O entendimento de avaliaçÃo nos


A abordagem do conhecimento de Piaget e de Vygotsky



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A abordagem do conhecimento de Piaget e de Vygotsky

As influências de Piaget5 (1896 – 1980) e Vygotsky6 (1896 – 1934), no campo da prática educacional, são muito intensas, principalmente no atinente às fases da infância e da adolescência. O principal interesse de Piaget era epistemológico, ou seja, analisar como tem origem e evolui o conhecimento. Através das ideais de assimilação (incorporação de um novo objeto ou idéia ao que já é conhecido) e acomodação (transformação que o organismo sofre para poder lidar com o ambiente) a pessoa modifica seus esquemas e se adapta à nova situação. Piaget também desenvolve a tese do desenvolvimento cognitivo seqüencial através das etapas de estruturas mentais diferenciadas. Ou seja, há estágios correspondentes ao comportamento operatório da criança nas diferentes idades. Outra questão importante é que segundo Piaget, o desenvolvimento cognitivo é um processo social e a interação com outras pessoas tem importante papel no desenvolvimento das operações lógicas. Seu interesse a respeito das características psicológicas do aluno, entendido como um ser ativo, que tem motivação, atenção, formas próprias de pensar, sentir e agir, acabou por influenciar outras tendências pedagógicas, como a Escola Nova. (CHIAROTTINO, 1990).


Goulart (2000) apresenta alguns pontos chaves relevantes na perspectiva de ensino e avaliação construtivista piagetiano:

  • Cada homem é agente do seu processo de desenvolvimento. Logo, devem-se propiciar-lhe condições de ser ativo, construindo a sua interação com o mundo;

  • O ensino deve ser facilitador ao processo de desenvolvimento, não um acelerador, nem um entrave;

  • Não é suficiente conhecer a resposta dos alunos a uma situação-problema. É necessário proceder a análise dos processos mentais que levam a esta resposta. Pedir ao aluno que verbalize o caminho que percorreu pode ser um bom auxílio para esta compreensão.

Portanto, uma prática pedagógica construtivista requer que a figura central do processo educacional seja o aluno e sua experiência, interesses e necessidades devem ser valorizados sobremaneira.


“... deve-se simplesmente propor problemas aos alunos, sem ensinar-lhes as soluções. Sua função consiste em provocar desequilíbrios, fazer desafios. Deve orientar o aluno e conceder-lhe ampla margem de autocontrole e autonomia. Deve assumir o papel de investigador, pesquisador, orientador, coordenador, levando o aluno a trabalhar o mais independente possível”. (MIZUKAMI APUD AMORIM, 1999, p. 61)
Vygotsky desenvolveu algumas teses que nortearam suas obras. A primeira afirma que as características tipicamente humanas resultam da interação dialética do homem e seu meio sociocultural. Assim, ao mesmo tempo em que o ser transforma o meio para satisfazes suas necessidades básicas, transforma-se a si mesmo. A segunda diz que a cultura é parte constitutiva da natureza humana, uma vez que a sua característica psicológica acontece pela internalização dos modos historicamente determinados e culturalmente organizados de operar informações. A terceira tese se refere ao funcionamento do cérebro, que segundo o autor não é necessariamente um sistema imutável e fixo, apesar da carga biológica nata. Na quarta tese Vygotsky postula que a linguagem tem um papel fundamental no processo dos pensamentos, pois ela medeia o funcionamento psicológico através dos signos e instrumentos fornecidos pela cultura. A quinta tese faz uma crítica ao behaviorismo. Diz que a análise psicológica deve ser capaz de conservar as características básicas dos processos psicológicos, exclusivamente humanos. Este princípio está baseado na ideia de que os processos psicológicos complexos se diferenciam dos mecanismos mais elementares e não podem, portanto, ser reduzidos à cadeia de reflexos. Por fim, Vygostky afirma que a estrutura fisiológica humana, aquilo que é inato, não é suficiente para produzir o indivíduo humano, na ausência do ambiente social. As características individuais (modo de agir, de pensar, de sentir, valores, conhecimentos, visão de mundo) dependem da interação do ser humano com o meio físico e social. (REGO, 2000).
Em Piaget, normalmente o desenvolvimento é pré-requisito para a aprendizagem. Para Vygotsky, o bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento, ou seja, os processos de desenvolvimento são impulsionados pelo aprendizado, dirigindo funções psicológicas que estão em vias de se completar (zona de desenvolvimento proximal). Desta forma, a ajuda do outro é fator importantíssimo na construção do conhecimento, pois possibilita no cotidiano da escola as trocas de repertórios, de visão de mundo, confrontos, etc., propiciando o aumento das capacidades de cada sujeito. Nesta abordagem, o professor além de promover informações e pistas, promove situações que incentiva as trocas de informações e o acesso ao conhecimento. (Idem, 2000).
É indelével a contribuição de Vygotsky no campo do sucesso e do insucesso escolar. Se o modo de avaliar a criança a faz acreditar que tem potencial a ser desenvolvido, ou se ela observou claramente que desenvolveu em sua prática escolar, isto a fará aumentar sua auto-estima em nível cognitivo e dará efeitos estimulativos para novos avanços. Se ao contrário, a criança experimenta uma situação de fracasso, reprovação e se sente obrigada a reiniciar o processo escolar, isso, poderá levá-la a duvidar de sua capacidade de aprendizagem.






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