O morto o morto – Coelho Neto menumark edição eBooksBrasil



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O Morto


O MORTO – Coelho Neto

menumark


 

edição


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O Morto – Memórias de um Fuzilado (1898)


Coelho Neto (1864-1934)


Fontes digitais:
Ministério da Cultura
Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
Departamento Nacional do Livro
www.bn.br
[http://www.bn.br/bibvirtual/acervo/]

Biografia do Autor:


ABL
www.academia.org.br


Copyright
Domínio Público

 

 



O MORTO
(Memórias de Um Fuzilado)


Coelho Neto

ÍNDICE

Nota Informativa
O Autor

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo II
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
Capítulo XVI
Capítulo XVII
Capítulo XVIII
Capítulo XIX
Capítulo XX
Capítulo XXI
Capítulo XXII
Capítulo XXIII
Capítulo XXIV
Capítulo XXV
Capítulo XXVI
Capítulo XXVII
Capítulo XXVIII
Capítulo XXIX
Capítulo XXX
Capítulo XXXI
Capítulo XXXII
Capítulo XXXIII
Capítulo XXXIV
Capítulo XXXV
Capítulo XXXVI
Capítulo XXXVII

 

O Morto


( Coelho Neto )


Nota Informativa

 

     Em O morto Coelho Netto desenvolve uma trama que despertará ressonâncias bastante sugestivas em leitores que conservam na lembrança (por terem-na experimentado pessoalmente ou conhecido por depoimentos) a situação vivenciada pelo brasileiro comum nos anos da ditadura militar. Dosando com felicidade suspense e humor, Coelho Netto narra a existência de um burguês pacato, envolvido de repente nas malhas de uma intriga kafkianamente absurda. Como pano de fundo para a ação o autor constrói notável painel do Rio nesses meses da revolta da armada, em que se destacam as cenas do êxodo da população litorânea, apavorada pela ameaça de bombardeamento da cidade pelos rebeldes. Nessas páginas – e não nos duvidosos textos de antologia, que privilegiam a pirotecnia verbal do estilista parnasiano – poderá o leitor constatar o poder expressivo do narrador Coelho Netto. A segunda metade do romance transcorre no meio rural e revela, na fixação dos quadros da natureza e da vida em uma fazenda, elaborados em linguagem límpida e expressiva, o lado lírico do escritor. Visto no seu todo, O morto constitui uma obra equilibrada e estilisticamente sóbria, capaz de desacreditar a imagem simplificadora de verbalista vazio a que se tem pretendido reduzir o seu autor.


     Mas tal imagem, já de si obstáculo respeitável dificultando o acesso dos leitores ao mundo ficcional de Coelho Netto, não representa a única pedra nessa vereda arriscada: o tecido de equívocos que cerca a obra do escritor maranhense tem urdidura mais cerrada. Um outro estereótipo, esse de natureza temática, começou a articular-se ainda em vida do escritor, na pena ressentida de Lima Barreto. Na visão do criador do Isaías Caminha o romancista de Turbilhão exercia uma "ditadura/.../ particularmente nociva" no meio intelectual brasileiro, por reduzir a literatura à produção de frivolidades para leitoras ociosas: "Não posso compreender que a literatura consista no culto do dicionário; não posso compreender que ela se resuma em elucidações mais ou menos felizes dos estados d'alma das meninas de Botafogo ou de Petrópolis; /.../" – o crítico segue por aí adiante, numa negação raivosa, tingida de ressentimentos pessoais, do valor do seu contemporâneo mais afortunado, detentor na época de invejável (e invejado?) sucesso junto aos leitores. Anos depois, em artigo cujo título já define as intenções do autor – "Histrião ou literato?" –, Lima Barreto volta à carga e, a propósito de um simples discurso de circunstância, pronunciado por Coelho Netto na inauguração de uma dependência do Clube Fluminense, proclama-o "o sujeito mais nefasto que tem aparecido em nosso meio intelectual", reduz sumariamente a zero todo o valor do romancista maranhense e, ressumando carga ainda maior de despeito, torna a repisar a velha tecla de que "desde menino, o Senhor Coelho Netto ficou deslumbrado por Botafogo e as suas relativas elegâncias".
      Tudo isso é criticamente desprezível, e poderia ser aqui ignorado não fosse o prestígio quase mítico com que toda uma corrente intelectual, a partir dos anos 30, passou a cercar a figura de Lima Barreto. Tal postura acarretava o endosso, sem maior exame, do estereótipo posto em circulação por Lima Barreto, que reduzia Coelho Netto às dimensões de um "romancista de Botafogo e suas elegâncias". Se a crítica se desse ao trabalho de ler a ficção do criador de O morto, constataria, surpresa, que tal estereótipo, como costuma suceder com a maior parte dos estereótipos, tem como característica única a sua falsidade; que as "meninas de Botafogo e de Petrópolis" pouco freqüentam essa ficcão; e que, no plano social, o romance de Coelho Netto volta-se de preferência para a classe média (à qual pertencia o escritor), enquanto no tocante à geografia urbana focaliza o centro da cidade e os bairros a ele periféricos – bairros típicos de classe média. Em suma: nem meninas elegantes, nem Botafogo, nem Petrópolis ... Coelho Netto é, acima de tudo, um cronista do viver da pequena e média burguesia carioca na virada do século. Evidentemente, o seu realismo contido, de corte flaubertiano, pouco propenso ao libelo acusatório no gênero das Recordações do escrivão Isaías Caminha, detinha um potencial de fascínio bastante moderado para uma geracão marcada pelas lutas ideológicas que dilaceraram o Brasil após a revolução de 30. Mas também sob esse aspecto o momento atual – de crepúsculo das ideologias – pode e deve abrir espaço à reavaliação de numerosos escritores – dentre os quais Coelho Netto – banidos sumariamente da cidade das letras por não se conformarem a um modelo ideológico fixado a priori pela crítica. Quem sabe esteja próximo o momento em que o autor de O morto poderá abandonar finalmente o incômodo e excêntrico papel de "escritor maldito" a que o condenaram, ironicamente, os adversários.

Rosa Gens



 

O Autor



     Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.), professor, político, romancista, contista, crítico, teatrólogo, memorialista e poeta, nasceu em Caxias, MA, em 21 de fevereiro de 1864, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1934. É o fundador da Cadeira n. 2 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Álvares de Azevedo.


     Foram seus pais Antônio da Fonseca Coelho, português, e Ana Silvestre Coelho, índia. Tinha ele seis anos quando seus pais se transferiram para o Rio. Estudou os preparatórios no Externato do Colégio Pedro II. Depois tentou os estudos de Medicina, mas logo desistiu do curso. Em 1883 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Seu espírito revoltado encontrou ali ótimo ambiente para destemidas expansões, e ele se viu envolvido num movimento dos estudantes contra um professor. Prevendo represálias, transferiu-se para Recife, onde fez o 1º ano de Direito, tendo Tobias Barreto como o principal mestre. Regressando a São Paulo, entregou-se ardentemente às idéias abolicionistas e republicanas, numa atitude que o incompatibilizou com certos mestres conservadores. Deu por concluídos os estudos jurídicos, em 1885, e transferiu-se para o Rio. Fez parte do grupo de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. A história dessa geração apareceria depois no seu romance A Conquista (1899). Tornou-se companheiro assíduo de José do Patrocínio, na campanha abolicionista. Ingressou na Gazeta da Tarde, passando depois para a Cidade do Rio, onde chegou a exercer o cargo de secretário. Por essa época começou a publicar seus trabalhos literários.
     Em 1890, casou-se com Maria Gabriela Brandão, filha do educador Alberto Olympio Brandão. Do seu casamento teve 14 filhos. Foi nomeado para o cargo de secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, Diretor dos Negócios do Estado. Em 1892, foi nomeado professor de História da Arte na Escola Nacional de Belas Artes e, mais tarde, professor de Literatura do Ginásio Pedro II. Em 1910, foi nomeado professor de História do Teatro e Literatura Dramática da Escola de Arte Dramática, sendo logo depois diretor do estabelecimento.
     Eleito deputado federal pelo Maranhão, em 1909, e reeleito em 1917. Foi também secretário geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Teatro Municipal.
     Além de exercer os cargos para os quais era chamado, Coelho Neto multiplicava a sua atividade em revistas e jornais de todos os feitios, no Rio e em outras cidades. Além de assinar trabalhos com seu próprio nome, escrevia sob inúmeros pseudônimos, entre outros: Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget, Democ, N. Puck, Tartarin, Fur-Fur, Manés.
     Cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil. Apesar dos ataques que sofreu por parte de gerações mais recentes, sua presença na literatura brasileira ficou devidamente marcada. Em 1928, foi eleito Príncipe dos Prosadores Brasileiros, num concurso realizado pelo Malho. João Neves da Fontoura, no discurso de posse, traçou-lhe o justo perfil:

"As duas grandes forças da obra de Coelho Neto residem na imaginação e no poder verbal. ... Havia no seu cérebro, como nos teatros modernos, palcos móveis para as mutações da mágica. É o exemplo único de repentista da prosa. ... Dotado de um dinamismo muito raro, Neto foi um idólatra da forma."

     Principais obras: Rapsódias, contos (1891); A capital federal, romance (1893); Baladilhas, contos (1894); Fruto proibido, contos (1895); Miragem, romance (1895); O rei fantasma, romance (1895); Inverno em flor, romance (1897), Álbum de Caliban, contos (1897); O morto, romance (1898); A descoberta da Índia, narrativa histórica (1898); O rajá do Pendjab, romance (1898); A Conquista, romance (1899); A tormenta, romance (1901); Turbilhão, romance (1906); Vida mundana, contos (1909); Banzo, contos (1913); Rei negro, romance (1914); Mano, Livro da Saudade (1924); O polvo, romance (1924): Imortalidade, romance (1926); Contos da vida e da morte, contos (1927); A cidade maravilhosa, contos (1928); Fogo fátuo, romance (1929). Publicou, ainda, peças de teatro (vários livros), crônicas, críticas, obras didáticas, discursos e conferências.

 

O MORTO


(Memórias de um Fuzilado)





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