O efeito da educaçÃo na reduçÃo da criminalidade stephen Machin, Olivier Marie e Suncica Vujic'



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Descrição dos Dados

Há uma série de questões de dados pertinentes que ainda precisamos discutir, uma vez que são relevantes no contexto estudado. Em primeiro lugar, há a questão de que a medida da criminalidade difere de acordo com as fontes de dados. Em segundo lugar, embora alguns microdados sobre criminalidade contenham informações sobre as características dos criminosos, a maior parte deles não contém tais dados. Neste último caso, precisamos de algum meio para comparar dados sobre criminalidade com dados sobre educação.

É possível que as fontes com dados sobre criminalidade mais comumente utilizadas em pesquisa quantitativa sejam os relatórios policiais sobre crimes. Considerando que nem todos estes crimes são solucionados ou esclarecidos, este tipo de dado não contém informações sobre as características dos indivíduos que cometeram tais crimes registrados. A menos que tais conjuntos de dados sejam agregados a algum nível geográfico (como por exemplo, a área coberta pela força policial) e comparados com dados sobre educação neste nível, não é possível utilizá-los para estudar a relação empírica entre criminalidade e educação. Realisticamente falando, tal agregação espacial não promete grande possibilidade de estudar, de forma credível, a questão que nos interessa neste artigo.

O outro tipo principal de dados disponível sobre criminalidade vem daqueles indivíduos que
3 Trata-se da proximidade geográfica de um grande número de jovens - no estabelecimento de ensino - o que pode resultar no aumento da probabilidade de confrontos violentos.

entram no sistema de justiça criminal depois de terem sido presos e acusados de um crime. Na Inglaterra e no País de Gales, o Offenders Index Database – OID (Banco de Dados sobre Criminosos) contém dados sobre os antecedentes criminais de ofensores condenados por crimes da lista padrão desde 1963.4 Os dados (descritos no Apêndice A, contendo uma descrição de dados mais detalhada dos dados) são coletados durante audiências com juízes e atualizados trimestralmente. O índice foi criado exclusivamente para pesquisa e análise estatística. Seu principal objetivo é fornecer dados completos sobre o histórico criminal de uma amostra selecionada aleatoriamente.

Temos acesso aos dados do OID de amostras anônimas de criminosos condenados ao longo de quatro semanas cada ano. Temos também todo o histórico antes e depois desses indivíduos comparecerem em juízo. Todavia, não há informações sobre o grau de educação de um réu no OID e, portanto, os dados precisam ser agregados para permitir uma relação com os dados sobre educação provenientes de outras fontes. Uma grande vantagem (certamente em relação aos dados de crimes registrados) é que algumas características demográficas estão disponíveis no OID, particularmente idade e sexo.

Calculamos então as taxas de criminalidade (por 1.000 habitantes) utilizando dados do Office for National Statistics – ONS sobre a população por faixa etária e ano, separadamente para homens e mulheres. Ao fazê-lo, infrações penais foram classificadas, de uma maneira geral, como crimes contra o patrimônio (roubo e furto e porte de mercadorias roubadas) e crimes violentos (violência contra a pessoa e roubo). Estas taxas de criminalidade podem ser comparadas aos dados sobre educação de outras fontes de microdados, em que medidas de educação podem ser transformadas em células de idade por ano (por sexo).

Investigamos várias fontes de dados possíveis contendo características individuais de educação para comparar ao OID. As três principais escolhidas foram: a Family Expenditure Survey – FES (Censo das Despesas de Família); a General Household Survey – GHS (Censo Domiciliar Geral); e a Labour Force Survey – LFS (Censo dos Trabalhadores). A melhor comparação foi com a GHS, por várias razões. Em primeiro lugar, nos permite retroagir no tempo, com 1972 sendo um ano de partida, com dados sobre educação bem definidos, quando comparado a 1978 na FES e 1979 (excluindo alguns anos, uma vez que a pesquisa original foi somente bianual) na LFS. Incluir o início da década de 1970 é importante para garantir dados suficientes sobre jovens antes e depois da reforma ocorrida na educação que nos interessa aqui. Em segundo lugar, podemos considerar duas variáveis de educação - idade de saída do sistema educacional e se os indivíduos possuem ou não qualificações educacionais - na GHS, enquanto que na FES há apenas informações sobre a idade que abandonaram a escola de horário integral e na LFS há informações sobre falta de qualificação (embora não de forma consistente para todos os anos) e idade que abandonaram a escola de horário integral. Em terceiro lugar, como estamos planejando considerar o impacto causal via uma lei que estipula uma idade compulsória para saída do sistema educacional, a GHS tem a medida mais apropriada para identificar a idade de jovens que pararam de estudar, ao passo que as outras duas fontes de dados se referem à idade final escolar e não-escolar. Dados do Apêndice A descrevem mais detalhadamente como
4 Crimes da lista padrão são todos os crimes graves ou que podem ser julgados, e mais alguns crimes de maior gravidade passíveis de julgamento.

comparamos os dados do OID e da GHS para a análise principal neste artigo. Nossa amostra consiste de pessoas entre 18 e 40 anos, nascidas entre 1946 e 1970, a partir de dados do OID e da GHS em todo o período compreendido entre 1972 e 1996.

Outras fontes de dados com informações sobre atividade criminal também permitem que análises não-causais sejam realizadas. Por exemplo, os microdados do Censo em uma série de países contêm informações tanto sobre encarceramento (indivíduos que estão em estabelecimentos de serviços prisionais) quanto sobre níveis de educação individual.5 No entanto, no contexto do Reino Unido, apenas o Censo de 2001 dispõe de dados suficientemente adequados sobre educação individual e, portanto, permite somente uma análise transversal. A British Crime Survey – BCS também contém informações sobre o nível de educação e informações rudimentares autorrelatadas sobre antecedentes criminais dos entrevistados.

A título de ilustração, a Tabela 1 utiliza essas fontes diferentes de dados para demonstrar algumas estimativas de regressão não-causal da associação entre criminalidade e educação para homens e mulheres entre 18 e 40 anos. À semelhança de outros estudos existentes na vasta literatura nesta área, tais fontes revelam uma correlação negativa empírica significativa entre crime e idade de saída do sistema educacional e uma associação positiva com falta de qualificações. Isto é verdadeiro para os dados comparados no painel superior do OID e da GHS (exceto para associação com falta de qualificações para mulheres), para os dados do Censo de 2001 sobre associação entre prisão e falta de qualificações no painel do meio e para os dados autorrelatados da BCS 2001/2-2007/8 sobre já ter sido preso ou já ter comparecido em juízo na condição de réu.



Naturalmente, estas são simplesmente correlações e não são fáceis de interpretar, pois há muitos outros fatores de confusão em jogo. No caso dos modelos de coorte, considere uma simples regressão de mínimos quadrados de uma medida de crime para uma determinada coorte de idade a no ano t (Oat) com uma variável de educação (Eat) como uma variável explicativa e Xjat (j = 1, 2 , ..., J) sendo um conjunto de outras variáveis ​​de controle:

onde uat é um termo de erro.

Se as características não observadas de coortes levarem à participação em crimes, mas também à educação, as estimativas de mínimos quadrados de a1 (conforme apresentado na Tabela 1) serão tendenciosas. Esta é uma questão fundamental, na medida em que as características não observadas que afetam as decisões sobre educação podem estar correlacionadas com inobserváveis ​​que influenciam a decisão de se envolver com o crime. Por exemplo, a1 pode ser estimada como sendo negativa, mesmo no caso da educação não ter efeito causal sobre o crime. Este seria o caso se indivíduos com altos níveis de retorno à criminalidade estivessem susceptíveis a passar a maior parte de seu tempo cometendo crimes e não trabalhando, independentemente de sua formação educacional. Considerando que a educação não aumenta os retornos à criminalidade, é provável que esses indivíduos abandonem os estudos.
5 De fato, grande parte dos documentos dos EUA por Lochner e Moretti (2004) utiliza dados do Censo dos EUA. Sua principal vantagem é ter diversos Censos dos EUA, em que dados tanto sobre prisão quanto educação foram disponibilizados simultaneamente.

Como resultado, podemos observar uma correlação negativa entre educação e criminalidade embora não haja nenhum efeito causal entre os dois. Implementar uma abordagem causal que seja plausível requer um instrumento para educação, que é a questão que abordaremos a seguir.


Tabela 1




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