O processo de ensino-aprendizado nos anos iniciais do ensino fundamental e a constituição de sujeitos: subjetividades em movim



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O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZADO NO COTIDIANO DE UMA ESCOLA RURAL.
Myrtes Dias da Cunha

Universidade Federal de Uberlândia

A oferta de uma escola pública de boa qualidade para todos os seus cidadãos é, ainda hoje, um problema importante que a sociedade brasileira tem por resolver. Como se sabe, trata-se de um problema multifacetado, que envolve desde a formulação de políticas públicas comprometidas com as reais necessidades de grupos de pessoas social e economicamente desfavorecidos até o financiamento, a implantação e o gerenciamento democrático da educação. Essas e outras tantas facetas da educação brasileira estão articuladas, obviamente, numa sociedade que se funda numa injusta distribuição dos bens produzidos, principalmente de bens culturais; esse é o caso das artes, da ciência e do conhecimento universal.

No ano de 2004, iniciamos nossa participação no Programa de Apoio Científico e Tecnológico aos Assentamentos de Reforma Agrária – PACTo1 , com a proposta de desenvolver uma pesquisa e trabalhos com as escolas que atendessem crianças e jovens provenientes dos assentamentos atendidos pelo programa. Entendemos que, nos dias de hoje, a luta pela terra é um dos movimentos sociais mais significativos de nosso país, e a reforma agrária, um dos principais instrumentos para a construção da justiça social no Brasil.

O objetivo geral do PACTo é promover o desenvolvimento sustentável dos assentamentos de reforma agrária da Região do Triângulo Mineiro, em especial, dos Assentamentos Zumbi dos Palmares e Rio das Pedras, no Município de Uberlândia, e Ezequias dos Reis e Bom Jardim, no município de Araguari.

As reflexões que apresentamos aqui fazem parte do trabalho que estamos desenvolvendo, desde o início do ano letivo de 2005, no interior de uma escola municipal, localizada na zona rural do município de Uberlândia, que atende crianças e jovens, alunos do ensino fundamental, provenientes dos Assentamentos Zumbi dos Palmares e Rio das Pedras e filhos de trabalhadores do campo. As perguntas que orientam nosso trabalho são: Como os professores enxergam os alunos provenientes dos assentamentos? Como esses professores abordam questões sobre o campo, principalmente no tocante à luta pela terra e à reforma agrária? Será que de alguma maneira esses assuntos são discutidos entre professores e com seus alunos? Esses alunos que vivem no campo possuem especificidades no processo de aprender? Quais são elas e de que modo interferem no processo de ensinar? O que tais alunos levam de sua experiência como assentados para a sala de aula e, particularmente, para o aprendizado da leitura e escrita? O que esses alunos pensam sobre a escola? Como os professores trabalham as especificidades de seus alunos no cotidiano da sala de aula?

Nossa pesquisa nos levou a entender que o processo de aprender ou de constituirmo-nos como pessoas, professores e alunos, relaciona-se, combina, ou, no dizer de Elias (1994) e de Gonzalez Rey (2003), configura-se a partir dos elementos que compõem a realidade externa e interna de cada sujeito e de todos os sujeitos. Tal compreensão permite-nos dizer que essas relações/combinações/configurações é que constituem os sujeitos naquilo têm em comum com outros de seu tempo e de sua sociedade, mas também naquilo que cada um possui de singular (Smolka. 1998a, 1992); daí, então, podermos afirmar a existência e o entrelaçamento de dimensões pessoal e social no sujeito.

No presente trabalho, estamos considerando o cotidiano como contexto fundamental do processo de constituição de sujeitos, ou seja, consideramo-lo como espaço-tempo de produção de práticas e não apenas como “lugar de repetição e de reprodução de uma estrutura social” (Certeau.1994:2); as práticas cotidianas nós a entendemos como um jogo, desenvolvido por meio produção de táticas relacionadas com estratégias de poder. Tais táticas correspondem, nos dizeres de Certeau (1994), a “uma poética escondida”, ou a “artes do fraco”, e se apresentam a nós como modos de utilização de produtos impostos pela ordem econômica e social dominante e não por representarem uma produção própria e exclusiva.

Por isso mesmo, no âmbito maior do PACTO, nosso trabalho apresenta os seguintes objetivos:

- conhecer as práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano de salas de aula dos anos iniciais do ensino fundamental;

- analisar e explicitar modos pelos quais o processo de ensinar-aprender desenvolvido no cotidiano de salas de aulas dos anos iniciais do ensino fundamental, de uma escola que atende crianças provenientes de assentamentos de reforma agrária, são significados por professores e alunos;

- analisar como se desenvolve a interação professor-aluno-conhecimento no cotidiano de salas de aula dos anos iniciais do ensino fundamental;

- identificar e analisar concepções de professores e de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental sobre a infância e o processo de ensinar e aprender na escola;

- discutir com professores da escola uma proposta de estudos para o ano letivo de 2005;

- desenvolver ações para concretizar um grupo de estudos com professores.

No presente artigo, propomo-nos a discutir sobre algumas práticas realizadas no cotidiano da sala de aula de duas professoras e seus alunos, uma de PEAC (Plano Específico de Ação Coletiva) e outra de PEAI (Plano Específico de Ação Individual), que fazem parte da Proposta Educação pelas Diferenças2 (EPD,) desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de uma escola rural do município de Uberlândia, que atende crianças e jovens oriundos de assentamentos de reforma agrária e filhos de trabalhadores rurais e sobre significados e sentidos relativos ao processo de ensino-aprendizado produzidos por professores e alunos dessas salas, pretendemos discutir, também, nossa metodologia de trabalho e de pesquisa na escola.

Os dados que aqui apresentamos foram construídos por meio da análise de notas de campo elaboradas a partir do trabalho educativo de duas professoras da Escola Municipal Jardim das Flores, uma do PEAC e outra do PEAI.


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