O entendimento de avaliaçÃo nos


A pedagogia tradicional de Comenius e Herbart



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A pedagogia tradicional de Comenius e Herbart

“Quero ensinar os alunos a pensar e não a disparatar”. (Vitorino de Feltre).


Os ideais humanistas e naturalista que inspiraram o ranascimento cultural na europa (séc. XIII – XVII) pela redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, imprimiu no pensamento moderno características predominantemente naturalistas. Se de um lado o humanismo cristão avaliava o aluno preparando-o para a vida com orientações psicológicas e respeitando as diferenças individuais, do outro a corrente do humanismo pagão valorizava a individualidade sem apego ao metafísico ou transcendental. Neste cenário, da modernidade, surge Jan Amos Komenský ou simplesmente Comenius, marcante educador e pedagogo do século XVII que propôs um processo organizado de ensino, cuja essência é dar o acesso ao saber para todas as pessoas. Assim, a pedagogia de Comenius sistematizava o discurso pedagógico, relacionando técnicas pedagógicas com reflexão sobre o homem a partir de um conceito de homem que mantinha um forte apelo religioso. (CAMBI, 1999).
Toda a construção pedagógica de Comenius é, de fato, caracterizada por uma forte tensão mísitica que sublinha seu caráter ético-religioso e a decidida conotação utópica: a educação neste quadro é a criação de um modelo universal de “homem virtuoso”, ao qual é confiada a reforma geral da sociedade e dos costumes. (Idem, p. 286).
Para inferirmos no modelo de avaliação do aproveitamento dos alunos na perspectiva de Comenius, vamos recorrer ao provável inaugurador do racionalismo na Idade Moderna, René Descartes (1596 – 1650). No racionalismo é pelo raciocínio lógico que usamos uma ou mais proposições para tirar conclusões se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável. Conforme Marcondes (2005), no pensamento cartesiano a verdade está inscrita nas quatro regras básicas citadas no “Discurso do Método”. A primeira é a regra da evidência, ou seja, só se toma algo como ponto de partida se o reconhece como verdadeiro. A regra da análise diz que um problema a ser resolvido deve ser decomposto em suas partes constituintes mais simples. A terceira regra, da síntese, sustenta que uma vez realizada a análise devemos ser capazes de reconstituir aquilo que dividimos, revelando assim um real conhecimento do objeto investigado. E a quarta regra, da verificação, alerta para a necessidade de termos certeza de que efetivamente realizamos todos os procedimentos devidos. (DESCARTE, 2005).
Assim, para verificar o aproveitamento do aluno, mandava-o ler, em voz alta. Conforme a expressão que dava à leitura, julgava-o habilitado ou não. Exigia linguagem culta, pronuncia correta e tom de voz moderado. Era inflexível no que diz respeito à moralidade e às boas maneiras. Desta forma, identificamos na pedagogia moderna, fortes traços do método de avaliação racional (tradicional) observado no formato avaliativo da pedagogia clássica de Aquino, mesmo com “as polêmicas de Comenius contra a prática didática da época” (CAMBI, 1999, p.286).
Verificamos também nos pensamentos de Herbart (1776 - 1841)4 que é pela instrução que os interesses e desejos são internalizados nos educandos e conseqüentemente o educador dá autocontrole interno e discernimento aos alunos. Cita Eby (1962, p. 413) que: “a idéia mestra da pedagogia de Herbart... é que o único fundamento de toda a educação é a instrução”. Ou seja, a instrução se constitui num processo educativo altamente diretivo, onde o aluno é passivo no processo de aprendizagem na medida em que o professor conduz as atividades é dá os estímulos necessários para a assimilação dos conhecimentos. Logo:
Deve ser propiciada (ao aluno) a prática da reflexão metódica por meio de problemas, trabalhos e suas correções, assim o aluno deve demonstrar se compreendeu exatamente os problemas centrais e se está em condições de fazer as correlações. A disciplina facilita a instrução, assim “o bom educador se fará agradável pessoalmente ao discípulo quando este não se mereça o contrário (HERBART, 2003. p.13)
Por fim, apesar da influência da Renascença ao estimular o homem a chegar ao seu conhecimento através da interrogação dos fenômenos e da descoberta das suas causas, parece que o espírito de racionalidade da modernidade foi determinante nas propostas pedagógicas de Comenius e Herbart, destarte as diferenças.





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