Oficinas de Conscientização à não-violência: discutindo gênero e sexualidades resumo


Como colocar em prática uma extensão não-verticalizada: A Metodologia



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Como colocar em prática uma extensão não-verticalizada: A Metodologia
A metodologia do projeto levou em conta ideais de educação popular (FREIRE, 1996), onde se ensina aprendendo e se aprende ensinando, articulando os valores da Economia Solidária, com os saberes que cada sujeito social porta em relação ao mundo. Sendo assim, compreende-se como elemento norteador dos seus processos de trabalho a dimensão transdisciplinar, essencial na educação popular, buscando romper com práticas individualizadas e disciplinares, incentivando ações acadêmico-sociais descentralizadas, com abertura institucional e sustentada por uma rede de saberes múltiplos que produzam efeitos subjetivos e também comunitários na região. Buscamos estabelecer vínculos horizontais, interdisciplinares, democráticos e auto-gestionários dentro do grupo, que deve ser caracterizado como grupo de sujeitos sociais, constituído a partir da democracia e debate igualitário de ideias e ações críticas, voltadas para a transformação social de consciências e de práticas.

Deve-se salientar ainda, que a proposta de trabalho da equipe transdisciplinar não está pautada em processos de raciocínio e ações binárias, individualizantes e segmentadoras, mas sim pelo que Paulo Freire (1999;1996) denomina de ações mobilizadoras de consciência crítica e de práxis emancipatória. A equipe de trabalho buscou trabalhar com conceitos fundamentais de grupo, como as proposições, formação de grupos de cultura e educação não-formal (FREIRE, 1999), visando principalmente promover ações educacionais. Estas objetivam despertar o desafio de uma educação para a autonomia.

Pensar extensão pressupõe considerar o diálogo com a comunidade. Trazendo para o início da discussão uma das vivências que explicita a práxis extensionista, a exemplo da inteligibilidade do conceito de extensão para a comunidade, quando na apresentação do desencadeamento de uma das ações, o uso da palavra extensão gerou estranhamento, com ares visíveis de que pouco compreenderam-no, questionaram: extensão elétrica? Naquele momento, foi ressaltada a importância de uma linguagem clara e acessível para as ações de conscientização à não violência de gênero e sexualidade realizadas pelo projeto de extensão, as ações foram todas pensadas de modo a possibilitarem o diálogo.

Encontramos respaldo nessa discussão a respeito do conceito de extensão, na obra Extensão ou Comunicação? do autor Paulo Freire, no que tange ao trabalho do extensionista em áreas agrícolas desenvolvido no Chile. Em um primeiro momento, realiza a análise da palavra extensão de um ponto de vista semântico e posteriormente contextual. Importantes reflexões sobre a ação do agente extensionista são realizadas, debatendo o caráter das ações embasadas em teorias antidialógicas resultam no que o autor denomina como “invasão cultural, persuasiva e manipuladora”. Entendendo a prática extensionista no campo da educação, a relação educador-educando deve servir a prática da liberdade (Freire, 1982) e não da persuasão para a aceitação. Dessa forma, aponta como alternativa ao conceito de extensão, propondo o uso do conceito de comunicação.

A partir do conceito supracitado foram estabelecidas as bases para a compreensão da prática da extensão como relações de comunicação entre sujeitos, bem como, as diretrizes para a elaboração das ações de conscientização à não violência de gênero e sexualidade realizadas. Os objetivos dos 2 cine-debates, 3 cursos de formação e das 4 oficinas visaram compartilhar valores éticos a respeito da igualdade de gênero e combate ao machismo e homofobia, desnaturalizando ações e falas discriminatórias e abusivas que acontecem nos ambientes de educação formal e não-formal, onde tivemos a possibilidade de atuar. Partimos sempre dos saberes que cada sujeito social porta em relação ao mundo, para então refletirmos juntos acerca de questões relativas à violência de gênero.

Metodologicamente embasados na compreensão de que a apropriação do conhecimento ocorre quando os sujeitos desenvolvem a capacidade de aplicar o apreendido teoricamente em sua realidade, transformando-se em agentes multiplicadores de transformação social. Como percebemos nas palavras de Paulo Freire (1982, p.27):



Só pode apreender aquele que tem interesse, e quem tem interesse não é objeto é sujeito, conhecer é tarefa de sujeitos e não de objetos. E é como sujeito e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer. Por isso mesmo é que, no processo de aprendizagem, só apreende verdadeiramente aquele se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-aprendido a situações existenciais concretas.
Desta forma, ao desenvolver as seguintes atividades pautamos a comunicação como metodologia, na convicção dos saberes próprios de cada um, e por meio destes, alcançando reflexões que tinham por objetivo a conscientização das desigualdades de gênero e suas consequências. Os métodos, justificativas e objetivos, bem como, estratégias e recursos empregados nas oficinas de conscientização, que pautaram a violência de gênero e os preconceitos relacionados às sexualidades que fogem da lógica patriarcal, também tiveram como referência o material Volta às Aulas Sem Machismo produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Este material faz “uma revisão da inclusão de temas vinculados às relações de gênero e a violência contra as mulheres e meninas no âmbito escolar” (ONU, 2016, p.12) apresentando os marcos legais e políticos que apontaram para a inclusão desses temas no espaço escolar.

A segunda parte deste material permite pensar metodologias para as oficinas, pois apresenta uma proposta de currículo educativo direcionado à produção da equidade de gênero divido pelas 4 áreas do conhecimento. Uma das áreas afins é a das ciências humanas e suas tecnologias que possui como temas estruturantes: relações sociais, cultura, identidade e cidadania, poder, trabalho e ética. Esta área do conhecimento propõe repensar e transformar as ideias pré-concebidas sobre o que é “ser homem” e o que é “ser mulher”. Além disso, o Currículo de Gênero para conscientização de meninos e meninas sobre o direito das mulheres de viver uma vida livre de violência, propõe seis planos de aula, partindo do princípio que para trabalhar a promoção da igualdade e da equidade de gênero no contexto escolar é necessário “questionar as assimetrias de poder”.

Com o objetivo de auxiliar nas dinâmicas de grupo utilizou-se também como referencial teórico e metodológico na elaboração das dinâmicas de grupos, e nas oficinas, o livro Tecendo a cidadania: oficinas pedagógicas de direitos humanos. Essa obra, apresenta 7 oficinas, embasadas na proposta metodológica da Educação em Direitos Humanos. Devido os organizadores entenderem que cabe a escola, “exercer um papel de humanização a partir da socialização e da construção de conhecimentos e de valores necessários à conquista do exercício pleno da cidadania” (CANDAU; SACAVINO, 2000). Como compartilhamos desta convicção, as oficinas pedagógicas propostas no livro nos instrumentalizaram na construção das nossas dinâmicas dirigidas aos jovens.



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