Obra: psicologia das relaçÕes interpessoais 1º volume



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Obra: PSICOLOGIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS – 1º VOLUME

Autor: M. ODETE FACHADA

NOTA PRÉVIA DA DIGITALIZAÇÃO:

A presente digitalização da obra destina-se exclusivamente a permitir o acesso de deficientes visuais ao respectivo texto. Por força da lei de direitos de autor, não pode ser distribuída para outros fins, no todo ou em parte, ainda que gratuitamente.

M. Odete Fachada

PSICOLOGIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

1º Volume

2ª edição

Rumo

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©Edições Rumo Lda.

Rua Luís Cristino da Silva, 1 - cave

Lote 222 - Chelas - 1900 Lisboa

Telef./Fax: 8595963

Título: Psicologia das Relações Interpessoais - 1º volume

Autora: M. Odete Fachada

Ilustrações e arranjo gráfico

Capa - Paulo Fino

Miolo - Janela Gráfica Lda.

Composição, montagem e fotolito:

Grafirumo, Lda. Camarate

Impressão e acabamentos: Grafirumo, Lda. Camarate

Tiragem: 2000 exemplares

2ª edição - Janeiro de 1998

Depósito legal: nº 5071 1 191

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NOTA INTRODUTÓRIA

Este livro foi escrito para corresponder às necessidades, interesses e expectativas de todos os que pretendem reforçar a sua competência pessoal e interactiva. É um livro que facilita e ajuda a auto-formação e o auto-desenvolvimento.

Através da sua leitura é possível compreender a importância do indivíduo na interacção e quanto o seu êxito ou o seu fracasso depende do modo de comunicar e de agir, nessa relação.

A comunicação desempenha um papel privilegiado na interacção; ela constitui uma habilidade que pode melhorar progressivamente, desde que haja disponibilidade e abertura para que cada um se dê ao outro de forma verdadeira e autêntica, visando o enriquecimento do indivíduo, do grupo e da sociedade.

Os outros "não são o inferno", tal como afirmara Sartre, eles são, sim, a razão de ser de cada indivíduo que com eles está em permanente interacção. É através deles que o homem se realiza e satisfaz as suas necessidades de afecto, de estima e de auto-realização. É através dos outros que medimos o nosso desempenho e desejamos atingir metas cada vez mais elevadas; é através dos outros que medimos o risco da nossa existência e aprendemos a admitir e a aceitar diferentes pontos de vista e diferentes modos de ser.

Porém, se os outros são importantes para nós, o inverso também é verdadeiro. É da tomada de consciência do valor da nossa comunicação e da nossa interacção com os outros, que deve nascer o desejo e a necessidade de reflectir sobre a problemática das relações interpessoais e contribuir para que elas se tornem cada vez mais dinâmicas e enriquecedoras.

O indivíduo é o resultado do encontro e das interacções que estabelece ao longo do seu desenvolvimento. Gerir essa relação, de forma harmoniosa e produtiva, é um desafio permanente.

Este livro permite algumas reflexões e actividades, capazes de favorecer os mecanismos de desenvolvimento pessoal e interactivos.

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Como utilizar este livro



Este livro é composto por 7 módulos, estando definidos, em relação a cada um deles, a sua finalidade e os objectivos específicos.

Deste modo, o leitor conhecerá, desde o início e à medida que avançar na leitura e no estudo destes módulos, o que se pretende atingir, em termos de saber e de reflexão pessoal.

Antes de iniciar o estudo de cada um dos módulos, leia os objectivos específicos.

Se pensa que os domina, realize o pré-teste e compare as suas respostas com as que se encontram no final de cada módulo.

Se acha que não domina os objectivos ou não teve êxito no pré-teste, inicie, então, o estudo do módulo.

Nalguns momentos desse percurso, poder-se-á confrontar com pequenas tarefas, actividades e questionários que têm como finalidade testar a aprendizagem realizada, em relação aos objectivos propostos. Realize-os para controlar progressivamente a sua aprendizagem.

Serão feitas, nalguns dos módulos, propostas de trabalho, nomeadamente o visionamento de alguns filmes que muito contribuirão para reforçar a aprendizagem e alargar a reflexão relativamente à problemática sobre que incidem.

No final de alguns módulos poderá encontrar, também, um conjunto de exercícios que o ajudam a explicitar e a reforçar os conhecimentos e a exercitar, quer os mecanismos individuais de auto-reflexão quer os mecanismos da dinâmica e da relação interpessoal.

Centre a leitura desta obra em si e nas diferentes relações que estabelece com os outros.

Não se limite a ler. Relacione o conteúdo dos diferentes módulos com os seus conhecimentos, a sua experiência e a prática interactiva que desenvolve no seu dia a dia.

As ideias desta obra deverão ser analisadas, relacionadas com a sua situação actual e enriquecidas com a sua experiência.

Questione permanentemente "De que modo esta ideia, conhecimento ou actividade me pode ajudar a melhorar o meu estado pessoal ou as minhas interacções?"

Faça uma leitura criativa deste livro.

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SUMÁRIO GERAL

1º VOLUME

Pág.

MÓDULO 1 - A importância da comunicação nas relações interpessoais ... 7



MÓDULO 2 - O processo de desenvolvimento interpessoal: a formação do EU e o conhecimento do outro ... 87

MÓDULO 3 - O conflito e as principais orientações no relacionamento interpessoal ... 179

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MÓDULO 1


A importância da comunicação nas relações interpessoais

(fig.)


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Paul Klee "Tem cabeça, mãos, pés e coração" 1930

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Sumário



Finalidades do módulo ... 11

Pré-teste ... 11

Objectivo 1 - Identificar a importância do estudo da comunicação ... 12

Objectivo 2 - Reconhecer a inevitabilidade e a universalidade da comunicação ... 13

Objectivo 3 - Caracterizar a comunicação como um processo contínuo ... 15

Objectivo 4 - Interpretar a comunicação como partilha de significações entre os indivíduos ... 17

Objectivo 5 - Explicar o papel determinante da comunicação no sistema social ... 19

Questionário 1 ... 21

Respostas ao questionário 1 ... 22

Objectivo 6 - Identificar os elementos da comunicação . 23

Objectivo 7 - Definir linguagem verbal e não verbal ... 25

Objectivo 8 - Avaliar a importância da comunicação não verbal ... 26

Objectivo 9 - Explicar a importância do silêncio no processo de comunicação ... 29

Objectivo 10 - Avaliar a importância dos gestos na interacção social ... 31

Objectivo 11 - Avaliar a importância das expressões faciais e dos movimentos corporais na interacção ... 32

Objectivo 12 - Avaliar a importância da roupa e dos adornos no processo de comunicação e interacção ... 33

Objectivo 13 - Avaliar a importância do "toque" nas relações interpessoais ... 34

Objectivo 14 - Avaliar a importância do tempo nas relações interpessoais ... 35

Objectivo 15 - Avaliar a importância do espaço e da distância na comunicação interpessoal ... 37

Objectivo 16 - Avaliar a importância dos movimentos corporais na comunicação interpessoal ... 39

Objectivo 17 - Avaliar a importância da paralinguística na comunicação ... 40

Objectivo 18 - Enumerar os princípios da comunicação face a face ... 42

Objectivo 19 - Definir e identificar as barreiras à comunicação ... 44

Objectivo 20 - Identificar os meios através dos quais se processa a comunicação ... 48

Objectivo 21 - Identificar e caracterizar os factores que intervêm na fidelidade da comunicação ... 50

Objectivo 22 - Descrever as funções da comunicação ... 53

Objectivo 23 - Analisar a importância do comportamento na relação interpessoal ... 54

Objectivo 24 - Interpretar princípios gerais de comportamento ... 56

Objectivo 25 - Melhorar o processo de comunicação ... 60

Questionário 2 ... 61

Respostas ao questionário 2 ... 63

Tarefa 1 ... 64

Resposta à tarefa 1 ... 66

Proposta de trabalho ... 67

Questionário 3 ... 67

Respostas ao questionário 3 ... 69

Ficha videográfica ... 70

Actividades ... 71

Tarefa 2 ... 83

Correcção do pré-teste ... 84

Bibliografia ... 86

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Finalidades

No final deste módulo deverá ser capaz de:

- Conhecer todas as formas de comunicar e interagir;

- Conhecer os seus pontos fortes e os aspectos a melhorar na comunicação;

- Avaliar a importância da comunicação nas interacções pessoais;

- Caracterizar a importância do comportamento na relação interpessoal.

Pré-teste

Antes de realizar este pré-teste, leia os objectivos descritos. Se pensa que os domina, faça o pré-teste e compare as suas respostas com as que se apresentam no final do módulo. Se verificar que não domina os objectivos, passe à leitura do módulo.

1. O que é comunicar?

2. Refira alguns dos meios através dos quais podemos comunicar.

3. A sabedoria popular, ao longo da experiência vivida e acumulada dos povos, criou certas máximas ou "ditos", os DITADOS POPULARES, acerca da comunicação, como por exemplo, "o silêncio é de ouro". Refira outros ditados que conheça, e que que digam respeito à comunicação e à relação entre as pessoas.

4. Como explica que a comunicação seja fundamental para a sobrevivência do indivíduo?

5. Porque é que nós, "não podemos, não comunicar"?

6. A comunicação é um processo estático ou dinâmico? Justifique.

7. Dar significado às "coisas" é fundamental para que haja comunicação.

8. Quais são os elementos da comunicação?

Em resumo, podemos afirmar que a comunicação emerge, do passado cultural da sociedade.

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11

9. Quais são as diferentes formas de comunicação não verbal?



10. Refira a importância da linguagem não verbal para o processo de comunicação.

11. Defina barreiras à comunicação.

12. Dê exemplos de barreiras à comunicação.

13. Para que comunicamos nós?

14. O que entende por fidelidade da comunicação?

15. Refira alguns aspectos que contribuem para aumentar a fidelidade da comunicação do emissor.

16. Porque é que a maneira como nos comportamos perante os outros é fundamental para a relação interpessoal?

(fig.)


"Comunicar implica uma relação e uma consciência dessa mesma relação."

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Objectivo 1

Identificar a importância do estudo da comunicação

O modo como nos relacionamos com os outros, a maior ou menor eficácia no relacionamento, depende do nosso poder e da nossa habilidade na comunicação.

Grande parte do tempo da maioria das pessoas (75% do tempo, em média) é passado a relacionar-se com outras pessoas.

A palavra comunicar provém do latim comunicare que significa "pôr em comum", "entrar em relação com".

Comunicar é, pois, trocar ideias, sentimentos e experiências entre pessoas que conhecem o significado daquilo que se diz e do que se faz.

Comunicar é diferente de informar. Informar é um processo unilateral.

Comunicar é um processo interactivo e pluridireccional.

(fig.)


A comunicação faz-se em múltiplas situações e é fundamental para o desenvolvimento individual e social

"60% dos problemas interactivos são consequência de uma má comunicação" Peter Drucker

"As palavras são como as folhas. Quando abundam, existe pouco fruto entre elas" Alexander Poper

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Objectivo 2

Reconhecer a inevitabilidade e a universalidade da comunicação

Comunicar é essencial para o ser humano porque se trata de um processo que faz do homem aquilo que ele é e permite que se estabeleça a relação interpessoal.

A comunicação é tão importante para o ser humano como a água o é para o peixe.

O homem utiliza um complexo sistema de símbolos para se relacionar com os outros:

- sinais verbais

- sinais escritos

- sinais não verbais

Através deste sistema de sinais, exprimimos o que queremos às outras pessoas e estabelecemos um sistema de relações.

Todos os seres humanos comunicam através de sinais. Estes correspondem às necessidades específicas de cada grupo social e cultural. Por isso, a comunicação difere entre os povos e entre os grupos sociais.

Qualquer que seja a linguagem ou o processo de comunicação utilizado pelos povos, estes correspondem às suas necessidades, está adaptado para responder às exigências específicas da sua vivência ou cultura, sendo, por isso, eficaz no seu contexto.

Todos os comportamentos vividos e assumidos são adquiridos e comunicados de modo a que cada indivíduo os adopte e os torne seus. O modo de vestir, os cuidados pessoais, o que se faz e como se faz, é o resultado de um processo de interacção, através do qual comunicamos com os outros.

Através do modo como nos vestimos e agimos, estamos a dizer algo aos outros, estamos a revelarmo-nos no processo de interacção, a mostrarmos o que somos ou o que queremos parecer.

O vestuário que trazemos faz parte integrante da nossa comunicação com os outros, revelando muito de nós mesmos, nomeadamente os nossos gostos, as nossas possibilidades financeiras e os grupos com os quais nós queremos ser identificados.

Os nossos adornos, assim como a maneira como nos penteamos, traduzem muito do que somos e desencadeiam reacções por parte dos outros, com os quais comunicamos.

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Quando nos encontramos com uma pessoa, podemos escolher o comportamento a ter com ela: podemos falar-lhe ou não. Se optamos por lhe falar, seleccionamos o tom de voz e a mensagem a transmitir. Podemos dizer:



- Bom dia, como está? - com um grande sorriso.

Ou simplesmente dizer:

- Bom dia - sem lhe dirigir qualquer sorriso.

Seja qual for o modo como nos dirigimos ao outro, veiculamos sempre, através do que dizemos e do modo como dizemos, uma mensagem.

Quando nos deslocamos pela rua, não damos, regra geral, encontrões às pessoas, mas utilizamos um sistema de comunicação radar que nos permite desviar das pessoas o suficiente para não colidirmos com elas.

Tal como diz Julius Fast (1970), a nossa comunicação pode ser silenciosa e de tal modo automática que podemos não estar conscientes de que estamos a comunicar.

De facto, quando andamos pela rua, o modo como nos deslocamos, mais depressa ou mais devagar, e os locais onde paramos para observar, constitui um acto de natureza comunicativa.

Nós estamos a transmitir constantemente todo o tipo de mensagens àqueles que nos observam.

Por isso, NÃO PODEMOS NÃO COMUNICAR.

Quando circulamos pela rua reagimos a uma série de sinais que nos pretendem transmitir uma série de mensagens, desde os sinais de trânsito até à publicidade exposta. Verificamos, pois, que a comunicação é um fenómeno que está constantemente presente em toda a parte.

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Objectivo 3



Caracterizar a comunicação como um processo contínuo

O modo como comunicamos tem raízes no passado. Aprendemos a comunicar de determinada maneira e a pensar de acordo com os hábitos das pessoas com quem convivemos.

Quando nasce, o ser humano apresenta potencialmente uma grande capacidade de meios de comunicação, mas o modo de comunicar e as linguagens específicas utilizadas, são-lhe transmitidas pelas pessoas que o rodeiam.

Sendo o modo como se comunica resultante de um processo de aprendizagem, cada ser humano integra-o na sua própria individualidade e desenvolvimento, em função das suas características pessoais, necessidades e desejos.

O que pensamos, dizemos e o modo como dizemos resulta da nossa experiência do passado. Falamos de forma simpática de uma determinada pessoa de acordo com a experiência de comunicação que com ela desenvolvemos.

Todas as nossas comunicações traduzem de algum modo um passado de atitudes, de valores, de princípios e de diversas experiências que constituem a marca do nosso comportamento presente.

No processo de comunicação é fundamental observar a reacção daqueles a quem nos dirigimos. É através da retroacção (feed-back) que orientamos as nossas comunicações futuras, não só o que dizemos ou o que queremos exprimir mas também o modo como o fazemos.

Podemos verificar, comparativamente, se os efeitos reais que a comunicação exerce sobre os outros correspondem ou não àquilo que esperávamos.

Deste modo, o feed-back permite-nos decidir quais os processos de comunicação que, posteriormente, deveremos utilizar e adoptar, para obter o efeito esperado.

Por isso, o fenómeno da retroacção ou confirmação da mensagem é essencial para o nosso contacto com os outros. A continuidade ou não da comunicação, depende da maneira como ela influenciou e foi recebida pelos outros.

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sociedade onde estamos inseridos e que, por aprendizagem, passou a fazer parte da nossa vida e tende a ser adaptada e ajustada às múltiplas situações com que somos confrontados.



(fig.)

A mãe transmitiu ao filho valores e princípios, associados à sua vivência passada, que irão influenciar a comunicação e estabelecer com a pessoa com quem estão relacionados esses valores ou princípios.

quadro:

CULTURA - conjunto de valores, tradições, saberes, maneiras de agir, etc. que caracterizam determinada sociedade



SOCIEDADE - é comunicada ao/ é aprendida pelo

INDIVÍDUO que integra os elementos aprendidos - Conteúdos e Processos de Comunicação - da sua própria experiência e da experiência dos outros - tornando-o apto para comunicar.

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Objectivo 4



Interpretar a comunicação como uma partilha de significações entre os indivíduos.

Somos diária e constantemente confrontados com uma multiplicidade de estímulos provenientes do meio onde estamos inseridos. Porém, apesar disso, aprendemos a organizar esses estímulos de modo a tornar compreensível o seu significado.

Através da nossa experiência, seleccionamos determinados estímulos e damos-lhes sentido.

Este processo pode ser comparado ao que se passa dentro de um supermercado quando a ele nos deslocamos para fazer as compras.

Quando entramos e pretendemos comprar determinados produtos, utilizamos as indicações que nos orientam na sua procura, mas utilizamos também um sistema de classificação mais ou menos comum à sociedade, que memorizámos e que tende a ser reforçado pelos cartazes expostos.

Sabemos que o pêssego em conserva não se encontra no mesmo local do pêssego natural, apesar de se tratar de fruta.

Sabemos que o leite não se encontra no mesmo local dos sumos, apesar de serem ambos considerados bebidas.

Quando comunicamos com o meio que nos rodeia, procuramos dar significado aos estímulos e aos sinais que dele provêm e que nos afectam. E porque é impossível responder a todos os estímulos, seleccionamos apenas alguns, organizamo-los e classificamo-los de acordo com determinadas regras e características.

Sempre que somos afectados por um estímulo, tendemos a ligá-lo a outros estímulos semelhantes e, consequentemente, a dar-lhes uma significação parecida.

Deste modo se explica o evoluir e o enriquecimento da nossa experiência e o acrescer do nosso universo de relações e de significações.

É exactamente porque damos significados às coisas, que podemos comunicar e organizar, de forma selectiva e descriminada, os múltiplos sinais e orientar-nos no meio, de modo a satisfazermos as nossas necessidades.

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Podemos, pois, afirmar que comunicar é transformar os elementos brutos que nos afectam, em informações significativas, reduzindo o grau de incerteza e de ansiedade que o desconhecido provoca no ser humano.

Nem todas as pessoas seleccionam os mesmos estímulos, os organizam do mesmo modo e lhes dão o mesmo significado.

Dificilmente se encontram duas pessoas com as mesmas vivências do passado e com as mesmas experiências. Por isso, o universo de significações também é variável.

Comunicar é procurar no interior de cada um, as significações para esses estímulos ou acontecimentos.

Se um rapaz é simpático para com determinada rapariga, a convida para sair e a acompanha com frequência porque gosta muito dela, espera que o significado que ela dê aos seus comportamentos corresponda exactamente aos sentimentos que ele nutre por ela.

Se um profissional, ao atender o público, é monocórdico na expressão verbal, não olha para o interlocutor quando lhe fala e não atende às suas necessidades, tal comportamento pode significar, que não está interessado no seu atendimento e consequentemente que é um mau profissional.

Por isso, é fundamental que, no processo de comunicação, tenhamos presente, não só o significado que atribuímos às coisas, aos nossos gestos, palavras e expressões, mas que atendamos também às possíveis significações que as outras pessoas, com quem comunicamos, lhes possam dar.

(fig.)

A expressão facial e a postura corporal transmitem uma série de significações fundamentais para o processo de comunicação e para a relação interpessoal.



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Objectivo 5



Explicar o papel determinante da comunicação no sistema social

A comunicação é fundamental em qualquer sociedade; todos os povos comunicam, apesar das diferenças existentes nos meios e processos de comunicação.

A comunicação é fundamental em qualquer sociedade porque:

1. Permite a produção e a reprodução dos sistemas sociais.

Cada pessoa assume o seu papel ou papéis no seio da sociedade. A partir deles nascem diferentes desempenhos, criando um sistema de interdependências sociais. Cada pessoa ocupa um determinado lugar na sociedade (papel) e o seu desempenho é aprendido, através do processo de comunicação. Cada pessoa aprende a agir de forma similar àqueles que desempenham papéis semelhantes e é através da comunicação que se realiza essa aprendizagem.

Pessoas com papéis semelhantes têm comportamentos semelhantes e partilham objectivos comuns, o que só se torna possível através da comunicação.

A comunicação torna possível desempenhos semelhantes, especifica papéis, estabelece normas, permite o desenvolvimento social e a interacção entre os membros da sociedade.

2. É o sistema social que determina o modo como comunicam os seus membros.

O sistema social estabelece canais de comunicação adequados aos diferentes tipos de interacção e determina com quem devemos comunicar com mais frequência.

A posição social de um indivíduo aumenta a probabilidade de se comunicar com mais frequência com pessoas que têm mesma posição. O sistema social determina, em parte, as pessoas com quem mais comunicamos e também o tipo de mensagens comunicadas.

Normalmente, o conteúdo da comunicação tem directamente a ver com os papéis que desempenhamos.

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Há pessoas cujos papéis desempenhados privilegiam a comunicação e a relação interpessoal, porque estão em permanente contacto com os outros, como é o caso dos vendedores, recepcionistas, etc.

Outras pessoas, porém, desempenham papéis inibidores e limitadores da comunicação, restringindo o número de pessoas com quem normalmente se comunicam, como é o caso dos polícias, juizes, etc.

As pessoas que pertencem a grupos sociais diferentes, têm formas próprias de comunicar e interpretam de forma diferente o conteúdo das mensagens.

Existem palavras e expressões cuja descodificação assume significados completamente diferentes, de acordo com o grupo social onde são transmitidas ou codificadas. Isto explica-se porque as pessoas que comunicam entre si, durante muito tempo, tendem a comportar-se de forma semelhante e atribuem o mesmo significado às coisas e às palavras.

Por isso, é possível afirmar que "a comunicação influencia o sistema social e o sistema social influencia a comunicação" (Berlo, 1989).

3. O conhecimento de um sistema social permite fazer previsões acerca das pessoas, dos seus comportamentos e do modo como comunicam.

Se, tal como já se afirmou, a um determinado papel correspondem padrões de comportamentos e formas de comunicação específicas, então podemos prever, em relação às pessoas que desempenham esse papel, o seu comportamento e o modo de comunicar.

Esta previsibilidade torna possível ajustar o nosso comportamento e adoptar determinado modelo de comunicação, o que facilita a interacção. A experiência directa e a experiência que os outros nos comunicam, facilita a aprendizagem dos comportamentos que são próprios de determinado papel ou posição social.

Mesmo que nunca tenhamos visto ou comunicado com determinada pessoa, desde que saibamos qual a sua posição no sistema social, podemos prever, com alguma segurança, quais os seus conhecimentos e as suas habilidades de comunicação.

Por outro lado, se conhecermos igualmente, as normas e as regras de funcionamento de determinado grupo ou organização, podemos prever como se comportam e comunicam as pessoas que neles estão inseridos.

Se sabemos que determinada pessoa pertence ao grupo ecologista, que outra é freira, que outro é médico, que outro é escuteiro, etc., podemos fazer previsões acerca das suas atitudes, conhecimentos, etc., mesmo que nunca tivéssemos contactado directamente com essa pessoa.

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21

Questionário 1



Assinale o carácter verdadeiro (V) ou falso (F) das seguintes afirmações (1 a 9):

1. Não é possível comunicar sem que se conheça o significado daquilo que se comunica

2. A relação interpessoal é possível, sem comunicação.

3. Só comunicamos através da linguagem falada.

4. Temos sempre consciência de que estamos a comunicar.

5. O modo como os outros reagem e respondem à nossa comunicação vai orientar a nossa comunicação futura.

6. Todos os estímulos têm valores para nós, independentemente de lhes atribuirmos ou não um significado.

7. Só podemos comunicar aquilo a que atribuímos significado.

8. É importante para a relação interpessoal estarmos atentos ao significado que os outros atribuem à nossa comunicação.

9. A comunicação é independente do sistema social onde ela se processa.

10. O feed-back é fundamental no processo de comunicação. Justifique.

11. A comunicação permite a produção e reprodução do sistema social. Justifique.

12. Em que medida o sistema social determina o modo como comunicam os seus membros?

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Respostas ao questionário 1

1. V

2. F


3. F

4. F


5. V

6. F


7. V

8. V


9. F

10. Porque o feed-back controla e orienta a nossa comunicação e comportamentos futuros. Através do feed-back podemos verificar as consequências que a nossa comunicação exerceu sobre os outros e ajustá-la, futuramente.

11. Porque é através da comunicação que aprendemos a cultura (os valores, as regras, o saber, o modo de vida, etc.) da sociedade onde vivemos. As pessoas com que convivemos desde tenra idade comunicam-nos os princípios pelos quais se deve reger e orientar o nosso comportamento ensinando-nos também a comunicar. Através da comunicação aprendemos a identificar determinados papéis sociais e aprendemos, nós próprios, a desempenhar o nosso papel.

12. o sistema social é composto por vários grupos sociais com papéis diferenciados. Assim:

Pessoas com papéis semelhantes tendem a comunicar mais entre si.

Conhecido o papel ou a posição social de determinada pessoa, podemos prever qual o seu comportamento e estilo de comunicação e, consequentemente, orientar a nossa comunicação de modo a facilitar a interacção.

Conhecendo a posição social de determinado indivíduo podemos prever o significado que ele atribui ao conteúdo e forma de comunicação.

O conhecimento de determinado papel permite esperar da pessoa que o desempenha, comportamentos e formas de comunicação específicas.

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23

Objectivo 6



Identificar os elementos da comunicação

Para que se estabeleça a comunicação é necessário a existência dos seguintes elementos:

O EMISSOR - o que emite ou transmite a mensagem; é o ponto de partida de qualquer mensagem.

Há que fazer uma pequena distinção entre emissor e fonte da comunicação. A fonte é a origem da comunicação, o que possui as ideias, intenções e necessidade de comunicar. Porém, pode não ser a fonte a emitir a mensagem.

O locutor da televisão que lê as notícias é o emissor das mensagens, mas isso não significa que seja ele a fonte, que tenha sido ele a escrevê-las.

O emissor deve ser capaz de perceber quando e como pode entrar em comunicação com o outro; deve ser capaz de transmitir uma mensagem que seja inteligível para o receptor.

O RECEPTOR - é aquele a quem se dirige a mensagem. Deve estar sintonizado com o emissor para entender a mensagem. Ele será tanto mais receptivo quanto maior for a sua abertura ao outro. Não só é importante que ele compreenda a mensagem mas também que a capte, e a aceite.

A MENSAGEM - é o conteúdo da comunicação. É o conjunto de sinais com significado. A selecção e o arranjo desses sinais segundo determinadas regras chama-se codificação.

O emissor codifica a mensagem e o receptor interpreta a mensagem, dá-lhe significado, descodificando-a.

O CANAL - é todo o suporte que serve de veículo a uma mensagem. O canal mais vulgar é o ar.

Existem outros canais, tais como: a carta, o livro, o telefone, a rádio, a TV, etc.

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MUNDO SUBJECTIVO PUBLICAÇÃO DA ACTIVIDADE MENTAL

| |

REPRESENTAÇÃO MENTAL OBJECTIVAÇÃO DA REP. MENTAL



| |

EMISSOR-----------------MENSAGEM-----------------------CANAL

| | | |

| | CÓDIGO |



| | | |

| | Conjunto de sinais com significado |

| Feed-back |

| | |


| DESCODIFICA--------------------------------------RECEPTOR

| |


| MUNDO SUBJECTIVO

| |


| REPRESENTAÇÃO MENTAL

|

O receptor ao elaborar a mensagem deve verificar se:



- o código é comum ao receptor.

- o que transmite é claro e compreensível.

- o receptor possui as capacidades necessárias para a descodificação.

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25

Objectivo 7

Definir linguagem verbal e linguagem não verbal

A linguagem verbal

Quando emitimos uma mensagem podemos utilizar vários códigos. De entre estes existem as palavras. Quando a comunicação é utilizada por meio das palavras, estamos a utilizar a linguagem verbal.

A linguagem verbal pode ser escrita ou oral.

Linguagem verbal escrita:

- livros


- cartazes

- jornais

- cartas

- telegramas

- etc.

Linguagem verbal oral:



- diálogo entre duas pessoas

- rádio


- televisão

- telefone

- etc.

Na nossa sociedade, a linguagem verbal oral a mais frequentemente utilizada e a mais privilegiada.



Linguagem não verbal

Frequentemente recebemos e emitimos mensagens sem ser através da linguagem verbal, mas sim através de:

- gestos

- postura

- expressões faciais

- silêncios

- tom de voz

- pronúncia

- roupas e adornos

- etc.


---

26

Objectivo 8



Avaliar a importância da comunicação não verbal

Nós comunicamos, utilizando a linguagem não verbal, através dos nossos gestos, das nossas posturas, das expressões faciais, do tom de voz, do silêncio, etc. Comunicamos, igualmente, através da roupa que vestimos e dos objectos que estão à nossa volta.

É através da comunicação não verbal que transmitimos muitas das nossas emoções e dos nossos sentimentos.

Muitas vezes, a linguagem não verbal, que acompanha a linguagem verbal, oferece um significado mais profundo e verdadeiro que esta última.

Os elementos não verbais ajudam o sujeito a verificar e a certificar-se das intenções da pessoa que fala, reforçando a mensagem verbal.

Nós só conhecemos o que se passa na mente de outra pessoa e o que ela sente, através do sistema de sinais e de símbolos que ela utiliza. A linguagem não verbal permite esse conhecimento, facilitando (ou não) o processo de comunicação interpessoal.

Podemos impedir a nossa comunicação, simplesmente, não utilizando a linguagem verbal. Porém, não podemos impedir a comunicação não verbal.

Não nos podemos impedir de comunicar algo através das nossas expressões faciais e dos nossos movimentos.

Quando duas pessoas se encontram, mesmo que não falem, não podem deixar de comunicar, porque todo o seu comportamento tem uma dimensão comunicativa.

Esta comunicação pode não ser consciente nem mesmo intencional, mas conhecer o seu valor e a sua importância para nós e para os outros, é essencial para evitar as rupturas ou os bloqueios da comunicação.

A comunicação não verbal informa-nos sobre o conteúdo da comunicação verbal; ajuda-nos a interpretar as mensagens verbais.

O timbre e o volume da voz afectam a linguagem falada e permite atribuir-lhe significações diferentes.

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27

Uma simples palavra, como "sim", pode, consoante o modo como é pronunciada, exprimir frustração, cólera, desinteresse, resignação, etc.



Analisemos a seguinte frase: "Sim, eu faço isso".

Consoante o modo e o tom em que é pronunciada e também os gestos que a acompanham, pode significar:

- uma grande alegria e contentamento pelo facto de o fazer;

- que o faz, pelo facto de ser obrigada(o),

- que pode ficar descansada(o) porque o trabalho vai ser feito;

- que o vai fazer, mas que será última vez que o faz;

- que prefere ser ele(a) a faze-lo do que o outro.

Se alguém diz a outra pessoa "isso não me afecta muito" e ao mesmo tempo os seus olhos se apresentam tristes e quase a chorar, podemos inferir que a sua mensagem verbal não corresponde ao que, de facto, sente.

Normalmente, temos tendência para confiar mais nas pessoas cujas mensagens não verbais se adequam e reforçam as suas mensagens verbais. O contrário provoca, em nós, desconfiança.

Gostamos mais de pessoas que falam de acordo com o que sentem e que agem de acordo com o que dizem.

Muitos autores chamam à comunicação não verbal "comunicação encoberta", que consideram ser, muitas vezes, a única fonte acessível de informação, para o receptor.

(fig.)


Os conteúdos da comunicação (a mensagem) devem estar associados a determinadas expressões faciais que a reforçam. Quando estas revelam sentimentos opostos à mensagem, gera-se um clima de desconfiança e de falsidade significativa.

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Considera-se que este tipo de comunicação se apresenta sob três formas: Comunicação Proxémica, Comunicação Cinésica e Comunicação Paralinguística, tal como sugere o texto abaixo transcrito:

"Comunicação Proxémica. O modo como as pessoas se colocam espacialmente em relação às outras pode servir como função comunicativa. A comunicação proxémica refere-se a essa transmissão de informação através do arranjo espacial. Por exemplo: podemos comunicar uma coisa ao vendedor, se nos colocarmos afastados dos umbrais da porta, depois que esta foi aberta, e uma coisa muito diferente se bloquearmos fisicamente a entrada com o nosso corpo.

Scheflen (1968) examinou a comunicação proxémica no contexto do namoro. A pessoa que se senta bem perto, comunica algo diferente da pessoa que se senta afastada. No caso de um casal que se senta chegado, a aproximação de um segundo homem pode levar o primeiro a mudar de posição, de modo a apresentar como que uma muralha humana entre a mulher e o seu virtual competidor. Por exemplo: ele poderá cruzar as pernas, de tal maneira que uma canela forme um obstáculo entre o intruso e a mulher. Na verdade, à mulher ele está a dizer 'Estou interessado em si' - e ao homem: 'Saia daqui'. Embora o seu posicionamento comunique atracção e ciúme, talvez nenhum dos três esteja decididamente consciente, da sua mensagem.

Comunicação Cinésica. A transmissão de informação através de movimentos do corpo e dos membros tem o nome de comunicação cinésica. Inclui actividades tais como acenar, fazer gestos ameaçadores com o punho, dar saltos para expressar excitação ou júbilo, fazer caretas e gestos obscenos. Sheflen sugere que o interesse sexual pode ser cinesicamente expresso por mudanças nos movimentos repetitivos ou ritualistas do corpo. Por exemplo: quando alguém está sexualmente 'interessado', o seu tronco fica mais erecto, o ventre é retraído, o andar é empertigado e os músculos das pernas retesam-se (condição vista nas fotos em trajes reduzidos e associada ao modelo profissional de atleta). Os músculos flácidos do rosto são retesados e a fisionomia pode ficar ruborizada ou mais pálida. Os movimentos ritualistas assumem a forma de retoques: as mulheres verificam as roupas, a maquilhagem e o penteado; os homens podem dar brilho à biqueira dos sapatos nas pernas das calças, alisar os cabelos e ajustar o nó da gravata.

Comunicação Paralinguística. À transmissão de informação através da maneira de falar dá-se o nome de comunicação Paralinguística. Ela envolve o tom de voz e a cadência da fala. Por vezes, as pessoas falam em tons agradáveis e cheios, as suas vozes emanam força e confiança. Outras vezes, podemos notar que a voz das pessoas treme e esganiça-se. Elas gaguejam, pigarreiam ou, possivelmente, perdem até a coerência. Essa fala defeituosa pode sugerir tensão ou falta de confiança. Por outro lado, como Abrahamson (1966) notou, uma apresentação 'polida' não indica, necessariamente, confiança e convicção. Em condições penosas, uma fala extremamente polida pode significar apenas um ensaio prévio."

HARRISON, A., A Psicologia como Ciência Social, Cultrix, S. Paulo, 1972, pp. 422-423

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Objectivo 9

Explicar a importância do silêncio no processo de comunicação

Os silêncios são elementos fundamentais do processo de comunicação e da relação interpessoal.

Existem vários tipos de silêncios, cada um com o seu significado.

Considere as seguintes situações:

1. Dois amigos dirigem-se para o cinema. Vão no carro e falam do tempo que faz. Passados alguns minutos, nenhum deles parece ter mais que dizer, e faz-se silêncio - um silêncio longo, pesado e embaraçoso. A nenhum ocorre o que dizer. De certo modo, desesperado, o dono do carro liga o rádio.

2. Imagine alguém que está presente num jantar de uma recepção, a quem é apresentada uma figura importante. Depois de uma ligeira troca de palavras, ficam sem tema de conversa, nenhum sabe mais o que há-de dizer. Então, um deles, olha para o tecto, compõe o cabelo, mexe na carteira, etc. De facto, tudo faz para ter o ar de quem está ocupado.

3. Um casal de namorados conversa, passeando pelo jardim. Param, sentam-se no banco e olham prolongadamente um para o outro em silêncio. Trata-se de um silêncio cheio de amor e de cumplicidade.

Estes exemplos mostram que os silêncios:

- fazem parte integrante da comunicação;

- são bastante frequentes nas relações interpessoais;

- muitas vezes são embaraçosos;

- criam um vazio nas relações interpessoais, afectando-as;

- podem ser um momento de profunda troca de emoções e sentimentos;

- são fundamentais, porque para escutar o outro, é preciso estar em silêncio.

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Cada ser humano tem que aprender a dar significado ao silêncio dos outros.



Se o pai não fala ao filho porque está deveras preocupado com um assunto que tem que resolver na empresa, o filho, ao observar o seu silêncio, poderá pensar que o pai está ofendido com ele e que, por isso, o ignora propositadamente.

Se o filho se convence de que é isso exactamente que ele está pensar, fica, ele também, zangado com o pai, porque tem consciência que nada fez.

O pai, por sua vez, vendo-o assim, em silêncio, pensa que o filho está zangado com ele, iniciando-se, deste modo, a ruptura da sua comunicação.

Ser sensível aos silêncios e aprender a interpretá-los é uma exigência da comunicação.

(fig.)

O silêncio e a expressão facial são veículos de informação das emoções e sentimentos.



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Objectivo 10



Avaliar a importância dos gestos na interacção

Os gestos foram, talvez, o primeiro meio de comunicação entre os humanos, antes propriamente da linguagem falada.

Os gestos acompanham a linguagem falada e reforçam a mensagem verbal.

Nós fazemos determinados gestos para dizermos sim ou não, para demonstrarmos aborrecimento, alegria, ternura, etc.

O significado dos gestos não é o mesmo em todas as culturas.

Em todas as culturas automobilísticas, o gesto de pedir boleia é o mesmo, mas o punho fechado, por exemplo, pode ter vários significados.

Utilizamos com muita frequência os gestos com as mãos, quer quando estamos perante o interlocutor quer quando estamos ao telefone, porque os gestos incentivam, a quem os executa, a própria linguagem.

Muitas culturas são conhecidas pelo facto de se expressarem com uma grande riqueza gestual.

Por outro lado, determinados gestos são muito característicos de algumas pessoas, de tal maneira, que a sua imitação passa pela imitação dos seus próprios gestos.

Os gestos são aprendidos e estão limitados pela sociedade e cultura onde estamos inseridos.

Nós aprendemos a utilizar um código gestual e a interpretá-lo.

Os gestos ajudam a interpretar o conteúdo das comunicações, permitem definir os papéis e os desempenhos sociais.

(fig.)

Os gestos



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Objectivo 11



Avaliar a importância das expressões faciais na interacção pessoal

Quando comunicamos, o nosso corpo também fala. As nossas expressões faciais comunicam os nossos sentimentos, emoções e reacções, intencionalmente ou não.

Se observarmos alguém com uma expressão tensa e crispada, imediatamente podemos inferir acerca do seu estado emocional.

Através da nossa expressão facial podemos mostrar respeito ou desrespeito para com os outros.

A maneira como olhamos e somos olhados comunica muitas coisas; através do olhar sentimos hostilidade, simpatia ou desafio.

É comum dizer-se que os olhos são o espelho da alma.

Através do olhar podemos manifestar: confiança, interesse, ternura, desconfiança, etc.

Quando comunicamos devemos sorrir. O sorriso melhora a imagem de quem comunica, torna-o mais atraente e melhora o relacionamento com os outros.

(fig.)

Através do contacto corporal e da expressão, transmite-se una série de mensagens e significações.



Olhar o nosso interlocutor por cima dos óculos(de ver ao perto) pode ser interpretado como sinal de desconfiança.

Franzir a sobrancelha enquanto o nosso interlocutor se manifesta, pode bloquear a sua comunicação.

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Objectivo 12



Avaliar a importância da roupa e dos adornos no processo de comunicação e interacção

Todos nós nos preocupamos, de certo modo, com a nossa aparência, com o modo como vestimos, como nos penteamos e nos adornamos.

A maneira como vestimos comunica algo aos outros, não só através das (cores alegres, garridas ou escuras), mas através dos tecidos e do corte utilizado.

Os uniformes, por exemplo, têm na sociedade um enorme valor comunicativo. Através deles sabemos qual o papel desempenhado pelo sujeito.

Por outro lado, os adornos que utilizamos ou os objectos que temos dentro de nossa casa, falam por nós e comunicam algo de aos outros.

Quando nos vestimos de modo diferente consoante as ocasiões e os locais onde nos dirigimos, é porque queremos significar algo com isso, queremos transmitir mensagens diferentes.

No exercício do desempenho profissional, o vestuário e os adornos devem ser adequados e corresponder à expectativa das pessoas com quem interagimos.

O profissional deve sentir-se à vontade, mas a forma como se veste não deve constituir um elemento de distracção e perturbador da comunicação.

(fig.)

O modo de vestir comunica uma série de elementos, nomeadamente os grupos de pertença.



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Objectivo 13



Avaliar a importância do "toque" nas relações interpessoais

O tocar, ou seja entrar em contacto físico com o outro, é também um dos primeiros processos de comunicação.

Em muitas culturas, tocar o outro, está ligado somente às relações íntimas e é interdito em qualquer outro tipo de relação.

Muitas pessoas evitam o contacto físico, ou porque não gostam ou porque têm medo dele.

O contacto físico está muito dependente da cultura. Nalgumas sociedades, as pessoas não fazem filas de espera, mas amontoam-se, tocando-se frequentemente, tal como acontece com os árabes.

O modo como se toca o outro exprime toda uma série de sentimentos, como seja o amor, o medo, o desprezo, a ansiedade, etc.

Tocar e sentir-se tocado é de tal modo importante que se torna fundamental para o desenvolvimento equilibrado do bebé. Um dos factores que contribui para o mal-estar físico e relacional do bebé é o facto de ser "abandonado", não acariciado e tocado, mesmo que seja bem alimentado.

É através do contacto físico que a criança toma consciência do seu corpo e desenvolve a sua imagem corporal.

As primeiras manifestações de amor são apreendidas pelo bebé através das carícias e do afago, do contacto com o corpo.

A maneira como nós tocamos os outros e onde tocamos, revela algo acerca da relação que existe entre nós.

As zonas do corpo que podemos tocar são condicionadas pela nossa cultura e muitas delas tem um potencial de significação sexual.

(fig.)


Através do contacto físico, nas suas múltiplas formas, transmitem-se sentimentos e desencadeiam-se reacções positivas ou negativas.

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Objectivo 14

Avaliar a importância do tempo nas relações interpessoais

O tempo é uma forma de comunicação interpessoal porque, sendo fundamental para a nossa sociedade, marca muitas das nossas relações interpessoais e veicula mensagens importantes.

Quando nos dirigimos para um encontro, do qual depende o nosso futuro emprego, normalmente, chegamos a horas, ou mesmo adiantados.

Quando chegamos atrasados a um encontro, pedimos desculpa.

Em certas culturas, chegar atrasado é um verdadeiro insulto. Noutras sociedades é normal chegar-se atrasado, sem que se seja censurado por isso. É necessário, pois, conhecer, em relação a cada sociedade ou cultura, a sua percepção do tempo, porque o modo como este é vivido afecta a comunicação interpessoal.

Não é vulgar, por exemplo, receber visitas de amigos a meio da noite ou receber um telefonema durante a noite só para nos perguntarem como estamos.

(fig.)

O tempo marca o ritmo de vida pessoal e social.



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Utiliza o teu tempo para trabalhar



É o preço do sucesso

Utiliza o teu tempo para reflectir

É a fonte da tua força

Utiliza o teu tempo para jogar

É o segredo da juventude

Utiliza o teu tempo para ler

É a base da sabedoria

Utiliza o teu tempo para ser amigo

É a porta da felicidade

Utiliza o teu tempo para sonhar

É o caminho que conduz às estrelas

Utiliza o teu tempo para amar

É a verdadeira alegria de viver

Utiliza o teu tempo para estares contente

É a música da alma

"texto irlandês"

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Objectivo 15



Avaliar a importância do espaço e da distância na comunicação interpessoal

O espaço na qual se estabelece a comunicação também afecta a nossa relação, sem que disso tenhamos muita consciência.

Cada um de nós tem o seu espaço pessoal, o seu espaço psicológico que não deseja invadido. Existe, nas nossas comunicações interpessoais, uma distância física que está de acordo:

- com a cultura onde estamos inseridos;

- com o tipo de comunicação que estabelecemos;

- com o tipo de relação que temos com a pessoa com quem comunicamos.

Podemos considerar, nas nossas relações interpessoais, três tipos de distâncias:

- as íntimas,

- as sociais e

- as públicas.

As distâncias íntimas, são as utilizadas para dizer um segredo, para fazer uma comunicação íntima e tem, aproximadamente, entre 7 a 15 cm.

Para uma informação confidencial distanciamo-nos do interlocutor entre 20 a 30 cm.

A distância social vai de 1 a 1,5 m.

A distância pública varia entre 2 a 30 m.

Sempre que uma pessoa se aproxima muito de nós para nos falar, sem que a conheçamos, temos tendência para nos afastarmos dela e marcarmos determinada distância.

É como se possuíssemos um território demarcado.

As distâncias interpessoais variam com as culturas. Nalguns países, como a França e o Brasil, a distância para uma conversa entre duas pessoas é menos de 1 metro, mas na América do Norte raramente inferior a 1 metro.

Os árabes falam muito perto entre si e olham-se muito nos olhos.

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Através da distância interpessoal exprimimos os nossos sentimentos.



Nós tendemos a aproximarmo-nos mais das pessoas de quem gostamos e a afastarmo-nos mais daqueles de quem menos gostamos.

(fig.)


A distância interpessoal identifica a relação com o interlocutor e o tipo de mensagens.

Por vezes, a distância define o próprio papel que o indivíduo desempenha.

É possível, numa empresa, às 8 h. da manhã, estarem 10 colaboradores a aguardar o elevador e se chegar o chefe, aqueles afastam-se, deixando o chefe isolado, junto ao elevador.

Quando o interlocutor é sentido como uma ameaça, ou distante, tende-se a afastar dele.

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Objectivo 16



Avaliar a importância dos movimentos corporais na comunicação interpessoal

No contacto com os outros, a posição do corpo é determinante para a qualidade da comunicação.

Uma postura rígida pode significar resistência à interacção. Uma postura ligeiramente inclinada para o interlocutor favorece a escuta e a empatia.

A posição dos braços é determinante na interacção.

Braços cruzados, mãos nos bolsos ou mãos atrás das costas, impedem uma interacção aberta e favorável à comunicação.

As mãos devem ser visíveis ao interlocutor.

Quando fala, o sujeito deve elevar ligeiramente as mãos, utilizando gestos que reforcem a comunicação verbal.

Os gestos devem ser redondos e suaves.

(fig.)

O olhar e a posição dos braços podem favorecer ou bloquear a comunicação face a face.



Ao comunicar com o interlocutor evite:

- braços cruzados

- mãos na cintura

- mãos nos bolsos

- mãos atrás, nas costas

- gestos agressivos

- apontar o dedo

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Objectivo 17

Avaliar a importância da paralinguística na comunicação interpessoal

A paralinguística é uma das componentes da comunicação não verbal.

Através dela, o sujeito veicula os seus sentimentos e as suas emoções, enriquecendo o conteúdo da mensagem verbal.

Esta forma de comunicação não verbal é importante porque:

Tende a ser mais autêntica do que a verbal, dada a sua diversidade e riqueza.

É mais difícil de controlar.

Através da paralinguística, as emoções, os sentimentos e os pensamentos, deixam-se transparecer mais facilmente. A paralinguística corresponde ao modo de falar.

A voz transmite energia, entusiasmo e interesse pelo interlocutor e pela relação estabelecida.

A análise da voz permite ter em atenção os seguintes aspectos:

A projecção, a articulação, a pronúncia, a enunciação, a repetição, a velocidade, o tom e o timbre.

A voz deve ser projectada de modo que o interlocutor a ouça, tendo em conta a distância a que se encontra.

O tom não deve ser muito alto nem muito baixo. Deve revelar confiança e interesse.

O timbre - O grave é o melhor.

Articulação - Não se deve arrastar nem comer palavras. Deve-se abrir a boca e mexer os lábios.

As palavras devem ser bem articuladas, porque podem suscitar ambiguidade.

Ex. Uns outros (os outros); tamém (também); écaqui (é que aqui), etc.

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Pronúncia - Não se preocupe com o seu sotaque, mas pronuncie as palavras todas.



Velocidade - Em média, devem-se pronunciar 120 palavras por minuto.

Modulação - A modulação é um excelente meio para manter o interesse e a implicação das pessoas (opõe-se à monocordia).

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Objectivo 18



Enumerar os princípios da comunicação face a face

É fundamental, para quem está em permanente contacto com os outros e pretende melhorar a sua capacidade de comunicação interpessoal, ter em atenção os seguintes princípios:

Pronunciar as palavras correcta e claramente;

Não falar muito alto nem muito baixo;

Não falar, nem muito depressa nem muito devagar;

Concentrar-se na mensagem e levar os outros a fazê-lo;

Ser breve;

Usar palavras simples;

Mostrar-se interessado;

Sorrir;


Tratar correctamente o interlocutor;

Ser simpático;

Certificar-se de que os termos que utiliza são compreendidos pelo interlocutor;

Acompanhar as palavras de gestos

Reformular o que o interlocutor disse para se certificar de que compreendeu a mensagem:

Dizer ao interlocutor: "Fui claro? Fui compreensível?" em vez de "Compreendeu? Está a perceber?";

Mostrar um olhar interessado;

Manter uma boa postura;

Mostrar o rosto aberto;

Falar, olhando sempre para o interlocutor;

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Adaptar a mensagem ao interlocutor;



Evitar as gírias e as bengalas;

Evitar frases longas, com muitas orações relativas;

Não dar muita informação de seguida. Criar intervalos para controlar a sua recepção;

Falar de forma positiva;

Evitar utilizar a palavra não.

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Objectivo 19

Definir e identificar as barreiras à comunicação

Com frequência, a comunicação processa-se deficientemente ou não se realiza.

Todos nós, já várias vezes, fomos confrontados com mal-entendidos tendo dado significados bastante diferentes daqueles que nos pretendiam transmitir.

Ouvimos o que o outro não disse, ou os outros percebem o que não dissemos.

Como se explica esta deficiência na comunicação?

À medida que cada um de nós se foi desenvolvendo, elaborámos toda uma aprendizagem individual, significativa, que fez de nós um ser diferente do outro.

Cada um de nós adquiriu uma peculiar forma de pensar, sentir e de reagir às mais diversas situações.

Cada um de nós desenvolveu sentimentos, atitudes e expectativas diferentes, relativamente às coisas e às pessoas.

Cada um de nós possui um sistema de crenças e de valores e uma visão do mundo, diferentes.

Algumas barreiras à comunicação

As barreiras à comunicação podem ser de dois tipos:

A: Barreiras Externas

B: Barreiras Internas

As barreiras externas podem ser:

A distância entre o emissor e o receptor. Separações, tais como balcões ou vidros.

A temperatura e a iluminação do espaço onde se comunica também pode constituir uma barreira à eficácia da comunicação, se prejudicar o bem estar dos interlocutores.

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As barreiras internas podem ser:



1. Falar uma linguagem que não é entendida pelo interlocutor

Para que a comunicação seja eficaz, é necessário que o código utilizado pelo emissor seja descodificado pelo receptor. Só assim é possível captar o significado da mensagem e entrar em relação através da comunicação.

(fig.)

A não compreensão do código impede a comunicação.



2. Empregar palavras ambíguas

As palavras, enquanto signos, têm o significado exacto que lhe quisermos dar. A dinâmica da linguagem permite atribuir à mesma palavra significados diferentes, em função da cultura ou do grupo social onde ela é pronunciada ou, simplesmente, em função do contexto verbal (tom de voz, etc.) em que é pronunciada.

O significado de determinada mensagem nem sempre permanece muito claro porque, embebida de ambiguidade, a linguagem não permite expressar ou compreender correctamente o que se diz ou pensa.

3. Problemas da nossa estrutura pessoal que nos façam ter medo de falar de determinado assunto ou de falar com determinada pessoa.

Quando tememos alguém, porque a nossa experiência anterior com esse alguém se apresentou prejudicial e negativa, evitamos enfrentá-lo, ou tendemos a interpretar qualquer mensagem ou pedido de comunicação sua, como perigosa para o nosso eu.

Quando determinada situação nos afectou de forma negativa, tendemos, por uma questão de integridade psicológica, a evitar falar desse assunto.

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4. Referir ideias ou evocar sentimentos não adaptados ao objectivo da comunicação



Quando se tem determinado conteúdo a comunicar, não devemos falar de assuntos que pouco ou nada têm a ver com esse mesmo objectivo ou expressar sentimentos que não se ajustam à situação.

Não é muito comum e aceite, por exemplo, rir e contar anedotas, quando se está num velório ...

5. Os valores e as crenças das pessoas assim como a sua visão do mundo

Nem toda a gente pensa do mesmo modo acerca dos mesmos assuntos ou situações. Cada um tem os seus próprios valores, que foi construindo no evoluir do seu crescimento, assim como as suas próprias crenças, que resultaram do conjunto da sua experiência vivida ou comunicada pelos outros.

Quando duas pessoas que se encontram têm crenças muito diferentes, à partida, não manifestam grande disponibilidade para a comunicação, podendo mesmo envolver-se numa discussão estéril e improdutiva.

Um católico praticante não está receptivo a um pastor de outra religião que lhe queira comunicar determinadas crenças ou visões do mundo.

(fig.)

A divergência de crenças e valores não facilita a comunicação interpessoal



6. Papéis sociais desempenhados

O facto de se saber que determinada pessoa, que deseja falar connosco, tem elevado estatuto social poderá inibir a comunicação.

Por outro lado, se somos abordados por um pedinte não temos, de imediato, a abertura para comunicar com ele, dado que, em princípio, poucas são as referências comuns e, também, porque o seu papel na sociedade não é dignificante.

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7. Estado de cansaço ou doença

Um indivíduo que está cansado ou doente tem dificuldade em comunicar quer como receptor quer como emissor.

(fig.)


O cansaço e a doença limitam a recepção ou a emissão da comunicação

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Objectivo 20

Identificar os meios através dos quais se processa a comunicação

A comunicação faz-se através de:

- ÍNDICES e

- SINAIS.

ÍNDICES - são elementos que nos comunicam algo, sem que haja intenção de comunicar

A existência de muitas nuvens no céu um índice de que vai chover.

A pessoa que corre pelo passeio, comunica-nos que tem pressa, mas ela não faz isso, não corre, com a intenção de nos informar que tem pressa.

SINAIS - algo que o sujeito utiliza com a intenção de comunicar.

No sinal existem dois elementos:

- o significante e

- o significado.

"O Significante é constituído pela cadeia de sons, de objectos físicos captados pelo ouvido e que se pode representar graficamente pela escuta, registar numa banda magnética."

CARVALHO, J. H., 1979

O significado é o que vai para alem do som. É aquilo que as palavras e as frases querem dizer.

Quando ouvimos falar uma língua estrangeira que desconhecemos, ouvimos a referência dos sons, até os podemos repetir, mas não conseguimos compreender o que é dito, isto é, não sabemos qual o seu significado.

O significado é a representação mental, a ideia do objecto ou de classe de objectos, concretos ou abstractos.

O significado é a representação da realidade que está presente na consciência do sujeito.

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O significante torna presente, no emissor e no receptor, o mesmo significado, ou seja, a mesma representação.

SIGNIFICANTE--------SIGNIFICADO-------REALIDADE

Existem dois tipos de sinais:

- SIGNOS e

- SÍMBOLOS.

SIGNO - é um sinal no qual não existe uma relação analógica, imediata e perceptível entre o significante e o significado.

Não existe uma relação imediata entre as palavras e as coisas. As palavras são criações do homem para se referir a algo, mas elas não nos remetem de imediato para essas "coisas".

Por isso, as palavras variam de sociedade para sociedade, de país para país, - apesar dos significados serem os mesmos.

SÍMBOLO - é um sinal que tem uma relação analógica com a realidade, isto é, existe uma relação imediatamente perceptível entre o significante e o significado.

O símbolo é de interpretação mais universal que o signo porque o significante é descodificado por um universo de sujeitos mais lato.

"O símbolo é um sinal instrumental, que participa da natureza dos sinais naturais - enquanto unido àquilo que significa por uma relação real (de continuidade, de mais ou menos vaga semelhança, de analogia)".

CARVALHO, J. H.,1979

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Objectivo 21

Identificar e caracterizar os factores que intervêm na fidelidade da comunicação

Barreiras e fidelidade são as duas faces da mesma moeda: a diminuição de uma, aumenta a outra.

Existe fidelidade na comunicação quando a mensagem é recebida em perfeitas condições, ou seja, quando a sua descodificação é correcta, tendo o emissor atingido o seu objectivo.

Há quatro factores que agem, quer sobre o emissor quer sobre o receptor, influenciando o seu comportamento comunicativo, os objectivos da comunicação e a mensagem:

1. Habilidade na comunicação

2. Atitudes

3. Nível de conhecimento

4. Sistema sócio-cultural

1. Habilidade na comunicação

Há cinco habilidades verbais de comunicação:

- Leitura

- Audição

- Escrita

- Palavra

- Raciocínio

Existem outras habilidades codificadoras, como por exemplo, os gestos, a pintura, o desenho, a música, etc.

O indivíduo comunica tanto melhor quanto mais habilidade tiver, quanto mais perfeito for na transmissão da mensagem e no código utilizado.

Há que ter um vocabulário adequado para exprimir as ideias, há que escrever correctamente para que o pensamento fique claro.

Ao falar, precisamos de pronunciar correctamente as palavras e de gesticular de forma adequada.

o receptor terá que ter a habilidade de descodificar a mensagem, terá que ter a capacidade de ouvir, de ler e de pensar.

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2. Atitudes



Considerando a atitude como a predisposição do sujeito para... devemos analisá-la em três dimensões:

- A atitude para consigo mesmo;

- A atitude para com o assunto;

- A atitude para com o outro.

Atitude para consigo próprio: aquilo que o indivíduo pensa de si próprio, das suas capacidades e o seu grau de auto-estima, influenciam o modo como comunica.

O indivíduo tem que ter autoconfiança e consciência de que é capaz de assumir determinada forma de estar e de se relacionar com os outros. O sujeito que pensa que não é capaz de falar e de comunicar, tende, mais frequentemente, a falhar nesse comportamento.

Atitude para com o assunto: o vendedor que queira vender um produto no qual não acredita, terá alguma dificuldade em comunicar o seu valor e convencer os outros da sua importância.

Se não se acredita num determinado assunto ou tema, estes não serão comunicados correctamente. O receptor que não gosta ou discorda de determinado assunto que ouve ou lê, tende a rejeitá-lo.

Atitude para com o receptor: se a atitude do receptor para com o emissor e do emissor para o receptor for negativa, se não gostarem um do outro, a comunicação não se fará correcta e abertamente. Fala-se e ouve-se de forma indelicada e incorrecta.

Aceita-se mais o que o indivíduo diz, quando se gosta dele.

3. Nível de conhecimentos

Não se pode comunicar aquilo que não se sabe.

Por outro lado, saber muito, também pode bloquear e impedir a comunicação, se o receptor não dominar a linguagem através da qual é veiculada a mensagem.

O emissor precisa de conhecer o tema que comunica e deve articular o que diz com o nível de conhecimentos do receptor.

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4. Sistema sócio-cultural



Quer o emissor quer o receptor são influenciados pela sua posição sócio-cultural.

Há que dar importância ao papel desempenhado por cada um no seio da sociedade ao lugar que ocupam.

Cada ser considera-se a si próprio com determinado prestígio e é-lhe atribuído também, pelos outros, determinado prestígio.

Há valores, padrões e formas de comunicação específicos dos diferentes grupos sociais.

Pessoas de diferentes classes sociais, comunicam de maneira diferente.

O sistema social e cultural determina as palavras que as pessoas escolhem e o tipo de comunicação que utilizam.

O gerente de uma empresa não poderá transmitir, exactamente do mesmo modo, a mesma mensagem, aos diferentes colaboradores da sua empresa.

(fig.)


As mensagens diferem com o grupo social e o papel desempenhado. Este factor determina o tipo de relação que se estabelece entre as pessoas.

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53

Objectivo 22

Descrever as funções da comunicação

Desde sempre, a comunicação surgiu como uma necessidade social e como uma exigência pessoal de entrar em relação com os outros, de comungar das mesmas ideias e sentimentos. Essa necessidade, sendo social, não está dissociada das necessidades económica e política.

1. Função de informação

As pessoas sentem necessidade de obter conhecimentos e também de os transmitir. É necessário difundir os conhecimentos para que seja possível formular opiniões e juízos acerca da realidade que nos rodeia e que vai evoluindo.

2. Função de persuasão e de motivação

Na relação interpessoal é vulgar querer-se que os outros ajam tal como se quer que ajam ou pensem de determinada maneira. Esta função está, de certo modo, ligada ao controlo social e necessidade de ajustar de atitudes e comportamentos, entre os membros de determinado grupo social.

3. Função de educação

Todo o ser, quando nasce, fica integrado numa sociedade, que está interessada em veicular, ao novo ser, a sua herança social e cultural. Esta vai-lhe sendo comunicada e ele experimenta-a, ao longo da sua existência, estando sujeita ao controlo e vigilância, pelos transmissores.

4. Função de socialização

Esta função, bastante ligada à anterior, permite a integração dos sujeitos nos grupos. Permite a troca e a difusão de informações, assim como dos dados da experiência. Através desta função, o sujeito aprende a vivência das regras e das normas da sociedade, fazendo-as suas.

5. Função de distracção

Esta função varia com as culturas e será tanto mais diversificada e utilizada quanto mais elevada for a qualidade de vida dos grupos.

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Objectivo 23



Analisar a importância do comportamento na relação interpessoal

"Comportamento gera comportamento"

O comportamento corresponde a tudo aquilo que o indivíduo faz e diz.

Nenhum ser é indiferente a outro, quando estão em relação.

A maneira como nós nos comportamos afecta a maneira como os outros se comportam.

O nosso comportamento afecta sempre positiva ou negativamente, a relação que estabelecemos com os outros.

O ser humano deve ter a capacidade de se ajustar, em termos comportamentais, àqueles com quem se relaciona.

O mesmo comportamento pode não ser, do mesmo modo, eficaz para todo o género de pessoas com quem contactamos.

Se desejamos que as pessoas com quem nos relacionamos modifiquem o seu comportamento porque ele nos afecta e prejudica a nossa relação, temos que agir no sentido de modificarmos, nós próprios, o nosso comportamento, quando com elas nos confrontamos.

As pessoas não se comportam do mesmo modo em todas as situações. Elas têm a capacidade de percepcionar a realidade e ajustar-se a ela, em termos comportamentais, de modo a facilitar e tornar positivas as relações interpessoais.

Todos nós devemos estar atentos ao nosso comportamento e ao modo como comunicamos verbalmente e não verbalmente, porque isso influencia, intensa e significativamente, o modo como o outro se relaciona connosco.

O comportamento não é algo com que se nasce como a cor dos olhos ou a cor do cabelo. algo que nós vamos adquirindo ao longo da nossa vivência e que podemos modificar e ajustar quando a situação o exige, sempre em função da excelência da comunicação e da relação interpessoal.

As pessoas devem ter a abertura suficiente para experimentarem novas formas de comportamento e de comunicação que permitam o seu ajustamento, cada vez mais eficaz, à relação com os outros.

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O comportamento profissional, em particular, pode assemelhar-se a uma máscara, porque o sujeito deve ser exemplar na sua relação: simpático, aberto, atencioso e prestável mesmo que, em termos sentimentais e emocionais, devido a condicionalismos diversos da sua vida, tais comportamentos não correspondam ao seu estado actual.

(fig.)

Agressividade gera agressividade



(fig.)

Simpatia gera simpatia

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Objectivo 24



Interpretar princípios gerais de comportamento

(fig.)


Seja um bom ouvinte

(fig.)


Compreenda as reacções dos outros

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57

(fig.)


Conheça os outros

(fig.)


Não veja só os seus interesses

(fig.)


Aceite o sucesso dos outros

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58

(fig.)


Conheça-se a si mesmo

(fig.)


Não tenha mudanças repentinas no seu comportamento

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59

(fig.)


Não pense que é rei de tudo e de todos

O pai bate no filho mais velho porque este bateu no irmão mais novo e diz "'isto' é para aprenderes que os mais velhos não batem nos mais novos".

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60

Objectivo 25



Melhorar o seu processo de comunicação interpessoal

No dia a dia não temos muita consciência do modo como comunicamos e como nos relacionamos com os outros.

É importante que nos confrontemos com a nossa própria imagem, de forma a ter consciência da imagem que os outros têm de nós.

Para isso propomos as actividades 1 e 2.

1 - Fale frente ao espelho e analise as suas diferentes formas de comunicar.

Esteja atento aos seus gestos. Analise a posição das mãos e dos braços. Verifique de que modo eles reforçam a sua mensagem verbal.

Analise os diferentes parâmetros da comunicação facial: as sobrancelhas, os olhos, sorriso, etc.. Identifique os aspectos que mais favorecem a forma como comunica.

(fig.)


2 - Questione alguns dos seus amigos acerca da sua forma de comunicar.

Verifique os sinais que eles observam como sendo mais determinantes e característicos na sua comunicação.

Identifique os aspectos da sua comunicação que mais o favorecem e também os que prejudicam a sua interacção.

Proponha formas de eliminar os seus pontos fracos na comunicação.

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61

Questionário 2



Assinale o carácter verdadeiro (V) ou falso (F) das seguintes afirmações

1. O instrumento de comunicação é a linguagem verbal, oral e escrita.

2. Apenas a comunicação verbal é válida na emissão de uma mensagem.

3. O emissor é quem recebe a mensagem.

4. A mensagem constitui o conteúdo da comunicação.

5. A única forma de verificar a precisão da comunicação é analisar os códigos utilizados.

6. O emissor deve transmitir a mensagem, independentemente do tipo de receptor.

7. Nada se comunica através do silêncio.

8. As barreiras da comunicação impedem a sua fidelidade.

9. As palavras ambíguas facilitam a comunicação.

10. As crenças do receptor influenciam a comunicação.

11. As habilidades da comunicação referem-se somente ao emissor.

12. Aquilo que o emissor pensa acerca de si, influencia o seu modo de comunicar.

13. O facto do receptor gostar ou não do emissor, em nada influencia a sua recepção da mensagem.

14. A comunicação necessita de se ajustar à posição sócio-cultural dos emissores, a quem se dirige.

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62

15. Conhecemos sempre o significado, seja qual for o significante.

16. O significado é a representação mental do objecto ou da classe de objectos.

17. A comunicação tem várias funções.

(fig.)

Pontos a melhorar



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63

Respostas ao questionário 2



1. F

2. F


3. F

4. V


5. F

6. F


7. F

8. V


9. F

10. V


11. F

12. V


13. F

14. V


15. F

16. V


17. V

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Tarefa 1


Leia com atenção o texto que se segue:

Interacção. Objectivo da Comunicação Humana

A condição necessária à comunicação humana é a relação de interdependência entre a fonte e o receptor. Cada um influencia o outro. Em certo nível de análise, a comunicação envolve uma interdependência física; isto é, fonte e receptor são conceitos diádicos, cada qual exige o outro pela própria definição, cada qual precisa do outro para a própria existência.

Num segundo nível de complexidade, a interdependência pode ser analisada como uma sequência de acção e reacção. A mensagem inicial influencia a resposta que lhe é dada, a resposta influencia a resposta subsequente, etc. As respostas influenciam as respostas subsequentes porque são utilizadas pelos comunicadores como feed-back - como informação que ajuda a determinar se estão obtendo o efeito desejado.

Num terceiro nível de complexidade, a análise da comunicação preocupa-se com as habilidades empáticas, com a interdependência produzida pelas expectativas sobre como os outros responderão à mensagem. Empatia é o nome do processo pelo qual nos projectamos nos estados internos ou personalidades de outros, afim de predizermos como se comportarão. Inferimos os estados internos dos outros comparando-os com as nossas próprias atitudes e predisposições.

Ao mesmo tempo, empenhamo-nos em assumir papéis. Tentamos pôr-nos no lugar de outra pessoa, perceber o mundo como essa pessoa o percebe. Ao fazê-lo, criamos um conceito de pessoa que usamos para tirar inferências sobre os outros. Ao comunicar, passamos das inferências para a adopção de um papel como base das nossas previsões. As expectativas da fonte e do receptor são interdependentes. Cada uma influencia a outra, cada uma é em parte criada pela outra.

O nível final de complexidade interdependente é a interacção. O termo interacção denomina o processo de adopção recíproca de papéis, o desempenho mútuo de comportamentos empáticos. Se dois indivíduos tiram inferências sobre os próprios papéis e assumem o papel um do outro ao mesmo tempo, e se o seu comportamento de comunicação depende da adopção recíproca de papéis, então eles estão em comunicação por interagirem um com o outro.

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65

A interacção difere da acção-reacção em que os actos de cada participante da comunicação são inter-relacionados um com o outro, influenciam um ao outro por meio da criação de hipóteses sobre quais serão esses actos, sobre como se ajustarão aos objectivos da fonte e do receptor, etc.

O conceito de interacção é fundamental para o entendimento do conceito de processo, na comunicação. A comunicação representa uma tentativa de conjugar dois organismos, de cobrir a lacuna entre dois indivíduos pela produção e recepção de mensagens que tenham sentido para ambos. Por melhor que seja, é uma tarefa impossível. A comunicação interactiva busca esse ideal.

Quando duas pessoas interagem, põem-se no lugar da outra, procuram perceber o mundo como a outra o percebe, tentam predizer como a outra responderá. A interacção envolve a adopção recíproca de papéis, o emprego mútuo das capacidades empáticas. O objectivo da interacção é a fusão da pessoa e do outro, a total capacidade de antecipar, de predizer e comportar-se de acordo com as necessidades conjuntas da pessoa e do outro.

Podemos definir a interacção como o ideal da comunicação, a meta da comunicação humana. Nem toda a comunicação é interactiva, ou pelo menos não enfatiza este nível de interdependência. (...)

Podemos comunicar-nos sem interagirmos em grau apreciável. Entretanto, a nossa efectividade, a nossa capacidade de influenciar e ser influenciado aumenta na proporção em que participemos de uma situação interactiva. Á medida que se desenvolve a interacção, as expectativas tornam-se perfeitamente interdependentes. Os conceitos de fonte e receptor, como entidades distintas, perdem a significação e o conceito de processo aparece nítido.

BERLO, David, K., O processo de comunicação, Martins Fontes (6.1, ed.), S. Paulo, 1989, pp. 129,130,131

O texto refere que toda a comunicação é uma relação onde é imprescindível a existência do emissor e do receptor. Este é o primeiro nível de análise do processo de comunicação.

1. Qual o segundo nível de análise dessa relação?

2. Qual o terceiro nível de análise da relação inerente é comunicação?

3. O último nível de comunicação é a interacção. Qual o seu significado?

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Respostas à tarefa 1

1. A mensagem influencia sempre o receptor e exige dele uma resposta; esta, por sua vez, influencia a nova resposta ou mensagem do emissor. Toda a comunicação, enquanto relação, exige um feed-back.

2. É a empatia. Através do processo de comunicação criam-se expectativas, quer da parte do emissor quer da do receptor. Através da comunicação conhecemos melhor o outro e estabelecemos com ele uma empatia que nos permite prever o seu comportamento, compreendê-lo e juntarmo-nos a ele. Este fenómeno é válido tanto a nível do receptor como do emissor.

3 A interacção só é possível depois do emissor e do receptor conhecerem os respectivos papéis e comunicarem em função deles. A interacção implica que cada um se coloque no lugar do outro e comunique com ele, em função do modo como entende esse mesmo papel; só assim é possível prever e predizer o que o outro pensa e sente acerca de algo.

(fig.)


Na relação médico doente a comunicação contribui para a eficácia do diagnóstico e para a melhor aceitação da terapia

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67

Proposta de trabalho

Visionamento do filme "SE OS OLHARES MATASSEM".

Antes de ver este filme, responda ao questionário 3.

Depois de ver o filme, responde às questões da ficha videográfica que o referencia.

Questionário 3

Assinale o carácter verdadeiro (V) ou falso (F) das seguintes afirmações:

1. A forma como nos comportamos dificulta ou facilita a relação com os outros.

2. Nunca devemos querer ser diferentes daquilo que somos.

3. Se quisermos provocar modificações no comportamento de outra pessoa, temos que modificar, previamente, o nosso comportamento quando nos relacionamos com ela.

4. Eu não tenho capacidade de alterar o meu comportamento nem os meus sentimentos.

5. O modo como me comporto acontece por acaso e eu não tenho controlo sobre o meu comportamento.

6. A interacção positiva ou negativa depende, em grande parte, do meu comportamento.

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7. O meu comportamento, tal como aquilo que eu sou, não dependem da interacção com os outros.

8. Eu herdei o meu comportamento e não o posso mudar.

9. Quando não gostamos do modo como outra pessoa se comporta connosco, devemos tentar saber as razões desse comportamento.

10. Devemo-nos comportar sempre do mesmo modo, com todas as pessoas, independentemente das circunstâncias.

11. Devemos dizer sempre às outras pessoas tudo o que pensamos, mesmo que isso as indisponha.

12. Eu posso adquirir novas formas de agir, se quiser e se isso me ajudar a relacionar melhor com os outros.

13. Na relação com os outros o que é importante é o que dizemos, independentemente do modo como o dizemos.

14. O comportamento das outras pessoas não é afectado pelo nosso comportamento.

15. O nosso comportamento deve depender do nosso estado de espírito.

(fig.)

O profissional deve sempre expressar simpatia e boa disposição. O seu papel assim o exige.



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Respostas ao questionário 3



1. V

2. F


3. V

4. F


5. F

6. V


7. V

8. F


9. V

10. F


11. F

12. V


13. F

14. F


15. F

As respostas a estas questões têm subjacente a ideia de que o comportamento e a comunicação são determinantes nas interacções. A relação interpessoal é afectada pelo comportamento que cada um assume nessa mesma relação.

O que se diz e o modo como se diz, o que se faz e o modo como se faz, são factores desencadeadores de reacções ou comportamentos dos outros que são afectos a esses estímulos.

Comportamentos agressivos geram agressividade; comportamentos simpáticos geram simpatia. Ninguém pode exigir amor se não der amor ...

O homem tem a capacidade de reflectir sobre o seu comportamento e ajustá-lo às pessoas e às situações de modo a favorecer as suas relações com os outros.

O modo como nos comportamos, comunica aos outros o que somos e o que pensamos; por isso, devemos fazê-lo de forma positiva e produtora de boas relações.

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Ficha videográfica



Filme:"SE OS OLHARES MATASSEM"

Produção: Vídeo Arts

Duração: 29'

Objectivo do filme: Mostrar que nas relações interpessoais o comportamento é uma força poderosa que pode facilitar ou dificultar essas mesmas relações.

Após o visionamento do filme, leia as seguintes afirmações e assinale a sua veracidade (V) ou falsidade (F):

1. O comportamento é uma arma.

2. Tratar toda a gente da mesma forma, facilita a relação.

3. A personalidade nunca muda, qualquer que seja a situação.

4. É o modo como os outros se comportam que gera, em nós, comportamentos diferentes.

5. Ser antipático ajuda as outras pessoas a serem antipáticas.

6. "Sou assim como sou e não posso evitá-lo"

7. O comportamento é uma representação que escolhemos.

8. O comportamento é uma variável independente.

9. Certas pessoas são impossíveis e não se pode escolher o comportamento a ter com elas.

10. Podemos escolher o melhor comportamento para facilitar a relação interpessoal.

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Actividades

Actividade 1

OBJECTIVOS:

Mostrar que as mensagens, quando são transmitidas oralmente, de sujeito para sujeito, tendem a ser alteradas e distorcidas de tal modo que, num conteúdo de transmissões, o conteúdo parece nada ter a ver com a mensagem original.

METODOLOGIA:

Um sujeito lê em silêncio a história que se segue e conta-a ao elemento do grupo que está ao seu lado. Este, por sua vez, conta-a, também em voz baixa, ao que está ao seu lado, e assim sucessivamente, passando a mensagem por todos os elementos do grupo.

História


A Joana estava à espera do autocarro quando ouviu um grande estrondo, tendo imaginado que fosse um acidente.

Saiu da paragem e deslocou-se para o local do acidente e percebeu que o carro de uma rapariga loira tinha batido no Mercedes de um senhor muito bem vestido, com cara de executivo ou empresário de uma multinacional.

O mais engraçado é que nenhum dos dois motoristas estava mais furioso do que o passageiro do autocarro que seguia atrás e que, angustiado pelo atraso, pedia a todos para desimpedirem a estrada.

O congestionamento foi crescendo e juntou-se muita gente para ver o acidente; uns, dizendo que a culpa era do senhor bem vestido, outros, da rapariga loira. Mas, de repente, passou no local, a Teresa, amiga do Paulo que lhe ofereceu boleia e a afastou daquele local.

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Actividade 2



Esta história de J. R. Whitaker Penteado (in A Técnica de Comunicação Humana) mostra que, na transmissão oral, os sujeitos tendem a distorcer a mensagem recebida, devido a ausência de conhecimentos ou aos maus hábitos de escuta.

História


Distorções

O Eclipse do Sol

Capitão ao sargento ajudante: - Sargento! Dando-se amanhã um eclipse do Sol, determino que a companhia esteja formada, com uniforme de campanha, no campo de exercício, onde darei explicações em torno do raro fenómeno que não acontece todos os dias. Se por acaso chover, nada se poderá ver e, neste caso, a companhia fica dentro do quartel.

Sargento ajudante ao sargento de dia: - Sargento, de ordem do meu capitão, amanhã haverá um eclipse do Sol, em uniforme de campanha. Toda a companhia terá que estar formada no campo de exercício, onde o capitão dará as explicações necessárias, o que não acontece todos os dias. Se chover, o fenómeno será mesmo dentro do quartel!

Sargento de dia ao cabo: - Cabo, o nosso capitão fará amanhã um eclipse do Sol, no campo de exercício. Se chover, o que não acontece todos os dias, nada se poderá ver. Em uniforme de campanha o capitão dará a explicação necessária, dentro do quartel.

Cabo aos soldados: - Soldados, amanhã para receber o eclipse que dará a explicação necessária sobre o nosso capitão, o fenómeno será em uniforme de exercício. Isto, se chover dentro do quartel, o que não acontece todos os dias.

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Actividade 3



O RABO DO GATO

OBJECTIVOS:

- Identificar as distorções da comunicação.

- Reconhecer as consequências da distorção da comunicação

- Reconhecer o papel dos valores da memória e dos interesses pessoais no fenómeno da distorção da mensagem.

O recepcionista ao director de serviço:

- Um engenheiro pisou o rabo de um gato. O gato mordeu-o.

Director de serviço ao director técnico:

- Um jovem engenheiro bateu num pobre gato. O gato vingou-se e mordeu o engenheiro, que agora, não pode andar.

O director técnico ao director de pessoal:

- Um engenheiro tonto pisou o rabo de um gato selvagem. O gato mordeu-o e com toda a razão. O engenheiro merece o sofrimento que está passar, pois agora não pode andar. É uma boa ocasião para o despedir.

O director de pessoal ao secretário geral:

- Segundo o Director Técnico, temos um engenheiro que é mais tonto que os outros. Agora sofre dos pés porque pisou o rabo de um gato selvagem que o mordeu. Segundo ele, o gato é que tem razão. Nós partilhamos desta opinião porque, o facto de ser mordido não é razão suficiente para pisar o rabo a alguém. Por isso, o melhor é levantar-lhe um processo por falta grave.

O secretário geral ao vice-presidente:

- Segundo o Director de Pessoal, o Director Técnico parece que ficou tonto porque um engenheiro perseguiu um gato, depois deste o atacar. O Director de pessoal diz que a razão está do lado do gato uma vez que foi o engenheiro que enfurecido mordeu o rabo do gato.

O Director de pessoal quer despedir o engenheiro.

Penso que esta decisão pode desencadear um grave conflito e que essa decisão seria um erro gravíssimo neste momento.

A melhor solução é despedir o Director Técnico.

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Vice presidente ao presidente:



- Um director ficou furioso quando soube que um engenheiro aborreceu outro engenheiro pelo facto de ter mordido cruelmente o seu gato.

O Secretário-Geral diz que o gato tem razão. Evidentemente que o Secretário é um tonto. O melhor é preparar a sua baixa ao serviço para que ele possa descansar. De qualquer modo a experiência já demonstrou que os tontos nunca contribuíram para o bom andamento da nossa empresa, por isso é melhor preparar a baixa de todos os directores implicados nesta confusão.

Presidente ao conselho de administração:

- Um gato selvagem está na origem de graves problemas na nossa empresa.

Os directores parecem cada vez mais tontos. Parece que mordem o rabo uns aos outros e querem fazer perder a razão ao Secretário-Geral e ao Vice-Presidente. O Director Técnico afastou um engenheiro. O Director de Pessoal, furioso, afirma que só os tontos é que conseguem fazer andar a nossa empresa.

Decidi reformar-me antecipadamente para me dedicar ao estudo do comportamento dos gatos.

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Actividade 4



Através desta actividade podemos verificar que, quando se nos colocam questões objectivas acerca de uma situação que nos foi narrada ou que observámos, nem sempre estamos seguros daquilo que, de facto, ouvimos ou vimos. Escutar e ver com atenção, fundamental para a fidelidade da comunicação.

História


História da máquina registadora

"Um negociante acaba de acender as luzes de uma loja de calçado, quando surge um homem pedindo dinheiro.

O proprietário abre a máquina registadora.

O conteúdo da máquina registadora é retirado e o homem corre.

Um membro da polícia é imediatamente avisado."

FRITZEN, S. J. (198 1), Exercícios P. de Dinâmica de Grupo, Vozes, 2.2 vol.

Depois de ouvir ou de ler, uma só vez esta história, responda ao questionário que se encontra na página seguinte:

(fig.)


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DECLARAÇÕES ACERCA DA HISTÓRIA:



Assinale com uma cruz nas respectivas colunas, as afirmações, conforme as considere verdadeiras V), falsas (F) ou desconhecidas (D), de acordo com a história.

1. Um homem apareceu, assim que o proprietário acendeu as luzes da sua loja de calçado.

2. O ladrão foi um homem.

3. O homem não pediu o dinheiro.

4. O homem que abriu a máquina registadora era o proprietário.

5. O proprietário da loja retirou o conteúdo da máquina registadora e fugiu.

6. Alguém abriu a máquina registadora.

7. Depois do homem pedir o dinheiro, apanhou o conteúdo da máquina registadora e fugiu.

8. Embora houvesse dinheiro na máquina registadora a história não diz a quantidade.

9. O ladrão pediu dinheiro ao proprietário.

l0. A história regista uma série de acontecimentos que envolvem três pessoas: o proprietário, um homem que pediu dinheiro e um membro da polícia.

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Actividade 5

CUMPRIMENTO DAS REGRAS:

Siga com todo o rigor as directivas que se seguem e execute-as o mais rapidamente possível.

1. Inicie o seu trabalho, o mais rapidamente possível, após ter lido inteiramente todas as directivas com muita atenção.

2. Coloque a data de hoje no canto superior direito da folha.

3. Sublinhe o título deste exercício.

4. Há um erro ortográfico nesta frase: sublinhe-o. Se não o encontrar coloque uma cruz atrás do nº 4.

5. Faça a sua assinatura no canto inferior direito da folha.

6. Faça um círculo à volta do nº 6, que corresponde a esta directiva.

7. Multiplique a sua idade por 2, some 4 ao produto obtido e coloque o resultado ao lado do nº 7 que corresponde a esta directiva.

8. Diga alto: eu cheguei à 8ª directiva.

9. Levante-se da cadeira e sente-se novamente.

10. Faça um pequeno círculo no canto oposto àquele em que se encontra a sua assinatura.

11. Tussa baixinho.

12. Pergunte ao seu colega do lado: como vai o trabalho?

13. Escreva, entre parêntesis, o local onde habita.

14. Adicione os números que correspondem a todas as directivas que já fez.

15. Bata na sua mesa de trabalho, 5 vezes, com o dedo indicador.

16. Diga alto: estou quase a terminar.

17. Faça duas diagonais que atravessem inteiramente a folha.

18. Já leu todas as directivas. Resolva somente a que corresponde ao nº 5.

Diga qual o objectivo e o interesse deste exercício. Discuta, a situação criada, com o grupo.

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Actividade 6

Através da sua experiência de comunicação, verificou que comunica melhor numas situações que noutras e melhor com umas pessoas que com outras.

Respondas seguintes questões, de acordo com o seu ponto de vista pessoal:

1. Será que sou eficaz quando comunico numa situação em que estou perante um grande número de pessoas?

1.1 Quais são as minhas maiores dificuldades?

1.2 Quais são as minhas maiores habilidades?

2. Será que sou eficaz quando comunico em pequenos grupos de trabalho?

2.1 Quais são as minhas maiores dificuldades?

2.2 Quais são as minhas maiores habilidades?

3. Será que sou eficaz quando comunico face a face com uma pessoa?

3.1 Quais são as minhas maiores dificuldades?

3.2 Quais são as minhas maiores habilidades?

Actividade 7

O RISCO DA COMUNICAÇÃO:

1. Por vezes, a comunicação, nas suas múltiplas dimensões, implica um risco.

Falar das suas convicções políticas, defender determinado candidato político, exprimir um sentimento penoso, etc. pode dificultar as relações interpessoais.

1.1 - Concorda com estas afirmações?

1.2 - Faça uma lista de situações onde comunicar implica um risco, e diga, em relação a cada situação, qual é o risco que lhe é inerente e quais as suas consequências.

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2. Discuta, com o grupo, a relação entre: "ABERTURA DE SI" e " RISCO".

2.1 - Sei que devemos evitar as situações de abertura interpessoal? Quais as consequências deste facto para as relações interpessoais?

Actividade 8

O MODO COMO AS PALAVRAS NOS AFECTAM.

As palavras não são neutras. Elas comunicam-nos algo e fazem surgir certas emoções. Nós reagimos às palavras.

TAREFA

Escreva em relação a cada questão a palavra que melhor corresponde á reacção descrita.



1. Qual é a mais bela palavra que conhece?

2. Qual é a palavra que melhor comunica doçura e gentileza?

3. Qual é a palavra mais detestável e horrorosa?

4. Qual é a palavra mais terrificante e medonha?

5. Qual é a palavra mais azeda e malévola?

6. Qual é a palavra que melhor exprime o sentimento de solidão?

7. Qual é a palavra que mais lhe suscita cólera e agressividade?

8. Qual é a palavra que melhor comunica felicidade?

Compare as suas respostas com as dos outros elementos do grupo e discuta o significado atribuído a cada palavra.

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Actividade 9

OBJECTIVO:

Atribuir diferentes significados ao mesmo gesto ou expressão:

1. O que significa:

a) estalar os dedos

b) piscar o olho

c) bater com os dedos na mesa

d) levantar os ombros

e) esfregar as mãos

f) passar as mãos nos cabelos

g) levantar as sobrancelhas

2. Apresente outros gestos, movimentos ou posturas corporais diferentes das apresentadas anteriormente e atribua-lhes significado.

3. Apresente uma frase que tenha vários significados, consoante o tom de voz e o modo de a pronunciar.

4. Sente-se á mesa de um café ou de um restaurante e observe um grupo de pessoas sentadas numa mesa distante.

DESCREVA os seus comportamentos e, a partir deles, especule sobre a conversa que estão a ter.

Actividade 10

LEIA COM ATENÇÃO O SEGUINTE CASO:

Uma empresa de fabricação de roupa pronta-a-vestir para crianças e senhoras, que vende por intermédio de catálogo e possui uma distribuição nacional, atingiu uma posição cimeira no mercado que serve.

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Recentemente, o director da empresa pôs em prática um sistema de inventariação das peças, rígido e formal. Os resultados revelaram que mil contos de mercadoria tinham desaparecido misteriosamente nas últimas 8 semanas.

Coincidindo com este momento da verificação da roupa desaparecida, o encarregado do armazém descobriu, nuns caixotes que se destinavam ao armazenamento de lixo, várias peças de roupa embrulhadas, como se ali tivessem sido colocadas para serem levadas mais tarde.

O director da empresa mandou verificar novamente o desaparecimento da mercadoria para confirmar a conclusão a que se tinha chegado.

Então, o director enviou uma carta ao encarregado do armazém e aos 30 colaboradores que lá trabalhavam e que dizia o seguinte:

"Através de um controlo cuidado, acabei de verificar um desvio enorme de mercadoria no nosso armazém. A partir de agora, ninguém, além dos que trabalham no armazém, nele pode entrar sem autorização prévia.

Os colaboradores não podem transportar consigo quaisquer embrulhos para dentro ou fora do armazém e todos devem ser revistados quando acabarem o trabalho.

Os nossos leais e fiéis empregados não devem interpretar isto como desconfiança ou acusação, pois sabemos que todos gostarão que sejam tomadas providências para eliminar qualquer possibilidade de estarem implicados no desvio da mercadoria.

Agradeço a sua colaboração e a sua ajuda."

1. Se fosse um colaborador que trabalhasse há muito tempo no armazém, como reagiria ao ler a carta?

2. Pensa que todos interpretarão a carta do mesmo modo? Justifique.

3. Como procederia, se fosse o director da empresa?

4. Pensa que se trata de um problema de comunicação? Porquê?

5. Se optasse por escrever uma carta sobre esse assunto, como a escreveria?

Actividade 11

OBJECTIVO:

Mostrar que os valores e as crenças adoptados e inerentes a cada sujeito, determinam não só a sua acção mas também as suas opções. Os valores diferem não só de grupo para grupo mas também de pessoa para pessoa.

Os vários elementos do grupo discordam, muitas vezes, porque os seus valores e as suas crenças diferem.

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ABRIGO SUBTERRÂNEO:



Imagine uma cidade que está sob a ameaça de um bombardeiro. Um homem pede-lhe que tome uma decisão imediata.

Existe um abrigo subterrâneo que só pode acomodar seis pessoas.

Há doze que pretendem entrar.

A seguir, apresenta-se uma relação das doze pessoas que estão interessadas em entrar no abrigo.

Refira apenas as 6 pessoas que, na sua opinião, deveriam entrar no abrigo.

Um violinista com 40 anos de idade, viciado em narcóticos.

Um advogado com 25 anos de idade.

A mulher do advogado com 24 anos de idade, que acaba de sair do manicómio. Ambos preferem, ou ficar juntos no abrigo ou ficar fora dele.

Um sacerdote com a idade de 75 anos.

Uma prostituta com 34 anos de idade.

Um ateu com 20 anos de idade, autor de vários assassinatos.

Uma universitária que fez voto de castidade.

Um físico com 28 anos de idade, que só aceita entrar no abrigo se puder levar consigo a sua arma.

Um declamador fanático com 21 anos de idade.

Uma menina com 12 anos de idade e baixo Q.I.

Um homossexual com 47 anos de idade.

Uma débil mental, com 32 anos de idade, que sofre de ataques epilépticos

Compare a sua selecção com a dos seus colegas.

(fig.)

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Tarefa 2


1. Comente, de forma desenvolvida, o tema implícito na seguinte afirmação:

"Vivemos numa sociedade tecnológica onde proliferam os meios de comunicação mas onde, igualmente, a comunicação se torna cada vez mais pobre e limitada".

2. Suponha que é eleito para uma comissão de "desenvolvimento e promoção de comunicação e interacção pessoal".

- O que faria?

- Que plano estabeleceria?

- Que estratégias seguiria?

Elabore um programa de acção.

(fig.)


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84

Correcção do pré-teste



1. Comunicar é pôr em comum ideias, pensamentos e sentimentos.

2.

a) de índices



b) de signos verbais - a linguagem

c) de gestos

d) de expressões faciais

e) de posturas corporais

f) do nosso vestuário

g) de silêncios

3. "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és".

"Quem muito fala, pouco acerta".

"O gesto é tudo".

"Deixai falar as crianças. Da sua boca sai a verdade".

4. Porque através da comunicação aprendemos as regras e a cultura da nossa sociedade, adquirimos informação e saber e comunicamos os nossos desejos, interesses e necessidades.

5. Porque, mesmo que não queiramos ou disso não tenhamos intenção, estamos constantemente a comunicar, através, não só dos sinais que utilizamos (signos e símbolos) mas também de índices comportamentais.

6. É um processo dinâmico que se enraíza no passado e evolui com o tempo no sentido de se ajustar cada vez mais às necessidades sociais e individuais. A linguagem é diversa e dotada de uma grande riqueza significativa.

7. Porque a comunicação só é possível quando o emissor e o receptor dão o mesmo significado, a mesma representação à linguagem que utilizam. O significante tem que sugerir um significado comum, senão corre-se o risco da comunicação não funcionar ou ser distorcida.

8. O emissor, o receptor, o canal, a mensagem (código).

9. A cinésica, a proxémica, a paralinguística, o silêncio, o vestuário, etc.

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85

10. Através da linguagem não verbal transmitimos as nossas emoções e os nossos sentimentos e confirmamos ou não as mensagens verbais. Muitas vezes, esta comunicação não é intencional, mas nem por isso deixa de ser mais expressiva. O modo como pronunciamos as frases é tão significativo, ou ainda mais, do que o seu conteúdo verbalizado.



11. É tudo aquilo que impede ou distorce a comunicação, impedindo a recepção ou a transmissão correcta e fiel da mensagem.

12. Os ruídos, os valores e as crenças de cada indivíduo, o cansaço, a falta de motivação, os medos inerentes às pessoas e aos assuntos, linguagem demasiado técnica ou imperceptível, etc. Podemos considerar dois grandes tipos de barreiras: internas (inerentes ao sujeito) e externas (inerentes ao meio exterior).

13. Para transmitir conhecimentos, para dar ou receber informação, para persuadir, para socializar, para educar, para distrair, etc.

14. É a comunicação que se processa sem distorções, ruídos ou barreiras que impede uma boa recepção e significação correcta da mensagem. A emissão atinge os seus objectivos.

15. A habilidade para emitir e receber as mensagens, as atitudes positivas do sujeito para consigo, para com o assunto da comunicação e para com aquele com quem comunica.

16. Porque o modo como nos comportamos quando estamos na relação com o outro influencia o modo como ele se relaciona connosco. Comportamento gera comportamento. Simpatia, gera simpatia e, antipatia, gera antipatia.

(fig.)

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86

BIBLIOGRAFIA

ADAMS, Linda, Communication efficace, Quebec, Le jour éditeur, 1993

BERLO, David, R., O processo de comunicação (6º ed), S. Paulo, Liv. Martins Fontes Editores, 1989.

CARVALHO, José G., Teoria da linguagem, Coimbra, Atlântida, 1979.

DECKER, Bert, L'art de la communication, Paris, Press du Management, 1990

FORGAS, J., Interpersonal Behaviour.- The Psychology of social interction, Sydney Pergamon Press, 1985.

FRITZEN, Silvino J, Exercícios práticos de dinâmica de grupo, Vozes, Petropólis, 1.1' vol., 1981, pp. 61-62

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GABS-Jissey, Comunicacion, Je, Je, Je!!, Barcelona, Edicions Gestió 2000 SA, 1997

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KNAPP, M,. Nonverbal communication in human interaction, Nova Iorque, Rinehart & Winston, 1972

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MYERS, Myers, Les bases de la comunication interpersonelle, Québec, McGraw Hill, 1984.

RODRIGUES, A. D., Estratégica da comunicação, Lisboa, Ed. Presença, 1990.

WIENER, M. e outros, Nonverbal Behaviour and nonverbal communication, em "Psychological" review, vol. 79, 1972.

WOLF, Mauro, Teorias da comunicação, Lisboa, Ed. Presença, 1987.

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MÓDULO 2

O processo de desenvolvimento interpessoal: a formação do EU e o conhecimento do OUTRO

(fig.)

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88

Magritte


"A resposta Imprevista"

1933


Óleo sobre Tela

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89

Sumário


Finalidades ... 90

Pré-teste ... 90

Objectivo 1 - Identificar o processo de construção da percepção do mundo, pelo sujeito ... 92

Objectivo 2 - Relacionar a linguagem utilizada, com a percepção ... 99

Objectivo 3 - Interpretar o desenvolvimento humano e a formação do EU em função da interacção social ... 101

Questionário 1 ... 104

Respostas ao questionário 1 ... 105

Objectivo 4 - Relacionar a qualidade das relações interpessoais com o desenvolvimento do indivíduo ... 106

Objectivo 5 - Identificar os factores que afectam a qualidade das relações interpessoais ... 108

Objectivo 6 - Identificar o processo de tomada de perspectiva social do indivíduo ... 113

Objectivo 7 - Definir os diferentes níveis de estratégias de negociação interpessoal ... 115

Tarefa 1 ... 117

Resposta à tarefa 1 ... 118

Objectivo 8 - Definir auto-conceito e especificar a sua formação ... 119

Objectivo 9 - Definir auto-estima e especificar a sua formação ... 123

Objectivo 10 - Relacionar o auto-conceito e a auto-estima com o desempenho nas tarefas ... 126

Objectivo 11 - Relacionar o fenómeno das atribuições com o desenvolvimento da auto-estima e do auto-conceito ... 128

Questionário 2 ... 135

Resposta ao questionário 2 ... 136

Objectivo 12 - Relacionar o efeito expectativa com o auto-conhecimento ... 137

Objectivo 13 - Explicar a importância da confirmação e da infirmação da mensagem no autoconhecimento ... 140

Questionário 3 ... 142

Resposta ao questionário 3 ... 143

Objectivo 14 - Identificar a importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal ... 144

Objectivo 15 - Identificar os factores que contribuem para formar as primeiras impressões ... 146

Questionário 4 ... 148

Resposta ao questionário 4 ... 149

Objectivo 16 - Relacionar a formação das primeiras impressões com o fenómeno da categorização ... 150

Objectivo 17 - Identificar as disfunções da categorização ... 153

Tarefas ... 155

Actividades ... 157

Correcção do pré-teste ... 175

Bibliografia ... 177

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90

Finalidades

No final deste módulo deverá:

- compreender a emergência do sujeito psicológico como produto da relação interpessoal;

- identificar os mecanismos responsáveis pela formação do EU na dinâmica pessoal e interactiva;

- identificar os mecanismos responsáveis pela formação das primeiras impressões e do conhecimento que se adquire dos outros.

ANTES DE FAZER ESTE PRÉ-TESTE, LEIA OS OBJECTIVOS ESPECÍFICOS. SE PENSA QUE OS DOMINA, FAÇA O PRÉ-TESTE E CONFIRA AS SUAS RESPOSTAS COM AS QUE SE APRESENTAM NO FINAL DO MÓDULO. SE NÃO DOMINA OS OBJECTIVOS, INICIE O ESTUDO DO MÓDULO.

Pré-teste

Diga se está de acordo ou não com as 5 primeiras afirmações que se seguem e justifique a sua posição.

1. "A concepção que temos do mundo é independente do contexto sócio-cultural em que vivemos".

2. "O homem recebe passivamente as impressões e os estímulos provenientes do meio envolvente".

3. "A percepção dos indivíduos é objectiva".

4. "O sujeito cria o que vê".

5. "A comunicação não é possível porque não há consenso relativamente à realidade percepcionada".

6. Identifique os processos através dos quais nós podemos verificar se as nossas percepções correspondem ou não à realidade objectiva percepcionada.

7. Mostre de que modo, através da comunicação, é possível controlar a percepção individual.

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91

8. Enumere as razões pelas quais a comunicação entre os indivíduos não se faz de forma clara, rigorosa e absoluta.



9. Como explica que a relação que o ser humano tem ao longo do seu desenvolvimento, com as outras pessoas, possa influenciar o seu auto-conhecimento?

10. Indique alguns tipos de respostas/comportamentos que o sujeito pode ter, na relação interpessoal, que o levem a afirmar-se perante o outro e aí estabelecer uma comunicação aberta.

11. Indique alguns tipos de respostas/comportamentos, que o sujeito possa ter, na relação interpessoal e que prejudiquem a sua comunicação.

12. Distinga auto-conceito de auto-estima.

13. Como se desenvolve a auto-estima?

14. Considera que é o facto de o sujeito ter uma grande auto-confiança que contribui para um bom desempenho nas tarefas, ou o inverso? Porquê?

15. Quando encontramos uma pessoa, pela primeira vez, temos tendência para formar acerca dela uma imagem. Como explica este fenómeno? Quais as suas vantagens? Quais as suas desvantagens?

16. Porque é que os primeiros encontros são importantes para a relação interpessoal?

17. Como explica que o comportamento de uma determinada pessoa possa ser interpretado de diferentes modos, por diferentes sujeitos?

18. Que entende por identidade social virtual?

(fig.)

A realidade percepcionada é influenciada pelo sujeito que percepciona



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92

Objectivo 1



Identificar o processo de construção da percepção do mundo pelo sujeito

A percepção do mundo é algo que se vai construindo através do processo de comunicação interpessoal. Trata-se de um fenómeno interno.

A percepção desenvolve-se em função do contexto sócio-cultural em que se vive.

É através dos sentidos que captamos a realidade envolvente.

Nós estamos constantemente a receber sensações do mais variado tipo.

Perante esta multiplicidade de estímulos, provenientes do mundo empírico, o ser humano não é um receptor passivo.

Pelo contrário, o ser humano selecciona e discrimina os estímulos de tal modo que, os mesmos estímulos poderão ser interpretados de diferentes modos, por diferentes sujeitos.

Diferentes sujeitos, perante os mesmos objectos, desenvolvem interpretações diferentes.

Será possível falar-se em objectividade perceptiva?

A experiência que cada um adquire é única, ainda que possa ser partilhada pelos outros.

É através da comunicação que se processa a estruturação da realidade.

O comportamento de cada um, forma-se em função da imagem que adquire do mundo, em função da experiência, das pessoas e das situações percepcionadas, em suma, em função da percepção que se faz da realidade.

Cada indivíduo organiza os diferentes estímulos sensoriais e integra-os, num quadro coerente e significativo, que constitui o seu próprio mundo.

Dado o carácter activo e interventivo do sujeito no processo de percepção, é possível afirmar-se que o sujeito cria o que vê.

Aquilo que vemos é aquilo que é, de facto, real para nós.

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93

O conhecimento que temos das coisas dá-nos algum sentimento de segurança e permite-nos reagir rápida, automaticamente e de forma adequada, em função da nossa experiência anterior.

Apesar da personalidade e individualidade das percepções, elas podem ser partilhadas com os outros porque em muitas situações são semelhantes às suas.

A realidade objectiva transforma-se numa realidade perceptiva, consensual, criada pelos sujeitos, que, de certo modo, possuem os mesmos mecanismos neurobiológicos e sensitivos.

Na prática como é que podemos verificar as nossas percepções? Como nos podemos certificar da sua veracidade e objectividade?

Podemos fazê-lo através de:

a) VALIDAÇÃO CONSENSUAL - Ou seja, verificar se as outras pessoas percebem as mesmas coisas, do mesmo modo que nós.

Com a confirmação dos outros, adquirimos o sentimento de percebermos correctamente as coisas.

De certo modo, dependemos dos outros para seleccionar o que é verdadeiro e o que não é, ainda que se corram alguns riscos desta dependência, relativamente aos outros.

Confiamos tanto mais na nossa percepção quanto mais os outros têm uma percepção semelhante.

b) A REPETIÇÃO - Nós confiamos tanto mais nas nossas percepções quanto mais elas se nos tornam repetitivas, isto é, aparecem com frequência no nosso campo perceptivo.

Se percepcionarmos a mesma coisa ao longo do tempo, isso dá-nos alguma confiança relativamente à nossa percepção.

c) PERCEPÇÃO MULTI-SENSORIAL - Se percepcionarmos a mesma realidade através de vários sentidos poderemos confirmar essa mesma percepção.

d) COMPARAÇÃO - Se compararmos a nossa percepção actual com as percepções das nossas experiências anteriores, semelhantes, isto é, se verificarmos que uma percepção é semelhante a outra já vista, poderemos confirmar a sua veracidade.

O homem tem capacidade para classificar, categorizar e organizar as suas

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94

experiências. Por isso é, possível comparar as novas percepções com as antigas.

A partir destas verificações e comparações, o homem pode adquirir alguma certeza acerca daquilo que tem para comunicar; as percepções tornam-se comunicáveis, isto é, podemos falar delas.

Por isso, comunicar pode ser considerado uma anunciação pública das nossas percepções íntimas.

Saberemos se a nossa comunicação teve sucesso, isto é, se fomos ou não capazes de comunicar se as reacções dos outros nos dizem algo acerca das nossas percepções e nos dão alguma indicação sobre o clima da comunicação.

Quando seleccionamos, de entre vários estímulos, aqueles que iremos percepcionar, organizamo-los de determinada maneira e não ao acaso.

Observe as figuras abaixo

O que vê?

Podemos organizar os contrastes e as manchas a preto e branco nalgumas figuras, consoante o que colocamos em 1º e em 2º plano.

Nem todas as pessoas organizam as mesmas formas do mesmo modo. Muitas têm dificuldade em organizar os pequenos estímulos, numa imagem coerente.

Uma só imagem, contendo as mesmas linhas e a mesma forma, permitem ver duas figuras diferentes. A organização daquelas depende da pessoa que percebe.

(fig.)


O que vê nesta figura? O vaso ou as duas figuras?

(fig.)


O que vê nesta figura? Que idade tem a senhora que vê? Que género de chapéu usa ela?

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95

(fig.)


É uma espiral? Não - é uma série de círculos dentro de círculos. Verifique passando o dedo à volta. Esta ilusão é conhecida pela espiral de Fraser.

(fig.)


Junte as pontas dos indicadores e ponha-as em frente dos olhos, junto à cara. Foque o olhar para longe, para lá dos dedos. Separe os dedos ligeiramente e verá uma pequena salsicha flutuante!

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96

(fig.)


Este conjunto de 20 manchas compõe a figura de um cão.

(fig.)


Neste conjunto de manchas consegue ver a cara de Cristo?

(fig.)


Apesar desta figura não ter cantos, a nossa percepção preenche-os de forma a vermos um quadrado.

(fig.)


Estas linhas negras e brancas ondulam como ondas e parecem mover-se sem cessar

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97

Texto 1:


"Na Psicologia, perceber é ter consciência de um objectivo que se fez presente através de sensações. Enfatizando: entende-se que os estímulos sejam indispensáveis à ocorrência de percepção. Entretanto, o processo perceptivo não transcorre de uma maneira linear, ou seja, do estímulo à consciência, através dos sentidos físicos.

Há indicações (teóricas e empíricas) de que os percebedores, longe de serem passivos, deixando-se controlar completamente pelo objecto, participam activamente na produção das percepções.

É a subjectividade do processo perceptivo (...)

Um aspecto particular de subjectividade é o carácter selectivo da percepção: ao perceber, não se apresentam em igualdade de condições os diversos elementos que compõem a realidade objectiva em que ele se insere; não porque não haja necessariamente diferenças quanto à intensidade dos estímulos, mas porque, aos itens do mundo sujeitos à percepção humana, se aplicam valorizações diferentes. (...)

A realidade sujeita à nossa percepção é também organizada e significativa (...) Percebemos o objecto de forma ordenada."

KRUGER, Helmuth, Introdução à Psicologia Social, S. Paulo, E.P.U., 1986, pp. 55-56.

Texto 2

"Existe uma lenda sobre 3 Hindus que viviam num país, onde o elefante era o principal animal de carga.



Estes 3 homens, cegos de nascença, nunca tinham visto um elefante. Um dia quiseram saber a que se assemelhava o elefante. Decididos a satisfazer a sua curiosidade dirigiram-se para a estrada e andaram, até encontrar um elefante. Encontraram-no e o 1º colocou a mão no flanco do animal, o segundo tocou na tromba do elefante e o terceiro agarrou a cauda do animal.

A falar do animal, o 1º disse: 'Para minha grande surpresa o elefante é como uma grande parede lisa'.

'Tu tens uma ideia errada, disse o 2º cego, ele é como um tronco de árvore.' 'Estão os dois enganados, disse o 3º cego, porque constatei que um elefante é como um chicote de amarra'.

Cada um deles fez uma ideia muito limitada do elefante. Se eles pudessem ter na mão uma escultura miniatura de um elefante e tacteá-la com os dedos, teriam uma representação mais real da forma do elefante".

MYERS, Meyrs, Les bases de la comunication interpersonnelle, Quebeque, MacGraw-Hill, 1984, p. 23

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98

Texto 3


"O hábito pode afectar a nossa maneira de perceber as coisas, enquanto que a nossa aprendizagem pode influenciar o nosso aparelho preceptivo, gerando expectativas relativamente àquilo que percebemos. Vemos aquilo que esperamos ver. (...)

As aprendizagens efectuadas e a formação que nós adquirimos influenciam o que percebemos. A educação, é antes de mais, um processo de diferenciação e uma aprendizagem da discriminação. Duas coisas que parecem semelhantes a dois leigos, apresentam diferenças significativas para um especialista.

Com efeito, a formação particular de cada um afecta a sua percepção. Um médico, um mecânico e um agente da polícia comentarão o mesmo acidente, a que assistiram, evidenciando aspectos diferentes.

O médico referirá as pessoas e os ferimentos, o mecânico comentará os estragos nos automóveis e o agente de polícia tentará saber quem é o responsável pelo acidente. Cada um relacionou os aspectos que lhe pareceram mais importantes (...).

De certo modo, nós temos 'redes' nas nossas cabeças. Estas 'redes' não são feitas de fio mas de tudo aquilo que faz com que um indivíduo seja único: os nossos componentes fisiológicos, as nossas motivações, aspirações, necessidades, interesses, medos, desejos, aprendizagens e experiências passadas, formação, etc. Estas 'redes' agem como filtros e todos os estímulos provenientes do meio passam através desses filtros antes de serem percebidos. Cada um de nós possui o seu próprio sistema de filtros. Apesar de partilharmos o meio e os mesmos estímulos que as outras pessoas, nós filtramos deles, aspectos diferentes".

MYERS, Myers, Les bases de la comunication interpersonnelle, Quebec, McGraw-Hill, 1984, pp. 28-29

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99

Objectivo 2



Relacionar a linguagem utilizada com a percepção

O homem, à medida que vai crescendo, vai percebendo e conhecendo a realidade que o cerca. Trata-se de uma realidade empírica que é captada através dos sentidos.

A percepção da realidade, sendo ela própria um processo de construção individual, é também orientada em função da experiência dos outros e adquirida através da comunicação e da aprendizagem.

Frequentemente, os outros tendem a corrigir a nossa percepção de modo a adequar-se àquela que é comummente aceite e que tende a ser reforçada, através da confirmação social.

O homem observa os objectos, as coisas as pessoas, os acontecimentos e as situações. Perante este conjunto de sensações percebidas, ele não se apresenta como um ser passivo.

Toda a informação recebida desenvolve, no sujeito, um mundo interior traduzido em sensações, sentimentos e ideias. Este mundo transforma-se e constitui um mundo simbólico.

A linguagem, no seu sentido mais geral, pode ser considerada como um conjunto de sinais (signos e símbolos) através dos quais nós podemos comunicar uns com os outros, referindo-nos a situações existentes, concretas e reais, mas que não necessitamos de ter presente no momento da comunicação porque são substituídas por esses sinais.

O desenvolvimento humano só foi possível mediante a criação de símbolos que, sendo registados na memória do homem, se transmitem de geração em geração, enriquecendo o conhecimento e a experiência de cada um.

Através dos símbolos, o homem pode transformar a sua experiência imediata do mundo empírico e comunicá-la.

Porém, o que cada homem comunica aos outros não é experiência em si, tal como foi vivida, mas a representação dessa experiência.

O mapa que utilizamos quando viajamos e que nos indica a estrada e os locais por onde passamos, não é exactamente os locais e as estradas tal como existem realmente, mas sim a sua representação.

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100

Já verificámos, anteriormente, que o homem possui meios de validação do seu mundo representativo e simbólico de modo a garantir o máximo de objectividade desse mesmo mundo.

Cada homem é um ser único, cujos sentimentos, emoções e ideias se particularizam e individualizam em função da sua vivência particular.

A percepção da realidade adquire, desde o início, um significado particular para cada sujeito, em função da sua experiência anterior, sentimentos, emoções, ideias, preconceitos, etc.

O homem utiliza palavras e gestos para descrever o que observou. Porém, as pessoas não têm exactamente as mesmas experiências nem os mesmos sentimentos relativamente ao mesmo tipo de estímulos. É exactamente este facto que impede que a comunicação entre os homens se faça de forma clara, rigorosa e absoluta.

Perante as mesmas situações cada pessoa desenvolve uma experiência diferente, atribuindo uma significação pessoal a essa experiência.

A comunicação interpessoal perfeita é impossível, o que não significa que o homem não se esforce cada vez mais para interpretar o mais correctamente possível as informações que recebe e fazer-se compreender o melhor possível, pelos outros.

Ter consciência deste fenómeno permite uma maior abertura e disponibilidade para a reformulação das nossas ideias e representações e, simultaneamente, uma maior compreensão das ideias e dos pontos de vista dos outros.

(fig.)

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101

Objectivo 3

Interpretar o desenvolvimento humano e a formação do EU em função da interacção social

Todos os seres humanos vivem em sociedade e desenvolvem-se em função dela. As sociedades dos homens diferem entre si, mas existem características que predominam em todas elas, tais como:

O TRABALHO - Em todas as sociedades os homens empenham-se no trabalho, utilizando ferramentas e desenvolvendo habilidades específicas. Em todas as sociedades os homens têm que prover alimentos, abrigo e roupa.

A DANÇA E O CANTO - Todas as sociedades desenvolvem actividades "recriativas", tais como a dança e o canto, enfeitando-se e criando objectos de arte.

VALORES ÉTICOS - Todas as sociedades agem em termos de certo e errado, sendo a educação desenvolvida em função desses valores. Todas as sociedades formulam teorias e crenças sobre a constituição do Mundo e sobre a sua própria história.

EDUCAÇÃO - Todas as sociedades possuem um sistema de educação, através do qual as crianças e os jovens aprendem as práticas, as habilidades e as crenças da sociedade.

Todas estas actividades, desenvolvidas e perpetuadas de geração em geração, só são possíveis graças á linguagem e aos diferentes meios de comunicação que as sociedades criam e utilizam, em função das suas características particulares.

É evidente que todas estas características da sociedade só são possíveis graças aos factores psicológicos. São os seres humanos, individualmente, que criam e que fazem os instrumentos e as regras. É a imaginação, a inteligência e a paixão do ser humano particular que dão vida aos factos sociais, porque, sendo produto da criação individual, são apropriados pelo todo social.

O homem, enquanto ser individual, é o resultado de uma série de transformações. O homem evolui a nível das estruturas e capacidades físicas e mentais.

Todo o ser humano apresenta uma estrutura, um potencial que lhe permite captar e reagir às condições sociais e desenvolver relações interpessoais.

Os homens, quando interagem uns com os outros, produzem mudanças fundamentais, em si mesmos e nos outros com quem interagem.

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102

O homem transforma-se em ser humano, através dos encontros que mantém com os outros seres humanos.

O homem é um ser com uma grande extensão do campo psicológico, o que lhe permite obter uma série de transformações quer perceptivas quer cognitivas.

Os homens, ao contrário de muitos animais, não são dominados, exclusivamente, pelas necessidades de momento. O homem pode olhar para o passado e para o futuro e estabelecer relações causais, em função das experiências passadas e antecipar as consequências das suas acções futuras.

O homem torna-se um ser consciente que percebe, pensa e sente a sua vida interior. O homem assume atitudes perante si mesmo, controlando as suas acções e tendências.

Estes factos têm consequências profundas para as relações interpessoais.

O homem possui um campo mental com um extenso horizonte, o que torna possível relações diversificadas e duradouras.

O desenvolvimento da estrutura cognitiva do homem permite a integração de uma elevada extensão de conhecimentos, interligados entre si e estruturados de forma ordenada, o que permite estabelecer uma certa unidade às suas acções, aos seus pensamentos e à s suas relações com os outros.

O homem não reage de forma desordenada a cada impulso que lhe sobrevém. Ele subordina as necessidades umas às outras, de acordo com uma hierarquia por si mesmo determinada. O homem reflecte sobre as suas acções, emoções e motivações, julgando-as e criticando-as.

É porque o homem tem uma estrutura cognitiva estável que lhe é possível manter relações permanentes e estáveis, e não estritamente dependentes das acções imediatas.

O pai que se zanga com o filho porque, num determinado momento, teve um comportamento agressivo, não o castiga em demasia nem lhe chama "mau", porque se trata de um comportamento isolado, não consistente com o seu comportamento anterior.

A complexidade da organização social vivida pelo homem não pode ser dissociada da complexidade do seu sistema nervoso, nomeadamente da sua complexa estrutura cerebral.

São estas capacidades que fornecem a base para a transição da modalidade do viver bio-social para o humano-social.

CONTEXTO ESCOLAR - favorece, nas relações interpessoais, conteúdos de teor académico.

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103


Texto:

"A interacção social"

"Sempre que uma pessoa aceita a oportunidade de responder a outra, ela dispõe de muitas opções e defronta-se, de facto, com o problema de escolher uma resposta. A outra pessoa enfrenta o mesmo problema: ela também deve escolher uma resposta. Thibant e Kelley (1950) sugerem que as respostas escolhidas por cada pessoa combinar-se-ão, de algum modo, para afectar o nível de felicidade ou de satisfação de cada parte. Os sentimentos que resultam de combinação das respostas individuais de diferentes pessoas recebem o nome de desfechos da interacção.

A título de exemplo, consideremos o momento em que, no final de um primeiro encontro, surge a oportunidade de continuar uma subsequente saída. Para fim ilustrativo, suporemos que existem apenas duas respostas à disposição de cada pessoa: a disposição para novo encontro ou a relutância para aceitar novo encontro. Temos assim 4 combinações possíveis de comportamento:

1) ambas as pessoas podem revelar uma disposição positiva; 2) a primeira pessoa pode estar disposta e a segunda relutante; 3) a primeira pode estar relutante e a segunda disposta; 4) ambas podem expressar relutância. Cada uma destas combinações tem consequências reais para ambas as pessoas.

HARRISON, A. A., A Psicologia como Ciência Social, S. Paulo. Cultrix. 1975, pp. 395-396

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104


Questionário 1

1. Qual a relação entre a linguagem e a percepção?

2. O indivíduo comunica, exactamente, as suas percepções?

3. Relate uma experiência da sua vivência, que mostre a diversidade de significações atribuídas à mesma situação percepcionada. Considera este fenómeno prejudicial para as relações interpessoais? Porquê?

4. Porque é que a comunicação entre os homens não se faz de forma rigorosa?

5. Refira a importância da interacção social para o desenvolvimento humano e formação do eu.

6. O que permite ao Homem manter relações permanentes e estáveis com os outros?

7. Analise o texto 3.

7.1. Enumere os factores responsáveis pela subjectividade perceptiva.

7.2. Considera a educação um processo de diferenciação individual ou de igualdade social? Desenvolva, justificadamente, a sua posição.

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105


Respostas ao questionário 1

1. É através da linguagem (verbal ou não verbal) que transmitimos as nossas percepções, que as confirmamos e compreendemos o seu significado através das informações que nos são dadas pelos outros.

2. Não. Comunica a representação dessas percepções, ou seja, o modo como integra na sua individualidade (cognitiva e afectiva) essas percepções. Ele não comunica a percepção em si, porque esta está afectada de significações pessoais.

3.

4. Porque, dadas as suas diferenças individuais, nem todas interpretam e dão o mesmo significado aos estímulos ou situações percepcionados.



5.

a) É através da interacção social que o ser se transforma em Humano, que adquire as características comportamentais e psicológicas que o identificam como Homem.

b) É através da interacção que o ser desenvolve as suas capacidades mentais, a sua estrutura física e os seus sentimentos.

c) É através da interação que o Homem aprende as normas e as regras de sociedade.

d) É através do processo de interacção que o Homem desenvolve sistemas de motivações cada vez mais complexas e se projecta no futuro.

6. É o facto de ter desenvolvido uma estrutura cognitiva que lhe permite integrar e interligar os vários conhecimentos e experiências que vai adquirindo.

7.

7.1. A aprendizagem, a formação, a educação, as motivações, as necessidades, medos, os desejos, os interesses, etc.



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106


106

Objectivo 4:

Relacionar a qualidade das relações interpessoais com o desenvolvimento do indivíduo.

O modo como o indivíduo organiza e integra a sua experiência de relacionamento com os outros varia com o evoluir da idade e consequentemente com o evoluir da sua capacidade cognitiva.

O homem pensa, raciocina, faz juízos e interpreta a realidade de modo diferente de acordo com o seu nível de desenvolvimento cognitivo.

A criança, ao descrever uma pessoa, fá‑lo referindo‑se à sua aparência física, ou actividade. Dirá que é alta, tem o cabelo castanho, etc. ou ainda, que trabalha no lugar X e gosta de brincar...

(fig.)

A criança apresenta um determinado nível de desenvolvimento intelectual que determina e condiciona o modo como se relaciona com as coisas e com as pessoas.



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107


O adolescente já é capaz de descrever uma pessoa em termos psicológicos, porque infere essas características a partir do seu comportamento observável. Isto só é possível quando se detém quadros de referência construídos e elaborados ao longo da experiência quotidiana que permitiram qualificar e tipificar os outros com quem se relaciona.

O adolescente, ao contrário da criança, é capaz de se auto‑avaliar e de reflectir sobre si próprio e as suas experiências.

Uma das exigências fundamentais para que as relações interpessoais se tornem progressivamente mais ricas, positivas e maduras, é a necessidade de compreensão de si próprio e dos outros.

(fig.)


A criança ao descrever as pessoas, fá‑lo em função da sua percepção directa, daquilo que vê de imediato, da sua aparência ou da sua actividade. A criança não é capaz de se descentrar do seu ponto de vista. O adolescente apresenta uma estrutura cognitiva que difere qualitativamente da estrutura da criança. O seu nível de desenvolvimento cognitivo e a sua experiência de vida aproximam a sua percepção e compreensão da dos adultos com quem convive. O adolescente já é capaz de categorizar e típificar os outros com quem se relaciona, é capaz de interpretar intenções e inferir características psicológicas a partir dos comportamentos que observa. É capaz de colocar‑se no ponto de vista do outro.

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108

Objectivo 5:

Identificar os factores que determinam os diferentes tipos de relações interpessoais.

1. O Contexto de vida

O tipo de relações que as pessoas estabelecem, depende dos meios onde estas se inserem e das suas experiências quotidianas. A vivência na Família, na Escola, no grupo de Amigos, na Comunidade, no local de Trabalho etc., determinam e especificam o tipo de relações que ocorrem nesse contexto.

Em cada situação particular a relação centra‑se em conteúdos ou assuntos com ela relacionados. Sendo diferentes as actividades que os indivíduos realizam, em cada contexto, também o serão os conteúdos da relação interpessoal.

Na família ou no grupo de amigos, por exemplo, predominarão os conteúdos de carácter mais pessoal e no local de trabalho, predominarão conteúdos de carácter mais objectivo e profissional.

(fig.)


CONTEXTO FAMILiaR ‑ privilegia determinados conteúdos da relação interpessoal. Os indivíduos, ligados por laços familiares tendem a falar de si, das suas vivências pessoais, do quotidiano das suas expectativas e apoiam‑se mutuamente.

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109

(fig.)


Os estudantes falam da sua aprendizagem, do seu sucesso/insucesso, da sua relação com os professores e com os restantes colegas.

(fig.)


O GRUPO DE AMIGOS: os conteúdos da relação interpessoal incidem, essencialmente, sobre os interesses, os valores, as crenças e as necessidades de cada um. É um espaço onde é possível a relação entre pessoas com o mesmo nível etário e com características comuns.

(fig.)


O CONTEXTO DO TRABALHO: os conteúdos da relação interpessoal são, predominantemente, os que se relacionam com as condições, o ritmo e as tarefas profssionais.

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110

2. Papel Desempenhado

As pessoas desempenham diferentes papéis, consoante os ambientes e os contextos onde se inserem.

O mesmo indivíduo pode desempenhar o papel de pai (em relação ao filho), o papel de filho (em relação aos seus pais), o papel de chefe (em relação aos seus subordinados), o papel de consumidor, etc.

Em cada contexto, as pessoas estabelecem relações diferentes com os outros. O modo como o indivíduo se relaciona com os membros da sua família difere daquele que caracteriza a sua relação com os subordinados, no contexto profissional.

(fig.)


O PROFESSOR: no contexto escolar desempenha um papel específico que exige uma relação com os alunos no sistema de aprendizagem. Ele deverá ser um orientador do saber dos seus alunos. Mas, além de professor, ele desempenha, noutros contextos, outros papéis. Entre os seus colegas, ou na família, ele actua de acordo com as características da situação.

(fig.)


CHEFE: no seu papel de líder e no contexto do trabalho, desempenha um papel que determina, por vezes, o uso da autoridade e de alguma agressividade para com os subordinados, tendo em vista a consecução correcta das suas actividades. Porém, noutros contextos, desempenhando o papel de marido, pai, amigo, etc., ele pode ter uma relação, com os outros, de humildade, compreensão e cooperação.

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3. O Conteúdo da Relação

Quando uma pessoa se relaciona com outra, existem objectivos pessoais que condicionam essa relação. A relação pode ter como conteúdo um assunto estritamente pessoal, uma matéria de estudo ou um problema profissional. As trocas, entre os indivíduos variam de acordo com o conteúdo ou a matéria da relação.

(fig.)


Qual o conteúdo desta relação? Preencha os espaços em branco. Porque pensa ser esse o conteúdo?

4. O Interlocutor

A pessoa com quem se estabelece a relação é outro factor que determina o conteúdo da relação interpessoal.

Todas as pessoas diferem, de algum modo, em determinadas características, tal como, nas crenças, nos valores, nos conhecimentos, nas atitudes, etc. Cada elemento individual da relação tem as suas determinações específicas que, uma vez conhecidas pelo outro elemento da relação, a orienta.

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A relação que o adulto mantém com a criança não pode ser do mesmo tipo da que mantém com um adolescente, dadas as suas diferenças relativamente ao nível desenvolvimento da compreensão.

(fig.)


Todos nós temos tendência para regular o conteúdo da nossa relação de acordo com o conhecimento que temos do nosso interlocutor. Quando conhecemos as crenças, os valores e os interesses das pessoas com as quais nos relacionamos, falamos de algumas coisas e não de outras; escolhemos os conteúdos e a forma de os comunicar.

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Objectivo 6

Identificar o processo de tomada de perspectiva social do indivíduo.

O desenvolvimento interpessoal é uma das dimensões do desenvolvimento pessoal e implica determinados processos psicológicos inerentes à relação que o indivíduo estabelece com os outros.

Pode considerar-se a TOMADA DE PERSPECTIVA SOCIAL como a capacidade básica que determina a maneira como as pessoas pensam e conprendem a relação interpessoal.

A criança na sua relação com o adulto não consegue colocar‑se no ponto de vista deste. O seu egocentrismo intelectual, próprio do seu desenvolvimento intelectual, impõe-lhe o seu ponto de vista, como o único a admitir. O que é bom ou mau para ela, é necessariamente o que é bom ou mau para os outros. A criança não distingue a sua perspectiva, da perspectiva dos outros.

O adolescente, mercê da natural evolução psicológica, intelectual e social possui, já, uma capacidade cognitiva mais complexa para avaliar as relações interpessoais.

O adolescente e o adulto desenvolveram a capacidade racional de interpretar a sua relação com os outros, o que lhes permite distinguir o seu ponto de vista do ponto de vista dos outros. É possível colocar‑se noutros pontos de vista e analisar a realidade a partir de cada um deles. Ele próprio é ainda capaz, mercê de uma abstracção, de reflectir sobre a sua problemática relacional.

Esta evolução, da criança para o adolescente, mostra que se desenvolveram, ao longo do crescimento, uma série de transformações no pensamento sobre o social que, por sua vez, decorrem de transformações operadas no plano das estruturas cognitivas. Uma vez que estas estruturas têm um conteúdo de natureza interpessoal e social, chamar‑lhe‑emos de ESTRUTURAS SÓCIO‑COGNITIVAS.

O conhecimento que o indivíduo vai elaborando acerca da realidade exterior é um conhecimento construído. Ele não é um ser passivo e meramente receptivo onde se inscrevem as impressões adquiridas do exterior.

A mente humana elabora o conhecimento da realidade, de forma activa e dialéctica, porque interpreta, modifica e transforma essa mesma realidade. Os dados sensoriais diferem dos dados cognitivos, contribuindo para essa diferença, a própria estrutura cognitiva do sujeito.

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O que caracteriza fundamentalmente o ser adulto social é a sua capacidade de descentração. Consiste na capacidade de se colocar no ponto de vista do outro e orientar a sua interacção em função dessa percepção.

Como avaliar a compreensão interpessoal?

Robert Selman criou uma metodologia de avaliação da compreensão interpessoal através da apresentação de dilemas e questões que visavam essa mesma avaliação.

Vejamos um exemplo para avaliar a concepção interpessoal do sujeito relativamente ao conceito de amizade.

«Cristina e Judite são duas amigas. São vizinhas e frequentam a mesma turma. Cristina tem dificuldades nalgumas disciplinas mas Judite ajuda‑a imenso recapitulando as matérias com ela, nomeadamente na véspera dos testes. Mudou‑se para o bairro uma família que tinha uma filha da idade delas e que foi para a mesma turma. A Cristina foi convidada para ir a casa da Ana (a nova aluna e vizinha), que se mostrou muito simpática.

A Judite não gostou muito da Ana, porque lhe pareceu demasiado convencida e antipática.

Ao domingo, a Cristina e a Judite estavam sempre juntas após o almoço para estudar, passear ou ir ao cinema. Naquele domingo, a Ana convidou a Cristina que, entretanto, tinha já dito à Judite que se encontraria com ela para irem ao cinema.

A Cristina não sabia o que fazer.»

Se fosse a Cristina, como actuaria?

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Objectivo 7

Definir os diferentes níveis de estratégias de negociação interpessoal.

Estratégias de negociação interpessoal

Verificámos que a tomada de perspectiva social se relaciona com a estrutura cognitiva de compreensão da realidade social e interpessoal.

Falaremos agora, dos métodos que as pessoas utilizam para resolver situações problemáticas entre duas ou mais pessoas.

As estratégias de negociação interpessoal referem‑se aos processos cognitivos de organização da ACÇÃO interpessoal, ou seja, o que pode fazer. Situa‑se no campo específico da acção.

Robert Selman (1986) desenvolveu este campo de investigação a partir do modo como os sujeitos respondiam e agiam perante alguns dilemas que ele apresentava.

O que o autor e os seus colaboradores pretendem saber é como o indivíduo agiria perante essas situações de desequilíbrio e de conflito de interesses. O sujeito tem que dar uma série de passos, que seguir un percurso cognitivo, para solucionar situações do quotidiano que implique a interacção com os outros.

O modelo de E.N.I. é, pois, um MODELO FUNCIONAL que pressupõe a existência de determinadas etapas ou passos para a resolução de problemas. Perante a situação que urge resolver, há um processamento de informação que segue um percurso cognitivo para solucionar as situações do quotidiano de interacção com os outros

Etapas


1. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

2. SELECÇÃO DA ESTRATÉGIA DE ACÇÃO

3. JUSTIFICAÇÃO DA ESTRATÉGIA

4. ANTECIPAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS

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Níveis de desenvolvimento das estratégias de negociação interpessoal.

NIVEL 0: O indivíduo não tem em conta os diferentes pontos de vista e de perspectivas. O seu raciocínio tende a estabelecer estratégias impulsivas e físicas de confronto ou também de fuga da situação conflituosa.

(fig.)

A agressão é uma estratégia caracteristica de quem não tem capacidade para negociar o seu ponto de vista com o do outro. Revela imaturidade nas relações interpessoais.



NIVEL 1: A este nível o indivíduo reconhece a diferença entre o seu ponto de vista e o ponto de vista do outro numa determinada situação mas não coordena as duas perspectivas, não as percepciona separadamente. Utilizam‑se estratégias em sentido único.

Normalmente há uma tendência para a acomodação passivas às necessidades e pedidos dos outros.

(fig.)

A incapacidade para coordenar o seu ponto de vista com o ponto de vista dos outros impede que o sujeito se envolva em estratégias de negociação. A pessoa torna‑se passiva e acomoda‑se como se a sua presença e imtervenção não interessasse.



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NIVEL 2: A este nível o sujeito reconhece os diferentes pontos de vista que, quer ele quer o outro, têm. Verifica que tem a mesma capacidade para estabelecer planos, reflectir, e a mesma capacidade para se influenciarem mutuamente. É possível partir da perspectiva da segunda pessoa, utilizando estratégias de persuasão, para convencer o outro.

NIVEL 3: O sujeito apercebe‑se de que existem estratégias para a resolução dos problemas na qual intervêm todas as partes. Tem‑se em consideração os pontos de vista do próprio e do outro, envolvendo compromissos, negociações e desenvolvimento de objectivos comuns.

(fig.)

O sujeito que quer intervir de forma activa na relação interpessoal tem que se integrar na relação, expondo o seu ponto de vista e compreendendo o ponto de vista dos outros. Esta atitude exige a sua afirmação e apresentação dos seus objectivos, colaborando para o desenvolvimento de objectivos comuns.



Tarefa 1

Situação


A Isabel começou a trabalhar há 3 meses no hipermercado.

É casada e tem um filho. À noite, está bastante cansada, porque durante o dia trabalha com o seu máximo empenhamento. Há um mês o seu chefe‑gerente tem‑lhe pedido para, nalguns sábados, trabalhar até mais tarde, mas só lhe pede na sexta‑feira à tarde. São‑lhe pagas horas extrãordinárias mas a Isabel não anda satisfeita porque ele lhe faz o pedido muito tardiamente.

1. Como poderia a Isabel resolver a situação, utilizando as diferentes estratégias de Negociação lnterpessoal?

2. Identifique a situação ou o contexto da sua vivência pessoal, onde a qualidade da sua relação interpessoal é superior. Justifique.



3. Analise a sua estratégia de negociação social mais comum. Justifique.

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Resposta à tarefa 1

1.

Nível 0: A Isabel tenta não encontrar o chefe à sexta‑feira de tarde; comportamento de fuga.



Nível 1: A Isabel vai trabalhar ao sábado, mesmo que isso lhe cause muito transtorno e afecte a sua vida familiar.

Nível 2: A Isabel convence o seu chefe, argumentando convictamente e defendendo o seu ponto de vista de modo a fazê‑lo compreender que, de facto, não pode trabalhar ao sábado.

Nível 3: A Isabel falaria do assunto com o chefe e estabeleceria uma estratégia de negociação de modo a ser avisada mais atempadamente e a ficar somente nos sábados em que seria estritamente necessária a sua presença.

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Objectivo 8

Definir auto‑conceito e especificar a sua formação.

O auto‑conceito é a percepcção que o indivíduo tem de si. É o que cada um pensa e conhece de si.

Os primeiros autores a utilizar o termo auto‑conceito foram William James (1890) e Herbert Mead (1934).

William James considera que o SELF (o sujeito) se «divide» em duas partes: o EU e o ME.

- O EU é o sujeito, enquanto sujeito (do conhecimento)

‑ O ME é o sujeito enquanto objecto (objecto de conhecimento)

É a partir desta dicotomia que o sujeito se analisa e percebe o que se passa consigo.

Em termos de conhecimento, o EU é simultaneamente sujeito e objecto de conhecimento.

O EU interessa‑se por si próprio, analisa‑se e observa‑se, tem a capacidade de olhar para si próprio.

O sujeito, EU, apercebe‑se do que se passa consigo.

O ME é o objecto do olhar do eu, e o EU é a parte do sujeito que olha e analisa o ME.


O AUTO‑CONCEITO, ou seja o modo como a pessoa se descreve a si própria, evolui com a idade. A descrição que uma criança de 6 anos faz de si é diferente da descrição de uma criança de 10 anos.

A capacidade de auto‑análise vai evoluindo com o crescimento porque:

1. Por um lado, a realidade interna do sujeito muda e, como sua consequência, muda também a descrição que faz de si. No fundo, o próprio sujeito é diferente nos diferentes momentos do seu evoluir.

2. Por outro lado, a capacidade que o sujeito tem para se auto‑analisar e descrever, também muda.

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Quer o ME quer o EU evoluem com o crescimento do sujeito, no tempo.

Por isso, as descrições do «self» podem corresponder a mudanças e evoluções no EU e no ME.

O auto‑conceito tem a ver com a questão formulada pelo sujeito:

«Quem sou eu?»

Responder a esta questão é avaliar as suas competências nos mais variados domínios espiritual, social, material, corporal, escolar, etc.

Cada pessoa reconhece‑se como mais ou menos competente num determinado domìnio do desenvolvimento do Eu, julgando‑se mais ou menos competente.

É este juízo que o indivíduo faz de si, que se liga a determinados sentimentos de vergonha ou de orgulho que poderão ser facilitadores ou inibidores do comportamento e desempenho social.

O modo como o indivíduo se descreve a si próprio e se considera mais ou menos competente tem a ver com uma série de factores, que a seguir descrevemos.

1. A apreciação que os outros nos fazem

O ser humano, como já amplamente demonstrámos, depende dos outros, nas suas múltiplas variáveis. O que os outros pensam acerca de si e o modo como o apreciam, é fundamental para o seu auto‑conceito.

O modo como o indivíduo se descreve e se pensa é, de certo modo, construído em função do modo como os outros o vêem e o pensam.

São as pessoas mais significativas para o EU, pais e professores que, numa primeira fase do desenvolvimento, mais contribuem para a formação do auto‑conceito.

Os pais, durante muitos anos, têm a oportunidade única de se apresentarem aos seus filhos como modelos e de os informar acerca do que gostariam que eles fossem. Se aquilo que os pais desejavam que o filho fosse, e aquilo que ele é realmente, é muito diferente, isso reflectir‑se‑á no seu auto‑conceito, através do sentimento de desvalorização.

Os filhos que são bem aceites pelos pais desenvolvem um auto‑conceito valorizado e têm facilidade nos contactos interpessoais.

Os filhos que ouvem frequentemente expressões do tipo: «És um incompetente, és um inútil, não sei a quem sais, etc.» formam de si um mau auto‑conceito, com todas as consequências daí inerentes.

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2. O significado atribuído ao comportamento e ao que os outros dizem de si

Herbert Mead (1934) afirma que o AUTO‑CONCEITO tem a sua origem na INTERACÇÃO SOCIAL.

Este autor é o defensor do INTERACCIONISMO SIMBÓLICO e considera que as pessoas respondem ao meio, às coisas e às pessoas em função da forma como entendem e interpretam esse meio.

Segundo esta perspectiva, o meio não interfere directamente no indivíduo, isto é, este não se apresenta de forma passiva ao receber os diferentes estímulos do meio.

O sujeito interpreta os diferentes estímulos e é em função dessa interpretação e significação que lhe é atribuida, que ele age e se conhece.

O autor afirma que as atitudes que as pessoas têm em relação ao sujeito, nomeadamente as pessoas que são significativas para o sujeito, são determinantes no modo como ele vai construir o seu SELF.

Se estas pessoas têm atitudes negativas para o sujeito e são sentidas por ele como desvalorizantes, então é possível que ele construa uma imagem de si, interiorizando esse tipo de atitudes negativas e construa um SELF DESVALORIZADO e desvalorizante.

O que interessa na interacção, mais do que as atitudes negativas que as pessoas manifestam, é o modo como o sujeito entende essas atitudes.

Sendo assim, não é o meio e os outros que determinam directamente o comportamento do sujeito (ão contrário do que afirmara a teoria behaviorista), mas sim o SELF.

É o modo como o sujeito se olha, se sente e se percebe que determina o modo como vai abordar os vários tipos de estímulos e situações sociais.

Um indivíduo com um Self mais valorizado, ao enfrentar o mesmo tipo de tarefa que um indivíduo com o Self desvalorizado, terá necessariamente uma resposta diferente, o que influencia os seus resultados.

Purkey considera que o auto‑conceito é um sistema dinâmico e complexo de crenças que o indivíduo tem relativamente a si próprio e acrescenta que ele tem um papel essencialmente selectivo. Isto significa que, se pensarmos de determinada maneira sobre quem somos, temos tendência a seleccionar do meio tudo aquilo que confirma aquilo que o indivíduo pensa acerca de si.

Normalmente, o indivíduo tende a agrupar‑se e a conviver com pessoas que têm uma ideia acerca dele muito semelhante ao seu auto‑conceito.

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Se um adolescente, por exemplo, possui um auto‑conceito negativo, curiosamente, ele poderá ter tendência para se agrupar com sujeitos que pensam negativamente acerca de si, isto é, que o desvalorizam, que o vêem tal como ele próprio se vê.

«Quem sou eu?»

Esta questão é uma constante da existência de cada um de nós e torna‑se mais significativa em momentos de crise ou em momentos em que é necessário tomar decisões importantes.

Nós sabemos quem somos mediante um processo de comunicação interpessoal.

O que nós pensamos acerca de nós mesmos é uma consequência do modo como os outros nos vêem.

Desde o nascimento, o ser humano vive constantemente com outras pessoas, dependendo delas para viver; são as pessoas que exercem a influência sobre cada um, que servem de modelo e adquirem um papel significativo para o EU.

O indivíduo conhece‑se tanto melhor quanto maior for a sua habilidade para manter relações construtivas e responsáveis com os outros.

Aquilo que cada um de nós julga ser, determina as nossas acções.

O que cada um de nós julga ser é o produto das diferentes respostas que os outros com quem comunicamos dão ao nosso comportamento.

Cada indivíduo elabora uma imagem em função do tipo de relação que se estabelece com os outros.

As experiências interpessoais anteriores desenvolvem o auto‑conhecimento não de uma forma directa e cumulativa, mas em função das significações que cada um dá a essas experiências.

Texto:


«O facto psicológico decisivo a respeito da sociedade é a capacidade dos indivíduos para compreender e reagir às experiências e acções uns dos outros. Este facto, que permite a relação mútua entre os indivíduos, torna‑se a base de todo o processo social e das mudanças mais decisivas que ocorrem nas pessoas. Traz para a esfera do indivíduo os pensamentos, as emoções e os propósitos dos outros, estendendo o seu mundo muito para além do que os seus esforços isolados poderiam alcançar (...) Altera a cena psicológica para cada um, pois viver em sociedade é estabelecer uma relação adequada entre a experiência interior e a pública. É também, um passo irreversível uma vez em sociedade, entramos num círculo de reciprocidade que não pode ser desfeito.»

ASCH, Solomon (1977), Psicologia Social, S. Paulo, C. E. Nacional, p. 111

(fig.)

É a sociedade e o sistema de relações interpessoais que dá signifícado ao mundo psicológico individual.



O homem primitivo vivia para sobreviver. O homem actual vive em função da interacção e a sua sobrevivência física, psicológica e social é impensável sem essa interacção.

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Objectivo 9

Definir auto-estima e especificar a sua formação.

A auto-estima é o grau em que o sujeito gosta de ser como é. A auto-estima corresponde aos aspectos avaliativos e emocionais do indivíduo.

A auto-estima está, de certo modo, relacionada com o auto-conceito, porque a desvalorização do primeiro contribui para um auto-conhecimento desfavorável ou negativo.

A auto-estima resulta de uma análise integrada dos vários domínios de manifestação do EU, contribuindo uns mais do que outros para a sua constituição, dependendo do valor que o sujeito atribui a essas dimensões.

O sujeito pode gostar de si na forma de convivência social, do modo como se relaciona com os outros, porque é comunicativo, simpático e, por isso, amado. Porém, noutras dimensões, como seja a académica, pode ser um fracasso, não atingindo os objectivos como estudante. Pode ainda não gostar de si no campo desportivo. O seu grau de auto-estima depende do modo como o sujeito vai integrar estas dimensões.

A auto-estima depende da valência atribuída a cada uma das dimensões do EU.

O que é mais importante para o self é o que vai determinar predominantemente a auto-estima.

Tal como foi referido para o auto-conceito, também a auto-estima se desenvolve em função do valor que os outros atribuem ao Eu, pelo valor que eles transmitem.

Pensa-se que a auto-estima é caracterizada mais cedo que o auto-conceito, porque é um conceito mais ligado com a afectividade do que com a cognição.

Experiências recentes (Bursnith) revelam que:

1. Os jovens com uma elevada auto-estima (avaliada através de uma escala) descrevem a sua infância como estando sujeita a limites claros do seu comportamento, isto é, os pais eram rigorosos na disciplina que impunham aos filhos, mas permitiam, por outro lado, que estes participassem na determinação desses limites e dessa disciplina.

Não eram exclusivamente os pais que definiam os limites comportamentais (o que podiam ou não fazer) mas os filhos discutiam com eles as regras, ficando estas bem claras, quer para os pais quer para os filhos.

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Por outro lado, estes adolescentes referiam que os pais elogiavam os seus comportamentos e os resultados escolares, quando estes correspondiams suas expectativas.

De um modo geral, estes jovens descrevem o seu mundo de forma coerente e ordenada, onde a sua participação é importante para a clarificação do seu comportamento e das exigências familiares e escolares.

2. Os jovens com baixa auto-estima descrevem a sua infância como tendo sido vivida num ambiente onde as normas e as regras facilmente variavam, em função dos estados emocionais dos pais.

Existia uma grande arbitrariedade no comportamento e nas normas que limitavam.

Os jovens nunca perceberam qual o seu papel e a sua participação nesta realidade caótica; eles nunca sabiam o que podiam esperar, em função do seu comportamento.

O seu mundo familiar não era estruturado.

3. Outros jovens, porém, igualmente com baixa auto-estima descrevem a sua realidade familiar, como autoritária e déspota, ou seja, a criança, neste meio, deve ser obediente e conformista, não tendo hipótese de intervir na elaboração das normas reguladoras do seu comportamento.

O que há de comum a estas duas situações descritas pelos jovens com baixa auto- estima, é o facto de não exercerem qualquer poder, qualquer controlo ou terem qualquer participação em relação ao meio onde se inseriam.

Teoricamente, poder-se-á admitir que as pessoas que desde muito cedo intervieram no seu meio e, de certo, modo, o controlaram, construíram um nível de auto-estima e de auto-confiança elevados.

Poder-se- á concluir, pois, que os estilos de educação são determinantes para a auto-estima.

Tal como foi referido anteriormente, a auto-estima é uma noção integradora da qual fazem parte várias valências que são os aspectos particulares da auto-estima.

De entre os vários modelos construídos para especificar a estrutura e organização da auto-estima, existe o modelo hierárquico que se pode apresentar do seguinte modo:

AUTO-ESTIMA:

- dimensão ACADÉMICA

- dimensão SOCIAL

- dimensão DESPORTIVA

etc.

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À medida que o ser humano evolui e se desenvolve nas mais variadas dimensões, vai-se confrontando com elas e, de acordo com as suas interacções e o valor que lhes é atribuído, vai valorizando mais umas dimensões que outras.

Quando o sujeito se apercebe que, numa determinada dimensão ou valência, não consegue ter resultados positivos e inicia uma sequência de insucessos, ele tende a diminuir a importância que lhe é atribuída e valoriza as outras valências.

Se um adolescente, por exemplo, experimenta uma série de insuceessos no plano escolar (académico), poderá desinvestir nesta área para não baixar o seu auto-conceito, valorizando outros aspectos onde tem sucesso.

Por isso, em termos defensivos, desvalorizar determinada área do desenvolvimento porque nela o sujeito experimenta insucessos não é, por si só, negativo, só o é na medida em que a sociedade o valoriza mais, ou menos.

O insucesso na valência desportiva não é tão significativo como o insucesso na esfera académica, porque é esta que é sobrevalorizada na sociedade onde estamos inseridos.

O nível de aspiração do sujeito é outro factor importante para a auto-estima. Se ele desenvolveu um ideal, em termos académicos, muito superior ao seu desempenho, isto é, se sempre desejou ser um estudante com notas elevadas (ou um profissional de desempenho elevado) e não passa do nível médio, então,é grande a distância entre o que ele efectivamente é e o que deseja ser.

Porém, quanto maior for esta distância, mais baixa será a auto-estima.

A auto-estima é tanto mais elevada quanto aquilo que o sujeito é, se aproxima do que ele desejava ser (ou desejavam os seus significativos).

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Objectivo 10

Relacionar o auto-conceito e a auto estima com o desempenho nas tarefas.

Que relação existe entre a auto-estima, o auto-conceito e a auto-confiança?

Regra geral, um sujeito com elevada auto-estima e um auto-conceito elevado tem uma maior auto-confiança, isto é, acredita mais nas suas possibilidades e tem melhores resultados nas tarefas que realiza.

Porém, uma questão se nos coloca:

Será a auto-estima e o auto-conceito que influenciam o bom desempenho nas tarefas ou é o bom desempenho que contribui para elevar a auto-estima e ou auto-conceito ?

Existem duas correntes que respondem de modo diferente a esta questão:

1. O interaccionismo simbólico

Esta corrente afirma que os superiores hierárquicos ou as pessoas que avaliam o desempenho, devem intervir a nível do auto-conceito ou da auto-estima. Deverão salientar positivamente estes dois níveis para os indivíduos obterem melhores resultados no desempenho das tarefas.

Afirma-se que a relação interpessoal se desenvolverá mais positivamente se se fizer elevar, através da interacção, a auto-estima e o auto-conceito.

Pensa-se que se o individuo possui uma auto-estima elevada e um auto-conceito positivo, terá uma maior auto-confiança na forma como enfrentará as tarefas e, consequentemente, maior probabilidade de êxito. À partida, acreditará nas suas possibilidades de obter sucesso. A sua ansiedade será menor, o que não acontece num indivíduo com baixa auto-estima.

Os interaccionistas afirmam, pois, que é a auto-estima, que se desenvolve através do processo interactivo, que irá influenciar o desempenho.

2. Corrente comportamentalista

Considera-se que é o desempenho nas tarefas que determina a auto-estima e o auto-conceito. Estes serão tanto mais elevados quanto melhor for o desempenho e o sucesso do indivíduo; diminuirão à medida que falhar no desempenho das tarefas.

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Quais as consequências destas duas perspectivas, por exemplo, a nível do desempenho profissional?

De acordo com a primeira corrente - interaccionismo simbólico - em situação profissional, o chefe deve interagir com o seu subordinado o mais positivamente possível, de modo a elevar o seu auto-conceito e auto-estima. Deve dar-lhe confiança e positivar as suas capacidades e possibilidades porque isso se irá repercutir no seu desempenho profissional.

De acordo com a segunda corrente - comportamentista - o chefe deve estabelecer todas as estratégias possíveis para melhorar o desempenho do subordinado, ensiná-lo, o melhor possível, a desempenhar as suas funções porque, melhorando o nível de desempenho profissional, o subordinado elevará a sua auto-estima e o seu auto-conceito.

(fig.)

A auto-estima (positiva ou negativa) influencia o desempenho do sujeito e o sucesso ou insucesso no desempenho vai igualmente influenciar a auto-estima.



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Objectivo 11

Relacionar o fenómeno das atribuições com o desenvolvimento da auto-estima e do auto-conceito.

Quando observamos determinado acontecimento ou comportamento, temos tendência para fazer inferências acerca das causas ou das razões que originaram.

Trata-se de um fenómeno geral, próprio de todo o homem que procura a casualidade do que acontece e que procura nos acontecimentos e nos indivíduos relações estáveis e compreensíveis.

A esta tendência para atribuir uma explicação ou o porquê de determinados comportamentos chama-se PROCESSO DE ATRIBUIÇÃO.

Foi Fritz Heider quem, em 1958 introduziu a noção de atribuição neste contexto, mas foi Harold Keller (1967) quem construiu o primeiro modelo das auto-atribuições (feita pelo indivíduo em relação a si próprio) e das hetero-atribuições (as que se fazem relativamente aos outros).

É importante conhecermos as atribuições, porque, uma vez conhecida a lógica atribuicional, é possível prever a capacidade de mudança que a pessoa poderá vir a ter relativamente ao comportamento sobre o qual incidiu a atribuição.

Existe, pois, uma relação entre a casualidade percebida (atribuição) e a capacidade de mudança.

Uma das mais recentes teorias da atribuição foi desenvolvida por Weiner (1972).

Também ele partiu do princípio de que as pessoas não se contentam com o mero registo dos factos, mas pretendem encontrar as suas causas.

A particularidade da teoria de Weiner consiste em dar grande importância aos afectos, às emoções que decorrem do comportamento ou do acontecimento. Considera que imediatamente a seguir a um e a outro, surge a emoção que lhe anda associada e que só posteriormente é que se faz a atribuição.

Suponhamos que uma pessoa se candidata a determinado emprego e, como muitas outras pessoas, tem que realizar provas de selecção.

Ao saber o resultado, verificou que ficou em primeiro lugar. A sua primeira reacção é de contentamento e de alegria.

Só depois, é que ela poderá pensar nas razões que estão na origem do seu êxito (sucesso nas provas de selecção).

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Se, pelo contrário, um indivíduo que foi submetido às mesmas provas de selecção ficou em último lugar e não foi, portanto, seleccionado, a sua primeira reacção é de tristeza e aborrecimento e, só posteriormente é que poderá pensar nas razões desse facto.

A pessoa que no processo de selecção ficou em primeiro lugar poderá pensar que isso aconteceu porque:

1. é muito inteligente.

2. é trabalhadora e esforçou-se.

3. os testes eram fáceis.

4. o seleccionador era seu conhecido.

As duas primeiras atribuições são internas, porque o sujeito atribui a si próprio o facto de ter sido o primeiro seleccionado.

As duas últimas atribuições são externas porque ele atribui aos outros (seleccionador) ou aos acontecimentos (grau de facilidade dos testes) o resultado obtido.

O indivíduo que ficou em último lugar poderia ter feito o mesmo tipo de atribuições, mas as consequências seriam completamente diferentes.

Verificámos, pois que as atribuições podem ser de dois tipos: Internas e externas. Cada uma destas pode ainda subdividir-se em: estáveis e instáveis.

ATRIBUIÇÕES

- INTERNAS

- ESTÁVEIS

- INSTÁVEIS

- EXTERNAS

- ESTÁVEIS

- INSTÁVEIS.

As atribuições estáveis são aquelas que não mudam facilmente ao longo do tempo.

Ex.: Teve êxito porque é inteligente.

As atribuições instáveis são as que mudam facilmente com o tempo.

Ex.: Teve êxito porque é trabalhador.

É importante conhecer as atribuições porque, consoante as razões que as pessoas atribuem aos seus próprios resultados ou aos resultados dos outros, é possível explicitar o fenómeno das expectativas, interferir no auto-conceito e na auto-estima e explicitar as relações interpessoais.

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AUTO-CONCEITO NEGATIVO E AUTO-ESTIMA DESVALORIZADA

Baixos resultados nas tarefas

Reduzida auto-confiança

Não acredita nas suas possibilidades

Insegurança

Fixa-se nas dificuldades

Baixas expectativas

Preocupa-se de uma forma exagerada com a avaliação

Baixos resultados nas tarefas

(círculo vicioso)

Ao nível profissional,o sujeito revela:

- Dificuldade em definir objectivos.

- Dificuldade na utilização das estratégias.

- Dificuldade na tomada de decisão

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AUTO-CONCEITO POSITIVO E AUTO-ESTIMA VALORIZADA

Elevados resultados nas tarefas

Elevada auto-confiança

Confiança elevada nas suas possibilidades

Segurança

Focaliza a sua atenção (concentração na tarefa)

Trabalha e empenha-se

Elevadas expectativas

Elevados resultados nas tarefas

(círculo vicioso)

Ao nível profissional, o sujeito:

- Define claramente os objectivos

- Coloca hipóteses claras

- Define estratégias adquadas

- Toma decisões.

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De um modo geral, existe uma certa relação entre as reacções afectivas que temos e o tipo de atribuições que fazemos. Vejamos o seguinte caso:

O Pedro fez um exame muito importante para a sua carreira académica. Teve boa classificação. Ele poderá sentir:

- ORGULHO - ele tem orgulho porque atribui essa nota a si próprio, ao seu trabalho, esforço ou capacidade. O orgulho está associado a uma atribuição interna (estável ou instável).

- GRATIDÃO - ele sente gratidão quando não atribui esse resultado a si próprio mas, por exemplo, ao colega do lado que muito o ajudou a resolver as questões. Trata-se de uma atribuição externa.

Suponhamos que o seu colega, o Paulo, fez o mesmo exame e não teve sucesso. O que pode ele sentir?

- IRA - O PAULO pode ter estudado muito mas o professor não soube corrigir o teste. A causa do insucesso não é ele mas sim o professor. Trata-se de um tipo de atribuição externa.

- CULPA - O Paulo sente-se culpado, caso tenha consciência que não estudou para o exame. Nesse caso, está nele, a causa do insucesso. Trata-se de uma atribuição interna (não estável, porque se ele estudar poderá ultrapassar o problema).

- RESIGNAÇÃO - O Paulo atribui a causa do seu insucesso à falta de capacidade que ele tem para lidar com aquela matéria, ele não tem jeito para aquela área. Trata-se de uma atribuição interna, estável.

É evidente que só teoricamente é possível separar deste modo os afectos, porque na maioria das situações, sentem-se várias emoções e não uma só. E, em relação às que foram atrás referidas, poderiam ser feitas outro tipo de atribuições.

Consequências da relação entre os afectos, as atribuições e os comportamentos:

1. Um aspecto importante das atribuições referido por Weiner, consiste no facto de serem as emoções que sentimos e as atribuições que fazemos que determinam as nossas acções futuras.

Suponhamos que a Joana, que é vendedora, teve insucesso nas suas vendas num determinado dia porque no dia anterior foi a uma festa, deitou-se tarde, dormiu pouco e, por isso, estava muito cansada.

A Joana sentiu-se culpada porque não descansou o suficiente para ter um bom desempenho. No futuro, em situações idênticas, a Joana não voltará agir daquele modo.

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2. Outro aspecto refere-se ao facto das emoções e das atribuições interferirem na percepção do acontecimento.

Suponhamos que o Dário e o seu amigo Abel, fizeram o mesmo exame e que, ao saberem os resultados verificaram que os dois tinham tido a mesma nota negativa.

O Dário ficou espantado com a nota que teve, foi apanhado de surpresa porque não a esperava, e o Abel não pareceu admirado, como se já esperasse esse resultado.

A forma como o acontecimento é percepcionado por cada um deles, depende das emoções que anteriormente sentiram, em situações semelhantes.

Provavelmente o Abel já está habituado a este tipo de classificação e mais facilmente se resigna e a compreende.

3. É a emoção que sentimos que determina o nosso comportamento.

Suponhamos que dois funcionários trabalham na mesma loja e o que está de serviço no sábado, pede ao colega que o substitua porque:

- quer ir à praia ou

- tem que ir com o filho ao médico.

O acontecimento é o mesmo: substituir o colega.

Porém, a reacção é diferente, em função das emoções que as duas justificações provocam. O mesmo pedido provoca reacções afectivas diferentes e é em função dessas emoções que sentimos, que respondemos afirmativamente ou negativamente.

Weiner refere ainda um outro aspecto do fenómeno das atribuições que se relaciona directamente com o fenómeno das relações interpessoais.

O modo como transmitimos aos outros a nossa opinião ou avaliação acerca do seu comportamento e as emoções que lhe estão associadas, permitem que o sujeito infira o tipo de atribuições que estamos a fazer.

Se um chefe de departamento se dirige a duas das suas colaboradoras que tiveram um desempenho exactamente igual e afirma em relação a uma: "estou muito satisfeito, com os teus resultados" e di-lo sorridente e com ar alegre. Em relação a outra, diz exactamente o mesmo mas com ar neutro e sério.

É evidente que cada uma das colaboradoras interpreta as atribuições que o chefe faz.

A primeira poderá pensar que o chefe confia nas suas capacidades e por isso a valoriza, e a segunda pensará que o chefe não acredita nas suas possibilidades e capacidades.

A mesma mensagem associada a sentimentos diferentes sugere significados também diferentes por parte do receptor.

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Que relação existe entre o fenómeno das atribuições e o auto-conceito e a auto-estima?

Vejamos as seguintes situações:

1. O sujeito faz atribuições internas e estáveis, de insucesso.

Ele desenvolve uma baixa auto-estima e um auto-conceito negativo porque considera que não tem capacidade para ter sucesso naquela situação nem possibilidades de melhorar.

2. O sujeito faz atribuições internas e estáveis, de sucesso.

Ele desenvolve uma elevada auto-estima e um auto-conceito positivo. Considera que tem muitas capacidades e que é capaz de ter sucesso, mesmo que não trabalhe muito.

3. O sujeito faz atribuições externas, de sucesso.

Neste caso a sua auto-estima não sai beneficiada porque atribui o sucesso aos outros ou à situação e não a si próprio. O mérito não é seu.

4. O sujeito faz atribuições externas de insucesso.

Deste modo a sua auto-estima não será afectada negativamente porque ele transfere as causas do seu insucesso para factores que lhe são alheios.

Responsabilizar os outros pelo insucesso é uma forma de manter a auto-estima, o mais elevada possível.

(fig.)

- És o culpado!



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Questionário 2

1. João é um bom desportista e um mau aluno. Decidiu desistir da escola e dar o seu máximo no desporto. Que relação tem esta decisão com o auto-conceito e a auto-estima?

2. Refira algumas situações relativas à sua experiência vivida de sucessos/insucessos e identifique o tipo de atribuições que fez. Quais as consequências desse tipo de atribuições?

3. Imagine uma situação profissional, onde o chefe, que dirige 3 subordinados, é uma pessoa bem sucedida, atribuindo o seu sucesso a factores internos. Que tipo de atribuições fará, relativamente aos seus subordinados, aos que têm bom desempenho e aos que não têm bom desempenho? Porquê?

4. Imagine que se vai confrontar com dois tipos de tarefas: uma difícil e outra fácil, e obtém êxito nas duas. Se disser que o seu êxito na tarefa fácil se deve à sua capacidade e ao seu esforço, o que é que as outras pessoas poderão pensar de si?

5. Imagine uma mesma tarefa fácil que foi realizada por 4 funcionários de uma mesma secção.

- O 1º obteve sucesso - o chefe louva-o

- O 2º obteve insucesso - o chefe não critica

- O 3º obteve sucesso - o chefe não louvou

- O 4º obteve insucesso - o chefe critica

a) Analise as diferentes atribuições implícitas no comportamento do chefe relativamente a cada um dos subordinados.

b) Quais foram os sujeitos cujas atribuições prejudicaram a sua auto-estima?

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Respostas ao Questionário 2

1. Trata-se de uma decisão que lhe permite elevar a sua auto-estima, porque valoriza a actividade onde ele se posiciona com sucesso. É uma defesa para não desvalorizar o seu auto-conceito.

2.

3. Fará atribuições igualmente internas, à semelhança do que acontece com ele. Isto beneficia o subordinado com sucesso, mas em nada favorece o subordinado com mau desempenho, porque não se responsabiliza por esse facto.



4. Que não é muito dotado, do ponto de vista da sua capacidade.

5.

a) 1º sujeito - Esforça-se, apesar de não ter muita capacidade. Se o chefe pensasse que ele tinha bastante capacidade, não o louvava.



2º sujeito - O chefe esperava que ele tivesse aquele resultado; como a tarefa é fácil, mesmo que ele não tenha capacidade, deveria realizá-la com êxito.

3º sujeito - O chefe não o louva porque, dada a capacidade do subordinado, era de esperar que tivesse êxito.

4º sujeito - Se critica é porque esperava melhor do subordinado e considera que ele não se esforçou.

b)

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Objectivo 12

Relacionar o efeito expectativa com o auto-conhecimento.

A criança que teve, desde o nascimento, fortes relações de amor e afecto e lhe foi dada toda a atenção, adquiriu uma forte confiança em si mesma.

As crianças que não beneficiam dos cuidados alimentares e de afecto, adquirem uma ideia negativa da existência, de si mesmas, como se não valesse a pena existirem.

A partir de um determinado momento do seu desenvolvimento, o ser humano é capaz de desempenhar o papel de outra pessoa e saber como ela reagiria perante o nosso comportamento, isto é, adquire a capacidade de simbolizar, o que permite ao sujeito comportar-se conforme aquilo que ele crê que os outros pensam dele.

A percepção que a criança tem de si mesma, o facto de se considerar bonita ou feia, boa ou má, depende do modo como ela capta as interpretações que as pessoas fazem do seu comportamento e das respostas que lhe fornecem.

Aquilo que cada um pensa acerca de si, é produto das experiências de relacionamento interpessoal que desenvolveu ao longo da sua existência.

Existe, pois, uma relação recíproca entre a percepção que o sujeito tem de si e a percepção que os outros fazem também de si.

A percepção que cada um de nós tem acerca do modo como os outros nos vêem é, por sua vez, uma consequência do conceito que fazemos de nós próprios.

Trata-se de uma espécie de círculo vicioso na medida em que as nossas expectativas, relativamente àquilo que os outros esperam de nós, conduz-nos a agir de maneira que eles se comportem da forma como esperamos.

O jovem que se considera tímido e inadaptado, comporta-se de tal maneira perante os outros, que estes, pelo modo como se relacionam com ele, tendem a reforçar esse auto-conhecimento.

Quando se adquire a ideia de que se é rejeitado, reage-se de maneira a confirmar essa tese.

Para alterar o efeito de expectativa negativo, é fundamental desenvolver o sentimento de confiança social e abrir-se de forma directa às relações interpessoais.

A percepção que cada um tem de si evolui ou altera-se em função do desenvolvimento da comunicação interpessoal. As novas experiências com as quais nós nos confrontamos e as diferentes reacções que as pessoas vão tendo relativamente à nossa expectativa, tendem a mudar a nossa auto-percepção.

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Uma jovem que sempre se considerou introvertida, cujo comportamento era reforçado pela reacção dos outros e que, a partir de certo momento da sua vivência, foi contactada por um grupo de colegas que lhe deram a entender que era uma pessoa válida e atraente, alterou não só o seu comportamento mas também a percepção que tinha acerca de si.

As pessoas exercem uma extraordinária influência sobre as outras, sem que muitas vezes tenham consciência dessa influência. Vários estudos têm demonstrado que o poder da expectativa pode influenciar significativamente o comportamento.

A previsão ou a expectativa de um acontecimento pode, de facto, fazer com que ele aconteça.

O carteiro que tem medo de cães, é mordido.

O jovem cujos pais não confiam nele e o acusam, chega à conclusão que já que se vão zangar com ele e puni-lo,é melhor que seja por um motivo real.

Um aluno que tem medo de um exame e que está convencido de que não vai passar, passa a maior parte do tempo preocupado com este seu pensamento em vez de estudar e, por isso, tem insucesso.

A crença que determinado chefe tem no desempenho dos seus subordinados e o facto de acreditar nas suas capacidades,é um factor primordial para esse mesmo desempenho. Se as expectativas do chefe são altas, há uma grande probabilidade que o desempenho seja também elevado, se as expectativas forem baixas, a produtividade do funcionário também o será.

Os subordinados correspondem às expectativas dos seus superiores.

As expectativas podem ser transmitidas quer verbalmente quer de modo não verbal. O tom de voz, o contacto visual, o contacto físico, a preocupação revelada, a postura etc., podem ajudar ou prejudicar a relação, elevando ou diminuindo o desempenho.

Rosenthal fez uma série de estudos sobre este tema e desenvolveu a teoria dos 4 factores para explicar o modo como as expectativas influenciam o comportamento:

O CLIMA - O clima ou ambiente que é criado, a aceitação ou o encorajamento que se dá a uma pessoa, o calor, a atenção, o sorriso, os acenos, etc., influenciam o modo como o sujeito se vai sentir e, consequentemente, determina o seu desempenho.

FEEDBACK - O chefe que dá ao subordinado mais indícios verbais sobre o seu desempenho e que mais elogia, ajuda-o a aperfeiçoar-se. O contrário, prejudica o desempenho do funcionário.

DADOS - O chefe que fornece muitas indicações e ensina o seu subordinado, é porque confia nele, o que aumenta, consequentemente, o desempenho deste.

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RESULTADOS - O chefe que encoraja o seu subordinado, o incentiva e lhe dá tempo para fazer o seu trabalho, está a contribuir para o seu bom desempenho.

Os chefes que têm, em relação aos seus subordinados, expectativas positivas, são os melhores chefes e aqueles cujos subordinados têm melhor desempenho.

(fig.)

Um indivíduo que tenha adquirido, numa situação anterior, uma imagem negativa do outro, tende a agir posteriormente, em função dessa imagem, criando uma expectativa que poderá vir a confirmar-se em função de alguns factores comportamentais, sem que disso o indivíduo tenha consciência.



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Objectivo 13

Explicar a importância da confirmação e da informação da mensagem no auto-conhecimento.

Nós temos tendência para verificar se a imagem que temos de nós é, semelhante à Imagem que os outros também têm de nós.

Essa confirmação é feita de forma indirecta e subtil, através de múltiplas mensagens que pressupôem a validade desse conhecimento.

Seiburg (1969) afirma que a comunicação com os outros é uma necessidade fundamental do ser humano porque é através dela que as relações interpessoais se formam, se exprimem e se mantêm.

Para estabelecer essa relação, os indivíduos comportam-se e formulam mensagens, esperando uma resposta ou reacção por parte dos outros.

Esta resposta pode ser directa, aberta e congruente, o que permite criar um diálogo autêntico e auto-afirmativo.

Se a resposta é ambígua, inadequada ou incompreensível, os sujeitos não comunicam verdadeiramente, tornam-se confusos, insatisfeitos e incompreendidos.

Estes dois tipos de resposta são o que se pode chamar:

1. Respostas afirmativas de si mesmo.

2. Respostas negativas de si mesmo.

Analisemos alguns comportamentos específicos de cada uma destas respostas.

Respostas afirmativas de si mesmo .

Incluem os seguintes comportamentos:

a) Que se responda de forma directa à mensagem de outra pessoa, dando a entender que reconhecemos essa pessoa como fazendo parte do nosso mundo perceptual e cognitivo; trata-se de uma resposta de reconhecimento directo.

b) Que compreendemos o conteúdo, reforcemos ou toleremos as opiniões ou ideias expressas por outra pessoa.

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c) Que se formulem respostas de suporte que exprimam a nossa compreensão e aceitação do outro e que, simultaneamente, o encoraje a sentir-se bem no processo de comunicação.

d) Que se estabeleçam respostas de clarificação, no sentido de encorajar a pessoa a exprimir claramente a sua mensagem e a descrever o melhor possível os seus sentimentos ou a especificar as suas informações.

e) Que se exprimam sentimentos positivos, quando eles são verdadeiramente sentidos pela outra pessoa, em relação ao que ela faz ou diz.

Respostas negativas de si mesmo.

Compreendem:

a) As respostas incompreensíveis que nada dizem acerca do que o outro disse.

b) Respostas que interrompem a palavra do interlocutor. Quando deixamos de falar com um sujeito e passamos a falar com outro.

c) Respostas que dão a entender ao interlocutor a insignificância da sua mensagem, ou que permitem introduzir um novo tema, diferente do que estava a ser abordado.

d) Respostas que apelam para uma outra linha de discussão, desviando o assunto ou tema que estáa ser tratado, para um outro.

e) Respostas incoerentes e incompreensíveis para os interlocutores e que fazem perder a ideia principal do discurso.

A comunicação só é verdadeiramente eficaz, quando aquilo que nós pensamos que somos,é confirmado pelas respostas que os outros dão. Para isso, as mensagens deverão ser directas e claras.

A nossa interacção com os outros afecta os sentimentos que temos relativamente a nós próprios, assim como o nosso auto-conhecimento.

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Questionário 3

1. O indiv¡duo tende a comportar-se de modo a corresponder àquilo que os outro esperam dele.

De que fenómeno se trata? Explicite-o.

2. Acha que o comportamento pode alterar as expectativas e vice-versa?

3. De que modo as expectativas influenciam o comportamento?

4. Identifique uma situação da sua experiência vivida, em qualquer dos domínios, onde:

a) O modo como se comportou criou nos outros expectativas negativas.

b) O facto de saber que as expectativas em relação a si eram negativas, gerou um comportamento negativo.

5. Porque é que o bom chefe é aquele que tem, acerca dos seus subordinados, expectativas positivas?

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Respostas ao Questionário 3

1. Trata-se do fenómeno da expectativa. O modo como o outro se relaciona connosco, directa e indirectamente, revela-nos o que ele espera de nós e influencia o nosso comportamento.

2. Sim, desde que a pessoa revele que irá, de facto, mudar e convença o outro dessa mudança. Num grupo diferente, onde as expectativas sejam diferentes, a pessoa poderá comportar-se de forma diferente.

A mesma pessoa, perante dois chefes que têm acerca dela, expectativas diferentes, comporta-se de forma diferente quando está perante cada um deles.

3. Através do clima, do feedback, dos inputs e outputs (dados e resultados).

4.

5. Porque, percebendo isso, há maior probabilidade dos subordinados terem bons desempenhos, mais auto-confiança e uma auto-estima mais elevada.



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Objectivo 14

Identificar a importância das primeiras impressões no relacionamento interpessoal.

Quando encontramos alguém pela primeira vez, temos tendência para formar acerca dela, uma impressão inicial.

Quando estamos perante um objecto, seleccionamos alguns dos seus aspectos particulares (características) e, em função deles, construímos uma imagem do objecto.

Quando estamos perante uma pessoa pela primeira vez, seleccionamos apenas alguns aspectos que nela percepcionamos, apenas alguns índices, consoante o contexto em que se insere esse encontro.

Apesar de parecer que existe alguma semelhança entre a percepção do objecto e da pessoa, existem, contudo, diferenças substanciais:

A percepção de outra pessoa é mútua, isto é, o outro que eu encontro pela primeira vez também me encontra pela primeira vez, o que torna a percepção bilateral.

A percepção do outro tem consequências, isto é, a minha percepção do outro influencia o meu comportamento em relação a ele e, consequentemente, o seu comportamento, na relação comigo.

Este primeiro encontro está carregado de afectividade e é desencadeador de emoções; eu gosto eu não gosto, eu admiro ou rejeito a outra pessoa.

Quando nos encontramos pela primeira vez com uma pessoa, retemos, nesse encontro, os índices que consideramos mais pertinentes, variando essa retenção de acordo com os contextos e as situações. Esses índices permitem fazer a categorização, ou seja, incluímos a pessoa numa categoria.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO que adquirimos da pessoa com a qual nos encontramos pela primeira vez, vai condicionar a nossa relação futura. Existe mesmo uma tendência para confirmar essas primeiras impressões.

Por isso, os primeiros encontros são importantes para a relação interpessoal, porque regulam a percepção futura.

Se, em encontros seguintes, a pessoa manifesta características que conduzem a impressões, diferentes daquelas que formulamos a partir dos primeiros encontros, temos tendência para as rejeitarmos ou consideramos frutos do acaso, retendo somente aquelas que confirmam a nossa primeira impressão.

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A formação das primeiras impressões tem como vantagem regular o nosso comportamento e, consequentemente, agir de acordo com o primeiro conhecimento elaborado.

Face à complexa realidade em que vivemos e, dadas as divergências pessoais, o processo de categorização ou de classificação das outras pessoas, que se faz desde o primeiro encontro permite, de certo modo, simplificar a realidade pessoal em que vivemos e dar uma maior seguranças às relações interpessoais.

AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES FACILITAM-NOS A COMUNICAÇÃO.

É de certo modo, a partir deste conhecimento, codificado cultural e socialmente que, quando nos dirigimos para os primeiros encontros (emprego, namorada, etc.) nos cuidamos especialmente, no sentido de causar boa impressão, pois sabemos que esta primeira imagem vai persistir.

As primeiras impressões permitem, por outro lado, a partir de determinada característica que nós observamos ou que nos é referida por alguém, inferir outras características. É como se na nossa mente existisse uma matriz de correlação de traços.

É através das primeiras impressões que formamos uma ideia geral da pessoa, aquilo a que se pode chamar "teoria implícita da personalidade" (Leyens, 1985).

Esta teoria também chamada de "ingénua" porque, sendo formulada por qualquer pessoa, não existe plena consciência do seu significado. É uma teoria sem fundamentação científica, mas a que todo o ser humano recorre para se julgar a si e julgar os outros, para prever e explicar não só o seu comportamento mas também o dos outros.

Esta teoria implícita da personalidade é um fenómeno de um outro mais geral e de que falaremos mais adiante chamado de "categorização".

Texto:


"Foram Bruner e Tagiuri (1958) que inventaram a expressão "teoria implícita da personalidade" ao pretenderem dar-nos conta do conhecimento que temos dos outros e da forma como dele nos servimos para fazer inferências - muitas vezes erróneas - a propósito de individualidades particulares (...)

Acontece-nos, frequentemente, criar uma impressão global de uma pessoa de quem, aliás, apenas conhecemos algumas características. Suponhamos que nos garantem que o senhor Z é inteligente e cordial, inferimos facilmente que se trata também de um homem simpático e, no trabalho, de um colaborador estimulante. Em contrapartida, se soubermos que o senhor Z é uma pessoa inteligente e fria, haverá grandes probabilidades de deduzirmos que ele igualmente ambicioso e calculista."

LEYENS, I. P., Teoria da Personalidade na Dinâmica Social, Lisboa, Verbo, 1985, p. 34

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Objectivo 15

Identificar os factores que contribuem para formar as primeiras impressões.

O que caracteriza a percepção na relação interpessoal é o facto dela ter sempre uma interpretação, o que não acontece com os objectos.

O que é que percepcionamos nos outros e nos permite formar uma impressão ou "classificação"?

São os índices.

1. Índices físicos

Estes podem ainda ser diferênciados em índices estáticos e índices dinâmicos.

a) Indices estáticos - são as características fisicas das pessoas, o facto de ser alta, baixa, gorda, magra, loura, etc.

Poder-se-á associar a estes índices algumas categorias sociais e de personalidade e, assim, formular uma ideia geral da pessoa.

Se o sujeito é gordo, poderei afirmar que é sociável, bem disposto, etc.

b) Índices dinâmicos - são os gestos, as expressões, a mímica.

2. Índices verbais

Referem-se à linguagem utilizada pela pessoa.

Se a pessoa fala bem, associamos a este índice a clareza do pensamento, a inteligência, etc.

Também através do sotague se pode categorizar a pessoa, associando-o a uma determinada região e, consequentemente, a características típicas atribuídas aos indivíduos dessa região.

3. Indices não verbais

São todos os índices que nos dão grandes indicações sobre o outro indivíduo, porque se apresentam como sinais exteriores significativos: a maneira de vestir, usar ou não gravata, a maneira de se sentar, a sua postura e gestos quando dialoga connosco, etc.

A maneira como veste, a postura corporal, os gestos, etc., podem ser interpretados como sinais de má ou de boa educação.

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4. Indices comportamentais

Referem-se a todos os comportamentos observados no sujeito, que vão servir para formarmos uma impressão e que nos ajudam a classificá-lo.

O que é fundamental na percepção destes índices, é o facto de eles serem interpretados por aqueles que os percepcionam.

O mesmo comportamento ou índice observado num sujeito, pode não ter o mesmo significado e interpretação para todos aqueles que os observam.

Muitas vezes, as interpretações dependem das necessidades e das experiências passadas das pessoas que interpretam.

É importante referir que este aspecto interpretativo do comportamento poderá ser um elemento dificultador das relações interpessoais.

Uma pessoa que tem necessidade de cumprir e de fazer cumprir determinadas regras sociais ou institucionais,é capaz de interpretar como desrespeitoso e revelador de falta de educação determinado comportamento, enquando outra pessoa, mais maleável e compreensiva em termos do cumprimento das regras, o poderá considerar normal ou até mesmo interpretá-lo como sinal de criatividade e revelador de uma forte individualidade.

Nas relações interpessoais, e especialmente nos primeiros encontros, valorizamos as característicass dos indivíduos que vão de encontro às nossas necessidades e aos nossos valores e desvalorizamos as pessoas que apresentam características às quais não atribuímos significados positivos.

Normalmente, quando conhecemos uma pessoa, atribui¡mos-lhe uma ENTIDADE SOCIAL VIRTUAL, isto é, a partir da observação de todos os seus índices, atribuímos-lhe determinado papel e estatuto, ou seja, o lugar que ocupa na sociedade e os comportamentos que lhe estão inerentes. Atribuímos-lhe uma certa categoria sócio-económica e cultural.

Tal como considera Tajfel (1981), a identidade social é o conceito que o indivíduo tem acerca de si e dos outros e que deriva do seu conhecimento de pertença a determinado grupo.

O sistema de categorização social tem como objectivo, ajudar a orientar o sujeito, ajudando-a a criar e definir não só o seu lugar na sociedade mas tambémm o lugar dos seus semelhantes.

(fig.)

Os índices permitem a categorização das pessoas.



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Questionário 4

1. Porque é que os primeiros encontros, entre as pessoas, são importantes?

2. Os primeiros encontros desenvolvem somente relações cognitivas?

3. A partir de que elementos é possível formar a impressão interpessoal?

4. Os índices são interpretados do mesmo modo por todos os sujeitos que encontram pela primeira vez, uma pessoa?

5. Apresente duas ou três situações ou contextos diferentes onde a mesma pessoa possa causar impressões diferentes.

6. Nos primeiros encontros atribuímos à pessoa uma entidade social virtual. O que quer isso dizer?

(fig.)


- "Como ele deve ser cordial, simpático, amigo..."

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Respostas ao Questionário 4

1. Porque é a partir deles que cada uma das pessoas forma a impressão acerca da outra, em função de certos índices relevantes e significativos.

2. Não, também desenvolvem reacções afectivas, porque gostamos ou não, admiramos ou não a pessoa com quem contactamos.

3. Através dos índices: fisicos, verbais, não verbais e comportamentais.

4. Não, depende do significado que cada um atribui a esses índices, em função da sua educação, dos seus valores, crenças, preconceitos e pensamentos.

5.

6. Significa que lhe atribuímos um determinado estatuto e uma determinado papel que julgamos associado aos índices percepcionados.



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Objectivo 16

Relacionar a formação das primeiras impressões com o fenómeno da categorização.

Já verificamos que, perante uma pessoa que desconhecemos ou de quem conhecemos apenas algumas características, temos tendência para criar uma impressão global dessa pessoa, ou seja, para a CATEGORIZAR.

Se, por exemplo, nos dizem que determinada pessoa inteligente e cordial, facilmente inferimos dessas caracter¡sticas que ela é, também, simpática, trabalhadora e colaboradora.

Através da interacção com as outras pessoas, formamos uma concepção a seu respeito e concebemo-la com características específicas e relativamente duradouras.

Nas relações interpessoais, para a formação da ideia que construimos das pessoas, contribuem não só elementos efectivos mas também cognitivos.

Como é que nós descobrimos qualidades ou características nas pessoas, tais como a bondade, a alegria, a coragem, a frieza, etc.?

Já anteriormente analisámos que é através de determinados índices, nomeadamente os comportamentais e também em função da interpretação que se faz desses índices, que incluímos as pessoas em determinadas categorias.

Através do fenómeno da categorização, as pessoas são reunidas em determinados grupos, de acordo com as características que lhes atribuímos e em função dos índices que observamos.

Cada categoria tem características próprias e liga-se a um sistema de valores.

Quando vejo uma pessoa a dar uma esmola a um pobre,há que identificar aqui duas dimensões diferentes deste acto: o acto em si, que é objectivo, e a interpretação que eu faço desse acto. Em função desse acto eu posso considerar a pessoa que o praticou como bondosa ou generosa.

Neste processo de formação da imagem do outro entra, necessariamente, um processo cognitivo de reconhecimento do significado atribuído a determinado comportamento ou acção.

Outro sujeito que percepcione o mesmo acto de dar esmola e que considere essa pessoa sofisticada e má, pode interpretar esse acto como desejo de aparentar caridade e impressionar os que observam o acto.

Normalmente, formamos uma ideia acerca das pessoas, mas uma ideia abrangente, ou seja, que abrange toda a sua pessoa, embora ela se apresente como ser complexo, com uma multiplicidade de tendências e necessidades.

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A questão consiste em saber de que modo organizamos os vários elementos que observamos no sujeito, num todo, numa impressão única e coerente.

As características que atribuimos a uma pessoa forma uma unidade e não simplesmente o somatório de algumas características com pouca relação entre si.

Solomon Asch foi um dos primeros investigadores a realizar experiências neste domínio.

Este autor estudou a impressão que determinada pessoa adquiria de outra, a partir da leitura de uma lista de qualidades.

Asch distribuiu a dois grupos de sujeitos duas listas de qualidades de carácter, que eram semelhantes, excepto numa característica.

Lista A:


inteligente

habilidoso

trabalhador

afectuoso

decidido

prático


cauteloso

Lista B:


inteligente

habilidoso

trabalhador

indiferente

decidido

prático


cauteloso

Cada grupo foi convidado a apresentar a sua impressão global do sujeito a que se referia cada uma das listas.

Os resultados mostraram que a variação numa qualidade é suficiente para produzir profundas diferenças na apreciação global.

Assim, o grupo a quem foi distribuída a lista A, considerou o sujeito como estimado pelos outros, com imaginação e gracioso. Estas caracteristicas não foram significativamente atribuídas ao sujeito da lista B.

Porém, algumas qualidades continuaram a ser comuns ao sujeito da lista A e da lista B, como seja o facto de ser honesto e digno de confiança.

Esta experiência permite verificar que, quando categorizamos uma pessoa, o fazemos através de características ou qualidades centrais que nos dizem muito acerca da pessoa e qualidades periféricas, menos importantes.

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Através de outra experiência, Asch verificou que a impressão que formamos das pessoas depende da ordem (temporal) com que são apreendidas as suas características.

Asch pretendeu mostrar que, na prática da nossa vida quotidiana, a ordem pela qual vamos adquirindo o conhecimento das características das pessoas não é indiferente ao modo como as categorizamos.

Asch entregou duas séries de características pessoais a dois grupos diferentes:

Lista A:


inteligente

trabalhador

impulsivo

crítico


teimoso

invejoso


Lista B:

invejoso

teimoso

crítico


impulsivo

trabalhador

inteligente

As duas listas são iguais, diferindo apenas na ordem da apresentação das características, que é inversa.

A primeira começa com qualidades positivas e a segunda com qualidades negativas.

De um modo geral, o grupo que leu a primeira série considera o indivíduo com uma pessoa capaz, com algumas limitações mas que, no entanto, não são suficiente para diminuir os seus méritos.

A impressão geral do grupo que leu a lista B, acerca do indivíduo, é negativa.

Isto significa que as primeiras impressões, ou conhecimentos que se adquirem acerca da pessoa, indicam a direcção da categorização e exercem influência na apreciação global do sujeito.

As diversas experiências deste autor mostraram que, quando categorizamos uma pessoa, o fazemos como um todo, a pessoa é vista como uma unidade.

As características que atribuímos a determinada pessoa não são consideradas em separado mas interagem entre si como um todo. A qualidade de inteligente não tem mesmo significado quando associada, por exemplo, a alegre e taciturno.

Neste caso, a inteligência têm significados diferentes nas duas pessoas.

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Objectivo 17

Identificar as disfunções da categorização.

O processo de categorização é, de certo modo, fundamental na nossa relação com os outros.

Quando, pela primeira vez, nos confrontamos com os outros, é necessário elaborar um conjunto de características que consideramos determinantes do sujeito, de forma a organizar num todo, a impressão geral que decorreu da relação interpessoal.

A categorização simplifica o conhecimento que temos da outra pessoa, torna previsível, explicável e compreensível o seu comportamento e permite, em última análise, regular o nosso comportamento relacional.

Sendo a categorização indispensável para a eficácia da relação interpessoal, porque se trata de um acto de simplificação, existem, porém, alguns riscos neste processo de esquematização e simplificação.

Categorizar uma pessoa é desprezar algumas das características que, de certo modo, não se enquadram nessa categorização.

Por outro lado, normalmente, tendemos a confirmar a nossa categorização e dificilmente a reformulamos.

Muitas vezes, categorizamos incorrectanente.

Indivíduos que colocamos na mesma categoria, tendem a ser considerados como semelhantes.

Quando categorizamos alguém, somos levados a procurar e encontrar outros elementos ou índices que confirmem a nossa categorização.

A partir da categorização afirmamos uma série de coisas acerca das pessoas, a partir de poucos elementos.

O fenómeno da categorização é aprendido pela experiência, directa ou indirecta, e permite-nos interagir com os outros sem grandes hesitações.

A Psicologia alerta-nos para estes factos e torna-nos críticos relativamente a este fenómeno.

De facto, todos nós, e especialmente os que enfrentam o público no dia-a-dia, devemos ter consciência da relatividade e dos riscos que podemos correr através da categorização, não nos deixando impressionar pelos primeiros índices de categorização.

É necessário confirmar mais sistematicamente a nossa categorização e estarmos, o mais possível, abertos à confirmação ou reformulação das nossas primeiras impressões.

Este fenómenoé tanto mais grave quanto mais a relação é afectada por ela, negativamente.

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Se damos a entender aos outros que a nossa impressão acerca de si é negativa, isto pode criar rupturas no relacionamento e bloquear a comunicação.

Se, por outro lado, formamos uma impressão demasiado positiva do outro, podemos, após verificado o erro de categorização, ficar "de pé atrás" perante outras pessoas que, sendo diferentes, apresentam índices semelhantes.

(fig.)

- Esta juventude não se interessa por nada, veste-se mal e não trabalha...



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Tarefas

Tarefa 1 - Discussão/Reflexão

1. O fenómeno da categorização é, por vezes, determinante nas relações interpessoais, principalmente nos grupos profissionais que estão em permanente contacto com o público.

Imagine que uma pessoa nestas circunstâncias e que contacta com a mais variada gama de públicos.

a) Como costuma reagir?

b) Comporta-se do mesmo modo com todos eles?

c) A partir de que índices faz, normalmente, as suas categorizações?

d) Já alguma vez errou no seu processo de categorização? Quais as suas consequências?

Tarefa 2

Leia atentamente o caso que se segue:

O Ernesto trabalha numa empresa comercial há l0 anos. Tem 30 anos, é solteiro e vive com os pais. Tem o 9º ano de escolaridade. É filho único e nunca gostou de estudar. Os pais gostavam que ele fosse médico e dizem que sempre desejaram um melhor futuro para o filho. Este nunca conseguiu boas notas na escola e em casa foi muito mal aceite quando decidiu que iria deixar de estudar.

Os pais lamentaram-se mas não fizeram nada para o ajudar. Esteve um ano sem fazer nada e um amigo dos pais disse-lhe que conseguiria um emprego na empresa onde hoje ainda trabalha.

O Ernesto é uma pessoa tímida e submissa. Fala pouco com os colegas e dois deles, que entraram posteriormente, já passaram a chefes de loja enquanto que ele se mantém no mesmo lugar. Sempre que o gerente fala com ele é duro e denota pouco respeito pelo seu trabalho. O seu desempenho é médio; faz bem o que lhe mandam fazer. Os colegas chamam-lhe "copinho de leite".

Ultimamente, o Ernesto tem-se sentido mal, sofre de dores de cabeça e de insónias.

Os colegas e o seu chefe dizem que ele é pouco agressivo nas vendas, mas as pessoas que ele atende, quando voltam, preferem ser atendidas novamente por ele.

Na última semana ele viu uma colega - a que tinha sido promovida - levar para casa uma peça de roupa às escondidas. Sentiu-se muito mal, mas não teve coragem para lhe falar no assunto. Trata-se de uma colega que não se empenha muito no que faz, mas que tem uma boa relação com o chefe de loja.

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Responda às seguintes questões:

1. Faça uma descrição do Ernesto no plano profissional e no plano pessoal.

2. Analise a sua vivência familiar. Haverá alguma relação entre esta e o seu auto-conceito? Porquê?

3. Como percepciona a auto-estima do Ernesto? Justifique.

4. Porque agirá o chefe de loja, deste modo, com o Ernesto?

5. Vê alguma relação entre o desempenho do Ernesto e o modo como o chefe se relaciona com ele?

6. O que acha que o Ernesto deveria fazer em relação à colega?

7. Quando os colegas lhe chamam de "copinho de leite", acha que se trata de um fenómeno de categorização? Justifique.

Tarefa 3 - "As profissões que admiro"

OBJECTIVO:

Reflectir sobre os seus valores pessoais e conhecer os valores do grupo, relativamente ao prestígio atribuído a determinada profissão.

Segue-se uma lista de profissões e a sua tarefa consistirá em hierarquizá-las, atribuindo o número 1 à que lhe parece mais prestigiante, até ao número 16, à que lhe parece menos prestigiante. Acrescente a profissão que exerce ou gostaria de exercer e classifique-as igualmente.

JORNALISTA

ESCRITOR


POLÍCIA

JUIZ


PROFESSOR DO ENSINO BÁSICO

PSICÓLOGO

COMERCIANTE

FÍSICO


CIRURGIÃO

BIBLIOTECÁRIO

ASSISTENTE SOCIAL

MOTORISTA

EMPREGADO BANCÁRIO

PRESIDENTE DA CÂMARA

PROFESSOR UNIVERSITÁRIO

______


PROFISSÃO:

Compare os seus resultados com os do grupo.

O que é o prestígio? Que valores lhe atribui?

É possível categorizar uma determinada profissão (pessoas que a desempenham)? Mostre-o.

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Actividades

Actividade 1

Seguem-se um conjunto de afirmações.

Diga qual a sua opinião acerca de cada uma das afirmações.

No lado esquerdo da afirmação coloque uma cruz na coluna debaixo do C, se concorda com a afirmação, e uma cruz debaixo do D, se discorda da afirmação.

No lado direito marque também a cruz, para, no final do exercício individual, marcar a opinião do grupo onde está inserido(a).

OPINIÃO INDIVIDUAL ................ OPINIÃO DO GRUPO

C D 1. A percepção de um objecto físico depende mais, do objecto do que da pessoa que o observa. C D

C D 2. Se os sonhos são tão vivos e reais no espírito de uma pessoa como as suas percepções reais quando acordado, é porque a percepção pouco depende da realidade externa. C D

C D 3. A percepção, é essencialmente, um fenómeno interpessoal. C D

C D 4. As nossas reacções aos estímulos dependem da nossa aprendizagem e da cultura. C D

C D 5. Temos tendência para ver o que queremos e o que esperamos ver, independentemente da realidade. C D

C D 6. Dada a natureza aleatória da percepção, nada podemos dizer acerca da verdadeira natureza da realidade. C D

C D 7. Qualquer que seja a realidade exterior, jamais a podemos conhecer verdadeiramente. C D

C D 8. Através da observação atenta e científica podemos eliminar a natureza aleatória das nossas percepções. C D

C D 9. Os instrumentos científicos, apesar de aperfeiçoarem os limites das nossas percepções, não as tornam mais reais. C D

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C D 10. O que nós percepcionamos é nada mais do que uma metáfora da realidade. C D

C D 11. A percepção é uma resposta física a uma realidade também física. Logo que queremos falar e comunicar as nossas percepções começamos a deformá-las. C D

C D 12. Se estivermos atentos podemos ver o mundo tal qual ele é. C D

C D 13. Nós reagimos ao nosso meio ambiente e aos estímulos a partir do que percebemos desse meio e não a partir daquilo que o meio ambiente é realmente. C D

REFLEXÃO:

Já alguma vez tinha pensado neste tipo de questões? Existem muitas diferenças entre as pessoas acerca destas questões? Porquê?

Depois de discutir as questões com o grupo, mudou a sua opinião acerca de algumas das suas respostas?

Actividade 2

(INDIVIDUAL)

OBJECTIVOS:

Mostrar que nem todas as pessoas têm a mesma percepção de um objecto ou situação.

Mostrar que quando interagimos com as outras pessoas e comunicamos as nossas percepções, estas tendem a ajustar-se pela heteroconfirmação.

TAREFAS:

Conte o número de quadrados que observa na figura que se segue.

Compare a sua resposta com as respostas dadas pelas outras pessoas do grupo.

Como explica a diversidade de respostas?

(fig. com um quadrado dividido em vários quadrados)

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Actividade 3

Eis uma lista de qualificativos que permitem descrever os indivíduos.

Leia esta lista e assinale os qualificativos que melhor correspondem à ideia que tem de:

NOME:

(NOME DA PESSOA QUE O INDIVÍDUO E O GRUPO CONHECEM



1. GENEROSO MESQIUINHO

2. PERSPICAZ INGÉNUO

3. INFELIZ FELIZ

4. IRRITÁVEL BOM CARÁCTER

5. EXTRAVAGANTE SIMPLES

6. SOCIÁVEL ASSOCIÁVEL

7. DE CONFIANÇA FALSO

8. POPULAR IMPOPULAR

9. ARROGANTE MODESTO

10. RUDE DOCE

11. AGRADÁVEL DESAGRADÁVEL

12. ESTÁVEL INSTÁVEL

13. FRÍVOLO SÉRIO

14. EGOCÊNTRICO ALTRUÍSTA

15. CRIATIVO RÍGIDO

16. FORTE FRACO

17. DESONESTO HONESTO

A sua percepção coincide com as dos restantes membros do grupo?

Porque existem diferenças entre essas percepções?

Quando julga ou "classifica" os outros, fá-lo em que bases?

Costuma alterar as opiniões que faz acerca dos outros? Quando e porquê?

Como descreve o seu melhor amigo e a pessoa de que menos gosta, aos seus pais?

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Actividade 4

Complete as frases que se seguem, sem reflectir muito sobre cada uma delas.

1. Sou uma pessoa ...

2. Sinto-me bem comigo mesmo(a) quando ...

3. Daqui a dez anos eu queria ...

4. No proximo sábado eu gostaria ...

5. As outras pessoas ...

6. As três personagens que mais admiro são:

Actividade 5

Esta actividade tem como objectivo responder à questão: "Quem sou eu?"

A sociedade, regra geral, não valoriza muito os "gabarolas" e, por isso, muitas vezes não falamos dos nossos méritos pessoais ou das coisas boas que fazemos.

TAREFA.:


Escrever na folha cinco características positivas sobre si mesmo(a), não o que outros pensam de nós, mas que nós pensamos em relação a nós próprios.

Trata-se de aspectos onde tivemos um bom desempenho, onde somos hábeis, que nos definem positivamente e das quais gostamos.

1.

2.

3.



4.

5.

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161

Actividade 6 - Auto-conhecimento

(INDIVIDUAL)

Faça uma análise profunda sobre si próprio e responda sinceramente a estas questões:

1. Quais foram as impressões mais fortes da sua vida?

2. Quais são as recordações mais desagradáveis da sua vida (que o(a) fizeram sofrer mais)?

3. Quais são as recordações mais agradáveis da sua vida?

4. Está satisfeito com a sua vida? Porquê?

5. Pensa que tem possibilidade de modificar o seu futuro? Como?

6. Quais são os seus maiores desejos?

7. Como pensa vir a realizá-los?

8. Qual a pior acção que pensa ter praticado em toda a sua vida?

9. Se lhe dessem a escolher entre ser: sábio, forte, rico, inteligente, atraente, bom, activo, feliz nos amores, educado, paciente e só pudesse ter três dessas qualidades, quais escolheria? Porquê?

Actividade 7 - "A Janela de Johari"

Faça uma pequena reflexção sobre o seu comportamento em grupo.

Qual o seu grau de participação?

Fornece ao grupo muita informação sobre si?

Gosta e exige que o grupo lhe dê informações sobre si?

Determine as quatro áreas, no quadro que se segue, em função do cruzamento das linhas do "dar e receber feed-back", ou seja, do seu grau de dar e receber informações aos outros.

JANELA DE JOHARI (para o resultado pessoal) SOLICITA FEEDBACK

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162


(fig.)

[Interpretação da figura:

JANELA DE JOHARI

SOLICITA FEEDBACK

Níveis (na horizontal)

1 - Nunca pede feedback - nenhuma informação sobre solicitação pessoal

2 -

3 - Mais fechado do que aberto



4 -

5 - Igualmente aberto e fechado

6 -

7 - Mais aberto do que fechado



8 -

9 - Sempre pede feedback - deseja saber como é visto pelos outros

ABERTURA PESSOAL OU DÁ FEEDBACK

Níveis (na vertical)

1 - Nunca dá feedback - o grupo não sabe como é visto e nem como ele está

2 -


3 - Mais fechado do que aberto

4 -


5 - Igualmente aberto e fechado

6 -


7 - Mais aberto do que fechado

8 -


9 - Sempre dá feedback - deixa o grupo saber como é visto e como ele está]

A janela de Johari é um modelo conceptual criado por Luft e Ingham em 1961 para analisar como o indivíduo dá ou pede informação aos outros.

O campo compreendido no interior do rectângulo representa o espaço interpessoal que se subdivide em quatro quadrantes, cada um dos quais representando uma combinação específica de informações que visam determinar a qualidade das relações interpessoais.

Na janela estão contempladas duas fontes de informação:

- a da própria pessoa;

- a dos outros.

Obtêm-se, assim, quatro quadrantes:

1. ARENA


Representa a faceta da pessoa conhecida pela propria e que está disposta a participá-la aos outros. É a área aberta da personalidade. Os outros vêm a pessoa tal como ela é.

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2. MANCHA CEGA

É area cega da estrutura pessoal que, inconscientemente, esconde de si mesma. São os aspectos que a pessoa não consegue perceber em relação a si mesma. Dá mais feedback do que solicita. No seu estilo de interacção fala muito de si, mas não se interessa pelo que os outros pensam dele. Tende a ser crítico e duro para com os outros.

3. FACHADA

Representa os aspectos da estrutura pessoal que a pessoa conhece mas que esconde dos outros. É a área secreta ou evitada que a pessoa tende a ocultar para se proteger. É o caso da pessoa que se sente insegura mas que revela, aos outros, uma grande segurança. Trata-se de uma pessoa que fornece poucas informações acerca de si, aos outros. Pede mais feedback do que dá.

4. DESCONHECIDO

Representa a faceta da estrutura pessoal que nem a própria pessoa nem os outros conhecem. A pessoa não sabe muita coisa de si e os outros também não a conhecem bem. É mais observador que participante; é uma pessoa misteriosa.

Analise os seus quadrantes

Qual o maior?

Qual o seu significado?

A janela ideal é aquela em que predomina o quadrante da ARENA, porque indica que a pessoa dá o máximo de informações acerca de si, mantem uma relação aberta com os outros, diminuindo a probabilidade dos outros interpretarem mal o seu comportamento. É o estilo que proporciona franqueza e abertura, maior participação e produtividade.

(fig.)


[Interpretação da figura:

Quadrado dividido em 4 quadrantes:

Superior esquerdo - 1. ARENA - conhecido pelo "eu", conhecido pelos outros;

Superior direito - 2. MANCHA CEGA - desconhecido pelo "eu, conhecido pelos outros;

Inferior esquerdo - 3. FACHADA - conhecido pelo "eu", desconhecido pelos outros;

Inferior direito - 4. DESCONHECIDO - desconhecido pelo "eu, desconhecido pelos outros]

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Actividade 8 - O processo de categorização: os homens o as mulheres

(INDIVIDUAL OU DE GRUPO)

A nossa sociedade tem facilitado a construção de certos estereótipos relativamente aos homens e mulheres.

TAREFA:


Individualmente ou em grupo, faça uma lista das características dos homens na nossa sociedade e uma lista também, das principais caracteír¡sticas das mulheres da nossa sociedade.

Se a tarefa for realizada em grupo, estes terão que ser constituídos exclusivamente só por homens ou só por mulheres.

HOMENS

...


MULHERES

...


Compare as suas características com as que foram elaboradas pelos outros grupos.

Quer os homens quer as mulheres devem reflectir sobre as características que lhes foram assinaladas pelos grupos opostos.

PONTOS DE REFLEXÃO:

Quais são as implicações deste fenómeno de categorização?

Que relação existe entre esta categorização e o auto-conceito?

Como se processou e desenvolveu este fenómeno de diferenciação categorial entre Homens e Mulheres?

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Actividade 9 - "Meter-se no papel de... "

OBJECTIVO:

Esta actividade tem como objectivo fazer com que cada sujeito assuma um papel diferente daquele que desempenha habitualmente. Nós estamos, até certo ponto, conscientes do modo como os papéis são desempenhados e daquilo que se pode esperar de uma pessoa ou de uma determinada relação.

Esta é uma oportunidade para desempenhar um outro papel, de agir como se fosse uma outra pessoa.

Fale como se fosse realmente essa pessoa e se encontrasse na situação descrita.

Filme esta actividade para, posteriormente, avaliar o seu desempenho.

1. Foi eleito(a) o(a) melhor aluno(a) do ano. Vai receber o prémio e vai proferir um pequeno discurso de agradecimento perante um pequeno auditório.

2. É um(a) escritor(a) de romances e foi convidado(a) para o salão do livro para lançar e autografar o seu último livro e fazer um breve discurso sobre o modo como se tornou um(a) escritor(a) de sucesso.

3. É o pai de uma criança de 12 anos que acaba de saber que o filho tem que fazer uma operação delicada aos olhos. Prefere ser ele a anunciar o facto ao filho em vez do médico. Uma outra pessoa no grupo, fará papel do filho e colocará as questões relativas à operação (receios e expectativas).

4. O presidente da câmara vai fazer um discurso na abertura dos jogos intercidades.

5. O director de uma escola que conta a um colega seu, os actos de vandalismo de que a escola tem sido vítima ultimamente.

6. O chefe de departamento chama um dos subordinados e pretende-lhe dizer, sem o ferir, que não cumpre com os horários nem com as tarefas que lhe compete executar.

7. Um ex-toxicodependente vai falar da sua experiência de recuperação a um grupo de jovens que estão a iniciar a sua recuperação.

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Actividade 10

ANÁLISE DE UM CASO:

Luís está frequentar o 12º ano de um curso do Instituto Superior. Trata-se de um curso bastante difícil e ele deve ter a classificação Bom, no final, para prosseguir os seus estudos, dado que é subsidiado e só o poderá continuar a ser se obtiver essa classificação.

Porém, nas avaliações intermédias, apesar de ele se ter esforçado, não conseguiu obter maior classificação que "Satisfaz".

Perante esta situação, Luís anda triste, desencorajado e irá falar do assunto a um colega seu da turma.

Este, fica preocupado e resolve contar-lhe o que, realmente, se passa.

O professor do curso (seminário) não corrige estas provas intermédias, mas encarregou um aluno mais adiantado, que está a terminar o curso, e que é da sua confiança, para as corrigir.

Porém, este aluno tenta obter informações do professor acerca das questões que o teste irá tratar e dá "explicações" a todos os alunos que lhe paguem o que ele pede para obterem as respostas o mais completas possível. Neste momento, são 15, de entre os 20 alunos do curso que estão ao corrente do que se passa e que "entraram no esquema".

O amigo diz ao Luis que ele poderá fazer o mesmo e assim subir a sua classificação.

Luís tem algum dinheiro mas não está interessado em colaborar com este processo. Ele considera que isto é contra a ética.

Ele interroga-se, se o professor não devia estar ao corrente do que se está passar. Mas o que pensarão os seus colegas se ele denunciar o que se está a passar?

Luís sabe que tem que tomar uma decisão, mas não sabe qual.

O que faria se fosse o Luís?

Que soluções encontraria para esta situação?

Quais as consequências de situações como esta, para as relações interpessoais?

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Actividade 11

O PROPRIETáRIO DO HOTEL

OBJECTIVO:

Evidenciar as características da comunicação, as dificuldades de escuta, as condições para a criação de um clima de confiança, os valores pessoais, etc.

- Pretende-se também avaliar a capacidade de adaptação dos interlocutores e identificar as técnicas comunicacionais utilizadas por cada um.

PREPARAÇÃO:

- Uma mesa onde os dois participantes comunicarão.

- Uma câmara vídeo para filmar a situação.

- Um televisor para que os restantes observadores possam, afastados da situação, assistir à interacção.

Cada um dos actores - participantes recebe um papel que lê em silêncio. Eles terão que representar os papéis, exactamente como estão descritos. O animador pode, individualmente, responder às questões que cada um queira colocar.

Quando estiverem prontos para enfrentar a situação, o animador distribui os dois papéis aos restantes participantes que seguirão a actividade pelo televisor.

Cada um dos actores deve respeitar o seu papel sem interromper a gravação.

Os observadores devem preencher uma grelha de observação.

O animador pede aos intervenientes para não se afastarem dos seus objectivos e que respeitem as indicações.

Grelha de avaliação de comportamentos

.......... Sujeito A ..... Sujeito B ..... Notas

Escuta

Não escuta



Faz perguntas abertas

Faz perguntas fechadas

Coloca-se no lugar do outro

Reformula

Afasta-se do objectivo

Centra-se no objectivo

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PAPEL A - O PROPRIETáRIO DO HOTEL

O senhor chama-se Leonardo e é o proprietário de um hotel de 3 estrelas situado em Cascais.

O hotel tem 50 quartos e foi completamente restaurado o ano passado. Dirige o hotel com a sua esposa. Os negócios correm muito bem. O Hotel está cheio durante todo o ano. Têm uma clientela fiel, quase toda estrangeira, com quem já estabeleceram boas relações de amizade.

Os preços imobiliários da cidade têm subido de forma significativa. Se vendesse o seu hotel poderia ficar muito rico e obter a sua reforma e a da esposa aos 50 anos. Poderiam então fazer as viagens que nunca puderam fazer porque sempre estiveram ocupados a gerir o hotel.

Vender o negócio significaria ter uma vida descansada, sem problemas económicos.

Os proprietários de outros hotéis preveniram-no de que os hotéis do bairro estão a ser visitados por inspectores das finanças que chegam à recepção, falam de forma amigável e fazem muitas perguntas. Alguns dias mais tarde fazem o controlo financeiro em função das informações que os proprietários dos hotéis lhe deram, sem saberem quem eles eram.

Neste instante uma pessoa chega à recepção do seu hotel. Olha para toda a parte e começa a fazer-lhe perguntas.

PAPEL B


Chama-se Teodoro, acaba de receber uma importante herança e dispõe de uma grande importância. Pretende deixar a sua função de funcionário público e ter o seu próprio negócio no ramo de hotelaria. Este sempre foi o seu sonho e possui conhecimento para tal porque durante muitos anos, nas férias, ajudava um tio avô a gerir o seu hotel.

Fez durante três meses um curso de gestão hoteleira e pensa que chegou a hora de ter o seu próprio hotel, mesmo que para isso tenha que dispor de quase toda a sua herança.

Para isso fez uma prospecção na zona de Cascais, uma zona que considera bonita e atraente para os turistas.

Porém, quer iniciar a sua investigação sem dizer que quer comprar para evitar que o proprietário do hotel inflacione as informações e peça um preço demasiado alto.

Para isso deve fazer várias perguntas ao seu interlocutor sobre a sua actividade e os negócios do hotel, mas sem despertar a sua curiosidade, para obter o máximo de informações o mais discretamente possível.

EXPLORAÇÃO

O animador anota os momentos positivos e os negativos do diálogo.

Quando o diálogo é dado como terminado, cada interveniente diz como pensa que decorreu o diálogo.

Os intervenientes ficam a saber neste momento, o papel que foi atribuído a cada um e fazem os seus comentários finais.

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Actividade 12

CASO Nº 1

Teresa dá, quase sempre, a impressão de se depreciar a si própria, quer em relação às suas capacidades, quer em relação à sua aparência.

Sem que ela conheça a razão, não possui, acerca de si própria, uma imagem tão positiva, quanto tem os que com ela trabalham e convivem.

Numa escala de 1 a 10 sobre a sua própria imagem, ela atribuiria um valor entre o 3 e o 4.

A sua baixa auto-estima parece estar relacionada com o facto de nunca ter correspondido totalmente ao que os Pais esperavam dela e ao facto de ter uma irmã que sempre foi a melhor aluna da escola e a mais querida e que os Pais sempre elogiavam.

Por outro lado, Teresa raramente exprime as suas opiniões ou defende as suas ideias, quer em contexto de trabalho, quer em contexto familiar.

Ela não se preocupa muito em dar a conhecer os seus pensamentos e os seus sentimentos.

Teresa exerce as suas funções desde o momento em que terminou o seu curso médio e estas não exploram completamente as suas possibilidades, nem as suas capacidades, quer técnicas, quer teóricas. Porém, acomodou-se a essas funções.

Se ela tivesse uma auto-estima mais elevada e evidenciasse mais o seu trabalho, a Direcção da sua empresa já teria tido possibilidade de a promover nos três últimos anos de actividade.

Se pudesse aconselhar a Teresa, como ajudaria a elevar a sua auto-estima?

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Textos

Texto 1


"Cada pessoa é uma origem e um centro de efeitos psicológicos que se expande para o interior da vida dos outros. Pode produzir interesse e compreensão, pode exercer efeitos vivificadores, mortificadores ou deformadores. As emoções, os pensamentos e os motivos de uma pessoa agem como forças para pôr em movimento as actividades psicológicas de outras. Todas as relações sociais - de cooperação, suspeita, aversão - e todas as acções conjuntas são produto da interacção.

Para o pensamento ingénuo, nada menos problemático do que a apreensão das acções dos outros, mas a tarefa da psicologia é, precisamente, remover o manto de auto-evidência destes processos tão importantes.(...) Alcançamos uma base psicológica firme quando compreendemos que a nossa dependência é medida pelo processo psicológico de acompanhar e tornar inteligíveis as acções das outras pessoas.

Quando falamos de interacção psicológica fazemos referência a processos entre pessoa e pessoa, entre entidades que são, ambas, sistemas que percebem, sentem e compreendem (.. )

Então, o que caracteriza as interacções entre uma pessoa e outra? Em primeiro lugar, as pessoas, e não os objectos, podem responder a nós. Os objectos não nos saúdam, não nos culpam ou elogiam, não nos amam nem odeiam. Reagem às nossas razões, não a nós; não estão conscientes da nossa presença. O espelho reflecte mas não nos vê; só outra pessoa pode ser um verdadeiro espelho para um ser humano; somente as pessoas nos podem responder com sentimentos e compreensão, com irritação ou admiração, com ajuda ou competição."

ASCH, Solomon (1977), Psicologia Social, C. Ed. Nacional, S. Paulo, pp. 121-123.

QUESTIONÁRIO:

Responda de forma desenvolvida às seguintes questões, tendo em consideração o conteúdo do texto.

1. O autor afirma no texto que "(...) a tarefa da Psicologia é, precisamente, remover o manto de auto-evidência destes processos tão importantes". Qual lhe parece ser, pois, o papel da Psicologia e a vantagem desse facto para as relações inter-pessoais?

2. O que entende por interacção psicológica?

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Texto 2


"A nossa habilidade para observar as nossas próprias acções e para perceber as nossas próprias experiências, forma a base do sentido da identidade pessoal. Altera profundamente o carácter da nossa existência, que contém agora o conhecimento do que somos - de que temos um certo carácter e um certo destino.

O que chamamos de EU parece a princípio referir-se a muitas coisas: nosso nome, nossa idade, nosso sexo, os incidentes na nossa história e na nossa vida. No entanto estes vários factos não têm a mesma relação com o EU; alguns estão mais próximos do seu centro e outros são mais periféricos. (...)

Podemos exemplificar a importância do sentido da identidade pessoal através de uma experiência sobre o pensamento. Na conhecida peça "the Guardsman", o dramaturgo Molnar apresenta um probelema que deveria despertar a curiosidade do psicólogo.

Um actor famoso e ciumento conseguiu apresentar-se como um impetuoso oficial russo, e tenta conquistar a sua própria esposa, para pôr à prova a sua virtude. Consegue encontrá-la em diversas ocasiões e confessar-lhe o seu amor. A esposa recebe bem os seus galanteios. Quando o marido ultrajado lança ao rosto da mulher a sua infidelidade, ela defende firmemente a sua virtude, afirmando que o reconheceu desde o princípio. O marido, profundamente perturbado logo aceita o que deseja acreditar. O público, porém, não pode decidir se a esposa é virtuosa ou engenhosa.(...)

O EU não é apenas um percepto individual, também faz parte do campo sócio-psicológico compartilhado.As pessoas tém a sua própria identidade e a identidade para os outros. Além disso, estes dois factos não são independentes; ter uma identidade implica, não só o meu conhecimento de quem sou mas que outros também me conheçam como a mesma pessoa. Entre a auto-identidade e a identidade que se tem para os outros, deve haver o mínimo de harmonia."

ASCH, Salmon (1977) Psicologia Social, S. Paulo, C.E.N. pp. 241-242.

QUESTIONÁRIO

Tendo em consideração o conteúdo do texto, responda às questões que se seguem:

1. Defina "Identidade Pessoal".

2. Considera a esposa virtuosa? Porquê?

3. Como explica que a auto-identidade e a identidade para os outros sejam interdependentes?

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Resposta ao questionário do texto 1

1. A Psicologia põe em evidência os fenómenos inerentes às relações interpessoais que surgem no dia-a-dia, com os quais o homem comum lida diariamente, mas sem que disso tenha consciência ou sem que se preocupe em explicá-los.

A Psicologia evidencia-os, clarifica-os e trata-os experimentalmente; ela alerta o homem para o perigo de alguns fenómenos decorrentes das relações interpessoais, no sentido de promover uma maior eficácia nessas relações.

2. Interacção psicológica é a relação mútua e dialéctica existente entre duas pessoas que se percepcionam em função dos mesmos mecanismos perceptivos, cognitivos e efectivos.

A relação interpessoal não é unilateral, sendo a interacção psicológica fundamental para desenvolver a imagem que o indivíduo tem de si. O Eu forma-se em função da interacção psicológica.

Respostas ao questionário do texto 2

1. Identidade pessoal é o Eu com todas as suas características, umas mais objectivas, outras menos perceptíveis pelos outros. A identidade pessoal é o Eu tal como o sujeito o define, a entidade integradora de todos os traços e características que orientam a sua conduta e a sua relação interpessoal.

2. A resposta a esta questão depende da veracidade da sua afirmação, do facto dela ter ou não reconhecido o marido quando ele desempenhava outro papel. É uma situação complexa que requer o conhecimento e a confiança plena na afirmação proferida.

3. São interdependentes porque aquilo que eu sou é, em grande parte, uma consequência daquilo que os outros afirmam acerca de mim. A verdadeira relação interpessoal só existe quando esta interdependência facilita a permuta de sentimentos, de ideias e a reciprocidade de comportamentos. O indivíduo terá dificuldade em manter uma relação aberta quando existe uma discrepância entre a auto-identidade e a identidade para os outros.

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Texto 3

"Precisão no julgamento de outrem. - Não nos parece temerário afirmar que desde o início da humanidade as pessoas dispõem de uma relativa habilidade para julgar as emoções, sentimentos e intenções alheias. Sabemos, por exemplo, com certa precisão, quando uma pessoa nos quer ajudar ou enganar, quando uma criança está mentir ou a dizer a verdade, quando alguém gosta ou não gosta de nós. Óbvio que se cometem constantes erros nestas avaliações mas, de uma forma geral, existem vários indícios suficientemente inequívocos que nos permitem uma relativa precisão nos nossos julgamentos."

RODRIGUES, Aroldo (1981), Rio de Janeiro, Psicologia Social, Vozes, p. 235

QUESTIONÁRIO

Leia o texto e responda às duas questões que se seguem:

1. Já alguma vez cometeu erros na avaliação que fez de outras pessoas? Como e quando descobriu que tinha errado?

2. Porque cometeu o erro?

3. Quando está com outra pessoa o que lhe parece indicativo de que ela o está enganar?

4. Como chegou a essa conclusão?

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Texto 4


"Outra variável que influi na impressão das pessoas são os estereótipos. Estereótipo é o nome dado pelo jornalista americano Walter Lippmann consiste na imputação de certas características a pessoas pertencentes a determinados grupos, aos quais se atribuem determinados aspectos típicos. Categorização e uniformidade de atribuição constituem os marcos essenciais dos estereótipos. Se uma pessoa aprende que determinado grupo tem característica de ser, por exemplo, preguiçoso, ao encontrar uma pessoa pertencente a este grupo tenderá a atribuir-lhe a característica de preguiçoso sem qualquer prova do que alega."

RODRIGUES, Aroldo (1981), Vozes, Psicologia Social Rio de Janeiro, p. 240

QUESTIONÁRIO

Leia o texto e responda às duas questões que se seguem.

1. Indique alguns estereótipos, da nossa sociedade (profissionais, sociais, etc.)

2. Quais as vantagens e desvantagens dos estereótipos?

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Correcção do pré-teste

1. Esta afirmação não é verdadeira porque a percepção que temos do mundo é adquirida através do processo de comunicação pessoal e, directa e indirectamente, está dependente da sociedade e da cultura onde estamos inseridos. Os símbolos e os signos atra vés dos quais representamos o mundo têm exactamente a ver com esse contexto.

2. Esta afirmação não é verdadeira porque o sujeito interpreta as suas percepções em função da sua experiência passada, dos seus sentimentos, ideias, crenças, preconceitos, etc. Cada percepção interliga-se com um todo que é a vivência do sujeito e ganha um significado particular em função disso.

3. Não o é inteiramente, porque há vários elementos subjectivos que dão pessoalidade e individualidade à percepção.

4. De certo modo, esta afirmação está correcta, porque o ser humano tem tendência para dar forma a estruturar o que vê, dando-lhe um significado pessoal.

5. Apesar de não haver muito consenso em relação à realidade percepcionada, a comunicação é possível, por um lado, porque através dela, a percepção torna-se, consensual e objectiva e, por outro lado, a realidade percepcionada é a mesma.

6. A validação consensual, a repetição, a percepção multisensorial e a comparação.

7. Porque a percepção é, também, orientada em função da experiência dos outros e apreende-se através do processo de comunicação.

8. A subjectividade da percepção, a ambiguidade da linguagem, a diferença de contextos, etc.

9. Aquilo que as pessoas, principalmente as mais significativas, pensam e dizem acerca do sujeito é bastante significativo para este. O sujeito pensa que é, exactamente o que os outros dizem que ele é, derivando este conhecimento dos diferentes comportamentos e diferentes reacções que o sujeito apresenta em função dos múltiplos estímulos que o afectam.

10. Responder directa e abertamente aos outros, dar-lhes atenção, compreender a sua mensagem, exprimir a nossa aceitação, encorajar a pessoa a exprimir claramente os seus pensamentos e exprimir sentimentos absolutos.

11. Interromper os outros quando falam, dar respostas incompreensíveis, mudar de assunto, dar respostas incoerentes e dúbias.

12. Auto-conceito é o conhecimento que o indivíduo tem de si, o que ele pensa acerca de si. A auto-estima é o quanto a pessoa gosta de si.

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13. Desenvolve-se em função do valor que o sujeito se vai atribuindo nas suas múltiplas dimensões e desempenhos, assim como do valor que os outros dão a essas dimensões. Tem a ver com os seus sucessos/insucessos.

14. As duas afirmações podem ser verdadeiras e a positividade de uma delas influencia necessariamente o sucesso na outra.

15. As primeiras impressões são formadas em função dos índices que a pessoa, que encontramos pela primeira vez, apresenta. Em função deles e de acordo com a experiência obtida de forma directa ou indirecta, formamos uma imagem dela, ou seja, categorizamo-la.

Este fenómeno tem vantagens porque permite ajustar o nosso comportamento, em função desse processo e responder de forma adequada (talvez). Facilita o primeiro sistema de interacções.

A desvantagem consiste no facto de podermos estar errados ao fazer esse tipo de categorização e termos dificuldade em reelaborá-la.

16. Porque são as primeiras impressões que tendem a perdurar mais tempo e, mesmo que algo a infirme, posteriormente, há tendência para não dar valor a esses aspectos.

17. Porque as suas vivências são diferentes e consequentemente um comportamento poderá ter vários significados em função dessas vivências ou experiências muito pessoais.

18. É o que pensamos acerca de determinada pessoa, a categoria, a classe social a que ela pertence, em função dos índices que nela são percepcionados.

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BIBLIOGRAFIA

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. CREISP, Michel, Le Développemnt Personnel en 12 Etapes, Noisiel, Les P. du Management,1992

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Módulo 3


O conflito e as principais orientações no relacionamento interpessoal.

(fig.)


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René Magritte

"A assinatura em branco"

Óleo sobre tela-1965

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Sumário

Finalidades ... 182

Pré-teste A ... 183

Objectivo 1 - Distinguir a visão tradicional da visão actual do conflito ... 184

Objectivo 2 - Indicar os vários tipos de conflitos ... 185

Objectivo 3 - Caracterizar os conflitos intrapessoais ... 186

Objectivo 4 - Caracterizar os conflitos interpessoais ... 188

Questionário 1 ... 189

Resposta ao questionário 1 ... 190

Objectivo 5 - Caracterizar o conflito organizacional ... 191

Objectivo 6 - Identificar as diferentes formas de lidar com os conflitos ... 193

Objectivo 7 - Identificar as habilidades para tratar um conflito ... 196

Actividades ... 198

Tarefa 1 ... 209

Resposta à tarefa 1 ... 210

Pré-teste B ... 211

Os estilos de comunicação - Exercício de autodiagnóstico ... 212

Objectivo 8 - Avaliar a importância do acto de confiar na relação interpessoal ... 218

Objectivo 9 - Identificar e caracterizar o estilo agressivo ... 221

Objectivo 10 - Identificar e caracterizar o estilo passivo ... 224

Objectivo 11 - Identificar e caracterizar a o comportamento manipulador ... 227

Objectivo 12 - Identificar e caracterizar o estilo auto-afirmativo ... 230

Objectivo 13 - Identificar as vantagens da comunicação afirmativa ... 233

Objectivo 14 - Caracterizar os strokes nas Relações Interpessoais ... 235

Actividades ... 238

Resolução do pré-teste A ... 252

Resolução do pré-teste B ... 254

Bibliografia ... 256

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182


Finalidades

No final deste módulo deverá:

. reconhecer os diferentes tipos de conflitos e identificar as estratégias mais adequadas para a sua gestão eficaz;

. reconhecer as diferentes orientações ou estilos do relacionamento interpessoal;

. conhecer as vantagens do estilo afirmativo.

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183

ANTES DE INICIAR A LEITURA DESTE MÓDULO, LEIA OS OBJECTIVOS ESPECÍFICOS. SE ACHA QUE OS DOMINA, REALIZE O PRÉ-TESTE E COMPARE AS SUAS RESPOSTAS COM AS QUE SÃO DADAS NO FINAL. SE PENSA NÃO DOMINAR OS OBJECTIVOS, ENTÃO, INICIE O ESTUDO DO MóDULO.

Pré-teste A - O Conflito

Responda objectivamente às seguintes questões:

1. Tradicionalmente, considerava-se o conflito um mal a evitar. Porquê?

2. Qual a posição actual, relativamente ao papel e à importância do conflito?

3. Acha o conformismo e o consenso permanentes, úteis ou inadequados? Justifique.

4. Que tipos de conflitos existem?

5. Que tipos de conflitos interpessoais conhece? Caracterize cada um deles.

6. O que são conflitos interpessoais?

7. Porque surgem os conflitos interpessoais?

8. Porque surgem os conflitos organizacionais?

9. Quais são as diferentes formas de lidar com os conflitos?

10. Acha que negar o conflito é uma forma de o resolver? Porquê?

11. Quando enfrentamos o conflito, a estratégia ganhar-perder é uma das possíveis de acordo com o resultado obtido. Caracterize-a.

12. Em que consiste a estratégia perder-perder?

13. Caracterize a estratégia ganhar-ganhar.

14. Quais as habilidades para tratar do conflito?

15. Como explica que as habilidades para tratar do conflito sejam as habilidades para comunicar ?

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Objectivo 1

Distinguir a visão tradicional da visão actual do conflito

Tradicionalmente, os conflitos eram tidos como um mal a evitar. A inexistência de conflitos nos grupos e nas organizações era tida como sinal de competência.

A técnica residia, não no facto de saber negociar o conflito, mas sim de o saber evitar de forma sistemática, porque não eram tolerados. Quando surgiam, ocasionalmente, eram regulados e eliminados com base na autoridade e no poder.

Esta visão tradicional do conflito pressupõe:

a) que os conflitos são o resultado de comportamentos de alguns indivíduos indesejáveis.

b) que o conflito está associado à cólera, à agressividade, à batalha física e verbal, à violência, a sentimentos e a comportamentos essencialmente negativos e prejudiciais ao grupo e às organizações.

É evidente que muitos dos conflitos têm efeitos negativos e prejudiciais, mas esta visão tradicional dos conflitos é superficial, inadequada e limitada.

Muitas vezes o conflito torna-se potencialmente negativo e destrutivo de uma relação porque consome demasiada energia individual, impedindo a pessoa de investir no trabalho ou na relação. As disputas e os desacordos frequentes reduzem a motivação para a relação e o empenhamento interpessoal.

As ideias inovadoras são, quase sempre, consequência de pontos de vista conflituosos que são partilhados e discutidos abertamente. O desacordo aberto pode proporcionar uma maior exploração de sentimentos, de valores, atitudes e pontos de vista, favorecendo a expressão individual e a busca de melhores decisões.

De acordo com esta visão actual do conflito, é reconhecida a utilidade da existência de um certo grau de conflito para a vitalidade das organizações e dos grupos e para as relações interpessoais.

O conflito faz parte da relação, qualquer que seja o grau de amor, aproximação ou compatibilidade entre as pessoas. Há momentos em que as necessidades, os sentimentos, os pensamentos e as acções de cada um, entram em conflito com os outros. O facto dos conflitos fazerem parte da vida, não significa necessariamente que sejam destrutivos.

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185

Objectivo 2

Indicar os vários tipos de conflitos.

São os seguintes, os tipos de conflitos:

1. Conflitos Intrapessoais

2. Conflitos Interpessoais

3. Conflitos Organizacionais

(fig.)


Max Ernst, A Horda, 1957

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186

Objectivo 3

Caracterizar os conflitos intrapessoais.

Conflitos intrapessoais são os que ocorrem no interior do indivíduo quando tem necessidade de dar uma só resposta entre duas, que se excluem mutuamente. A pessoa corre o risco de ficar imobilizada entre duas respostas, dada a dificuldade da escolha.

Tipos de conflitos intrapessoais:

1. Conflito Atracção-Atracção

2. Conflito Repulsão-Repulsão

3. Conflito Atracção-Repulsão

1. Conflito Atracção-Atracção

A pessoa encontra-se perante dois objectivos ou situações atraentes e ao escolher uma, terá que renunciar a outra, uma vez que as duas alternativas não podem ser realizadas simultaneamente.

- Um exemplo clássico de tal conflito é o do burro dotado de lógica que morreu de fome entre dois fardos de feno equidistantes.

Situação idêntica é a dos concursos televisivos, quando o concorrente tem que escolher uma das duas portas misteriosas que contêm um prémio.

A necessidade de trabalhar e de ter uma carreira brilhante pode entrar em conflito com o desejo e a necessidade de ter um filho e de ficar em casa para cuidar dele.

2. Conflito Repulsão-Repulsão

A pessoa está colocada entre duas alternativas desagradáveis e tem dificuldade de escapar, simultaneamente, das duas.

Uma das situações mais drásticas pode ser exemplificada pelo sujeito que, tendo sido sentenciado à morte, tinha o direito de escolher entre o pelotão e o enforcamento.

Trata-se de uma escolha difícil porque, não optar, implica automaticamente que qualquer uma das situações se imponha.

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187

Se o colaborador não tolera o patrão, ou o aluno não gosta do professor e, ao mesmo tempo, não se pode permitir, em relação ao primeiro, perder o emprego e em relação ao segundo, reprovar à disciplina. Está-se perante o conflito de Repulsão-Repulsão.

Este tipo de conflito está relacionado com os valores pessoais e com os comportamentos que o indivíduo exige e teme de si mesmo, porque envolvem toda a problemática da clarificação dos valores pessoais.

Como é possível, por exemplo, que um ecologista aceite emprego numa fábrica poluente?

Como é que um indivíduo, para quem a honestidade é fundamental, pode aceitar um emprego de controlo da informação face aos consumidores e ao público?

Como é possível uma pessoa denunciar o seu melhor amigo, que foi visto a roubar?

3. Conflito Atracção-Repulsão

A pessoa encontra-se perante dois aspectos da mesma situação e qualquer decisão tem vantagens e desvantagens.

Estes, talvez sejam os conflitos mais comuns, porque se referem à existência de um objecto ou situação que tem características positivas e agradáveis mas que, também, tem características negativas e desagradáveis.

O casamento, por exemplo, pode gerar um conflito deste tipo. De certo modo, o casamento poderá proporcionar vários atractivos, como seja, dar e receber afeição e amor e desfrutar de sentimentos de segurança e de respeitabilidade. Porém, o casamento pode também tornar-se uma obrigação bastante pesada, diminuindo a liberdade pessoal em muitos aspectos.

(fig.)

O sujeito, por um lado deseja a comida mas, por outro, rejeita-a, porque quer emagrecer.



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188


Objectivo 4

Caracterizar os conflitos interpessoais.

Os conflitos interpessoais surgem, de um modo geral, pelas seguintes razões:

a) diferenças individuais

b) limitações dos recursos

c) diferenciação de papéis.

a) DIFERENÇAS INDIVIDUAIS - As diferenças de idades, sexos, atitudes, crenças, valores e experiências contribuem para que as pessoas vejam e interpretem as situações de múltiplas maneiras. Pais e filhos, velhos e novos, colaboradores no seio de uma empresa, homem ou mulher criam situações onde existe a divergência de pontos de vista. Em situações onde se demarque a diferença individual, as situações de conflito são inevitáveis.

b) LIMITAÇÕES DOS RECURSOS - Nenhuma organização, grupo ou família possui todos os recursos de que necessita. Os recursos financeiros, técnicos e humanos são limitados. A justa partilha destes recursos por todos os indivíduos é difícil. Por este facto, há que tomar decisões concretas:

Quem ocupa este espaço?

Quem ocupa esse trabalho?

Quem obtem este equipamento?

Quem será informado?

Quem tem o poder?

Quem pode utilizar o automóvel?

Etc.

É porque o sistema possui recursos limitados que surge a competição. Sempre que um grupo resolve fazer uma partilha equitativa surgem divergências, porque há pessoas que se consideram sempre prejudicadas. Dificilmente se encontra a unanimidade.



c) DIFERENCIAÇÃO DE PAPÉIS - Os conflitos interpessoais podem também surgir da dificuldade em determinar quem pode dar a ordem ao outro. Se a autoridade de uma pessoa não é aceite pelo outro, surge o conflito. Quando o patrão e o colaborador estão de acordo quanto a determinado trabalho que é preciso realizar, mas se o patrão fala em tempo suplementar para o realizar, o empregado pode não estar de acordo. O empregado poderá não dizer que não, somente porque daí poderiam, posteriormente, advir problemas para o seu desempenho profissional.

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189

Questionário 1

1. Distinga a visão actual da visão tradicional de conflito.

2. Dê um exemplo de cada um dos conflitos interpessoais e caracterize-os.

3. Porque existem conflitos interpessoais?

4. Dê exemplo de um conflito de atracção - atracção que tenha vivido ultimamente.

5. Dê exemplo de um conflito de repulsão - atracção que tenha vivido ultimanente.

6. Dê exemplo de um conflito de repulsão-repulsão que tenha vivido ultimamente.

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190


Respostas ao Questionário 1

1. Tradicionalmente os conflitos eram vistos como:

a) Maus e prejudiciais para o relacionamento interpessoal.

b) Sinal de incompetência e desorganização.

c) Consequências das pessoas que, por serem conflituosas, deviam ser marginalizadas.

d) Associados a sentimentos e comportamentos indesejáveis.

e) Destrutivos.

2. Actualmente os conflitos (em grau e número moderado) são vistos como:

a) Motores do progresso e desenvolvimento.

b) Vivificadores dos grupos e das relações interpessoais.

c) Causas de mudanças positivas.

d) Sinal de consciência crítica e conhecimentos diversificados.

e) Sinal de tomada de consciência dos problemas.

f) Intensificadores da comunicação nas relações interpessoais.

3. Porque:

a) Existem diferenças individuais, quer a nível de valores e crenças quer de ideias e preconceitos.

b) Nem todas as pessoas têm tudo o que desejam (limitação de recursos).

c) As pessoas desempenham papéis diferentes que exigem formas de se relacionar com os outros, de acordo com esses papéis.

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191


Objectivo 5

Caracterizar o conflito organizacional.

Numa organização é a sua própria estrutura que constitui a fonte potencial de conflito, porque:

a) Numa organização trabalham pessoas que estão integradas em níveis diferentes, consoante os seus desempenhos.

b) Estas diferenças de níveis são tanto mais graves quanto mais distantes estão uns dos outros e, consequentemente, menos informação partilham uns com os outros, o que limita ou impede a comunicação.

c) As perspectivas das pessoas que estão em níveis diferentes, assim como os seus valores, interesses e objectivos, não são comuns, o que se apresenta como uma fonte potencial de conflito.

d) Numa empresa ou organização existem pessoas, homens e mulheres, que nem sempre consideram a empresa como um simples local de trabalho. As pessoas têm concepções e comportamentos divergentes e exprimem-nos no decorrer do seu dia-a-dia, na empresa.

e) Uma organização possui uma estrutura com determinadas regras que, implícita ou explicitamente, pretende impor aos seus colaboradores.

f) As pessoas que trabalham nas organizações, têm vindo a manifestar alguma tendência para a autonomia, a aumentar o seu espírito crítico e a revelar uma maior aspiração profissional.

Os conflitos funcionais são inevitáveis. As diferentes partes que constituem a organização têm interesses e necessidades e pontos de vista diferentes e, por isso, entram em conflito.

Numa organização, o poder está distribuído em proporções desiguais. A responsabilidade e a autoridade são diferentes consoante as funções desempenhadas. As pessoas são sensíveis à maneira como são tratadas pelos outros que pertencem ao seu nível funcional e, principalmente, pelas pessoas de nível superior.

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192

Isto implica que os conflitos não podem deixar de ser considerados como uma realidade da vida das empresas; podem mesmo ser de grande utilidade, quando impedem a estagnação ou servem para estimular novas ideias e novos métodos.

Ainda que os conflitos possam parecer perigosos, podem na sua sequência trazer frutos para a organização se permitirem que as pessoas envolvidas mudem e se ajustem.

(fig.)


O conflito organizacional deve ser gerido de modo a encontrar a solução que satisfaça todas as partes envolvidas.

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193

Objectivo 6

Identificar as diferentes formas de lidar com os conflitos.

Segundo Blake e Mouton (1964), as estratégias para tratar um conflito podem classificar-se em três categorias.

1. Podemos evitá-lo

As pessoas evitam, frequentemente, os conflitos e tudo o que é potencialmente conflituoso na esperança que a situação de conflito desapareça.

Há várias maneiras de evitar o conflito:

. Suprimi-lo, abandonando as situações de conflito, deixando o seu emprego, deixando-se dormir, fugindo de casa.

. Refugiar-se no trabalho, como meio para fugir a uma situação embaraçosa.

. Acomodar-se, evitando os conflitos, afirmando que tudo está bem.

. Mudar de assunto, sempre que o conflito é focado.

. Nada levar a sério e utilizar a farsa, distraindo os outros, quando algo indica que se aproxima a situação de conflito.

2. Podemos desactivá-lo:

As estratégias de desactivação utilizam-se quando uma pessoa implicada no conflito decide parar ou suspender o conflito para que "as coisas" se acalmem. Esta estratégia é como que uma táctica de "ventilação". É uma forma de ganhar tempo. Na estratégia de desactivação, as pessoas tentam encontrar alguns acordos nos pontos menores do conflito, evitando os problemas de fundo, muitas vezes, para obter mais informações e ter uma oportunidade de ver essa situação numa outra perspectiva.

3. Podemos enfrentar o conflito:

As estratégias que permitem enfrentar o conflito podem ser agrupadas em três categorias de acordo com o resultado obtido.

a) GANHAR-PERDER

Esta estratégia tem como fundamento uma relação, em que uma das partes, sendo mais forte que a outra, exerce a sua autoridade para remover o conflito.

Esta é, infelizmente, a estratégia mais corrente na resolução de um conflito. O grupo, em situação de inferioridade aceita as condições, do outro grupo porque este é mais forte e poderoso.

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Esta estratégia utiliza abusivamente a autoridade. "Eu sou o patrão" é uma argumentação muito comum neste estilo de estratégia. Contudo, a longo prazo, esta técnica de resolução do conflito enfraquece a autoridade. Progressivamente, e nas mais variadas situações, a parte que detém o poder deve consciencializar-se de que deve explicar os seus pontos de vista e ajustá-los à outra parte.

Esta estratégia demarca bem a existência de duas partes ou de dois grupos de conflito, em que cada uma investe as suas energias contra o outro; recorre-se muito aos ataques pessoais.

É a técnica mais comum nas situações de director-empregado, professor-aluno, pai-filho.

Em qualquer situação esta estratégia é nefasta, porque a utilização da força implica que haja sempre alguém que perca. Geram-se sentimentos de vingança e ressentimentos e nunca se chega a uma situação criativa do problema. As pessoas envolvidas no conflito não comunicam aberta e directamente e utilizam regras e leis para vencer.

b) ESTRATÉGIA PERDER-PERDER

Esta estratégia não satisfaz objectivamente nenhuma das partes envolvidas no conflito, simplesmente nenhuma delas dá a vitória à outra.

Se duas pessoas insistem ir, cada uma, a um restaurante diferente, pode optar-se por um terceiro, não satisfazendo nenhuma delas.

O argumento é: "Eu não ganho mas o outro também não". Esta estratégia implica que as partes envolventes estejam mais empenhadas a impedir que a outra parte ganhe do que, propriamente, que se encontre uma solução para o conflito.

c) ESTRATÉGIA GANHAR-GANHAR

Esta estratégia utilizada na resolução do conflito implica:

. Que o conflito seja um problema que urge resolver e não propriamente, uma batalha a ganhar.

. Que as partes envolvidas no conflito confrontem os pontos de vista e se disponibilizem para resolver as suas diferenças.

. A resolução do conflito exige que as pessoas se coloquem frente a frente, sejam frontais e comunguem da mesma necessidade de resolver o problema.

Para isso, todas as pessoas implicadas devem expressar a sua opinião e sugerir alternativas e soluções para o problema.

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195

De facto, a habilidade para resolver um conflito pressupõe as habilidades para comunicar.

Esta estratégia permite encontrar a melhor solução possível entre as apresentadas e permite criar um clima de confiança, de compreensão e de respeito mútuo entre todos os implicados no conflito.

Esta estratégia é a mais eficaz porque implica o conceito de negociação e exige um grande investimento de tempo. A questão é tratada em termos de "nós" e a solução deve surgir em benefício de todos.

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196


Objectivo 7

Identificar as habilidades para tratar um conflito.

Os conflitos são uma realidade constante quer a nível familiar quer sócio-profissional. Se considerarmos o conflito como um mal a evitar, como algo perigoso, existe tendência para criar mecanismos de defesa.

Porém, evitar os conflitos pode ser eficaz a curto prazo, mas não o é a longo prazo.

Os conflitos devem ser enfrentados e resolvidos eficazmente.

São as seguintes, as habilidades necessárias para tratar eficazmente um conflito:

1. Diagnosticar a natureza do conflito.

2. Envolver-se no confronto.

3. Escutar.

4. Resolver o problema.

1. Diagnosticar a natureza do conflito

Quando estamos perante diferenças individuais ou grupais que geram conflito é preciso determinar:

. Se o problema nos afecta, de facto, e se tem consequências pessoais.

. Quais as causas do conflito, ou seja, se este resulta de divergências a nível de valores, de interesses, ou diferenças a nível dos factos ou situações, acerca dos quais se podem encontrar soluções objectivas.

. Se a outra parte envolvida no conflito é capaz de estabelecer uma relação de negociação, numa perspectiva de ganhador-ganhador.

O primeiro passo para a resolução do conflito é detectar o problema interpessoal ou organizacional e enunciá-lo em termos simples e objectivos, de forma a que haja unanimidade na sua formulação. É o momento da clarificação do problema.

2. Envolver-se no confronto

As partes envolvidas no conflito têm que encontrar o momento mais adequado para se encontrarem. Deve haver disponibilidade de parte a parte e vontade de se empenharem na resolução do problema/conflito.

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197


Nesta fase, é fundamental que cada uma das partes:

. Diga, concretamente, o que a outra fez e em que medida isso o afectou;

. Diga o que gostaria que a outra fizesse.

A questão ou o problema que está na origem do conflito deve ser abordada e clarificada pelas duas partes. Só assim é possível chegar a uma solução satisfatória para ambas.

3. Escutar

As pessoas envolvidas no conflito têm que se ouvir mutuamente. A escuta implica que prestemos atenção não só ao conteúdo da mensagem de cada uma das partes mas também aos sentimentos e emoções nelas implicados, aos índices não verbais e ao contexto em que essa mensagem é proferida.

A escuta activa implica uma certa empatia e é uma das habilidades fundamentais para negociar um conflito.

Escutar implica deixar de pensar no seu ponto de vista e compreender o ponto de vista do outro.

Para negociar as soluções satisfatórias é necessário compreender completamente as necessidades das outras pessoas e, para isso, é imprescindível saber escutar.

É óbvio, que a escuta é dificil, porque se está a lidar com problemas e questões nas quais todas as pessoas estão emocionalmente envolvidas. Regra geral as pessoas são mais tentadas a defender o seu ponto de vista do que a escutar os argumentos e os pontos de vista das outras pessoas.

Todas as partes envolvidas devem exprimir a sua opinião e o desacordo é, numa primeira fase, fundamental para explorar os sentimentos, os valores e as atitudes de todos quantos estão envolvidos e sentem vontade de encontrar a solução mais ajustada para o conflito.

4. Resolver o problema

Nesta fase, todas as soluções devem ser ponderadas e consideradas, como possíveis, pelo menos teoricamente. Todas as soluções devem ser apresentadas, mesmo as mais estranhas e inaceitáveis. As pessoas devem sentir-se livres de sugerir e apresentar qualquer solução.

Depois, é necessário apresentar os argumentos de defesa de cada uma das soluções.

Todas elas devem ser rigorosas, analisadas e ponderadas ao pormenor. As partes envolvidas não devem estar numa posição de defensiva, mas sim de plena abertura, evitando encontrar-se a solução através do voto.

As pessoas devem-se encorajar mutuamente no sentido de compreenderem as implicações positivas de cada uma das soluções e expor todas as críticas e dúvidas sugeridas por cada uma delas.

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198


Finalmente, após este período de apresentação das soluções, sua discussão e análise há que escolher uma delas, a que melhor satisfaça os interesses e as necessidades de todos os implicados no conflito.

Para isso, é necessário verificar se essa solução é a mais apropriada para o problema e se a sua execução e aplicação é viável.

TÉCNICAS PARA SER EFICAZ NA RESOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIAS

1. Escute até ao fim a ideia do seu interlocutor.

2. Mostre-se interessado na sua mensagem.

3. Não interrompa.

4. Faça perguntas para que o seu interlocutor clarifique o pensamento e os argumentos.

5. Esteja atento às suas expressões faciais: não revele arrogância, negativismo ou rejeição, face ao que diz o interlocutor.

6. Diga com frequência "eu compreendo...".

7. Conquiste o direito a ser ouvido.

8. Fale de forma serena e calma.

9. Não imponha as suas ideias, mas proponha-as.

10. Revele empatia e disponibilidade para chegar a uma solução de consenso.

Actividades

Actividade 1

Objectivos:

. Mostrar que a falta de recursos e de meios pode ser fonte de conflito.

. Resolver o conflito.

TAREFAS:

Desenvolver um "jogo de papéis" a partir das situações sugeridos abaixo:

1. O seu colega de quarto utiliza com frequência os seus auscultadores Walkman e recentemente serve-se deles sem sequer pedir permissão.

Hoje, você precisa deles e verifica que não estão em casa. Espera pelo seu colega prepara-se para lhe falar.

O que lhe diz e como lhe diz?

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199

(Um membro do grupo pode desempenhar o papel do colega que acaba de entrar em casa.)

2. Você e a sua(seu) irmã(o) querem utilizar o mesmo carro na mesma noite. Como resolvem o problema? Recorrem aos pais ou não? Ensaie a negociação do problema.

3. Trabalha numa equipa de quatro pessoas. A chefia disse que um dos quatro ia ser promovido. Porém, quem deve decidir o beneficiado da promoção serão os membros do grupo.

Como ajudaria o grupo a decidir?

A resolução do conflito nestas diferentes situações pode ser de:

- evitá-lo

- negá-lo

- enfrentá-lo

a) Ensaie cada uma destas atitudes em cada uma das situações para ver e analisar as várias reacções que provocam.

b) Elabore o melhor método para negociar cada um dos conflitos.

c) Porque é que a negociação é o melhor meio de resolver os conflitos?

Actividade 2

(CONSENSO DO GRUPO)

OBJECTIVO:

Detectar as discordâncias existentes entre os membros do grupo, analisar a sua origem e negociar um consenso entre todos.

TAREFAS:

. Cada elemento do grupo lê a "HISTÓRIA DE MARLENE" e toma uma decisão individual, quanto à ordem de preferência das personagens implicados na história.

. Posteriormente, todos os elementos do grupo discutem a sua preferência e tentam chegar a um consenso.

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200

. Cada elemento do grupo terá que "negociar" com os restantes, defendendo o seu ponto de vista, argumentando as suas razões de modo a levá-los a um consenso.

"A história de Marlene"

Cinco personagens fazem o elenco: Marlene, um barqueiro, um eremita, Pedro e Paulo. Marlene, Pedro e Paulo são amigos desde a infância. Paulo já quis casar com ela, mas esta recusou alegando estar namorando Pedro.

Certo dia, Marlene decide visitar Pedro, que morava no outro lado do rio.

Chegando ao rio, Marlene solicita a um barqueiro que a transporte para o outro lado. O barqueiro, porém, explica a Marlene ser este trabalho o seu único ganha-pão e pede-lhe uma certa soma de dinheiro, importância que Marlene não dispunha. Ela explica ao barqueiro o seu grande desejo de visitar Pedro, insistindo que a transporte para o outro lado. Por fim, o barqueiro aceita com a condição de receber em troca um manto que ela usava.

Marlene hesita e resolve ir consultar um eremita que morava perto. Conta-lhe a história, o seu grande desejo de ver Pedro e o pedido do barqueiro, solicitando, no final, um conselho.

O eremita respondeu:

- Compreendo a sua situação, mas não posso, na actual circunstância, dar-lhe nenhum conselho. Se quiser, podemos dialogar a respeito disso, ficando a decisão final por sua conta.

Marlene retoma ao riacho e decide aceitar a última proposta do barqueiro. Atravessa o rio e vai visitar Pedro, onde passa três dias bem feliz.

Na manhã do quarto dia, Pedro recebe um telegrama. Era a oferta de um emprego muito bem remunerado no exterior, caso que há muito tempo aguardava. Comunica imediatamente a notícia a Marlene, e na mesma hora a abandona.

Marlene cai numa tristeza profunda e resolve dar um passeio, encontrando-se com Paulo, a quem conta a razão da sua tristeza. Paulo compadece-se dela e procura consolá-la. Depois de certo tempo, Marlene diz a Paulo:

- Sabes que há muito tempo pediste-me em casamento e eu recusei porque não te amava o suficiente. Mas, hoje penso que te amo o bastante para casar contigo.

Paulo respondeu:

- É tarde demais; não estou interessado em ficar com os restos de outro.

FRITZEN, S. J. (1981), Exercícios práticos de Dinâmica de Grupo, Vozes, Vol. 1, Petropolis, pp. 64-65

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201


ORDEM DE PREFERÊNCIA

1º .........

2º .........

3º .........

4º .........

5º .........

a) Quais foram as principais divergências entre o grupo?

b) Quais as razões dessas divergências?

c) Foi possível chegar a um consenso?

d) Faça uma análise do processo de negociação do grupo até à chegada (ou não) do consenso.

Actividade 3 - Júri de selecção

OBJECTIVO:

Recrutar uma pessoa para trabalhar numa importante agência comercial, especializada em turismo e viagens e cuja função será a de acolher os clientes, explicar-lhes o funcionamento da agência e orientá-los para os serviços competentes.

O grupo está encarregue de seleccionar a pessoa para o cargo referido, de entre os 7 candidatos existentes e cujas características se encontram na ficha em anexo.

Cada elemento do grupo terá que apresentar o seu ponto de vista, argumentando a sua decisão.

O grupo tomará consciência das razões pelas quais preferem uma pessoa a outras.

Os elementos do grupo devem superar as suas divergências, negociando os seus pontos de vista e chegar a um consenso.

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202

Nome - Sexo - Estado Civil - Idade - Formação -Características

Lúcia Marta - F - Solteira - 28 anos - Assistente - Fala Português, Francês, Inglês e tem noções de Italiano. É africana e está desempregada há 2 anos.

Gil Garcia - M - Viúvo, 2 filhos - 40 anos - Professor de Línguas - Fala Português, Francês, Inglês e Alemão. Coxeia ligeiramente da perna direita devido a um acidente de carro. Tem alguma tendência para o alcoolismo.

Dário Freire - M - Solteiro - 32 anos - Autodidacta - Muito viajado,sem profissão definida. Ajuda os pais numa pequena empresa privada. Muito desportivo e seguro de si. Fala Português, Francês e tem noções de Inglês e Espanhol. Bastante instável.

Jorge Filipe - M - vive maritalmente - 28 anos - Jornalista - Muito entusiasta. Fala Português e Francês. Exprime-se com facilidade. Tem sentido de humor. A sua saúde é precária. Fatiga-se facilmente. Tem uma grande cultura.

Sílvio Aido - M - Casado, 2 filhos - 26 anos - Intérprete - É de nacionalidade inglesa. Fala Português, Inglês, Alemão e Sueco. Tem noções de Francês e de Espanhol. Trabalhou durante dois anos num grande hotel da Suécia.

Júlia Flávio - F - Casada, s/filhos - 33 anos - s/ profissão - Fala Português, Francês e Italiano. Tem noções de Inglês e Alemão. Viveu com o seu marido, que é diplomata, em vários países. É ligeiramente surda, mas usa aparelho. Aborrece-se estar em casa e, por isso, quer trabalhar.

Berta Alves - F - Divorciada, 3 filhos a seu cargo - 46 anos - Pertence ao quadro de uma empresa - Licenciada, tirou o curso enquanto trabalhava. Fala Português,Francês e Inglês. Tem profundos conhecimentos sobre administração. Está habituada a contactar com pessoas.

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203

ACTIVIDADE 4 - Ganhe o mais que puder

OBJECTIVO:

Aprender a negociar a sua opção, eliminando possíveis conflitos entre si e o seu companheiro e entre si e o grupo.

TAREFA:

O grupo divide-se em 4 pares (também é possível adaptar a 3 ou 5 pares).



Cada par tem na sua posse a folha de respostas.

(quadro:)

Partida nº - Tempo de discução - Discussão entre - Factor ganho/perda - Escolha do par - Escolha do grupo X-Y - Ganho $ - Perda $ - Diferença $

1 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

2 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

3 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

4 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

5 - 3+1 - Grupo+Pares - 3 - ... - ... - ... - ... - ...

6 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

7 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

8 - 3+1 - Grupo+Pares - 5 - ... - ... - ... - ... - ...

9 - 1 min. - Pares - 1 - ... - ... - ... - ... - ...

10 - 3+1 - Grupo+Pares - 10 - ... - ... - ... - ... - ...

Ganhos ou Perdas (total) - ...

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204


1. Cada par possui dois cartões, estando escrito num, a letra X e, noutro, a letra Y.

2. As partida 1, 2, 3, 4, 6, 7, 9 desenrolam-se da seguinte maneira

. Cada par discute se escolhe a letra X ou Y durante I minuto, sem que dê a conhecer aos outros pares a sua escolha.

. Passado 1 minuto, cada par levanta o seu cartão para mostrar a escolha que fizeram.

. Cada par inscreve o resultado da sua escolha e da dos outros, na folha de respostas.

As partidas 5, 8 e 10 são especiais. Os ganhos ou as perdas são multiplicados pelo factor inscrito na 4ª coluna da folha de respostas, ou seja, respectivamente por 3, 5 e 10.

Nestas partidas, antes de cada par escolher, os pares podem discutir com os outros pares durante 3 minutos. Após estes 3 minutos, cada par tem ainda um minuto para discutir.

No final da 10ª partida, cada par vê o que perdeu e ganhou.

São as seguintes as regras do ganhos e das perdas

a) Se os 4 pares escolheram, todos, o X, então, cada par perde 10

b) Se 3 pares escolherem o X e um par escolher o Y, então, cada par que escolheu o X, ganha 20$ e o par que escolheu o Y perde 60$.

c) Se dois pares escolheram X e dois pares escolheram Y, então, cada par que escolheu X ganha 40$ e cada par que escolheu Y perde 40$.

d) Se um par escolheu X e 3 pares escolheram Y, então, o par que jogou X ganha 60$ e os pares que jogaram Y perderam 10$.

e) Se os 4 pares jogarem o Y, então, cada par ganha 10$.

MYERS, Les bases de la communication interpersonnelle, McGraw Hill, Quebec, 1984, pp. 432-434

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205

Discussão do exercício:

1. Quais foram os critérios que o par utilizou para escolher a letra?

2. A que conclusões chegaram a propósito dessa escolha?

3 . Acha que a discussão que fizeran com os outros pares nas 3 partidas que o permitiram, melhoraram a vossa estratégia para obter maiores ganhos, ou não?

4. Considera este exercício, também, um exercício de confiança? Porquê?

5. Quais foram os esforços de negociação que o par teve que fazer com os restantes pares? Foi possível negociar?

6. Entrou em conflito com o seu par? Porquê?

7. Entrou em conflito com os outros pares? Porquê?

8. Considera que se houvesse maior comunicação entre os grupos, os resultados podiam ser melhores?

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Actividade 5

OBJECTIVO:

Identificar, de acordo com o consenso do grupo, o responsável ou responsáveis pela situação descrita.

SITUAÇÃO:

Num serviço da administração pública vai ser organizado um encontro para quadros médios, a fim de discutir alguns problemas relativos à reorganização e reestruturação dos diversos serviços.

O subdirector, o sr. Rogério Dantas, 42 anos, foi encarregue de zelar pelo bom funcionamento deste colóquio. Para tal, convidou uma animadora que não pertencia aos serviços, a sra. Bernardete, 45 anos, psico-socióloga, especialista na organização de debates e reuniões.

Esta especialista pediu ao sr. Dantas para fotocopiar um documento de 3 páginas, para distribuir aos 17 participantes.

O sr. Dantas encarregou uma empregada, a menina Lúcia Palma, 29 anos, de efectuar este trabalho o mais rapidamente possível.

Contudo, esta última esqueceu-se(?) de fazer o serviço. A sra. Bernardete pensou que ela o poderia fazer nessa mesma manhã da reunião, uma vez que esta começava às 10 horas e os funcionários iniciavam as suas funções às 8.30 horas.

ACONTECIMENTO:

A menina Lúcia Palma, durante a noite, teve uma enorme dor de dentes. Depois de várias horas de insónia foi ao dentista porque a dor era insuportável. Telefonou, então, ao sr. Dantas anunciando a sua ausência ao serviço, e para lhe dizer que providenciasse as fotocópias porque ela ainda não as tinha feito e que o documento a reproduzir estava sobre a sua secretária.

O sr. Dantas pede a uma outra empregada, a sra. Laura, 24 anos, que iniciou há pouco tempo a sua actividade, para fotocopiar o documento em questão. Ele afirma que é um documento urgente porque a reunião se realizará nessa manhã.

A sra. Laura dirigiu-se à secção de fotocópias onde trabalha o sr. Hugo.

Este não se encontrava no local de trabalho. Saiu para comprar cigarros e um funcionário que o viu sair disse que ele demoraria cerca de 15 minutos.

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207


A sra. Laura dirigiu-se a um colega, o sr. Fausto, e pediu-lhe que a ajudasse. Este comunica-lhe que sabe trabalhar com a máquina de fotocópias mas que este trabalho não se insere nas suas atribuições normais.

Sabendo que o trabalho era urgente e que tinha que ser feito, a sra. Laura decide faze-lo ela mesma. Liga a ficha do aparelho e nesse preciso momento ouve um estrondo e vê sair fumo da fotocopiadora.

A fotocopiadora tinha avariado porque não a ligou à ficha indicada que tinha uma tensão de 220 V.

O aparelho devia estar ligado a um transformador de corrente mas, momentos antes, o sr. Hugo tinha-o emprestado a um colega seu para utilizar num outro aparelho.

Limbos,E., Les Barrages Personales dans les rapports humains, Editions E.S.F., Paris, 1984, pp. 41-42 (adaptação)

Actividade 6

Objectivo:

Encontrar a solução para um conflito organizacional.

TEXTO:

"O sr. Paulo é gerente de uma empresa de produção de moldes. É frequente, o director do departamento de pessoal promover cursos para os colaboradores que trabalham com novas máquinas, cuja implementação aumenta a produção. Porém, estes não revelam qualquer interesse pelas acções deformação. A direcção da empresa sentiu necessidade de contratar mais três colaboradores, mas considerou que devia eliminar os intervalos para café e descanso, que tinham sido implementados há dois anos para os colaboradores. A direcção exigiu, por outro lado, uma maior produtividade.



O sr. Paulo foi alertado para a situação, por parte dos antigos funcionários. Está eminente um conflito."

. Coloque-se no papel do sr. Paulo.

. Qual lhe parece ser a maneira mais correcta de solucionar o problema, de modo a que todas as partes fiquem satisfeitas?

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208

Actividade 7

OBJECTIVO:

Identificar a melhor alternativa para resolver o conflito descrito na situação. Identificar as consequências das restantes alternativas.

Situação 1

O eng. Duarte é Director de uma empresa de produção de pasta dentífrica. Ontem soube que um dos seus colaboradores se ausentou do seu posto de trabalho para ir conversar com um colega que trabalha noutro sector. A produção do colaborador que se ausentou baixou consideravelmente. O Director receia que outros colaboradores possam ter o mesmo comportamento.

O que acha que o Director deve fazer?

A - Falar com o chefe de secção de outro colaborador para que ele não fale na hora de serviço.

B - Falar com o colaborador que se ausenta, dizendo-lhe para limitar a sua conversa à hora do intervalo.

C - Apanhar os dois colaboradores em flagrante fazendo-os compreender o prejuízo que estão a causar.

D - Providenciar para que os outros colaboradores não façam o mesmo.

E - Nada dizer porque, tal facto, pode provocar algum conflito.

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209


Tarefa 1

OBJECTIVO:

Os conflitos organizacionais

Raramente existe harmonia de interesses entre patrões e empregados. Os conflitos, embora nem todos sejam desejáveis, são geradores de mudança e de desenvolvimento das organizações.

TEXTO:

"Conflito significa a existência de ideias, sentimentos, atitudes ou interesses antagónicos e colidentes que se podem chocar. Sempre que se fala em acordo, aprovação, coordenação, resolução, unidade, consentimento, harmonia, deve-se lembrar que essas palavras pressupõem a existência ou a iminência dos seus opostos, como desacordo, desaprovação, dissenção, desentendimento, incongruência, discordância, inconsistência, oposição - o que significa conflito. O conflito é a condição geral do mundo animal (Konrad Lorenz, 1966). O homem sobressai-se dentre os animais pela sua capacidade de atenuar, embora nem sempre, de eliminar esta condição. A sociedade e a civilização - requisitos básicos da vida humana - são viáveis graças a um alto grau de congruência de objectivos entre os homens, ou pelo menos, devido a alguns mecanismos ou regras que imponham ordem a acomodação.



Conflito e cooperação são elementos integrantes da vida de uma organização (...). Hoje, considera-se cooperação e conflito como dois aspectos da actividade social ou, melhor ainda, dois lados de uma mesma moeda, sendo que ambas são inseparavelmente ligadas na prática."

CHIAVENATO, Idalberto (1987), Teoria geral da Administração, McGraw Hill, S. Paulo, 3.1ª ed., Vol. 2, pp. 88-89.

QUESTÕES:

1. Em que medida o conflito pode contribuir para o desenvolvimento de uma organização?

2. Como explica que, sendo o conflito inevitável e, de certo modo, importante na sociedade, esta, para evoluir, tenha necessidade de um alto grau de congruência de objectivos?

3. Que relação estabelece entre conflito e cooperação?

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210


Respostas à tarefa 1

1. O conflito pode criar a oportunidade de várias pessoas, com saberes heterogéneos, participarem na resolução de problemas que exigem pontos de vista e soluções, diversificados. A organização poderá beneficiar do conflito, se este contribuir para implementação de mudanças significativamente importantes para o seu desenvolvimento.

2. Apesar da congruência dos objectivos, é necessário admitir a vantagem da sua mudança e ajustamento a novas realidades e exigências exteriores. As mudanças, muitas vezes, só são possíveis na sequência da resolução dos conflitos.

3. O conflito, apesar de significar diferença e divergência, não elimina a possibilidade de se trabalhar essa diferença, no sentido de encontrar plataformas comuns de aceitação. O homem deve estar disponível para ultrapassar conflitos e encontrar soluções inovadoras, o que só é possível através da cooperação.

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211


ANTES DE FAZER A LEITURA E ANÁLISE DA 2ª PARTE DESTE MÓDULO, SE PENSA QUE DOMINA ALGUNS TEMAS, FAÇA O PRÉ-TESTE. DE SEGUIDA, RESPONDA AO QUESTIONÁRIO QUE SE SEGUE, PARA CONSTRUIR O SEU GRÁFICO DE ATITUDES. SE NÃO TEVE ÊXITO NO PRÉ-TESTE, LEIA OS OBJECTIVOS E O CONTEÚDO DO TEMA E, NO FINAL REALIZE NOVAMENTE O PRÉ-TESTE.

Pré-teste B

Principais orientações no relacionamento interpessoal

Responda de forma objectiva às seguintes questões:

1. Qual a importância da confiança na relação interpessoal?

2. Em que medida confiar em alguém é correr um risco?

3. Em que consiste o estilo agressivo?

4. Qual o objectivo do sujeito agressivo?

5. Apresente algumas características comportamentais do agressivo.

6. Quais as possíveis origens do comportamento agressivo?

7. Como caracteriza o sujeito passivo?

8. Quais as características e comportamentos do sujeito passivo?

9. Quais as consequências desta atitude, para o sujeito?

10. Em que consiste a atitude manipuladora?

11. Quais os comportamentos típicos do manipulador?

12. Quais as consequências, para o sujeito, da atitude manipuladora?

13. Em que consiste o estilo afirmativo?

14. Como caracteriza o comportamento do sujeito afirmativo?

15. Porque é que a atitude afirmativa é a mais positiva e eficaz, nas relações interpessoais?

16. Em que consiste a técnica de auto-afirmação D.E.E.C.?

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212


Exercício de autodiagnóstico

Responda espontaneamente, colocando uma cruz na coluna correspondente à sua resposta.

A maior parte das vezes, VERDADE - se pensa ou actua dessa maneira, a maior parte do tempo.

A maior parte das vezes, FALSO - se só raramente actua da maneira descrita.

A maior parte das vezes

VERDADE FALSO

1. Digo muitas vezes SIM, quando, no fundo, quero dizer NÃO.

2. Defendo os meus direitos sem atentar contra os direitos dos outros.

3. Quando não conheço bem uma pessoa, prefiro dissimular aquilo que penso ou sinto.

4. Sou, na maior parte das vezes, autoritário e decidido.

5. Geralmente, é mais fácil e mais engenhoso actuar por interposta pessoa do que directamente.

6. Não receio criticar os outros e dizer-lhes aquilo que penso.

7. Não ouso recusar certas tarefas que não fazem parte das minhas atribuições.

8. Não tenho receio de manifestar a minha opinião, mesmo em face de interlocutores hostis.

9. Quando há debate, prefiro retrair-me e "ver o que é que a coisa dá".

10. Várias vezes me censuram, por ter espírito de contradição.

11. Tenho dificuldade em escutar os outros.

12. Faço tudo o que posso para ficar "no segredo dos deuses" e tenho-me dado bem com isso.

13. Consideram-me, em geral, bastante "manhoso" e hábil na relação com os outros.

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213

14. Mantenho com os outros relações mais fundadas sobre a confiança do que sobre a dominação ou o calculismo.

15. Prefiro nunca pedir ajuda a um colega. Ele poderá pensar que eu não sou competente.

16. Sou tímido e tenho grandes bloqueios quando tenho que realizar uma acção pouco habitual.

17. Chamam-me "sopinhas de leite", fico enervado e isso faz rir os outros.

18. Sinto-me bastante "à vontade" nas relações face a face.

19. Faço "fitas" muitas vezes; é a melhor maneira de conseguir o que quero.

20. Sou um "fala-barato" e corto a palavra aos outros sem me dar conta disso.

21. Sou ambicioso e estou pronto a fazer o que for necessário para realizar os meus objectivos.

22. Em geral, sei o que é preciso fazer; isso é importante para ser bem sucedido.

23. Em caso de desacordo procuro os compromissos realistas assentes na base dos interesses mútuos.

24. Prefiro "pôr as cartas na mesa".

25. Tenho tendência para deixar para mais tarde as coisas que tenho para fazer.

26. Deixo, muitas vezes, um trabalho a meio sem o acabar.

27. Em geral, mostro aquilo que sou, sem dissimular os meus sentimentos.

28. É preciso muita coisa para me intimidarem.

29. Meter medo aos outros pode ser um bom meio para garantir o poder.

30. Quando "me levam à certa" uma vez, vingo-me na próxima.

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214


31. Quando se critica alguém, é muito eficaz censurar-lhe o facto de ele não seguir os seus próprios princípios. Forçamo-lo, assim, a estar de acordo.

32. Sei tirar partido do "sistema"; sou "desenrascado".

33. Sou capaz de ser eu próprio, continuando a ser aceite socialmente.

34. Quando não estou de acordo, sei dizê-lo desapaixonadamente e com clareza.

35. Tenho preocupações de não incomodar os outros.

36. Tenho sérias dificuldades em fazer opções.

37. Não gosto de ser a última pessoa dentro de um grupo a pensar de determinada maneira. Nessa caso prefiro retirar-me.

38. Não tenho receio de falar em público.

39. A vida "é uma selva".

40. Não tenho receio de enfrentar os desafios perigosos e arriscados.

41. Criar conflitos pode ser mais eficaz do que reduzir as tensões.

42. A franqueza é a melhor maneira de ganharmos confiança nas nossas relações com os outros.

43. Sei escutar e não corto a palavra aos outros.

44. Levo até ao fim aquilo que eu decidi fazer.

45. Não tenho medo de exprimir os meus sentimentos, tal qual como os sinto.

46. Tenho jeito "para levar as pessoas" e fazer impor as minhas ideias.

47. O elogio ainda é um bom meio de se obter o que se pretende.

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215

48. Tenho dificuldade em controlar o tempo em que estou no uso da palavra.

49. Sei manejar bem a ironia mordaz.

50. Sou servil e tenho uma vida simples; às vezes até me deixo explorar um pouco.

51. Gosto mais de observar do que de participar.

52. Gosto mais de estar na "geral" do que na primeira fila.

53. Não penso que a manipulação seja uma solução eficaz.

54. Não é necessário anunciar depressa demais as nossas intenções; isso pode causar-nos dissabores.

55. Choco muitas vezes as pessoas com as minhas atitudes.

56. Prefiro ser lobo a ser cordeiro.

57. A manipulação dos outros é muitas vezes a única maneira prática para obtermos o que queremos.

58. Sei, em geral, protestar com eficácia, sem agressividade excessiva.

59. Penso que os problemas não podem ser realmente resolvidos sem procurarmos as suas causas profundas.

60. Não gosto de ser mal visto.

Correcção do exercício de autodiagnóstico

Cada frase corresponde a comportamentos de fuga passiva, de ataque agressivo, de manipulação ou de comportamento com base na auto afirmação. As frases indicadas com um número, foram classificadas em quatro colunas, correspondentes aos quatro estados de comportamentos. Deverá colocar 1 ponto se responder VERDADE. O total dos pontos indica o grau da sua tendência a utilizar o comportamento indicado.

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216


Comportamentos de Fuga Passiva

1 -


7 -

15 -


16 -

17 -


25 -

26 -


35 -

36 -


37 -

50 -


51 -

52 -


59 -

60 -


TOTAL:

Comportamentos de Ataque Agressivo

4 -

6 -


10 -

11 -


20 -

21 -


28 -

29 -


30 -

39 -


40 -

48 -


49 -

55 -


56 -

TOTAL:


Comportamentos de Manipulação

3 -


5 -

9 -


12 -

13 -


19 -

22 -


31 -

32 -


41 -

42 -


46 -

47 -


54 -

57 -


TOTAL:

Comportamentos de Assertividade ou Auto-Afirmação

2 -

8 -


14 -

18 -


23 -

24 -


27 -

33 -


34 -

38 -


43 -

44 -


45 -

53 -


58 -

TOTAL:


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217


GRÁFICO DE ESTILOS COMPORTAMENTAIS

de 0 a 15 cada:

Passivo

Agressivo



Manipulador

Atitude de Auto-Afirmação ou Assertividade

CHALVIN, Dominique, Laffirmation de soi (5ª ed.), Les Editions E.S.F., Paris, 1989, pp. 4-7

Os estilos de comunicação

Não existem duas pessoas que ajam exactamente do mesmo modo. Todos os indivíduos têm modos mais ou menos estáveis de comunicar. Mesmo que uma pessoa consiga comunicar de diferentes modos e saiba fazê-lo, escolhe sempre a maneira como ela mais gosta de comunicar com os outros.

Por isso, podemos considerar que existem estilos de comunicação, que não são mais do que formas diferentes de abordar a situação interpessoal.

1. Todas as pessoas têm determinados estilos disponíveis, para utilizar consoante as situações, mas há um que prevalece sempre.

2. O estilo é eficaz em função da situação onde se aplica.

3. É a utilização de um determinado estilo de forma indiscriminada, qualquer que seja a situação, que dá origem a problemas interpessoais.

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218

Objectivo 8

Avaliar a importância do acto de confiar na relação interpessoal.

A comunicação entre as pessoas nem sempre é funcional. Para isso é necessário aprender algumas habilidades e adquirir conhecimentos acerca das consequências de cada uma das atitudes inerentes ao processo de comunicação.

Uma das habilidades a aprender, é confiar.

Confiar nos outros constitui um processo onde cada um que intervem na relação corre pequenos riscos.

Para que se possa falar de uma relação de confiança é necessário ter a certeza de que o outro também partilhará da mesma necessidade.

Quando se experimenta a confiança na relação com os outros, está subjacente a essa confiança:

. a contingência

. a previsibilidade

. opções alternativas

A contingência - Significa que, numa deterrninada situação, os resultados da acção da outra pessoa nos afecta significativamente.

Se o comportamento da outra pessoa não tem qualquer efeito sobre nós, não há necessidade de ter confiança nela.

A previsibilidade - Relaciona-se com o grau de certeza que nós temos acerca daquilo que a outra pessoa fará ou não fará. Nesta dimensão é possível prever o comportamento ou as intenções da outra pessoa.

Se temos uma certeza mínima acerca do comportamento possível de outra pessoa podemos ter uma pequena esperança de que seja como esperamos, mas não podemos ter ainda a experiência da confiança.

As opções alternativas - Implica que possamos escolher outra atitude além da confiança.

Para que haja confiança é necessário que as três características atrás referidas estejam presentes. A confiança não tem que ser necessariamente obrigatória na relação interpessoal; ela deve ser uma opção consciente a ter na relação.

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219

A confiança surge porque somos influenciados pelo comportamento de outra pessoa e somos capazes de prever como é que essa pessoa se comporta perante nós.

Quando confiamos noutra pessoa, estamos a correr pequenos riscos, aumentando consequentemente a nossa vulnerabilidade face a essa pessoa.

De facto, confiar numa pessoa é deixarmo-nos afectar pelo seu comportamento.

Para confiar é necessário crer que o outro quer e é capaz de se comportar de modo a não nos magoar, ou seja, confiamos numa pessoa quando cremos que ela nos respeita profundamente.

A confiança não é um acto de magia nem se obtem mecanicamente. A confiança não é algo que se possa obter pela força. Se alguém persiste em não nos compreender ou continua a duvidar da nossa competência ou das nossas boas intenções, há habilidades que permitem modificar a percepção acerca dessa pessoa.

A confiança constrói-se a partir de pequenos riscos.

Numa situação em que nos tornemos vulneráveis a outra pessoa, ou seja, quando aceitamos que essa pessoa nos possa afectar e se o outro aceita o nosso envolvimento inicial sem nos ferir tornando-se também vulnerável face a nós, pode estabelecer-se uma confiança mútua.

Para que uma relação de confiança se estabeleça é necessário:

1. Que confiemos no outro, mesmo que não tenhamos a certeza de que essa confiança é recíproca.

2. Que os dois estejam disponíveis (queiram de facto) para o acto de confiar.

3. Os dois deverão querer negociar um processo onde os riscos aumentam progressivamente.

Para obter a confiança dos outros, devemos ser nós a tomar a iniciativa e não esperar que o outro a tome primeiro.

Se queremos ser vistos como uma pessoa de confiança temos que fazer o primeiro gesto, o que implica sempre um certo risco.

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220


(fig.)

Mãe - Aonde vais, filha?

Céu - Vou a casa da Teresa estudar.

Até logo mãe.

Mãe "Será que ela vai mesmo estudar a casa da amiga?

"Acredito que vai estudar, porque tem teste amanhã..."

"É melhor telefonar para confirmar."

- Está? É a Teresa? Olá? Sou eu, a mãe da Céu, ela está aí?

Teresa - Está, sim. Ela acabou mesmo de chegar. Quer que eu a chame?

Mãe - Não, obrigado. Era só para saber se ela estava aí.

"Ela foi mesmo à casa da amiga, posso confiar nela!"

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221

Objectivo 9

Identificar ecaracterizar o estilo agressivo

(fig.)


A agressividade observa-se através de comportamentos de ataque contra as pessoas e os acontecimentos.

O agressivo prefere submeter os outros a fazê-los curvar.

O agressivo fala alto, interrompe e faz barulho com os seus afazeres enquanto os outros se exprimem.

Ele desgasta psicologicamente as pessoas que o rodeiam. O agressivo pensa que é sempre ganhador através do seu método, mas não entende que se o fosse, não necessitaria de ser agressivo. O agressivo torna-se um cego no seu meio, porque evitam falar-lhe francamente e de forma verdadeira.

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221


O estilo agressivo

A pessoa que utiliza com frequência o estilo agressivo tende a agir como uma pessoa reivindicativa face aos outros. Age como se fosse intocável e não tivesse falhas nem cometesse erros. Estas pessoas têm uma grande necessidade de se mostrarem superiores aos outros e, por isso, são excessivamente críticos. Na relação com os outros tornam-se tirânicos ao ponto de desprezarem os direitos e os sentimentos dos outros. Emitem muitas vezes a opinião de que os outros são estúpidos.

O objectivo principal do agressivo é ganhar sobre os outros, de dominar e de forçar os outros a perder. Muitas vezes ganha, humilhando e controlando os outros, de tal modo que não lhes dá a possibilidade de se defenderem.

As pessoas que adoptam este estilo não conseguem estabelecer relações íntimas e de segurança.

Curiosamente, o agressivo tem a consciência de que se deve proteger de possíveis ataques e de possíveis manobras dos outros, porque tem a consciência de que é mal compreendido e não amado.

O agressivo procura:

. dominar os outros

. valorizar-se à custa dos outros

. ignorar e desvalorizar sistematicamente o que os outros fazem e dizem

Atitudes agressivas nas relações hierárquicas:

. em posição dominante: autoritarismo, frieza, menosprezo, intolerância;

. em posição subordinada: contestação sistemática, hostilidade "apriori" contra tudo o que vem de cina.

Sinais clínicos do agressivo:

. Falar alto.

. Interromper

. Fazer barulho com os seus afazeres enquanto os outros se exprimem.

. Não controlar o tempo enquanto está a falar.

. Olhar de revés o seu interlocutor.

. Arvorar um sorriso irónico.

. Manifestar por mímica o seu desprezo ou a sua desaprovação.

. Recorrer a imagens chocantes ou brutais.

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223

Os alibis ouvidos com maior frequência pelo agressivo:

1. "Neste mundo é preciso um homem saber impor-se".

2. "Prefiro ser lobo a ser cordeiro".

3. "As pessoas gostam de ser guiadas por alguém com um temperamento forte".

4. "Se eu não tivesse aprendido a defender-me já há muito tinha sido devorado".

5. "Os outros são todos uns imbecis".

6. "Os outros são todos uns patifes".

7. "Só os fracos e os hipersensíveis é que podem sentir-se agredidos".

Origens da atitude agressiva

Esta atitude tão ineficaz nas relações interpessoais pode explicar-se a partir de motivos profundos e que pouco têm a ver com as sítuações onde se manifesta a agressividade.

Motivos:


1. Uma elevada táxa de frustrações no passado - Uma pessoa que tenha vivido muitas frustrações no passado teme toda a situação que possa causar o mínimo de frustração e, por isso, ataca frequentemente.

É necessário reduzir os momentos de frustração e dar algumas satisfações pessoais ao agressivo. Ele tem que reconhecer a sua fragilidade e o valor da confiança recíproca.

2. O medo latente - O medo está constantemente presente no indivíduo. O medo do outro está ligado a experiências antigas. É necessário fazê-lo exprimir tranquilamente este medo. Existe um fantasma que o persegue e que é simbolizado pelas outras pessoas.

3. O desejo de vingança - A pessoa está sempre em posição de rivalidade. Ela tem sempre presente velhas querelas e não esquece velhos conflitos.

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224


Objectivo 10

Identificar e caracterizar o estilo passivo.

(fig.)

A atitude passiva é uma atitude de evitamento perante as pessoas e os acontecimentos. Em vez de se afirmar tranquilamente, o passivo afasta-se ou submete-se, não age.



Porque não se afirma, ele torna-se, geralmente, numa pessoa ansiosa que apresenta dores de cabeça com frequência e sofre de insónias.

O passivo não age porque tem medo das decepções. É timido e silencioso.

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225


O estilo passivo

O passivo é, quase sempre, um explorado e uma vítima.

Raramente está em desacordo e fala como se nada pudesse fazer por si próprio e pelos outros. Tende a ignorar os seus direitos e os seus sentimentos.

Tende a evitar os conflitos a todo o custo.

Dificilmente diz não, quando lhe pedem alguma coisa, porque pretende agradar a todos. Porém, a curto prazo, não agrada a ninguém porque, como é frequentemente solicitado, não pode fazer tudo o que diz que quer fazer, de forma correcta.

Não afirma as suas necessidades porque é muito sensível às opiniões dos outros.

O passivo:

. Sente-se bloqueado e paralisado quando lhe apresentam um problema para resolver.

. Tem medo de avançar e de decidir porque receia a decepção. Parece que espera alguma catástrofe.

. Tem medo de importunar os outros.

. Deixa que os outros abusem dele.

. A sua "cor" é a cor do ambiente onde está inserido. Ele tende a fundir-se com o grupo, por medo. Ele chama a isto realismo e adaptação.

Sinais clínicos do passivo:

. Roer as unhas.

. Mexer os músculos da face, rangendo os dentes.

. Bater com os dedos na mesa.

. Riso nervoso.

. Mexer frequentemente os pés.

. Está frequentemente ansioso.

. Tem insónias.

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226


Consequências nefastas desta atitude:

1. Desenvolve ressentimentos e rancores porque ao longo da sua existência vai sentindo que está a ser explorado e diminuído.

2. Estabelece uma má comunicação com os outros porque não se afirma e raramente se manifesta. Os outros não conhecem os seus desejos, interesses e necessidades.

3. Utiliza mal a sua energia vital. A sua inteligência e afectividade são frequentemente utilizadas para se defender e fugir às situações. Seria muito mais produtivo se investisse essas energias em acções e soluções construtivas para si e para os outros.

4. Perda do respeito por si próprio, porque frequentemente faz coisas que não gosta muito e que não consegue recusar.

5. A pessoa sofre.

Alibis ouvidos com maior frequência pelo passivo:

. "Não quero dramatizar".

. "É preciso deixar as pessoas à vontade".

. "Não sou o único a lamentar-me".

. "É preciso saber fazer concessões".

. "Não gosto de atacar moinhos".

. "Admito que os outros sejam directos comigo, mas eu tenho receio de os ferir".

. "Não gosto de prolongar a discussão com intervenções não construtivas".

Qual a origem da atitude de FUGA ou de PASSIVIDADE?

1. Falsa representação da realidade que o cerca e uma má apreciação e interpretação das relações de poder e influência. Existe um fantasma sobre o poder do outro; imagina o outro com muito mais poder do que de facto tem.

É necessário que o passivo reflicta sobre o meio em que se insere (que nem sempre é hostil) e aprecie, de forma realista, as suas capacidades, de modo a reduzir a sua submissão excessiva aos outros.

2. Desvalorização das suas capacidades para resolver problemas.

3. Uma educação severa e um ambiente particularmente difícil onde vivenciou muita frustração, é outra causa possível.

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227

Objectivo 11

Identificar e caracterizar o comportamento manipulador.

(fig.)


O manipulador não se implica nas relações interpessoais.

Esquiva-se aos encontros e não se envolve directamente com as pessoas, nem nos acontecimentos.

O seu estilo de interacção caracteriza-se por manobras de distracção ou manipulação dos sentimentos dos outros.

O patrão manipula o empregado a fazer horas extraordinárias dizendo:

"Como pode recusar, depois de tudo o que fiz por si?"

O manipulador não fala claramente dos seus objectivos. É uma pessoa muito "teatral".

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228


O estilo manipulador:

O manipulador considera-se hábil nas relações interpessoais, apresentando discursos diferentes consoante os interlocutores a quem se dirige.

Dificilmente aceita a informação directa, preferindo fazer interpretações pessoais.

Diz com frequência: "Poderíamos entender-nos".

Apresenta-se, quase sempre, como um útil intermediário e considera-se, mesmo, indispensável. Raramente se assume como responsável pelas situações.

Agindo por interpostas pessoas, tira partido delas para atingir os seus próprios objectivos.

Fisicamente, parece, muitas vezes, um actor de teatro.

O manipulador nunca apresenta claramente os seus objectivos.

Comportamentos típicos do manipulador:

1. Apresenta uma relação táctica com os outros.

2. Tende a desvalorizar o outro através de frases que pretende que sejam humorísticas e que denotem inteligência e cultura.

3. Exagera e caricatura algumas partes da informação emitida pelos outros. Repete a informação desfigurada e manipula-a.

4. Utiliza a simulação como instrumento. Nega factos e inventa histórias para mostrar que as coisas não são da sua responsabilidade.

5. Fala por meias palavras; é especialista em rumores e "diz-que-disse".

6. É mais hábil em criar conflitos no momento oportuno do que reduzir as tensões existentes.

7. Tira partido do sistema (das leis e das regras), adapta-o aos seus interesses e considera que, quem não o faz é estúpido.

8. Ofeerece os seus talentos em presença de públicos difíceis.

9. A sua arma preferida é a culpabilidade. Ele explora as tradições, convicções e os escrúpulos de cada um; faz chantagem moral.

10. Emprega frequentemente o "nós" e não o "eu"; "falemos francamente", "confiemos um no outro" ...

11. Apresenta-se sempre cheio de boas intenções.

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229


Consequências da atitude de manipulação:

1. O manipulador perde a sua credibilidade à medida que os seus "truques" forem descobertos.

2. Uma vez descoberto, o manipulador tende a vingar-se dos outros e, se tem poder, utiliza-o para isso.

3. Dificilmente recupera a confiança dos outros.

Origem das atitudes de manipulação:

1. Uma educação tradicional onde a manipulação era o único meio para atingir os objectivos. Os pais, para obterem o poder sobre os filhos utilizavam comportamentos manipuladores.

2. Acreditar, de facto, que:

- só se pode confiar nos santos;

- não se pode nem deve ser franco e directo;

- a acção indirecta é mais eficaz que o face-a-face.

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230


Objectivo 12

Identificar e caracterizar o estilo auto-afirmativo.

(fig.)

As pessoas afirmativas são capazes de defender os seus direitos, os seus interesses e de exprimir os seus sentimentos, os seus pensamentos e as suas necessidades de forma aberta, directa e honesta.



Estas pessoas para afirmarem os seus direitos, não pisam os direitos dos outros. A pessoa afirmativa tem respeito por si própria e pelos outros, está aberta ao compromisso e à negociação. Aceita que os outros pensem de forma diferente de si; respeita as diferenças e não as rejeita.

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231

A atitude auto-afirmativa

A atitude de auto-afirmação também pode ser chamada de "assertividade" Este termo tem origem no verbo "to assert" que significa afirmar.

Auto-afirmar-se significa evidênciar os seus direitos e admitir a sua legitimidade sem ir contra os direitos dos outros.

Trata-se de uma pessoa que se pronuncia de forma serena e construtiva.

Aquele que se afirma desenvolve a sua capacidade de se relacionar com o mundo e privilegia a responsabilidade individual.

O que se afirma:

. Está à vontade na relação face a face.

. É verdadeiro consigo mesmo e com os outros, não dissimulando os seus sentimentos.

. Coloca as coisas muito claramente às outras pessoas, negoceia na base de objectivos precisos e claramente determinados.

. Procura compromissos realistas, em caso de desacordo.

. Negoceia na base de interesses mútuos e não mediante ameaças.

. Não deixa que o pisem.

. Estabelece com os outros uma relação fundada na confiança e não na dominação nem no calculismo.

À medida que o sujeito for agindo no seu meio de forma assertiva, ele apercebe-se que vai conquistando pequenas vitórias, ficando mais satisfeito consigo próprio e com os outros.

BOWER (1976) desenvolveu um método pragmático que permite o treino e o desenvolvimento da atitude de AUTO-AFIRMAÇÃO.

Este método permite reduzir as tensões entre as pessoas em qualquer domínio da vida particular, familiar ou profissional. Trata-se de um método que pressupõe a negociação, como base do entendimento.

A técnica de auto-afirmação é chamada D.E.E.C.

São as iniciais de:

DESCREVER - D

EXPRESSAR - E

ESPECIFICAR - E

CONSEQUÊNCIA - C

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232

Descrever - o sr. A descreve o comportamento do sr. B de uma forma tão precisa e objectiva quanto possível.

Expressar - o sr. A transmite ao sr. B o que pensa e sente em relação ao seu comportamento, sentimentos, preocupações, desacordos ou críticas.

Especificar - o sr. A propõe ao sr. B uma forma realista de modificar o seu comportamento.

Consequência - o sr. A tenta interessar ao sr. B pela solução proposta, indicando-lhe as possíveis consequências benéficas da nova atitude que lhe é proposta.

O comportamento de auto-afirmação tende a reduzir as tensões inter-individuais. O sujeito apresenta uma postura que se adequa à sua mensagem: não fala demais nem exagera nos gestos e olha o seu interlocutor nos olhos.

Quando é que se deve utilizar a atitude de auto-afirmação?

Ela é útil nos seguintes casos:

. Quando é preciso dizer qualquer coisa de desagradável a alguém.

. Quando se pretende pedir qualquer coisa de invulgar.

. Quando é necessárlo dizer não àquilo que alguém pede.

. Quando se é criticado.

. Quando se pretende desmascarar uma manipulação.

O indivíduo que age de forma afirmativa mantém o seu equilíbrio psicológico e favorece o bom clima, quer no trabalho quer na família. Será que o sistema educativo favorece a atitude auto-afirmativa? Na maioria dos casos o sistema educativo não permite que as pessoas exprimam livremente os seus sentimentos porque é considerado perigoso para si e para os outros.

O sujeito que se auto-afirma é um indivíduo autêntico.

Ser autêntico e expressar os seus sentimentos na vida social implica:

1. Abster-se de julgar e fazer juízos de valor sobre os outros.

2. Não utilizar mímica ou uma entoação opostas ao que se diz por palavras.

3. Descrever as suas reacções, mais do que as reacções dos outros.

4. Facilitar a expressão dos sentimentos dos outros e não os bloquear.

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233


Objectivo 13

Identificar as vantagens da comunicação afirmativa.

Comunicar de forma afirmativa implica:

- o respeito do indivíduo por si próprio,ao exprimir os seus gostos, interesses, desejos e direitos.

- o respeito pelos outros, pelos seus gostos, ideias, necessidades e direitos.

Comunicar de forma afirmativa é dizer aos outros:

"Eis o que eu penso, eis o que eu sinto. É este o meu ponto de vista. Porém, estou pronto para te ouvir e compreender o que pensas, o que sentes e qual o teu ponto de vista".

"Eu sou importante, tanto quanto tu; compreendemo-nos mutuamente".

Este comportamento é, geralmente, eficaz quando se pretende atingir determinado fim. Permite estabelecer compromissos que visem a satisfação de quem se afirma e a satisfação dos outros.

A educação familiar e social não favorece o desenvolvimento da assertividade.

Ao longo da sua escolaridade e vivência social, o indivíduo não é motivado para desenvolver a sua capacidade de exprimir os seus pensamentos e sentimentos.

A sociedade, nas suas múltiplas vertentes, apelam mais para um tipo de relações humanas demasiado mistificadas, baseadas na dicotomia autoridade-obediência.

Nesta relação está subjacente uma certa submissão e ajustamento ao pensamento dos outros à custa da não afirmação de si.

O comportamènto afirmativo é aprendido.

É legítimo que o indivíduo queira mudar. Para isso tem que admitir que a mudança, no seu comportamento é possível e que esta trará beneficios para si e para as suas relações interpessoais.

Para isso é preciso compreender que:

A estrutura pessoal não é imutável.

O indivíduo tem capacidade para aprender facilmente novos comportamentos e de se adaptar a novas situações.

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234


Por si próprio é capaz de dirigir a sua vida e não aceitar facilmente interpretações gerais, tais como: "sou assim e não posso mudar... sou nervoso e inseguro e sempre serei assim..."

Muitas pessoas servem-se exactamente de certas "etiquetas" que lhe foram atribuídas para exigir que os outros se comportem de determinada maneira com eles.

Cada ser humano é único e ilimitado e o direito de se afirmar decorre desse mesmo facto.

Cada ser humano é único nas suas percepções, nos seus sentimentos, nos seus desejos e nas suas necessidades.

O primeiro direito fundamental do ser humano consiste em admitir que ele é o próprio juiz dos seus actos, dos seus pensamentos e que é o principal responsável pelas suas consequências.

Pensar-se como estando em permanente aprendizagem é uma condição fundamental na para se auto-afirmar.

Quando se obriga alguém a agir ou a pensar de determinada maneira, não estamos a deixar que esse alguém se afirme. Não temos o direito de impor as nossas ideias às outras pessoas, mas sim permitir que elas exprimam as suas próprias ideias e sentimentos.

O Assertivo não diz

1. Estás sempre a interromper o meu trabalho.

2. Tu és traidor.

3. És um incompetente.

4. Só um idiota como tu é que apesenta essa solução.

O ASSERTIVO DIZ

1. Eu gostaria de realizar o meu trabalho sem interrupção.Pode ser?

2. Eu senti-me traído na confiança que tinha em ti.

3. Há tarefas em relação à tua função que tens que aprender a fazer para seres mais competente.

4. Como chegaste a essa solução? Quais as consequências dessa solução.

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Objectivo 14

Caracterizar os Strokes (toques) nas Relações Interpessoais.

O ser humano vai-se desenvolvendo em função das relações que estabelece com os outros.

O sujeito age e relaciona-se com os outros, respondendo em função do modo como os outros agem e também se relacionam, com eles.

Ser reconhecido, amado, ter a atenção dos outros, ser gratificado e apreciado através de palavras e gestos, são exigências fundamentais para o equilíbrio e bem estar psicológico e relacional de todo o ser humano.

A existência adquire sentido quando os outros reconhecem o valor da nossa presença e nos reconhecem como pessoas válidas, interessantes e prestáveis.

O convívio e o relacionamento positivo com os outros são a garantia de uma existência construtiva e produtiva.

Ao sistema de informações recíprocas que continuamente afectam os indivíduos e os tocam, porque se apresentam como formas de avaliação e apreciação da sua actuação, chama-se STROKES ou TOQUES, ou CARÍCIAS.

São estímulos que, de qualquer modo, afectam o sujeito e orientam o seu modo de estar, de ser e de agir.

Cada ser humano interfere positiva ou negativamente na vivência e no bem estar dos outros, contribuindo para tornar a vida de cada um mais agradável e gratificante ou mais penosa e desagradável.

Perante os outros, cada um de nós pode:

1 - agradar, encorajar, agradecer, acariciar, cumprimentar, dar alegria, etc.

2 - magoar, maltratar, criticar, humilhar, desvalorizar, destruir, atacar, ferir, ser desagradável...

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236


Os Strokes positivos facilitam o diálogo, dinamizam a acção, motivam o sujeito para o trabalho e estimulam a reparação do que foi dito ou feito.

Os Strokes positivos desenvolvem relações positivas e harmoniosas entre as pessoas e facilitam a comunicação construtiva.

Estas informações levam o sujeito a acreditar e a confiar nos outros, a ser altruísta e a desenvolver um espírito de colaboração.

Os Strokes, ou as mensagens trocadas na relação interpessoal podem ser, em função do seu conteúdo, positivos ou negativos.

Os primeiros favorecem o sujeito, contribuem para positivar a sua auto-representação e o seu desempenho.

Os segundos prejudicam o sujeito, anulando a expressão da sua individualidade, prejudicando a sua auto-representação e desempenho social.

Quer os Strokes positivos quer os negativos podem ser, quanto à amplitude dos comportamentos que referem, condicionais e incondicionais.

(fig.)


- És um inútil e um incompetente!

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237

STROKES


POSITIVOS

São sinais de reconhecimento que satisfazem ao sujeito porque o valorizam e lhe dão força para prosseguir.

- CONDICIONAIS

Referem-se a um determinado momento de existência do sujeito ou a um comportamento específico; só tem validade num momento determinado. Podem, a qualquer momento, ser alterados. São estimuladores e agradam ao sujeito,porque o levam a repetir oque foi elogiado ou reconhecido.

Estes Strokes orientam a acção futura e a pessoa agradece.

Exemplos:

- Este trabalho está bem feito.

- Hoje estás muito bonita

- Tiveste uma boa intervenção, na reunião.

- INCONDICIONAIS

Apresentam-se como verdades definitivas, válidas em qualquer situação, qualquer que seja o contexto onde o sujeito se insere. Valorizam o sujeito e dão-lhe auto-confiança.

Ajudam o sujeito a agir e a melhorar a sua "performance", tornam-no mais competente e autónomo.

O sujeito aprende a gostar de se relacionar com os outros.

Exemplos:

- És muito inteligente.

- És uma pessoa interessante.

- És muito criativo.

NEGATIVOS

São sinais desagradáveis que provocam no sujeito insatisfação e o desvalorizam.

- CONDICIONAIS

São sinais ou informação que não valorizam osujeito nem são construtivos.

Poderão, contudo, ser estimulantes porque não afectam o sujeito radicalmente, mas apenas se referem a um momento da sua actuação ou a um aspecto específico do seu trabalho, não dão a ideia ao sujeito de que não é de todo reconhecido e pode suscitar vontade de mudar.

Exemplos:

- Fizeste um mau trabalho.

- Não gostei da tua intervenção.

- Hoje estás com mau aspecto.

- INCONDICIONAIS

São informações nefastas e destrutivas.

Desvalorizam o sujeito e bloqueiam a comunicação e a acção. Não favorecem nenhuma mudança no comportamento do sujeito, nem condicionam uma melhoria significativa.

Exemplos:

- Nunca fazes o que te peço.

- És um imcompetente.

- És um oportunista.

- Ninguém pode ter confiança em ti.

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238


Actividades

Actividade 8 - Situação de confiança

CARACTERÍSTICAS(como verificar se ela está presente):

- CONTIGÊNCIA (o que o outro faz e diz tem efeito sobre mim?)

- PREVISIBILIDADE (será que posso contar com outra pessoa?) (acreditar)

- OPÇÕES ALTERNATIVAS(o que posso fazer para saber se posso confiar ou não)

1. VAI A UMA LOJA COMPRAR UMA BICICLETA. ESTÁ A SER ATENDIDO PELO VENDEDOR.

2. UM AMIGO PEDIU-LHE PARA SE ENCONTRAR COM ELE. OFERECE-SE PARA DEPOIS O LEVAR A CASA.

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Respostas à actividade 8

1. CONTINGÊNCIA

PREVISIBILIDADE

OPÇÕES ALTERNATIVAS

Deseja comprar a bicicleta porque acredita que ela é tal qual a publicidade e o vendedor diz que é.

Mas a decisão é sua.

Verifique a reputação da loja; lembre-se de outras experiências que teve com vendedores; verifique o comportamento da bicicleta na estrada.

Saiba tudo sobre a bicicleta, veja se tem garantia; se não está satisfeito ou não tem confiança, não a compre.

2. Aceita a boleia porque assim poupa tempo e esforço. Porém fica conpletamente dependente dele.

O seu amigo tem fama de ser pontual? O seu carro é de confiança? Há algum factor que o impeça de se encontrar consigo?

Telefone ao amigo para saber se vem de facto ao encontro; vá a pé, vá de autocarro.

MYERS, Les bases de la comunication interpersonelle, elle, Quebec, McGraw-Hill, 1984, p. 242 (adaptacção)

Actividade 9 - Diferentes estilos de comunicação

OBJECTIVO:

Identificar os diferentes estilos de relação interpessoal, em função dos enunciados apresentados.

Quando se convida um amigo para ir ao cinema podemos utilizar vários estilos, para o fazer.

Relativamente à questão: que filme vamos ver?

Como caracteriza os estilos?

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240


ESTILO - ENUNCIADO - SIGNIFICADO DO ENUNCIADO

1. AGRESSIVO -

2. PASSIVO -

3. MANIPULADOR -

4. AUTO-AFIRMATIVO -

Solução da actividade 9

ESTILO - ENUNCIADO - SIGNIFICADO DO ENUNCADO

1. "Só há este filme interessante; é o que vamos ver". - "É a minha opinião e os meus gostos é que interessam".

2. "Vou ver qualquer filme; decide tu; eu não sei muito bem escolher". - "Tanto me faz; pobre de mim; não tenho personalidade".

3. "Não tenho bem a certeza se quero ir ao cinema" - "Quero que me convenças; gosto que supliquem".

4." O filme X interessa-me. E a ti?" - "Eu gosto deste. E tu?".

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241

Actividade 10

Para cada situação dê 4 respostas que correspondam aos 4 estilos de comportamento: passivo, agressivo, manipulador e auto-afirmativo.

1. Comprou um rádio numa loja. Quando chegou a casa, verificou que não funcionava bem.

RESPOSTAS:

2. O seu superior descobre que existe um erro no seu sector. Ele acusa-o de ser você a causa desse erro, mas você sabe que é outra pessoa a responsável por esse erro, conseguindo identificá-la.

RESPOSTAS:

3. Uns amigos seus que vivem no estrangeiro estão a passar uns dias na cidade onde mora. Nos primeiros dias, quando eles o visitaram ficou muito satisfeito por os ver. Porém, eles passaram a vir todas as noites a sua casa para jantar. Você e a sua esposa já estão a ficar um pouco cansados da frequência das visitas; os dois têm muito trabalho na empresa e a esposa está muito cansada.

RESPOSTAS:

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242

Respostas da actividade 10

1.

- Não diz nada e fica com o rádio (passividade).



- Leva o rádio à loja, ofende a qualidade do serviço e faz críticas à qualidade dos produtos (agressividade).

- Diz ao vendedor que conhece o dono da loja... (manipulação).

- Pede que lhe seja dado um outro rádio em troca do que comprou com defeito (auto-afirmação).

2.

- Nada diz ou diz, muito hesitante, que, provavelmente, o erro não é seu (passividade).



- Protesta contra a injustiça de tal acusação e insinua que ele é incompetente (agressividade).

- Fala de erros que o chefe já fez e que, se quisesse, poderia denunciá-los à direção (manipulação).

- Explica, com calma que o erro foi cometido e que não tem nada a ver com o facto porque não o cometeu (auto-afirmação).

3.

- Aceita as visitas, mas anda com ar aborrecido (passividade).



- Inventa tarefas para evitar que eles venham (manipulação).

- Diz que já lá foram a casa muitas vezes e que poderiam, agora, ser eles a convidá-los para um restaurante (agressividade).

- Telefona aos amigos dizendo que não os pode receber todos os dias, porque tem trabalho entre mãos e está muito cansado. Sugere que voltem, outro dia (auto-afirmação).

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243

Actividade 11

Refira, em relação a cada situação, a atitude afirmativa e a não afirmativa:

1. Está a acabar de fazer um relatório importante e que já devia ter sido entregue.

Recebe um telefonema de um colega que está ansioso por lhe falar do seu último fim-de-semana. Você precisa de desligar para continuar a trabalhar.

a) COMPORTAMENTO DE AFIRMAÇÃO

b) COMPORTAMENTO DE NÃO AFIRMAÇÃO

2. Há já alguns dias que o seu colega de trabalho chega de manhã ao serviço com um semblante carregado...

a) COMPORTAMENTO AFIRMATIVO

b) COMPORTAMENTO NÃO AFIRMATIVO

3. Você é o chefe de uma equipa de trabalho e um dos membros da sua equipa, cometeu pela primeira vez, um erro de cálculo importante.

a) COMPORTAMENTOAFIRMATIVO

b) COMPORTAMENTO NÃO AFIRMATIVO

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244

Respostas à Actividade 11

1.

a) Desculpa, gosto muito de falar contigo, mas tenho que interromper porque tenho que terminar com urgência este serviço.



b) Tu falas muito e eu não tenho tempo para te ouvir!

2.

a) Parece-me que ultimamente tens andado um pouco preocupado; espero que não seja nada de grave; se precisares da minha ajuda ...



b) Estás com um ar horrível...

3.

a) Estou surpreendido por ver um erro nos seus cálculos. Tenho pena, mas tem que voltar a rever o que fez.



b) Anda com problemas? Encontrei erros de cálculo no seu trabalho!

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245

Actividade 12 - Aplicação da técnica D.E.E.C.

O sr. Juca está muito insatisfeito no seu trabalho porque o chefe frequentemente lhe pede para realizar tarefas que considera humilhantes, que não pertencem, de modo algum, às suas atribuições.

Todas as manhãs lhe pede para ir comprar cigarros.

Trata-se de um problema que afecta a relação entre subordinado e superior? O subordinado está insatisfeito; sente-se humilhado.

Como resolver esta insatisfação, utilizando a técnica D.E.E.C.

DESCREVE

EXPRESSA


ESPECIFICA

CONSEQUÊNCIAS

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246


Resolução da actividade 12

DESCREVE:

"O senhor pede-me todas as manhãs para lhe ir comprar cigarros".

EXPRESSA:

"Devo dizer-lhe que não me parece que esse serviço faça parte das minhas atribuições. Para além disso, sinto uma grande humilhação em relação aos meus colegas".

ESPECIFICA:

"Proponho que, daqui para diante, encarregue o porteiro desse serviço, porque faz parte das suas funções".

CONSEQUÊNCIAS:

"Isso far-me-ia ganhar tempo para realizar atempadamente e com perfeição o meu trabalho. E o senhor seria melhor servido, com certeza".

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247

Actividade 13

OBJECTIVO:

Completar as frases que se seguem.

No final de cada frase deve acrescentar: "sou mais passivo porque", ou "sou mais agressivo porque", ou "sou mais afirmativo porque", etc. seguindo-se a descrição do seu comportamento habitual na situação.

Exemplo: "Quando encontro uma pessoa pela primeira vez... sou mais passivo porque tenho dificuldade em iniciar conversa".

1. Quando critico alguém...

2. Quando recebo críticas...

3. Quando tento olhar alguém nos olhos para lhe falar...

4. Quando um vendedor me propõe com insistência um produto que eu não quero, eu...

5. Quando sou mal servido(a) num restaurante ou numa loja, eu...

6. Quando preciso de pedir ajuda a um profissional qualificado (médico, advogado, professor), eu...

7. Quando peço um favor a alguém...

8. Quando tenho vontade de recusar um serviço que me pedem, eu...

9. Quando alguém não me retribui o objecto que emprestei, eu...

10. Quando preciso de falar em público, eu...

11. Quando estou numa fila de espera e chega alguém que me passa à frente, eu...

12. Quando tenho que responder a uma crítica indirecta, eu...

13. Quando estou em desacordo perante uma opinião que alguém exprime perante mim, eu...

14. Quando tenho que pedir aumento de salário, eu ...

Se voltar a ler este inventário verificará que a sua reacção nestas diferentes situações variam com o interlocutor (superior, subordinado, colega de trabalho, familiar, etc.)

Agora assinale com um X aquelas situações que lhe criam sérias dificuldades. Não faça referência àquelas que não causam quaisquer problemas.

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248


Actividade 14:

Faça uma nova escala, assinalando por ordem decrescente as situações mais difíceis e que mais o afectam.

1.

2.

3.



4.

5.

(fig.)



M.C. Escher, Tekenen (Drawing hands)

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249

Actividade 14

Em cada uma das afirmações seguintes, assinale com duas cruzes, consoante se trate de um stroke positivo, negativo, condicional ou incondicional.

Nº - AFIRMAÇÃO - Stroke positivo - Stroke negativo - Stroke Condici. - Stroke Incondic.

1. Não tem jeito para nada.

2. A reunião de ontem foi mal preparada.

3. Tu és dificil de aturar.

4. Estás vestido com muito gosto.

5. Tens dificuldade em definir objectivos para o teu trabalho.

6. Não se pode ter confiança em ti.

7. Graças a ti consegui um encontro para a próxima semana.

8. Tu nunca me ouves.

9. O João é o charme em pessoa.

10. Tu raramente prestas atenção ao que eu digo.

11. Parabéns. O teu relatório está bom.

12. Este mês facturaste pouco no negócio.

13. A tua ajuda foi para mim um grande auxílio.

14. Respondeste bem, ao chefe. É um bom ponto de vista.

15. Tu és verdadeiramente adorável.

16. Isso não está bem. Recomece.

17. Tu és um desastre a fazer actas.

18. Ela tem o coração nas mãos.

19. Tu esta tarde estás muito desagradável.

20. És sempre o último, temos sempre que esperar por ti.

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250


Actividade 15

Identifique os seguintes estilos de comportamento e escreva as suas respostas utilizando:

Pa - caso se trate de estilo passivo

As - caso se trate de estilo assertivo

Pa - caso se trate de estilo agressivo

1. Nunca pensa antes de falar?

2. Se calhar temos que pensar numa forma diferente de resolver isso. Não sei...

3. Só um idiota pensaria numa solução como essa.

4. Não, muito obrigado. Agradeço o convite mas não gosto de ópera.

5. Ir a um centro comercial? Deves estar a brincar comigo!

6. Está bem, se é isso que queres, paciência.

7. Boa ideia. Vamos já tratar dos materiais para a concretização.

8. Desculpa lá, mas não posso ir. Tenho outras coisas para fazer.

9. Não estou a ver os fundamentos da tua análise. Podes esclarecer um pouco mais o teu ponto de vista?

10. Se calhar não ficou satisfeito com o que eu disse. Eu também não estou muito seguro. De qualquer maneira eu não tenho muitos conhecimentos disso.

11. Lutécia, por favor, envie todas as mensagens hoje de tarde tal como previmos no plano semanal.

12. Se diz que é assim, é porque é.

13. Não fazes nada de jeito. Tenho que verificar tudo quanto fazes.

14. O teu trabalho tem qualidade. Orgulho-me de te ter seleccionado.

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251

15. A tua ideia é interessante. Fala-me dela com poemenor.

16. Eu gostava de ir ao cinema. E tu? Tens disponibilidade e gostarias de me acompanhar?

17. Não me faças rir! Tu escreves poemas?

18. Eu talvez fizesse o trabalho mas não sei se seria capaz.

19. Cada vez me decepcionas mais.

20. Dado o adiantamento da hora, eu propunha que adiássemos os trabalhos para amanhã às nove horas.O que achas?

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252

Resolução do pré-teste A

1. Tradicionalmente, o conflito era considerado um mal a evitar porque era considerado consequência de indivíduos indesejáveis, era considerado negativo e indesejável.

As famílias e as organizações, onde surgissem conflitos, eram consideradas frágeis ou improdutivas e, por isso, eram resolvidos com base na legalidade.

2. Actualmente, o conflito é considerado como uma situação normal que decorre de diferenças individuais ou grupais. O conflito exige que estas diferenças sejam negociadas. Ele é considerado um instrumento de gestão que é fundamental para combater o imobilismo, o estaticismo e a ausência de novas ideias. Os conflitos podem conduzir à inovação e à mudança.

3. São inadequados à produção de novas ideias e estratégias. Estas características são sinais de pouca abertura e de pouco diálogo entre as pessoas e os grupos, onde não há inovação nas decisões. As pessoas, pensando do mesmo modo, evitam o conflito e também a exposição pública.

4. Existem os conflitos intrapessoais, interpessoais e os organizacionais (grupais).

5. Conflito Atracção-Atracção. Surge quando a pessoa se encontra perante duas situações ou coisas agradáveis e tem que optar apenas por uma delas.

Conflito Repulsão-Repulsão. A pessoa encontra-se perante dois objectos ou situações, ambas indesejáveis. Porém, tem necessariamente que optar por uma delas.

Conflito Atracção-Repulsão. O sujeito encontra-se perante duas situações ou objectos, um agradável e outro desagradável, isto é, ambos têm características agradáveis e desagradáveis. Porém, tem que fazer uma opção entre as duas situações ou objectos.

6. São os que resultam das diferenças entre as pessoas.

7. Surgem devido às diferenças individuais, à limitação dos recursos, visto que as pessoas não podem possuir tudo o que desejam e às diferenças de papéis, o que significa diferenças de pontos de vista e de interesses.

8. Os conflitos organizacionais surgem devido à diferença de níveis existentes entre as pessoas que nela trabalham, à deficiência na comunicação, à diferença de interesses entre os vários grupos, às regras que muitas vezes são impostas, etc.

9. Pode-se evitá-lo, negando a sua existência, desactivá-lo ou enfrentá-lo.

10. Negar o conflito não será uma forma de o resolver porque ele continua potencial- mente activo.

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253

11. A estratégia ganhar-perder implica que uma das partes ganhe e a outra perca porque detém o poder, a autoridade e a força. Não é uma estratégia adequada.

12. A estratégia perder-perder implica que nenhuma das partes envolvidas no conflito, ganhe. Cada uma, prefere perder, a que a outra ganhe.

13. Na estratégia ganhar-ganhar, ambas as partes envolvidas no conflito, ganham com a sua resolução, através de um elaborado plano de negociação.

14. São as habilidades para diagnosticar a natureza do conflito, ou seja, a razão porque as partes estão em conflito, a capacidade para se envolver no confronto, a habilidade para escutar e a capacidade para se envolver no problema.

15. Porque é fundamental para a negociação do conflito que as partes exprimam correcta e abertamente as suas opiniões e pontos de vista, que saibam escutar o outro e apreciar as diferentes soluções apresentadas.

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Resolução do pré-teste B

1. A confiança é importante na relação interpessoal porque significa que o comportamento dos outros nos diz algo, nos influencia e, dada a relação que se desenvolve com ela, é possível prever como se irá comportar perante nós. Confiar noutra pessoa, implica que nos deixemos afectar por ela, com todos os riscos que isso implica. Confiar numa pessoa significa que acreditamos que ela nos respeita.

2. Corre-se algum risco quando confiamos em alguém porque nos tornamos vulneráveis em relação a esse alguém. Se nos deixarmos afectar pelo comportamento da outra pessoa, isso implica que, por vezes, "possamos ser enganados".

3. O estilo agressivo é o estilo predominante daquele que quer sempre ganhar, "estar por cima", qualquer que seja o meio a utilizar, pois todos são válidos quando se pretendé atingir esses objectivos. Julga-se superior, despreza os outros e não consegue manter relações íntimas e agradáveis com os outros.

4. O objectivo do agressivo é dominar os outros, valorizar-se à custa dos outros e fazer-se sentir superior.

5. O agressivo fala alto, não olha o interlocutor de frente, interrompe o discurso dos outros, é irónico, despreza e desaprova o que os outros dizem ou fazem.

6. A agressividade poderá ser uma consequência de uma elevada taxa de frustrações e insucessos no passado. Pode também significar um medo latente vivido pelo sujeito e que tem a ver com a sua vivência passada. Talvez ele próprio tenha sido vítima de frequentes agressões. Também o desejo de vingança pode estar na origem desse comportamento.

7. O sujeito passivo é aquele que evita o confronto directo e os conflitos a todo o custo. É muito sensível à opinião dos outros, é afectado por ela e por isso os evita. Tem medo de enfrentar desafios, tende a ficar na sombra, não se manifesta nem exprime os seus pontos de vista, acomoda-se.

8. O sujeito passivo comunica de forma deficiente com os outros, não dá a conhecer os seus desejos interesses e necessidades e, por isso, não é muito conhecido. Não se realiza, nem pessoal nem profissionalmente. Ele sofre.

9. Não valoriza as suas capacidades, fica isolado, tende a ser explorado porque não consegue recusar o que lhe pedem.

10. A atitude manipuladora é uma atitude de não envolvimento directo nas relações interpessoais, de não abertura na relação com os outros. Não é uma atitude coerente nem responsável.

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255

11. O manipulador desvaloriza o outro, é muito tácito na relação interpessoal, deturpa a informação em proveito dos seus interesses e objectivos, é simulador, gosta de criar conflitos e de culpar os outros.

12. O manipulador, se descoberto, deixa de ter qualquer credibilidade; dificilmente recupera a confiança dos outros.

13. O estilo afirmativo é o estilo de quem pretende fazer valer os seus direitos, de exprimir os seus interesses e necessidades, respeitando os direitos, interesses e necessidades dos outros. É uma atitude aberta, directa e honesta. É a atitude propícia à negociação.

14. O sujeito afirmativo está à vontade na relação face a face, é verdadeiro e autêntico, fala muito claramente, escuta os outros, negoceia na base de interesses mútuos e estabelece relações fundadas na confiança.

15. É a atitude mais produtiva e eficaz porque reduz as tensões inter-individuais e proporciona o diálogo aberto e franco entre as pessoas, obrigando ao respeito mútuo.

16. A D.E.E.C. é uma técnica eficaz na resolução dos problemas interpessoais.

Significa que, perante alguém que nos afectou negativamente, temos que:

D. Dizer exactamente, de forma objectiva e clara, o comportamento do outro, que nos afectou.

E. Diz-se o que se sentiu em relação ao comportamento do outro.

E. Propõe-se ao outro formas concretas para modificar o seu comportamento na relação connosco.

C. Faz-se com que o outro se interesse pela solução apresentada e mostram-se as suas possíveis consequências.

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256


BIBLIOGRAFIA

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