Oficinas terapêuticas: a “Roda de Leitura Reflexiva” Atividade realizada nas comunidades terapêuticas



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A complexidade do tema
O enfrentamento da dependência química, enquanto questão complexa, exige a utilização de variadas abordagens. A arte funciona como mediadora da expressão subjetiva e, no campo da terapêutica, essas ações repondem por variados nomes, —terapias expressivas, arteterapia, emoção de lidar, entre outras —, e vem se mostrando efetivas e capazes de gerar menor resistência no dependente em recuperação.

A Anvisa, por meio da RDC 29, de 2011, prevê que as comunidades terapêuticas tenham atividades lúdicas nos seus plenos terapêuticos. Essas “atividades lúdico-terapêuticas” já são uma realidade em ongs, hospitais, clínicas, CAPS, empresas, e outras instituições, entretanto, observamos que muitas comunidades ainda não depertatram para a importância dessa ferramenta como tratamento, lançando mão dela, apenas, como forma de passar o tempo e sem regularidade temporal.

A arte, no contexto terapêutico, é compreendida como uma manifestação humana, um fazer. Essa visão contrapõe ao olhar romântico sobre o artista que é visto, desde o renascimento, como alguém diferenciado, detentor de uma “inspirada” divina. Para o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, “Fazer arte é produzir um estado em que o sujeito comece a fazer experiências com o seu próprio ser, um ser em que nada mais é definido, rígido, petrificado, é produzido um estado de fluidez, de transformação, de vir a ser”.

Observemos que, desde os primórdios da cultura, o ser humano interage com a natureza plasmando a sua vontade na matéria bruta e comunicando sobre a sua subjetividade. O homem registrou nas cavernas cenas do seu cotidiano, —símbolos, deuses, demônios—, e estas manifestações nos falam, ainda hoje, trinta e cinco mil anos depois, sobre a forma da sua existência naquela época. A arte contém uma linguagem universal, ela propicia um canal singular de expressão dos afetos, fantasias e sonhos humanos. A criação para o homem é uma necessidade, é dessa forma que ele vivencia a sensação de estar contido num espaço, e de ter um outro espaço contido dentro de si. As criações revelam as experiências dos indivíduos diante de propostas e valores existentes dentro de sua determinada sociedade.

Através dos materiais plásticos começam a surgir, de forma simbólica, os "não ditos", e esses conteúdos passam a ser integrados pela consciência.

Para que o indivíduo se beneficie terapeuticamente com as técnicas da arte ele não precisa ter habilidades artísticas especiais. Qualquer pessoa pode ser acolhida numa proposta lúdica-terapêutica a partir do seu desejo e da habilidade do facilitador dessa atividade.

Uma das abordagens que amparam as atividades lúdicas terapêuticas é a arteterapia. A arteterapia é um importante suporte teórico e prático para essas atividades. Ela é uma modalidade de tratamento terapêutico onde os materiais plásticos atuam como veículos facilitadores da expressão humana. Neste contexto, o “fazer” possibilita a expressão do não verbalizável. Através da arteterapia temos como aferir academicamente o desenvolvimento do indivíduo, acompanhar as suas criações e de auxiliá-lo onde encontre dificuldades. Esse aporte teórico também facilita a leitura das produções.

Variados recursos expressivos como: tintas, canetas, papeis, argila, dança, música, etc., podem ser trabalhados a partir de variadas técnicas da arte, objetivando que o participante inicie um processo de autoconhecimento e crescimento pessoal. O autoconhecimento demandada que a pessoa reflita sobre a vida, sobre o estar no mundo, e esse “olhar para dentro” deve ser acompanhado por um profissional capacitado, um facilitador e acompanhante do processo desse ser humano.

O Sistema para detecção do uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento (SUPERA) (2001-b, p. 13), ressalta que “o desconforto psicológico pode ser reduzido pelo progressivo autoconhecimento” pois o paciente “tem uma melhor oportunidade de diminuir ou parar o uso de drogas”, entretanto, o tratamento não terá a mesma eficácia “se uma boa relação com o terapeuta não for devidamente desenvolvida “, e nem bem manejada. É nesse contexto que a relação entre pessoa ou grupo e facilitador, também se vê facilitada, pois a arte se apresenta como um mediadora da expressão. No campo das oficinas lúdicas- terapêuticas, vale destacar o trabalho pioneiro da psiquiatra brasileira Dra Nise da Silveira no Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1946. Dra. Nise inseriu a pintura, a modelagem e a xilogravura na sessão de terapia ocupacional do hospital, em substituição a métodos de tramento corriqueiros na sua época, como o eletrochoque e lobotomia, e chamos a nova abordagem: “Emoção de Lidar”. Esse trabalho, reconhecido internacionalmente, atesta o potencial terapêutico das práticas artísticas, capazes de revelar o mundo psíquico dos pacientes e de produzir melhoras na sua saúde. Acerca desta experiência, Mário Pedrosa (1947), crítico de arte, escreveu: “Uma das funções mais poderosas da arte — descoberta da psicologia moderna—, é a revelação do inconsciente, e este é tão misterioso no normal como no chamado anormal”. O uso terapêutico da arte tem se difundido em larga escala no Brasil e no mundo.

No campo da dependência química, a prática de atividades lúdicas-terapêuticas visa ampliar as atividades de prevenção e tratamento por meio da sensibilização e conscientização das pessoas.

O Sistema SUPERA (2011, p. 9), ressalata que “a capacidade de utilizar várias técnicas combinadas e uma boa dose de criatividade são fundamentais para o correto atendimento destes pacientes (dependentes de drogas), além de um conhecimento teórico sólido”. As atividades lúdicas permitem que pensamentos, sentimentos, e comportamentos que geram problemas para a pessoa sejam modificados, gerando na pessoa um novo entendimento

Nas práxis das atividades lúdicas terapêuticas, ou das oficinas terapêuticas, como costumamos chamá-las, as abordagens variadas contribuem para o entendimento dos processos criativos e motivacionais dos participantes.






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