O mundo Secreto do Opus Dei


Particular Churches and Pessoal Prelatures



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Particular Churches and Pessoal Prelatures’ é a tradução de uma obra espanhola publicada pela Universidade de Navarra em 1985. O autor, Pedro Rodríguez, é membro do Opus, embora, este fato não se menciona na edição em língua inglesa e o Opus logo que mencionado é, naturalmente, tampouco discutido. Rodríguez sustenta um ponto técnico de que o vínculo que ata aos laicos ao Opus se inclui no canon do novo Código de Direito Canônico que rege os contratos. Posto que o conteúdo dos contratos é, realmente, muito similar ao conteúdo dos votos que fazem os religiosos e religiosas de uma ordem ou congregação, não está claro qual seria o significado desta distinção legal.

Que implicações tem o novo estatuto do Opus Dei para o futuro? O documento do Papa Paulo VI sublinha que haveria fortes laços entre as prelaturas pessoais e os ordinários locais (bispos). Entretanto, nenhuma das disposições da declaração dá a um ordinário muito sobre os membros laicos do Opus que vivem dentro de sua diocese, embora estivessem tecnicamente sujeitos a sua autoridade. Poderia negar a permissão de abrir um centro dele, mas, uma vez aberto um, seria realmente muito difícil. Poderia negar ao clero do Opus a permissão para assistir aos laicos sob sua jurisdição, todavia, não poderia negar a permissão para assistir a outros membros do Opus. De fato, não há razão para que um membro do Opus não receba sua inteira educação na fé desde as classes de catecismo e primeira comunhão, até a confirmação; e mais à frente, dentro de centros pertencentes ao Opus. Embora, tal pessoa em teoria, estaria sujeita à autoridade diocesana, os sacerdotes diocesanos poderiam nunca ter ocasião de contatar tal pessoa.

Uma situação ainda mais anômala poderia surgir do novo estatuto do clero do Opus Dei. Continuam sacerdotes ‘seculares’ e, como tais, gozam de ‘voz ativa e passiva’ nas assembléias do clero. Contudo, se um centro for devidamente constituído, um bispo não tem voz alguma a respeito de sua presença em sua diocese entre seu clero. Alguns membros de seu próprio clero diocesano seriam recrutados para auxiliar o Opus ou a ‘Terceira Ordem’. Não precisariam revelar sua aderência ao mesmo, a não ser, expressamente, solicitado. Depois disto, é possível imaginar uma assembléia de sacerdotes dominados por membros do Opus.

As situações esboçadas mais acima parecem rebuscadas, porém,são de verdade? Em janeiro de 1985 houve um curioso incidente na diocese espanhola de La Rioja. Durante uma assembléia de clérigos para discutir a estratégia pastoral, o reitor do seminário de Logroño, no qual Escrivá do Balaguer estudou de 1918 até 1920, mostrou um relatório sobre moral. Disse que o Opus se consolidou no seminário muito antes de que ele fosse renomado reitor. Entre os membros do Opus e seus simpatizantes (alguns deles, acrescentou, menores de quinze anos) e o resto do clero diocesano, se não existia um conflito aberto, existia, ao menos, uma guerra fria constante, dando lugar à divisão, não somente no mesmo seminário, mas, em toda a diocese.

Acusavam ao Opus de antepor os interesses da prelatura ao bem da diocese e que por meio de guia espiritual dada aos seminaristas associados a eles, destruíam a unidade de espírito que deveria prevalecer na diocese. Quando se pediu uma explicação, nenhuma foi dada. ‘São realmente clérigos diocesanos – perguntava o relatório–, ou pertencem a prelatura pessoal?’.

Está na liturgia, diz o relatório, que mostremos unidade de propósito. Os membros do Opus, entretanto, seguem fielmente a risca a lei e não há participação ativa no espírito da liturgia. O reitor atacou depois, amargamente, as pautas de ensino dos professores do Opus Dei no seminário, acusando-os de irem à caça da heresia. Terminava dizendo que o seu, não era o único seminário que sofria; outros na Espanha estavam igualmente divididos. Queria que a situação fosse examinada pelo comitê de bispos espanhóis para seminários e Universidades, e que se não podiam resolver o conflito entre a prelatura pessoal e a diocese, o caso deveria ir a Roma

A situação piorou, dizia o reitor, com a criação da prelatura pessoal. Esse acontecimento deu aos simpatizantes do Opus ‘certo ar de vitória e de estar no bom caminho a respeito de tudo’. Evidentemente, não lhes tinha inculcado o sentido de colaboração entre diocese e prelatura cuja legislação estabelecia as prelaturas como uma nova forma de governo dentro da Igreja católica, esperava e exigia.

A experiência da diocese de La Rioja não inspira confiança. É difícil não pensar no Opus como uma Igreja dentro da Igreja, que era, exatamente, o que os bispos espanhóis temiam quando pressionaram Roma, sem nenhum êxito, contra a concessão ao Opus do estatuto que agora, claramente, goza.





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