O mundo Secreto do Opus Dei


PECCATOR LOUCO PRÓ o EO GENUIT FILIOS ET FICHA



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PECCATOR LOUCO PRÓ o EO GENUIT FILIOS ET FICHA
(Um pecador. Roguem por ele. Teve filhos e filhas) Nisto, entretanto, não conseguiu fazer o que queria. A laje de mármore que cobre seus restos mortais diz simplesmente ‘O Padre.’ Sempre há flores frescas sobre sua tumba. Seus devotos se congregam ali. Encontram-se rezando de dia e de noite: é o único lugar onde os homens e mulheres do Opus Dei é permitido reunir-se.

me tenham ali por um tempo, e logo me enviem a uma igreja pública, porque não quero lhes incomodar’, ouviu-lhe dizer Maria do Carmen Taipa. Transladar uma tumba a uma igreja pública é uma clara evidência de um ‘cultus’ ou devoção.

Apesar de tudo isto, Escrivá afirmava repetidamente ser um homem humilde. Adorava chamar-se a si mesmo ‘burrito sarnento’ (assinava como ‘b.s.’ — burrito sarnento nas cartas a seu confessor em seus primeiros anos em Madrid). Tanto, em realidade, que colecionava modelos de burros; a sede do Opus em Roma estava cheia deles. Quando um admirador lhe pedia um retrato, Escrivá lhe dava uma figura de um burro, grosseiramente moldado em metal. ‘Aí tem —dizia— meu retrato. Isso sou eu, um borriquillo. Oxalá seja sempre borriquillo de Deus, instrumento sua de carga e de paz.’ Entretanto, danificou esta exibição de humildade deixando que soubessem, enquanto orava, disse uma vez: ‘Aqui tem a seu burrito sarnento’ e que tinha recebido a resposta do alto: ‘Um burrico foi meu trono em Jerusalém’.

As visões são freqüentes entre os Santos. Entretanto, além da história da fundação do Opus contada anteriormente, estas palavras são o único exemplo mencionado pelos hagiógrafos, apesar de toda sua devoção, de uma intervenção sobrenatural direta na vida do Escrivá. Por outra parte, rumores de que tinha visões, especialmente da Virgem Maria, eram e são correntes dentro do Opus.

Era, finalmente, alguém que tinha um sentido particular de sua própria dignidade. ‘Em minha vida —cita em Crônica—, já conheci vários Papas, muitos cardeais e multidão de bispos. Mas, por outro lado, fundadores do Opus Dei, só há uno!’

Tal, pois, é o homem cuja santidade de vida e ortodoxia de doutrinas estão agora sendo formalmente julgadas no Vaticano. A Congregação romana para as Causas dos Santos, que controla estas coisas, deu permissão para iniciar o processo que levaria a beatificação e à subseqüente canonização de Monsenhor Escrivá do Balaguer em 30 de junho de 1981. Os porta-vozes do Opus Dei informam que está indo depressa: a primeira etapa concluiu formalmente em novembro de 1986. O Opus acredita que tem testemunhos suficientes para os dois milagres que se requerem para completar um processo de canonização. Uma monja carmelita espanhola e uma garota peruana afirmam ter sido curadas de câncer pela intercessão celestial do Escrivá. ‘Está no saco!’, diz o Opus (Nicholas Perry, ‘Unliberation Theology’, New Statesman, 1 de março de 1985).

A canonização de Monsenhor Escrivá do Balaguer é muito importante para a organização que ele fundou. Embora a concessão da prelatura pessoal foi um claro sinal do favor papal, o reconhecimento de Sua Santidade seria o selo de aprovação final da Igreja tanto do ensino do Opus como da de seu fundador como guia seguro para as almas. Embora o Opus anualmente assinala o dia da morte do Escrivá com missas públicas bem divulgadas, a veneração por ele chegou, escassamente, além das filas dos fiéis do Opus. ‘Se o Papa declarar santo Escrivá do Balaguer —disse o arcebispo mencionado anteriormente (pág. 207)— aceitarei-o como uma decisão da Igreja, mas nunca o poderei entender.’

Dado o poder e a riqueza do Opus Dei, a canonização de seu fundador parece inevitável. John Roche e outros ex-membros encabeçaram uma campanha para arruinar o processo, mas tiveram pouca sorte: Escrivá tem amigos na corte. Estas negociações, não obstante, levam tempo; não importa que o Opus através de sua influência consiga avançar rapidamente o processo. Possivelmente, o arcebispo não aceite a idéia de São Josemaría Escrivá do Balaguer durante sua vida.

Na Igreja católica em geral, entretanto, penso que alcançaram o apogeu das fortunas do Opus, e que até passou. Embora, em número seja o mais numeroso grupo de conservadores dentro da Igreja, já não é o mais influente. Essa posição adquiriu a fundação italiana ‘Communione e Liberazione’, cuja Constituição é muito mais declaradamente ativista.

Talvez as simpatias do Papa, supostamente conservador, voltem-se contra a organização a qual deu este, ainda único, estatuto de prelatura pessoal. Em sua carta sobre ‘As preocupações sociais da Igreja’ publicada em fevereiro de 1988, Papa João Paulo II mostrou-se muito mais, favoravelmente, disposto que até agora para os defensores da teologia da libertação, a doutrina a qual o Opus se oposto tão constantemente em nome da ortodoxia.

É, acredito firmemente, um princípio básico do cristianismo, que a fé em Jesus Cristo seja uma força libertadora na vida das pessoas; liberando-as para que cheguem a ser mais elas mesmas; encarregadas de seus próprios destinos. O Opus com suas regras e normas, sua censura, seu controle da minúcia da vida do dia a dia de seus membros, suas estruturas relacionadas com as classes, sua associação com as elites da riqueza e do poder, como tentei descrever neste livro, não poderia alegar ser uma força para a libertação. E como não supera esta prova, como seita, não é simplesmente, menos que católica.

É menos que cristã.






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