O estágio supervisionado na formaçÃo do(A) professor(A) de educaçÃo física



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O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA FORMAÇÃO DO(A) PROFESSOR(A) DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Maria Rita de Cássia Fortes MULATI (CUML/ Universidade de Rio Verde)

Maria Cristina da Silveira Galan FERNANDES (CUML)

Produção vinculada ao Grupo de Pesquisa “Currículo, História e Poder”

Eixo 2 - Currículo e docência: questões emergentes


Introdução
A presente pesquisa, ainda em fase de coleta de dados, tem como tema a questão do Estágio Supervisionado e suas possibilidades de contribuição para a formação profissional e constituição da identidade do(a) professor(a) de Educação Física.

O interesse pelo estudo sobre Prática de Ensino sob a forma de Estágio Supervisionado surgiu quando a pesquisadora foi designada, no ano de 2002, para ser supervisora dessa disciplina no curso de Educação Física de uma Universidade Municipal situada no interior de Goiás.

Lendo a bibliografia referente a tal temática percebe-se que a problemática sobre o Estágio ainda apresenta difícil solução, seja devido a realização efetiva da carga horária de alunos e professores, seja devido às diferentes formas de entendimento quanto à sua finalidade e função (PIMENTA, 2002; 2004).

Desse modo, começaram a surgir as primeiras inquietações quanto ao trabalho desenvolvido na disciplina de Prática de Ensino sob forma de Estágio Supervisionado. Na verdade este estágio ocorria basicamente para cumprimento das horas estabelecidas pelo sistema educacional, sem que existisse por parte do professor e dos alunos algum tipo de troca de informações ou de experiências, ou mesmo de observações ou das regências por parte dos alunos.

A cultura de burlar o estágio estava enraizada e isto era constrangedor. A falta de noção sobre a importância do estágio que os alunos evidenciavam, fazia com que se percebesse uma incongruência entre os alunos e a prática pedagógica. Sentia-se neles a incompreensão, o descaso e às vezes a revolta. Sentiam-se obrigados a freqüentar o estágio sem ao menos entenderem o que estavam fazendo, não tinham a noção da necessidade de se compreender a realidade, de vivenciar os problemas da escola, as dificuldades embutidas no ser professor.

Outro questionamento que despertou interesse foi a introdução das novas Diretrizes Curriculares elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) que nortearam uma nova execução para a formação de professores na prática vivenciada, no estágio supervisionado, aumentando da carga horária de estágio que passou de 300 para 400 horas nos cursos de Licenciatura, visando melhorar a formação profissional do aluno (BRASIL, 2002a; 2002b).

Foram inseridas ainda, nas novas diretrizes, 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico-científico-culturais, as quais foram denominadas de atividades complementares.

Considera-se, no entanto, que a quantidade de horas de estágio, por si só, não garante a qualidade da formação do professor. Necessita-se da integração e do comprometimento, do desejo de aprender e da responsabilidade em ensinar, garantindo dessa forma a qualidade na formação de tais profissionais.

Vários autores apontam a falta de relação entre a teoria e prática e destacam a necessidade de se relacionar a Didática, a Prática de Ensino sob forma de Estágio Supervisionado e as demais disciplinas do curso de formação de professores, articulando-as para preparar o futuro professor para uma efetiva compreensão dos conteúdos teóricos e prática real de tais conteúdos no ato docente (PIMENTA, 2004, 2002; CUNHA, 2003; LIMA, 1999; CORREA, 1990).

As propostas que estão brotando em toda a literatura sobre as questões do Estágio Supervisionado fazem alusão à tentativa de ressignificar o espaço Estágio Supervisionado de modo a transformar a própria realização do estágio em um processo formativo. Nesse sentido, concorda-se com Cunha (2003), quando afirma em seu estudo que o Estágio Supervisionado passou a ser o eixo articulador no curso de formação de professores e ressalta a possibilidade deste ser metodologicamente um processo de investigação-ação por meio de projetos didáticos de ação realizados com educadores das escolas, assim procurando-se evidenciar a relação dialética entre teoria e prática.

Considerando-se os questionamentos indicados e as reflexões realizadas a partir da revisão da literatura, surgiu o problema desta pesquisa: Qual a contribuição do Estágio Supervisionado na formação e constituição da identidade profissional de alunos de uma Faculdade de Educação Física, de uma Universidade do interior de Goiás, após a implantação das novas Diretrizes Curriculares e do conseqüente aumento da carga horária do curso de Licenciatura em Educação Física?

Nesse estudo tem-se como pressuposto que um estágio quando bem realizado, organizado com qualidade, trazendo propostas inovadoras e fundamentado no comprometimento de professores/ supervisores e estagiários, pode contribuir de forma significativa para o processo de formação e constituição da identidade profissional dos futuros professores.

Considera-se ainda fundamental que o estágio supervisionado abranja a relação teoria e prática, de forma a conduzir o acadêmico na apropriação das dimensões da profissionalidade, ou seja, da sua autonomia, dimensões que estão ligadas à sua obrigação moral, ao compromisso com a comunidade e à competência profissional (CONTRERAS, 2002).

Nesse sentido os objetivos da pesquisa consistem em: a) analisar as contribuições do Estágio Supervisionado na formação do professor de Educação Física; b) verificar entre os alunos egressos e “formandos” do curso de Educação Física, suas percepções sobre a relação do estágio com sua formação e identidade profissional; c) descrever e analisar a proposta de Estágio Supervisionado desenvolvido em 2005, no curso de Educação Física (noturno), com uma turma de Estágio, após a implantação das novas Diretrizes Curriculares.

Desta forma considera-se que o presente estudo possa apontar caminhos, respostas que fortaleçam o processo de formação e constituição da identidade profissional de professores (as).


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