https://www.artnet.com/auctions/artists/andy-warhol/sex-parts-13


Fig.19: Nouboyuchi Araki, da série Erotos,1993.

https://vk.com/photo-66016810_321684258


Fig. 20: Robert Mapplethorpe, Lou, N.Y.C.- X Portfolio, impressão a gelatina de prata 19.53 × 19.53 cm, 1978.

http://www.christies.com/lotfinder/lot/robert-mapplethorpe-x-portfolio-4576015-details.aspx?intObjectID=4576015


Fig. 21: Jeff Koons, Red Butt (Close Up), Serigrafia em tela, 229.9 x 149.9 cm ,1991.

http://www.christies.com/lotfinder/lot/jeff-koons-red-butt-4489948-details.aspx?intObjectID=4489948


Fig. 22: Bruna Prazeres, da série The Sick Room, óleo sobre contraplacado, 29x51, 2013.
Fig. 23: Marcel Duchamp, Étant donnés: 1° la chute d’eau, 2° le gaz d’éclairage, 242.6 × 177.8 × 124.5ccm, 1946-1966.

http://www.philamuseum.org/exhibitions/324.html


Fig. 24: Marina Abramović, Rhythm 0, Performance, 1974.

http://www.marinaabramovic.com/early.html


Fig. 25: Bruna Prazeres, Autoretrato, vídeo 04:48 min, 2013.

Fig. 26: Mona Hatoum, Corps etranger, video-instalação, 1994.

https://www.centrepompidou.fr/cpv/resource/cdj4RE/reaB5y
Fig. 27: Joel-Peter Witkin, Glassman, impressão a gelatina de prata, 50.8 x 40.6 cm, 1994.

http://www.artnet.com/artists/joel-peter-witkin/glassman-a-90voraYDk9MsoyJgXHFblQ2


Fig. 28: Carlos Martiel , Simiente, performance, 2014.

http://www.carlosmartiel.net/seed/


Fig. 29: Marc Quinn, Self, vários materiais 2050 mm x 650 mm x 650mm, 2009. http://www.npg.org.uk/collections/search/portraitLarge/mw138260/Marc-Quinn-Self
Fig. 30: Regina José Galindo, Himenoplastia, performance, 2004.

http://www.reginajosegalindo.com/


Fig. 31: Franko B, Aktion 398, performance, 1998 - 2002.

http://www.franko-b.com/Photographic_Prints.htm


Fig. 32: Chris Burden, Trans-fixed,Performance, 1974.

http://www.lostateminor.com/2013/11/13/extreme-measure-mind-blowing-works-by-chris-burden/


Fig. 33: Marina Abramović, Lips of Thomas, performance 2 hours, 1975.

http://www.marinaabramovic.com/early.html


Fig. 34: Bruna Prazeres , #2, fotografia a cores, Kodak 400, 2013.
Fig. 35: Regina José Galindo, Perra, performance, 2005.

http://www.reginajosegalindo.com/


Fig. 36: Sigalit Landau, Barbed Hula, vídeo 1.52min, 2000.

http://www.sigalitlandau.com/page/video/Barbed%20Hula.php


Fig. 37: Bruna Prazeres, da série Hard Corps, fotografia digital, 2015.
AGRADECIMENTOS
Ao meu professor orientador Rogério Taveira, sempre pronto a orientar-me e esclarecer as minhas inúmeras dúvidas.

Aos meus pais, por me terem apoiado para poder realizar o Mestrado em Lisboa.

Aos meus melhores amigos, Mónica, pela sua prontidão em ser modelo para as fotogra­fias de Opróbrio e de trabalhos anteriores e Rui pelos seus concelhos no desing do livro Opróbrio.

Ao meu parceiro Ricardo, pelo seu apoio moral e incentivo, pela sua prontidão e ajuda na realização de todos os meus projectos artísticos sem excepção, pelo papel funda­mental que teve na realização das fotografias de Opróbrio como modelo e como fotógrafo.

“(…)seeing the Morgue series by Andres Serrano … The extreme photographic realism and high-art aestheticism, together with the unspeakable, real horror of sickness, violence and death, made me nauseous and want to turn away. The fact that these were glossy, shiny and expensive art commodities provoked me in a second sense with uneasiness, in addition to the apparatus of voyeurism of the pictures. At the same time the images stirred a curiosity which made me look, out of an urge to see and comprehend the incomprehensible and uncanny reality of death.”

(Steihaug ,1998, p.4)


INTRODUÇÃO
O conceito de abjecção tornou-se popular no mundo da arte no

início dos anos 1990, objecto de representação e celebração artística, o corpo tornou-se central nas práticas artísticas onde o próprio artista se torna obra, material e local estratégico de reencontros de experimentações estéticas. Os espectadores foram submetidos a estímulos sensoriais que exploram o desconforto e o estranho em que os artistas tratam o corpo como objecto de devoção atribuindo-lhe funções egocêntricas, propondo situações que afectam o colectivo psicológico, onde os observadores são transformados, querendo ou não, em voyeurs. A provocação e o choque tem sido parte da arte ocidental desde o período moderno, testando, puxando e expandindo os parâmetros estéticos estabelecidos, por consequência, o reino da arte tem sido afectado pelas imagens e objectos que causam ofensa. A crença no corpo como matéria-prima e crua,

abre territórios para a investigação artística, o trabalho destes artistas que o usam de forma agressiva e real criam este imaginário em ordem a abrir um discurso que disturba da política e quotidiano.

O abjecto reintroduz a tradição do grotesco no campo das artes visuais, incorporando alienação, monstruosidade, trabalha as fronteiras na experiência estética redefinindo a tradição através da exploração da identidade e ramificações do monstruoso. O que é que trata esta força denominada de abjecto? Ao longo da vida, o abjecto opera para perturbar a identidade, o sistema e a ordem. A nossa identidade como sujeitos é derivada da unidade e da estabilidade dos objectos que se ligam a nós mesmos, o abjecto é, pela sua própria natureza, uma ameaça à nossa subjectividade. A formação da subjectividade é um processo contínuo e complexo em que testemunhamos, por um lado, a indefinição das fronteiras entre o Eu e o Outro, e por outro lado, a capacidade de auto distinguir -se dos outros. A progenitora é o primeiro sítio de nojo cultural onde o matricídio é uma necessidade vital que condiciona a nossa individualização. A separação do corpo maternal dá-se quando um corpo se separa de outro corpo para ser.

O Abjecto é um conceito complexo teorizado por Julia Kristeva e analisado por George Bataille em 1930. Abjecção provém do latim abicere que significa “deitar fora”. Impulsiona a rejeição do que disturba ou ameaça a estabilidade do próprio. É vital para o processo de formação do sujeito. A experiência abjecta simultaneamente coloca em perigo e protege o indivíduo: ameaça a fronteira do eu, relembra a origem animalesca e simultaneamente protege porque nos dá o conhecimento de reconhecer o abjecto, podendo assim expulsá-lo. O conceito é então simultaneamente construtivo e destrutivo, é construtivo na formação da identidade e no estabelecimento da relação com o mundo, mas é destrutivo no que diz respeito ao sujeito, a sua ameaça às fronteiras do eu rompem a estabilidade do eu e sociedade. Este aspecto dual é o modo como o objecto opera, nem é sujeito, nem objecto, mas opera entre os dois; rejeitando e expelindo em ordem de preservar as fronteiras. O abjecto não-objecto ameaça a nossa noção de ser e proporciona uma sensação de desfeita pela experiência, um exemplo disto são os fluidos corporais que são separados espacialmente do corpo. Tudo o que causa abjecção, seja visceral, social, ou moral, pode provocar estes sentimentos conflituantes. A impossibilidade de separar por inteiro o abjecto do eu, ou objectifica-lo como objecto, contribui para a complexa relação com que se depara, indicativo de emoções duais que evoca. Há uma repulsa e simultaneamente uma atracção de um desejo recalcado. Estando aterrorizado e deslumbrado experienciam-se sentimentos conflituantes. A natureza dual do abjecto explica a precária natureza do Eu, as fronteiras do Eu não são fixas nem rígidas, é aterrador por ter capacidade de quebrar a unidade do próprio, mas fascina por definir a identidade.

Georges Bataille foi o primeiro a escrever sobre o abjecto no seu texto Abjection et les Formes Miserables mas foi Julia Kristeva que desenvolveu o conceito no seu ensaio sobre a abjecção, Pouvoir de L´Horreur,1982 ,capta o poder sensorial do abjecto, arrastando o leitor pela experiencia com a qual nos podemos relacionar. Pode não se saber as ramificações filosóficas mas é-se capaz de identificar a sensação de repulsa e náusea causado pelo abjecto, porque evoca experiências vividas, memórias infantis, traumas... O conceito de abjecto no discurso da arte contemporânea deriva do livro Pouvoirs de l´Horreur;

esta obra foi a fonte onde muitos autores posteriores vieram beber, refere-se nomeadamente os que integram a bibliografia desta dissertação: Rina Arya é autora do livro



Baixar 353.61 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
ensino médio
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
Curriculum vitae
oficial prefeitura
Boletim oficial
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
educaçÃo física
saúde conselho
assistência social
santa maria
Excelentíssimo senhor
Conselho regional
Atividade estruturada
ciências humanas
políticas públicas
outras providências
catarina prefeitura
ensino aprendizagem
secretaria municipal
Dispõe sobre
Conselho municipal
recursos humanos
Colégio estadual
consentimento livre
ResoluçÃo consepe
psicologia programa
ministério público
língua portuguesa
público federal
Corte interamericana