O entendimento de avaliaçÃo nos


PERÍODO CLÁSSICO DAS TEORIAS PEDAGÓGICAS



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2 PERÍODO CLÁSSICO DAS TEORIAS PEDAGÓGICAS
O período clássico das teorias pedagógicas compreende a Idade Média do século IX até o começo do século XIV, época marcada por um grande interesse pelo conhecimento das realidades mediatas, não necessariamente com o auxilio de inteligência, mas, sobretudo mediante a aceitação da fé e dos dados da revelação divina. Neste contexto, o pensamento pedagógico católico de Santo Tomás de Aquino (1225-1274), promoveu grandes avanços nos entendimentos sobre os processos educativos, uma vez que se contrapôs habilmente ao respeito exagerado a autoridade dos antigos pelo combate ao método apriorístico que, tradicionalmente, estabelecia como inteiramente verdadeiras e universalmente aceitas várias definições, axiomas e postulados iniciais sobre os processos de ensino e aprendizagem.
Ora, o conhecimento preexiste no educando como potência não puramente passiva, mas ativa, senão o homem não poderia adquirir conhecimentos por si mesmo. E assim como há duas formas de cura: a que ocorre só pela ação da natureza e a que ocorre pela ação da natureza ajudada pelos remédios, também há duas formas de adquirir conhecimento: de um modo, quando a razão por si mesma atinge o conhecimento que não possuía, o que se chama descoberta; e, de outro, quando recebe ajuda de fora, e este modo se chama ensino. (AQUINO, 2001, p.32).
Em Tomás de Aquino a educação representa uma atividade capaz de tornar realidade aquilo que é potencial na criança. Logo, educar também é o ato da própria criança dar vazão as suas potencialidades com o auxílio do professor.
O professor, portanto, estimula o intelecto a conhecer aquelas coisas que ensina como um motor essencial, que faz surgir o ato da potência; já quem mostra algo para a visão corporal, estimula-a como motor acidental; como também quem já possui habitualmente o conhecimento pode ser estimulado por um outro a considerar seu conhecimento. (Ibidem, p.36).
Mesmo reconhecendo a importância da vontade humana no processo educativo, Aquino não concebe o ensino fora da dependência das escrituras sagradas e da graça de Deus, por considerar que o homem tem a natureza desvirtuada.
Diz a Escritura (Mt 23,8): “Um só é vosso mestre”, logo a seguir a: “Não queirais ser chamados Rabbi.” Ao que diz a Glosa: “Não atribuais a homens a honra divina e não usurpeis o que é de Deus.” Daí que ser mestre e ensinar apanágio de Deus. (Ibidem, p.23).
Assim, o pensamento tomista tem como orientação um princípio divino ordenador do mundo, onde, é a metafísica, Deus, que possibilita uma pedagogia capaz de levar o homem a efetivar o seu potencial nato, proporcionando-lhe a felicidade. Portanto, podemos depreender que nas práticas educacionais da Idade Média, na perspectiva da pedagogia de Santo Tomás de Aquino, mesmo com as iniciativas de superação da racionalidade pura, havia o predomínio do método racional (tradicional) e o argumento de autoridade: o primeiro aplicado a realidades e fatos não suscetíveis de comprovação experimental, e o segundo consistindo em admitir uma verdade ou doutrina, baseada apenas no valor intelectual ou moral daquele que a propunha ou professava.
No aluno, as representações das coisas inteligíveis, pelas quais se produz o conhecimento recebido pelo ensino, são imediatamente de seu intelecto agente, mas mediatamente propiciadas pelo professor, ao propor sinais das coisas inteligíveis a partir dos quais o intelecto agente capta os conteúdos e os representa no intelecto paciente. Daí que as palavras do mestre, ouvidas ou lidas, causem o conhecimento do mesmo modo que as realidades externas, pois tanto a estas quanto àquelas volta-se o intelecto agente para receber os conteúdos inteligíveis, se bem que as palavras do professor estão mais próximas de causar conhecimento do que as realidades sensíveis externas, enquanto sinais dos conteúdos inteligíveis. (Ibidem, p 36).
Neste método, o aluno bem avaliado é aquele que aceita com passividade a opinião dos mestres ou autoridades no assunto, sendo capaz de repetir quase que integralmente o que se ouvia ou lia. A atenção e a memória eram os agrupamentos operatórios de pensamento mais valorizados nas escolas desta época, “o discípulo, se interrogado antes da fala do mestre, responderia sobre os princípios pelos quais é ensinado, mas não sobre as conclusões que lhe são ensinadas: ele não aprende do professor os princípios, mas as conclusões” (Ibidem, p.38).





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