O impacto da Física na Biologia e Medicina


FINAL: MOVENDO ENTRE AS DISCIPLINAS



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FINAL: MOVENDO ENTRE AS DISCIPLINAS
Conversando sobre os efeitos de um campo em outros, tenho geralmente ignorado o “problema da fronteira”. Como distinguimos entre os campos? Fazemos isso hoje, em parte, por auto-identificação, da mesma forma que lidamos com ambigüidades sobre raça humana, etnia e religião. A auto-identificação em ciência é comumente ligada com a origem da graduação da pessoa e o nome dos departamentos por que passou, afixados no diploma, podem se tornar os limites da exploração em campos adjacentes. Como o estudo das células e moléculas faz-se cada vez mais obviamente interdisciplinar, muitos de nós na biologia esperamos que será cada vez mais difícil rotula a ciência e predizer o tipo de formação deve ter as pessoas que nela trabalham.
No NIH, tivemos que nos preocupar em como as pessoas deveriam ser treinadas na graduação e pós-graduação para acompanhar os problemas biológicos nos próximos 50 anos e nós estamos discutindo a necessidade de estudar esses pontos com o National Research Council. Eu também concordo com Leon Lederman, que tem liderado o movimento para estabelecer uma ordem mais lógica para ensinar ciência nos colégios americanos, isto é, física, química e biologia. Mas essas atividades só virão a frutificar após muitos anos e também é importante considerar as necessidades mais imediatas de transportar cérebros através dos limites das disciplinas.
Tenho presenciado um crescente interesse em tentar abrir as fronteiras que têm sido tradicionalmente difíceis de cruzar. Nos estados Unidos, workshops em biologia computacional e abordagens de sistemas complexos têm sido organizados recentemente pelo National Institute of General Medical Sciences e o Departamento de Energia. Novas oportunidades de fundos para trabalhos interdisciplinares estão disponíveis através do Consórcio de Bioengenharia e outros programas no NIH. Até o momento, o total de arrecadação do NIH em projetos de física está estimado em torno de 287 milhões de dólares.
Existem muitas histórias dando conta de bem sucedidos programas de treinamento interdisciplinar. Dentro do nosso programa de pesquisa interna no NIH, físicos e estagiários em física dos Estados Unidos e de fora fazem teses de graduação, assistem cursos de tópicos em biologia e engajam-se em pós-doutorados que promovem a interação com biólogos e clínicos. Muitas dessas atividades ocorrem sob a direção de alguns dos nossos mais prestigiosos cientistas – como Ad Bax, Bab Balaban, Bill Eaton e Adrian Parseguiam – e inclui trabalho em moléculas pequenas e proteínas NMR, MRI cérebral e cardíaco e outros tópicos, trazendo boas perspectivas de trabalhos prar estagiários.
Por ocasião do 100º aniversário da American Physical Society, agradeci aos físicos pelas suas muitas contribuições para biologia e medicina. Por nos suprirem de ferramenta que nos permitem ver e investigar a seres vivos e por treinarem grandes cérebros que descobriram alguns dos mais fundamentais princípios da biologia. Hoje eu encorajo físicos a trabalhar em colaboração com biólogos num esforço para chegar à “explicação física radical” de Delbruck para os sistemas biológicos.
Sobre o Autor
Harold Varmus é diretor do National Institutes of Health,Bethesda, Maryland 20892, Us. Este artigo é uma versão editada da palestra plenária proferida no centésimo encontro da Sociedade Americana de Física (American Physical Society) em Atlanta, Georgia, 22 de março de 1999.


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