O julgamento da mulher adúltera1



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A VERDADE SOBRE ABELARDO, HELOÍSA E ASTROLÁBIO

Luiz Guilherme Marques

Este livro não traz o escopo biográfico no sentido tradicional, ou seja, a menção detalhada dos episódios marcantes da vida de cada um dos personagens, mas sim visa, muito mais, uma correção histórica sobre muitas inverdades que se impingiram a Abelardo, Heloísa e Astrolábio e bem assim mencionar as situações importantes que foram omitidas propositalmente pelos historiadores comprometidos com os interesses do Catolicismo dominante ou superficiais em suas pesquisas. Infelizmente, há historiadores desses dois tipos e, na verdade, seu número não é inexpressivo. Dessa maneira, para muitos desles, Abelardo teria sido um mero filósofo muito voltado para o raciocínio lógico, mas, como ser humano, era um egocêntrico, enquanto que Heloísa seria nada mais que uma amante quase vulgar, apesar de muito inteligente e culta e o “desprezado” Astrolábio apenas um “filhinho de papai e de mamãe”. A verdade verdadeira é bem outra, pois ninguém apontou um detalhe importantíssimo, que foi a verdadeira missão que desempenharam, de propagar as crenças célticas da comunicabilidade entre “vivos” e “mortos”, que aprenderam na Bretanha, que, naquela época, não fazia parte da França, sendo que tinham estreita ligação com aquela cultura realmente espiritualista. Esta obra pretende mostrar que os três personagens e mais Pedro, o Venerável, trabalharam interligados umbilicalmente pela propagação principalmente daquelas verdades que contribuíram, muito mais que o simples racionalismo, que se atribui principalmente a Abelardo, o que fez com que o século XII fosse considerado como o Renascimento francês. Alguns chegam a não reconhecer que aquele impulso cultural se constituiu num Renascimento, mas aí se trata de reducionismo e fica por conta deles duvidar do óbvio. Foi realmente um Renascimento no sentido exato da palavtra o que aconteceu no século XII. Infelizmente, a imensa maioria dos textos que Heloísa ditou e que estavam arquivados no Paracleto, onde foi abadessa durante muitos anos, foi destruída por participantes da Revolução Francesa, em 1792 e os do abade Astrolábio, de Hauterive, na Suíça, o qual morreu envenenado, foram destruídos pelos misoneístas da sua própria congregação religiosa. Quem tiver a boa vontade de acompanhar nossa exposição atentamente poderá verificar que o trabalho conjunto esteve centralizado praticamente no Paracleto, que chegou a ser uma verdadeira universidade, onde pontificaram, além dos quatro personagens acima referidos, freiras ali viventes, que eram mulheres cultas, versadas em vários ramos do Conhecimento. Essa Ordem continuou existindo mesmo depois da morte dos nossos personagens principais, perdurando por mais de seis séculos, carregando a bandeira do Progresso. Os historiadores não a consideram uma universidade por simples facciosismo, mas o foi de fato. As alunas aprendiam, com a profundidade ideal, as disciplinas das universidades de então. Quanto ao Paracleto como instituição gigantesca que acabou sendo, inclusive contando com cinco filiais, portanto, com uma extensão territorial muito grande, vê-se em um texto intitulado ‘L’ancienne Heloïse – manuscrit nouvellement retrouvé des lettres inédites d’Abailard et d’Heloïse’ a confirmação do que digo acima: ‘Esta abadia foi uma mãe fecunda de vários monastérios daí decorrentes, de onde se formou a Ordem do Paracleto.’ Todavia, como contrariava os interesses do conservadorismo católico de então, e, diga-se de passagem, também o de hoje, essa Ordem não é sequer mencionada como tal em nenhum dos atuais registros católicos. Acredito, como espiritualista, além do compromisso com a verdade histórica, que havia um Plano Divino para o Paracleto e também acredito que aqueles personagens, além de outros, foram instrumentos da evolução que se processou através de um grande salto qualitativo naquele século XII na Europa, especificamente na França. A verdade é que outro salto qualitativo ocorreu anteriormente na época de Carlos Magno, três séculos antes (no século IX), e ocorreria outro salto qualitativo posteriormente, no chamado Renascimento, mais amplo, três séculos depois (no século XVI). Os saltos qualitativos, se bem observarmos a História, ocorrem em ciclos, ou seja, de tempos em tempos: essa é uma tese que se pode sustentar. Infelizmente, a maioria dos historiadores não pensa dessa forma e perde muito nas suas conclusões. A evolução das espécies, inclusive a humana, não acontece linearmente, mas há esses saltos, tal como nas transições da infância para a puberdade, desta para a fase adulta e assim por diante. O século XII foi muito mais importante do que muita gente imagina. Por essa razão, inclusive, escrevi este livro, destacando a importância da contribuição de algumas das mentes mais progressistas da época. Enquanto essas mentes puxavam para a frente, havia os conservadores, cujos nomes me dispenso de mencionar, porque o objetivo não é estabelecer confrontos nem desmerecer a quem quer que seja, mas sim mostrar o que houve de bom. Está aqui, nesta fala inicial, dada a primeira mão de tinta na pintura do painel do século XII. Não devemos nos esquecer de que ocorreu naquela época o que BROOKE (1972:19) chamou de “louco sucesso das heresias”, sobretudo na Franç e na Itália do sul.




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