O efeito da educaçÃo na reduçÃo da criminalidade stephen Machin, Olivier Marie e Suncica Vujic'


Mecanismos da Educação na Redução da Crime, Dados e Análise Descritiva



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1. Mecanismos da Educação na Redução da Crime, Dados e Análise Descritiva


    1. Mecanismos Que Provocam Mudanças no Sistema Educacional Podem Causar Impacto na Criminalidade

Há uma série de razões teóricas porque a educação pode ter um efeito sobre a criminalidade. A partir da literatura socioeconômica existente há (pelo menos) três canais principais por meio dos quais a escolaridade pode afetar a participação no crime: efeitos sobre a renda, disponibilidade de tempo e paciência ou aversão ao risco. Para a maioria dos crimes, seria de se esperar que estes
2 Exemplos da literatura sobre criminologia incluem Farrington (1986, 1999) e da literatura sobre educação incluem Sabates (2008, 2009) assim como Sabates e Feinstein (2008). Há muito menos trabalho de economistas. Ver Lochner (no prelo) para uma visão mais ampla da literatura sobre criminalidade e educação.

fatores estimulem um efeito negativo da educação sobre a criminalidade embora, em última análise, esta seja uma questão empírica. Consideramos, resumidamente, cada um dos três mecanismos por vez:



  1. O efeito renda funciona por intermédio da educação aumentando os lucros para legitimar o trabalho ou aumentar os custos de oportunidade do comportamento ilegal (Lochner, 2004; Lochner e Moretti, 2004; Hjalmarsson, 2008 ). A evidência empírica sustenta a noção: por exemplo, Grogger (1998) associa a criminalidade aos salários, concluindo que o comportamento criminoso da juventude é sensível aos incentivos de preços e que a queda dos salários reais pode ter sido um fator importante no aumento da participação dos jovens em atividades criminosas durante as décadas de 1970 e 1980. Machin e Meghir (2004) levam em consideração mudanças na criminalidade em todas as áreas e o mercado de trabalho de baixos salários na Inglaterra e no País de Gales. Os autores creem que a criminalidade reduziu em áreas onde o crescimento dos salários dos 25% mais próximos da base da pirâmide da distribuição foi mais rápido, concluindo que as melhorias na acumulação de capital humano através do sistema de educação ou por outros meios ... aumentando a produtividade no mercado de trabalho individual ... seriam ingredientes importantes na redução da criminalidade.

Por outro lado, há ainda alguma evidência de que a educação também pode aumentar os lucros do crime, uma vez que certas habilidades adquiridas na escola podem ser utilizadas de forma inapropriada para atividades criminosas. Levitt e Lochner (2001) constatam que homens com pontuações mais altas em testes de dados mecânicos aumentavam os índices de criminalidade. Além disso, Lochner (2004) estima que nas coortes, os aumentos na escolaridade média estão associados ao aumento de 11% nos índices de prisão por crime do colarinho branco (embora este efeito estimado não seja estatisticamente significativo).

  1. O tempo gasto em educação também pode ser importante para adolescentes em termos de limitar o tempo disponível para participar de atividades criminosas. Este efeito de ‘autoincapacitação’ foi documentado por Tauchen et al. (1994), que concluiu que o tempo gasto na escola (e no trabalho) durante um ano está negativamente correlacionado com a probabilidade de prisões efetuadas naquele ano. Hjalmarsson (2008) levou em conta a relação oposta, estudando o impacto de ser preso e encarcerado antes de terminar a escola na probabilidade de concluir os dois anos adicionais que preparam para a universidade (high school). Seus resultados sugerem que tanto o número de vezes que um jovem for pego cometendo crime quanto a quantidade de tempo passado na prisão, aumentam significativamente a probabilidade deste jovem abandonar os estudos.

Considerando que estas ainda podem ser decisões endógenas, Jacob e Lefgren (2003) documentam dias sem aula por razões de cunho exógeno, por motivo de treinamento de professores, enquanto Luallen (2006) utiliza o fechamento inesperado de escolas motivado por greves de professores como um instrumento para a ausência do estudante na escola. Ambos os artigos observam que a educação gera um efeito de incapacitação sobre a participação em atividades criminais. No entanto, os artigos

também identificam um aumento no número de crimes violentos em períodos de aula, uma conclusão que é atribuída a um efeito concentração.3 Anderson (2010) também relata evidências nos EUA, com base na idade mínima de saída do sistema educacional, que varia entre estados, reforçando a ideia de que taxas de aprisionamento podem ser diminuídas quando jovens permanecem na escola.



(iii) A educação também pode influenciar a criminalidade através de seu efeito sobre paciência e aversão ao risco (Lochner e Moretti, 2004). Aqui, os ganhos futuros provenientes de qualquer atividade são descontados de acordo com a paciência que se tem em esperar por eles. Dessa forma, indivíduos com muita paciência têm taxas de desconto baixas e dão maior valor aos ganhos futuros em comparação com indivíduos que têm taxas de desconto altas. Oreopoulos (2007) resume uma amostra de estudos da literatura psicológica e neurológica, concluindo que os jovens que abandonam a escola tendem a ser míopes e mais focados nos custos imediatos da escolaridade (pressão ao fazer provas, currículo desinteressante, ganhos previsíveis, etc.), e não nos ganhos futuros que podem ser obtidos com dois anos adicionais na escola. Esta linha de literatura também sugere que os adolescentes não têm habilidades de raciocínio abstrato e estão mais predispostos a comportamentos de risco. A educação pode aumentar a paciência, o que reduz a taxa de diminuição de ganhos futuros e, portanto, reduz a propensão para cometer crimes. A educação também pode aumentar a aversão ao risco, que, por sua vez, aumenta o peso dado por indivíduos a uma possível punição e, consequentemente, reduz a probabilidade de cometer crimes.





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