O programa de alergia à proteína do leite de vaca configurando uma rede de atençÃO À saúde em fortaleza, ceará



Baixar 24,86 Kb.
Encontro16.04.2018
Tamanho24,86 Kb.

O PROGRAMA DE ALERGIA À PROTEÍNA DO LEITE DE VACA CONFIGURANDO UMA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE EM FORTALEZA, CEARÁ
Tereza Amélia Araújo Laureano, CPF: 789.589.973-20, nutricionista do Programa APLV, Centro de Saúde Meireles. E-mail: amelialaureano@uol.com.br
Maria Cecilia Oliveira da Costa, CPF: 117.782.023-49, professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará. E-mail: maria.costa@uece.br.
Etelânio Agno Leite de Lima, CPF: 036.854.693-47, psicólogo do Programa APLV, Centro de Saúde Meireles. E-mail: etelanioagno@hotmail.com
Eixo temático: Redes de Atenção à Saúde

Introdução


A alergia alimentar é uma preocupação cada vez maior em razão de afetar a saúde infantil. Define-se alergia alimentar como um efeito adverso à saúde que se origina em uma resposta imune específica após a exposição a um dado alimento.

A incidência de alergias alimentares tem aumentado em várias partes do mundo e a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma delas. Antes de 1950, a incidência de APLV no primeiro ano de vida era baixa, indicando apenas 0,1% a 0,3% das crianças afetadas. Estudos prospectivos em 1970 e 1988 revelaram incidências maiores, atingindo 1,8% e 7,5%, porém os estudos possuíam critérios de diagnóstico diferentes. Avaliações essas realizadas nos Estados Unidos da América do Norte.

No Brasil praticamente não existem informações precisas sobre a prevalência populacional de Alergia à Proteína do Leite de Vaca. Estudo epidemiológico realizado em consultórios de Gastroenterologia Pediátrica de várias regiões do Brasil revelou que das 9.478 consultas, 7,3% tiveram como motivo suspeita de alergia alimentar, sendo os seguintes os alimentos suspeitos: 77% leite de vaca, 8,7% soja, 2,7% ovo e 11,6% outros alimentos. A análise de casos novos e em acompanhamento permitiu que se estimasse a incidência em 2,2% e a prevalência de 5,4% de pacientes com diagnóstico confirmado ou suspeita de APLV.

A APLV é a principal causa da alergia alimentar em lactentes e crianças com menos de 3 anos, porém, quando as manifestações são unicamente gastrintestinais pode ser diagnosticada em todos os grupos etários.

Os sintomas e sinais relacionados à APLV podem envolver muitos sistemas de órgãos diferentes, principalmente a pele e os tratos gastrintestinais e respiratório. As manifestações no trato gastrintestinal da APLV, em lactentes e crianças com mais idade, podem apresentar-se como sintomas de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), dispepsia ou dor abdominal. Assim, o diagnóstico diferencial com transtornos gastrintestinais funcionais ou intolerância a lactose é necessário para evitar subdiagnóstico ou falso diagnóstico.

Um diagnóstico correto permite a realização de uma dieta apropriada aos lactentes e crianças afetadas, tornando-se um suporte ao crescimento e desenvolvimento normais. Uma dieta não indicada ou continuada quando a criança não tem APLV ou já adquiriu tolerância pode comprometer seu crescimento e a qualidade de vida dela e da família.

Com esse quadro epidemiológico e a importância do diagnóstico correto e o tratamento adequado para o crescimento e desenvolvimento de lactentes e crianças, o Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) em Fortaleza, em 2005, constituiu-se como Centro de Referência em APLV, fazendo o acompanhamento clínico dos casos de APLV e atendendo a solicitações judiciais de fórmulas especiais com emissão de pareceres técnicos e clínicos por uma comissão formada por gastropediatras e direção clínica do Hospital Infantil Albert Sabin.

Em 2007, foi criado o Programa APLV com o objetivo de normatizar a dispensação das fórmulas. As crianças eram atendidas no ambulatório no HIAS para diagnóstico e seguimento por uma equipe formada por: 3 gastropediatras, 1 alergologista, 1 nutricionista e três auxiliares de enfermagem. Para o recebimento das fórmulas especiais, as crianças permaneciam no programa até os dois anos de idade, após essa idade, as crianças que continuavam com APLV recebiam as fórmulas através de processos judiciais. A marcação de consultas para o atendimento das crianças era feita no próprio hospital.

Em dezembro de 2013, com a formação de uma fila de espera, o HIAS promoveu um mutirão para agilizá-la, sendo atendidas 104 crianças.

Com o aumento cada vez maior da demanda, gerando uma fila de espera com mais de três meses para conseguir o atendimento, outros pontos de atenção foram criados em 2014, sendo estes: o Hospital Waldemar de Alcântara, onde eram atendidas crianças oriundas do interior do Ceará e o Núcleo de Atenção Médica Integrada (NAMI) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), que dividia o atendimento das crianças de Fortaleza com o HIAS. Em 2015, o atendimento no Hospital Waldemar de Alcântara foi suspenso e os pacientes estavam sem acompanhamento. No NAMI, o atendimento das crianças conta com 1 gastropediatra, 1 alergologista e 2 nutricionistas, e esse quadro de profissionais se mantém atualmente. No HIAS a quantidade de profissionais teve um aumento para 8 médicas e 2 nutricionistas.

Em 2016, o programa APLV está com uma configuração diferente e ganhou mais um ponto de atenção no Centro de Saúde Meireles (CSM), que por sua vez configura-se como uma unidade de atenção especializada e vinculado à Secretaria de Saúde do estado do Ceará. O fluxo de atendimento se inicia na atenção primária com encaminhamento dos pacientes através das centrais de regulação. A Central de Regulação Estadual do SUS no Ceará – CRESUS, atendendo todos os municípios cearenses e a Central de Regulação Integrada de Fortaleza – CRIFOR, regulando os usuários desse município. O atendimento no Centro de Saúde Meireles é multiprofissional e a equipe atual é composta por 02 pediatras especialistas em alergologia, 05 gastropediatras, 05 nutricionistas, 1 psicólogo e 1 auxiliar administrativo. Os casos de maior complexidade, com sintomas mais severos ou com alergias múltiplas passam a ser referenciados ao HIAS.

O fluxo de encaminhamento para o programa atende o art.198 da constituição e a Lei 8.080/90 que determina a integração das ações e serviços de saúde garantindo o acesso do usuário através da regulação.

Esta nova configuração do programa caracteriza uma rede de atenção à saúde com pontos de atenção integrados e conectados através das centrais de regulação, tendo a atenção primária como ordenadora do cuidado.
Período de realização

Abril a junho de 2016


Objeto de intervenção

Programa de Alergia a Proteína ao Leite de Vaca da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará


Objetivo

Verificar a acessibilidade ao programa APLV com a integração dos pontos de atenção primária e especializada.

Resultados
O programa APLV, hoje, está com três pontos de atenção, no HIAS, NAMI e CSM, o número de profissionais para atendimento foi readequado tendo em vista a descentralização do serviço e o aumento da demanda. O HIAS e o NAMI fazem o seguimento dos casos já atendidos nas respectivas instituições, enquanto que o CSM está com os casos novos e os pacientes que eram atendidos no hospital Waldemar de Alcântara. Deve-se ressaltar que o programa APLV direciona-se ao público que compreende a faixa etária de 0 a 3 anos, 11 meses e 29 dias. Os casos que não se encontram nesse perfil terão seu ingresso autorizado mediante determinação judicial. Após ingressar no programa o paciente somente será desligado do mesmo após a remissão completa dos sintomas relacionados à alergia.

Comparado ao período de 2011 que foram atendidas 934 crianças e, considerando a demanda por consultas se situar numa faixa de 40 a 60 solicitações por mês, tem-se agora que, entre os meses de abril e junho de 2016, já foram atendidas 1.031 crianças, sendo 791 de 1ª consulta e 240 referente aos retornos, com uma demanda atual de 100 solicitações de consultas por mês, somente, no CSM.

As centrais de regulação viabilizam o agendamento dos lactentes e crianças suspeitas ou com diagnóstico de APLV para o atendimento, já que estão polarizadas pelo interior nas Secretarias Municipais de Saúde (SMS) e na capital, Fortaleza, nas Unidades de Atenção Primária de Saúde (UAPS), onde são inseridos os possíveis pacientes do programa no sistema para que o médico regulador analise a solicitação e faça a regulação para o CSM.

E com o aumento do número de profissionais para o atendimento, a fila de espera para marcação da consulta não existe mais, a fila hoje denomina-se fila positiva, com o agendamento da consulta já realizado, aguardando somente o atendimento. Diariamente, são agendadas e realizadas 16 consultas por dia, perfazendo um total de 320 atendimentos mensais entre pacientes de primeira consulta e retornos.

O fluxo de atendimentos no CSM funciona de modo a atender as necessidades diagnósticas, prognósticas, nutricionais e psicológicas das crianças e cuidadores. Desse modo, após o atendimento médico, havendo diagnóstico de APLV e prescrição de fórmula especial, o paciente é encaminhado para a nutricionista, quando será traçado um plano alimentar que esteja adequado às necessidades nutricionais da criança. Assim sendo, é realizado o recordatório alimentar, elaboração de dieta individual e a inclusão da fórmula prescrita no cardápio diário da criança. Quando os pacientes são menores de 6 meses, há a estimulação à amamentação como única forma de alimentação, quando isso não é possível associa-se à fórmula prescrita como complemento alimentar.

O atendimento psicológico se dá de forma individual e acontece quando há indicação médica ou das nutricionistas. O acompanhamento psicológico tem o objetivo de proporcionar a conquista do bem-estar e equilíbrio diante do sofrimento psíquico causado pelas mudanças de estilo de vida das famílias com crianças acometidas por APLV. Outra atividade proporcionada pelo psicólogo é a sala de espera promovendo educação em saúde e acolhendo os usuários do programa.


Conclusão e Recomendações
A integração dos pontos de atenção primária e especializada conectados através das centrais de regulação facilitou o acesso às crianças com APLV ao atendimento no programa, aumentado a demanda mensal por consultas e o número de crianças atendidas em um curto espaço de tempo.
Nessa perspectiva, a atenção contínua realizada pelo programa APLV promovida pelas relações horizontais entre os níveis de atenção primária, o cuidado multiprofissional e compartilhado, com a atenção primária como principal porta de entrada do usuário, caracteriza uma rede de atenção de saúde.

Assim, o programa APLV não tem somente o objetivo de normatizar a dispensação de fórmulas especiais de alto custo tornando-as acessíveis aos seus usuários, mas também de promover o cuidado integral aos lactentes e crianças acometidas com APLV.



Diante da demanda para ingresso no programa, de 100 solicitações mensais, a promoção e prevenção da APLV na atenção primária deve ser intensificada com identificação do agravo em tempo hábil para que não haja déficit ponderal e atraso no desenvolvimento com vistas a garantir saúde e qualidade de vida às crianças.
Descritores: Rede de Atenção à Saúde, Alergia a Proteína do Leite de Vaca, Regulação em Saúde
: eventos -> seminariosaudecoletiva -> anais -> trabalhos completos
trabalhos completos -> Psicologia no caps: as atividades vivenciadas em estágio relato de experiência
trabalhos completos -> A importância da atuaçÃo da fisioterapia dentro do núcleo de apoio à saúde da família. Ana Karine C. B. de Paula Gomes¹
trabalhos completos -> Aquele vírus” e o “CÃO”: entrecruzando saberes, práticas e demandas, das pessoas que vivem com hiv/aids e usam crack, para as redes de atençÃO À saúDE
trabalhos completos -> Adesão da terapêutica na obesidade em uma unidade primária de atençÃO À saúDE, fortaleza – ceará
trabalhos completos -> Eixo Temático 3 Formação para o trabalho em redes: desafio e perspectivas
trabalhos completos -> Tecnologias leves no contexto do acolhimento de usuários do sus: experiência das equipes de apoio à estratégia saúde da família
trabalhos completos -> E secundária
trabalhos completos -> FacilitaçÃo de grupos de promoçÃo da saúde na estratégia saúde da família: refletir e construir o cuidar
trabalhos completos -> Roda de conversa como instrumento para criaçÃo de grupos de interaçÃo social e educacional em saúDE: relato de experiência


Compartilhe com seus amigos:


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal